Um abraço de solidariedade ao povo japonês

E os meus agradecimentos por, com a seriedade dos seus regulamentos de construção anti-sísmica e a preparação das pessoas para actuarem em situação de catástrofes, terem transformado uma tragédia que há 100 anos representava centenas de milhares de mortos em custos humanos incomparavelmente inferiores.

Estou certo de que um povo que, há séculos, conseguiu transformar algo de tão aterrador como uma onda gigante numa das suas obras de arte mais apreciadas sairá por cima desta desgraça.

Gostaria que alguma coisa fosse aprendida, com isto, na minha terra. Mas temo que tal não possa passar de um whishful thinking.

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22 respostas a Um abraço de solidariedade ao povo japonês

  1. Justiniano diz:

    A ilustração não é do Kamikaze!!??

  2. Leitor Costumeiro diz:

    Um sismo em Lisboa hoje, devia deixar mais edifícios Pombalinos em pé que os modernos. Nem quero imaginar tamanha tragédia, seria 1756 revisitado e não sei se pior, 35 anos de cimento e betão mafiados para os empreiteiros terem mais lucros… Um LNEC afastado da fiscalização de grande obras como a ponte Vasco da Gama, Expo98, etc, etc, etc…
    Enfim, pior só no Haiti…

  3. Não. Kamikazes eram os ventos divinos que destruíram a frota chinesa que ia invadir o japão.

    • Justiniano diz:

      Sim, caro Paulo Granjo, eu sei!! Toda a gente sabe isso!! O que perguntei é se a ilustração não seria, exactamente, a ilustração do vento divino a destruir a frota chinesa!!??

      • Paulo Granjo diz:

        Sorry pelo mal-entendido.
        Mas acho que não. Tenho ideia que faz parte de uma série tardia de gravuras do Hokusai, que não corresponde especificamente ao episódio kamikaze nem a tsunamis, mas à própria força do mar, em contraposição ao monte Fuji (no que podemos, de facto, imaginar uma alusão a tsunamis, mas não explícita, porque as ondas não estão para terra).
        Mas não vou jurar, pois no sítio onde estou não dá para confirmar; é a minha falível memória que fala.

  4. marilu diz:

    E não há milagres no Japão.Há boa construcção!pq se fossem na lenga-lenga do mercado empresarial do laissez faire,laissez passer teriamos a construcção(?) do pato-bravo,(versão mais miserável do notavel de santa comba dão,o maoior portuguez de sempre e,beber é dar de comer a 1 milhão de portuguezes) uma de areia,outra de areal e outra do mesmo material.’Samos’ um génio, esta capacidade empresarial…

  5. marilu diz:

    mais curto mandato de Cavaco Silva

    Imagem do KAOS

    Como dizem os provérbios, há sempre um tempo para as vinganças, que, quando vêm, melhor se servem em pratos frios.
    Entre os tumultos e as inseguranças internacionais, nada se assemelha hoje mais a uma tempestade do que o mês de Março, em Portugal.
    É bem feito: custou, mas foi. É o tempo justo, com os protagonistas certos nas posições corretas. Para os atiradores furtivos e para os atiradores diretos é o tempo do alvo e da mudança.

    Dia 9 de Março, um dia funesto para a Nação Portuguesa, assistimos a um fenómeno que nos é particularmente próprio, o do lixo, em vez de cair para baixo, cair para cima, neste caso, para a mais alta magistratura do Estado, a Presidência da República.
    Investido na sua segunda (in)dignidade, dizem que o discurso do Sr. Aníbal, de Boliqueime, foi uma vergonha. Não o vi, nem ouvi, pelo que estou perfeitamente à vontade para o comentar.

    Concluído o Ciclo do Império, em que a Múmia de Santa Comba Dão deixou as colónias por explorar, e em que éramos senhores de algumas das maiores riquezas à face da Terra, deixadas escapar, para depois serem devastadas por caciques locais e predadores mundiais, ficámos perante o ciclo da última esperança, que era a de um retorno ao destino europeu.
    A coisa era, então, elementar: havia um núcleo de países ricos, e desenvolvidos, que reunidos pelos critérios da manutenção da paz e da cooperação económica, iam adotando, um a um, os seus irmãos mais pobres. Portugal, recém saído da sua bruma de autoritarismo, a mais longa do Velho Continente, viu-lhe estendida a mão do Continente, nos idos de 1985. As condições não eram desagradáveis, e até tinham a melancolia da simpatia e a esperança da juventude: anualmente, em projetos conjuntos, reorganizava-se e modernizavam-se a Agricultura, as Pescas e a Economia, apostava-se fortemente na Educação e na afinação da classificação profissional, erradicava-se o analfabetismo, as batrracas e as manchas de pobreza, desapareciam as fronteiras, e passávamos todos a ser cidadãos de um espaço comum, de direitos, deveres, qualidades e distinções.

    O que Portugal, ou, mais precisamente, quem governava Portugal, fez foi desbaratar esta derradeira oportunidade de modernidade e abundância. A Agricultura foi substituída por papéis fraudulentos, onde se inventavam tratores e sementeiras que nunca aconteceram, as árvores endógenas deitadas abaixo, para plantar eucaliptos, que forneciam, em monocultura, fonte de celulose para os ávidos importadores, e, se é certo que não chegámos aos extremos italianos de pôr árvores de plástico, que enganavam as fiscalizações apressadas das entidades europeias, multiplicámos esquemas cuja história, a ser um dia feita, revelaria o país infame, em toda a sua pequenez.

    A rede ferroviária, espinha dorsal, desde a revolução industrial, de qualquer estado, foi desmantelada, e as suas alternativas transformadas em estradas e autoestradas desenhadas por amadores, que poupavam na camada de desgaste do pavimento, e faziam os percursos em ziguezague, de modo a coincidirem com os terrenos onde mais se pudesse sacar nas expropriações, ditadas por supremos juízes jubilados, ou mumificados, do regime deposto. O resultado foram pistas da morte, rios de dinheiro esbanjados, e anomalias viárias, que tornaram Portugal um potencial emissor do CO2 da gasolina e do petróleo, que não produzia, mas cada vez mais importava.

    Os dinheiros da formação profissional, que incluíam pagamentos a formadores e formandos foram ficando pelas mãos das escolas fantasmas, ligadas aos tubarões da nova situação e a sindicalistas de caráter dúbio, que depois se casaram com badalhocas de Cascais, e desapareceram do mapa. O resultado foi mais uma multidão de analfabetos funcionais, rodeados de novas contas na Suíça, e por onde calhava.

    Fundos para a edição de livros desapareceram em raízes de eucaliptos, muito deles mandados plantar por ministros sinistros, que tutelavam o Ambiente (!), ou faziam anedotas sobre hemodialisados, quando não poupavam em lotes de sangue infetados com HIV.

    Os bancos, petrificados pelos excessos da Revolução, foram sendo vendidos a velhos donos, que, após indemnizações, imediatamente os vendiam a España, recebendo duas e três vezes pelo mesmo, ao colocá-los nas mãos do exterior.

    O pato bravismo, que era uma receita do sou ignorante, mas quero, posso e mando, assaltou o poder, e os poucos lugares deixados vagos por um regime decapitado na rua foram ocupados por gente duvidosa, de baixa formação académica, baixa moral, péssimo civismo e desmesurada ambição, enfim, pura avidez no campo do desviar capitais.

    O dinheiro abundava, podendo governar-se com três orçamentos, o do Estado, o das privatizações e o dos Fundos Estruturais.

    Esta brincadeira durou dez anos, com gente a especular na Bolsa, através da posse de envelopes com informação cifrada, que anunciavam que ações iriam subir, ou cair, no dia seguinte. Fizeram-se fortunas miraculosas, ao ponto de a Bolsa ter de ser fechada, e o sistema desacreditado.

    Havia gestores encarregados de fazer falir empresas, e colocar na rua operárias que se prostituíssem. Nas esquinas das pastelarias, abria um novo banco, sentava-se um novo drogado, e dormia um novo pedinte, e os industriais do Norte vinham buscar ruis pedros, para a sodomia, e a coprofilia.

    O circuito da droga instalou-se, e o “jet-set” deste “bas-fonds” gastava, numa noite, o salário de multidões imensas, com o desprezo que a gentalha que subia pelas escadas fáceis nutria pelos menos espertos, que não sabiam como a coisa se fazia.

    Multiplicaram-se cargos e assessores, de joelhos e na horizontal. As 100 famílias que governavam Portugal foram substituídas por 300, mais próximas das famílias da Mafia do que da Genealogia e do Apelido.

    Era o “Pugrèsso”, e estávamos no pelotão da frente da Europa, mano a mano com a Grécia, uma gente horrível, sem história, que se atrevia a desafiar-nos.

    Quando a coisa começou a ser suspeita, resolvemos acelerar o processo, e desmantelar a frota pesqueira, cobrir os terrenos agrícolas de urbanizações de “luxo”, onde se branqueavam os capitais da coca e da heroína, vender os têxteis, fechar os estaleiros, e passar, com esse dinheiro, a importar, de gente que dava comissões a alguns, à custa da destruição do trabalho de muitos, e da ru+ina de todos
    .
    Dez anos passados, estávamos num pântano, e instalou-se a cultura do salve-se quem puder.

    O “pügrèsso” de Portugal tinha sido falhar todas as metas para as quais a Europa tinha andado a injetar dinheiro.

    Ah, esqueci-me de dizer o nome do homem que presidia a isto tudo: chamava-se Aníbal Cavaco Silva, e era sósia do cadáver que, dia 9 de Março, fez descer o cargo de Presidente da República à indignidade de o ver reeleito.

    Este senhor Cavaco era casado com um mulher de horizontes limitados, que dava o ano zero, na Católica, e que, mal o marido foi eleito primeiro ministro, passou a ir, no mini em que sempre seguia para as aulas, com motorista. O motorista do mini era o próprio pai, enquanto não arranjou dinheiro para pagar a um profissional (!)

    Eu sei que tudo isto, contado assim, parece fruto de um cérebro doente, e é, mas não do meu, que sou só mero narrador: é o cérebro doente de um país inteiro, que se faz representar por esta gentalha.

    Santana Lopes, que presidiu à Cultura, pagava fortunas por uma noite passada com uma puta brasileira, que fazia “cultura” como se faz hoje, mas a verdadeira epígrafe e epitáfio do regime foi o Arquiteto Taveira, um ogre, que copiava, como o Miguel Sousa Tavares, hoje, umas coisas que se faziam lá fora, e pareciam “modernas”, cá por dentro, onde o gosto nunca foi famoso.

    A grande prática do Cavaquismo foi o sexo anal, tal como o senhor Taveira evangelizou.

    e foi esse senhor Aníbal que também deixou que proliferasse tudo o que era falso, de universidades privadas, de cursos de papelão, a escritores de escaparate de hipermercado e famílias de serviçais, que faziam, a metro, o que a baixeza e a mediania consumiam.

    Eram tempos difíceis, como dizia o escroque do Senhor Júdice, ligado à Pedofilia e ao tráfico de armas e influências, quando aconselhava a miúda, da Geração à Rasca, que queria ser atriz, a servir, de dia, à mesa (!), e a a representar, à noite. Supomos que seja assim que o cavalheiro tenho posto o paneleiro do filho à frente da Quinta das Lágrimas, nas urbanizações de Coimbra, em mata protegida, e a pagar 150 € de renda por um restaurante de luxo, quando a atriz decerto estará a penar 600 €, para toda a vida, por um cubículo frio na Margem Sul.

    Esta escumalha, que se instalou em todos os lugares decisórios, não os quer abandonar, a bem, nem permite que se exerça o direito de sucessão. Como todos os medíocres, necessita de se rodear de ainda mais medíocres, para que possa, por relação, brilhar, de preferência, para sempre.

    Todas estas coisas somadas destruíram um país, e tornaram a coisa de tal modo imobilizada que já não será pelas forças da Razão que se resolve: são décadas de compadrio, de vícios, de coisas feitas por debaixo da mesa, de sociedades secretas que violam o princípio da paridade e da transparência, que violam o direito de isenção da Lei, que juntam os poderes político e judicial.

    Elas são os princípios do Cavaquismo, a serem levados ao seu último apuro e estertor.

    Quando, a tremer, o homem que passa por Presidente da República de 15% de Portugueses pronunciou o seu ridículo discurso, pronunciou-o demasiado tarde. Devia ter apelado à insurreição social, quando entrava, em cascata, o dinheiro que podia ter desenvolvido Portugal.

    Em 1994, toureando-o na Ponte 25 de Abril, com o criminoso Dias Loureiro a disparar sobre a multidão, o Povo fê-lo cair o chão.
    Não teve vergonha, e voltou, dez anos depois, esquecido de ter patrocinado todos os horrores atrás descritos. Não se lhe ouviu, nesse discurso, uma palavra sobre os 9 000 000 000 € (!) que estamos a pagar, por causa das brincadeiras dos seus amigos cadastrados do BPN, nem da incredulidade que gera a manutenção dessa obscenidade, nos mercados financeiros internacionais.

    Cavaco Silva deixou sucessores, que terão levado a esta geração à rasca, mas a grande obra dessa criatura, cobarde e reptilínea, não foi uma, mas várias gerações, um país inteiro, à rasca. Quando agora apela a sublevações sociais, não é a razão que o está a fazer falar: são o medo e a cobardia, o mesmo medo ressuscitado daquelas multidões da Ponte, que o poderiam ter apeado, como qualquer múmia do Magreb.
    Não era um Presidente da República que discursava: era um gajo acagaçado, um tal Aníbal de Boliqueime, filho de um poço e de uma marquise, a tentar pôr-se de lado, como se ele não fosse o alvo primordial do protesto desta geração do pântano.

    Em 1985, este homem gangrenou a Democracia, a Cultura, a Economia e viabilidade do mais velho estado nação da Europa. Ele é o inimigo público nº 1, de Portugal, foi o ovo da serpente, permitiu que a serpente se tornasse fértil, e procriasse, multiplicou-a, transformou-a em sucedâneos, e deixou-a espalhar-se em prole. Hoje, senil, mal se move, senão pelos discursos farseados dos canalhas que dele precisam, na retaguarda, para sobreviver.
    Todavia, é uma serpente mumificada, que, já nem no chão, agora, se consegue contorcer: vão ser preciso fortes patadas, para que volte a apresentar sinuosas curvas, na sua pele mumificada de remorsos.

    ‘É isso que sinceramente lhe desejamos, no próximo 12 de Março.’
    de Arrebenta

    (Quinteto da indignação, no “Arrebenta-SOL”, no “Democracia em Portugal”, no “Klandestino”, no “Uma Aventura Sinistra

    P.S:Embora tenha algumas discordancias com o texto,penso que escreve muitissimo bem.
    Isto tem que MEXER!!!!!!BASTA

  6. Marota diz:

    O Japão ainda quando era muito pobre, mandou jovens para o mundo afora para que aprendessem como os melhores o faziam. Em Portugal vai o Primeiro Ministro comprar qualidade a New York e pedir dinheiro emprestado à Angela.

  7. joão viegas diz:

    Por acaso, também tenho duvidas em relação à ilustração (ao seu caracter apropriado, I mean). Se eu estiver errado e fôr devido unicamente a mau feitio, desculpe la. Senão corrija. Sabemos todos que não é por mal…

    Não precisa de publicar este comentario : é apenas a forma mais simples de chamar a atenção.

    • Justiniano diz:

      Ora exactamente, caro viegas!!

    • paulogranjo diz:

      Não creio que seja pouco apropriado colocar esta ilustração em dia de tragédia.

      Entendo a sua afixação como um tributo e vénia a um povo que foi utilizando da melhor forma as tecnologias de que foi dispondo ao longo da história para se adaptar às forças sísmicas e oceânicas com que se tem que confrontar, sendo ainda capaz de as sublimar em beleza.

      Mas admito, claro, que podem existior muitas outras sensibilidades acerca da questão. Nos casos em que assim seja, as minhas desculpas e a explicitação da minha intenção.

      • joão viegas diz:

        OK, você la sabe. Mas ainda assim… O problema não esta tanto na imagem, antes na juxtaposição do titulo do post e da imagem escolhida, no proprio dia em que houve um tsunami…

        Não fosse o comentario do Just. e desejar-lhe ia que fosse apenas sugestão maliciosa de um espirito pervertido como o meu…

  8. a anarca diz:

    Os japoneses são dos povos mais curiosos corajosos e organizados do mundo (sim, quem nos dera …)
    “a onda” -Katsushika Hokusai

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Katsushika_Hokusai

    um abraço solidário

  9. Gualter diz:

    Os japoneses, de facto, são uma cultura fascinante e com uma enorme capacidade técnica e organizativa. Contudo, há coisas que nem a melhor das técnicas consegue controlar.

    Uma delas é o nuclear: http://www.publico.pt/Mundo/japao-vai-libertar-vapor-radioactivo-para-controlar-pressao-em-central-nuclear_1484365

    Catástrofes como esta têm pelo menos a virtude de nos lembrar dos limites do engenho humano para controlar aquilo que é imprevisível.

  10. Pingback: inGENEa » Blog Archive » Acidentes nucleares e imprevisibilidade

  11. Mesmo assim : 1000 mortos, e contando…

    Construção anti-sísmica é para ser feita por engenheiros (projecto) por contramestres e operários, fiscalizados por um outro engenheiro (especializado em Estaleiros) a ver se a a ‘proletagem’ não aldraba as ‘amarrações’ do aço por preguiça e assim, quando abala cai eventualmente o enchimento de tijolo, e a estrutura porticada aguenta-se em princípio, também depende da magnitudo do sismo, 8,9 na escala de Richter é muita fruta…

    Ideia base: não contruir estruturas altas, ou barragens, ou centrais nucleares em lugares onde haja ‘falhas tectónicas’ ou linhas-de-água. (Nestas últimas, nada)

    A fazer, é em cima ou a norte de macissos rochosos.

    Clear it up any ?

    :/

  12. E mais o Miguel (chamem-lhe o que quiserem, mas não na face dele, capaz de vos desfazer só encostando-se, o homem tem 1,90m plus e muitos kgs…)

    Certeiro, como (quase) sempre:

    Pobre Japão

    Miguel Esteves Cardoso – 12-03-2011

    Assisti desde madrugada ao cataclismo no Japão, através de canais de várias línguas e em todos eles, papagueava-se que era uma grande tragédia mas que os japoneses estavam “preparados”.

    Num canal, pelas 7 da manhã, dizia-se que o número de mortos – naquela altura só um – mostrava a “preparação” dos japoneses. Como viviam numa zona de muitos sismos e tinham muitos recursos académicos, técnicos e financeiros, os japoneses “estavam bem preparados”.

    Num dos portugueses, às oito da manhã, um dos apresentadores da meteorologia dizia, coma a satisfação de quem acaba de fazer uma piada subtil, que o tempo em Portugal não estava bom “mas não tão mau como no Japão”. O que nós cá em casa não nos rimos com esta laracha!

    Diante as imagens do tsunami a avançar por Sendai, a 700 quilómetros por hora, levando tudo à frente, ouvi repetidas vezes, que os japoneses estavam bem preparados e, de manhã, que o grande perigo era para os outros países próximos, que eram mais pobres – e não estavam preparados. Talvez esta cantilena da preparação seja consolatória – incitando-nos, ocidentais, a prepararmo-nos tão bem como os japoneses, para que as consequências de um grande terramoto por aqui não sejam tão horríveis como tememos. Mas eu cá noto uma estereotopia estúpida e cega. Como é que estavam preparadas todas as pessoas que morreram, os edifícios que caíram e as povoações que foram destruídas? Nós é que estamos sempre prontos. Para estereotipar. E não ver.

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