Leopoldina, salva-me!

Malta mal intencionada aponta ao Miguel Sousa Tavares o pequeno lapso de se ter enganado 56 anos na libertação dos escravos e na pessoa que assinou a dita cuja. Quero admoestá-los com as imortais palavras do Conde de Abranhos quando os jornalistas contestaram a sua frase que Moçambique seria ‘ a nossa possessão na costa ocidental de África’: “questões de latitude não mudam a política!”.
As pessoas não percebem que a Leopoldina é mais do que uma pessoa, é um conceito. Não interessa nada que ela não tenha libertado os escravos em concreto. Interessa é a ideia que os escravos não conquistam a liberdade, precisam das Leopoldinas deste mundo para lhes oferecer a salvação. Fiel a este princípio da voz do dono, tantas vezes enunciados pelos comentadores de turno, vou preencher a minha folhinha em branco na manif de amanhã (que ideia mais pirosa) com a seguinte frase: “Leopoldina, salva-me!”.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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16 respostas a Leopoldina, salva-me!

  1. Pedro Penilo diz:

    Leopoldina, leva a Carla!

  2. Morgada de V. diz:

    Tens aqui um postinho muito em condições, camarada chefe pá.
    Pede também à Leopoldina que leve o MST, é mais eurovisivo!

  3. Leitor Costumeiro diz:

    O MST esqueceu-se da independência do Haiti em 1804…

  4. Sim, gosto muito do conceito Leopoldina, aliás Isabel. É que por acaso a lei até foi votada por uma coisa chamada deputados. Deve ser das biografias dos reis de Portugal, há gente que voltou ao sujeito histórico versão providencialista.
    Já me tinha entretido com o assunto:
    http://www.aventar.eu/2011/03/08/miguel-a-brincar-as-leopoldinas/

  5. LAM diz:

    a Popota não serve o propósito?

  6. joão viegas diz:

    Bom, la que o homem mostrou ser dotado de uma extraordinaria habilidade para desperdiçar ocasiões de ficar calado, não ha duvidas que mostrou…

  7. a anarca diz:

    Ser piroso é tão aterrador como ser comunista
    LOL

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      espero que ser comunista seja muito mais aterrador, tipo: “há um fantasma que aterroriza a Europa: é o espectro do comunismo”.

  8. O essencial está no detalhe. E o detalhe do MST não saber quem assinou o decreto de abolição da escravatura no Brasil – confundindo a avó com a neta – diz tudo sobre as patetices que se dizem impunemente em Portugal.
    Para resumir: a ignorância qd aliada à arrogância é explosiva. Mas este é um país onde os condes de abranhos continuam a dominar sem que ninguém lhes diga que vão de rabo à mostra.

  9. Carlos Vidal diz:

    Bom, parece-me que abri por aqui no “5” um filão.
    Dei-vos a conhecer uma “personagem” muito problemática.
    Um novo Sócrates, enfim.
    Força, camaradas, eu abri o caminho!

  10. Carlos Vidal diz:

    MST quer dizer o quê?
    Movimento dos Sem Terra?
    A Leopoldina vai tratar também, depois da escravatura, da verdadeira Reforma Agrária (que o Lula se esqueceu): depois de realizada a Reforma Agrária no Brasil, o MST de portugal nunca mais vai poder citar o nome da mulher.
    Boa.

  11. Rodrigo Castro diz:

    «Interessa é a ideia que os escravos não conquistam a liberdade […] precisam das Leopoldinas deste mundo para lhes oferecer a salvação.»

    Pois, até ao parêntesis recto é o pensamento de Tolstoi, por exemplo. E antes dele, de Maîstre, como elucida Berlin. E se lhe acrescentar o resto, vai, vindo daqui, dar ao Marx, bastando para isso mudar o nome da Leopoldina e torná-la menos humana. Ou demasiado humana, para lembrar outro que comunga deste pensamento de que os escravos são incapazes de se libertarem eles mesmos. Não sei é se o Tavares sabe disto, ele que confunde Leopoldina com a boa Princesa Isabel.

  12. Carlos Fernandes diz:

    E não obstante os plágios de paragrafos (e se calhar, páginas…) inteiros, e não obstante os erros de confusão de avós com netas, etc., o certo é que o homem vende que se farta, basta ver as enormes tiragens das sucessivas edições do livro Equador, portanto no meio disto tudo quem se ri por fim, dos tótós todos que têm de gramar, ou senão fazer zapping, a sua opinião e voz rouca e grave e arrogantemente assertiva, e sem direito a contraditório, é ele…

  13. Posso sempre contribuir / relembrar uma frase do Bel-Mel ( a fingir de ‘William Wallace’) no seu celebérrimo filme, e traduzindo à minha bela vontade.

    «Há uma diferença entre nós.
    Ustedes pensam que o povoléu aqui existe para que ‘bosselências’ tenham condição de… (ser uns parvalhões do caraças ??)
    Eu penso que a vossa existência só se justifica para ajudar o pessoal todo a ter liberdade.»

    Todo um programa de combate, não ??

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