Animais de circo

“Fonte policial disse hoje à agência Lusa que os movimentos nas redes sociais, nomeadamente o Facebook, que se referem ao protesto, estão a ser vigiados, tendo motivado várias reuniões nos vários comandos nos últimos dias. A fonte indicou que a Polícia de Segurança Pública (PSP) está a preparar-se para acompanhar a manifestação com o mesmo grau de rigor e prontidão que disponibilizou aquando da cimeira da Nato, que decorreu em Lisboa, no final de Novembro passado. A PSP está com especial atenção ao evoluir da situação que envolve elementos de grupos de extrema-direita e de extrema-esquerda que já manifestaram intenção de se associar ao protesto. A mesma fonte garantiu que a PSP está a preparar-se para esta manifestação como se de uma “black-bloc” se tratasse, nome dado a uma estratégia de manifestação e protesto anarquista, na qual grupos de afinidade mascarados e vestidos de negro se reúnem.”
Via Público

Alguém tem que explicar à PSP que o direito à manifestação não pressupõe que tal se faça dentro de uma gaiola, como aconteceu na cimeira da NATO e parece estar a ser equacionado para amanhã. Qualquer dispositivo desproporcional será meio caminho para a violência. Se para agravar o problema mobilizarem os agentes que têm passado horas agarrados ao computador a ler os murais das dezenas de grupos de facebook associados ao protesto ou a ouvir os telefonemas das diferentes Gerações à Rasca, é de prever muito pouca diplomacia. Esperemos que Sócrates, como Kadhafi, não venha depois dizer que a culpa dos eventuais desacatos são jovens debaixo do efeito de drogas psicotrópicas e que provavelmente integram uma qualquer célula da Al Qaeda.

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