Todos os sábados, todos os dias, a mesma luta

O governo anunciou o PEC IV, aquelas medidas que com o PEC III seriam evitadas, que com o PECII não pareciam necessárias e que com o PECI se evitariam. Ainda que a maioria não possa aguentar mais o desastre, Sócrates propõe-se voltar a cortar nas prestações sociais, policiar e punir os estagiários e precários que não paguem segurança social (ainda que não tenham remuneração), desonerar os despedimentos e tornar inatingível o acesso ao subsídio de desemprego.
A um dia do protesto da geração à rasca, revela-se o resultado da reunião entre Sócrates e Merkel e da reeleição de Cavaco.
Hoje à tarde muitos estarão nas ruas. Os professores no Campo Pequeno e muitos milhares espalhados pelo país e pelo mundo nas várias concentrações/manifestações em torno do protesto da geração à rasca.
Ainda que Sócrates não esteja na sua maison da R. Castilho, bem perto do coração da manifestação lisboeta, Sousa Pintos, Galambas e afins, dão-lhe esperança que a contestação se resolva com um jantar com os chefes do protesto ou ensaiando a simplista “teorização” do papão da esquerda radical.
Mas para os problemas levantados pelo manifesto da geração à rasca, Sócrates é como um aspirador à espera do click final. A sua tarefa é a de extremar as condições de subsistência da maioria para fazer crer que entregar o país Sr. Que Se Segue na ordem dinástica do centrão não será assim tão mau.
A democracia constrói-se lutando, e é na rua que temos de travar o combate pelo nosso futuro colectivo. De nada servirá este protesto se não contribuir para juntar ainda mais trabalhadores à manifestação nacional de 19 de Março e se não contribuir para intensificar e radicalizar a luta contra quem nos tem governado nestes últimos trinta anos.

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