Quando ouvires alguém defender a não-politização do movimento, não te esqueças que isso faz parte de uma agenda política

Retirado de um grupo do facebook que pretende impedir os Homens da Luta de estarem presentes no Festival da Canção (os sublinhados são meus):

A nossa página continua a ser incómoda e até já tivemos direito a referência especial em todos os noticiários de ontem da RTP. Tendo em vista deixar claro que não temos nada contra os “Homens da Luta”, vamos mudar o nome desta petição para “Portugal em Luta, Não na Eurovisão”. A Eurovisão é um festival de música, não um palco de manifestações políticas.
Não somos contra os Homens da Luta, nem a sua vitória justa no Festival da RTP, porque ocorreu de acordo com as regras do concurso, apesar de ser questionável que cumprisse com os critérios de pre-selecção. Os Homens da Luta são os campeões deste ano do Festival RTP da canção, sem dúvida. É saudável que tenha existido essa vitória. Mas levar o protesto além –fronteiras, através dos meios e dos foruns errados apenas prejudica o Povo Português. É cá dentro que temos que fazer a luta (e lá fora, mas nos locais adequados). Somos contra que os “Homens da Luta” apareçam na Eurovisão como a escolha de “Portugal”, dado que a votação feita naquela música não foi pela sua qualidade musical (caso em que aceitariamos o método de escolha que foi feito), mas sim foi assumidamente uma votação politica. E se existe uma manifestação politica além-fronteiras em nome de “Portugal”, com a nossa bandeira ao lado, exigimos que seja feita de acordo com efectiva legitimidade democrática de representação nacional. Ou alternativamente, exigimos que a apresentação da música seja feita em nome da “RTP”, sem bandeira nacional ao lado.
É importante a divulgação deste movimento porque está em causa o bom nome de Portugal e do Povo Português, num humilde contributo para evitar o perigoso caminho que o país começa a percorrer em direcção à instabilidade política, social e económica. Estes movimentos da “reacção”, “anti-sistema”, “anti-partidos”, “anti-tudo” estão na moda, são bem organizados, mas não teêm soluções credíveis para o país no mundo moderno em que vivemos. Cantam contra o governo, contra a Alemanha, o FMI, a Europa, os mercados, as agências de rating, os bancos, os EUA, os partidos. Acenam com o fantasma do fascismo, mas teêm como alternativa a anarquia ou uma ditadura comunista. Surfam a onda das revoltas em curso no mundo islâmico, esquecendo-se que aqueles povos lutam para ter direito àquilo que nós já temos: democracia, bem-estar económico dentro do possivel, protecção social detro do possível. Estes movimentos “anti-sistema” oferecem-nos a vitória do “povo” contra os partidos e contra o capitalismo (o menos mau dos sistemas conhecidos, a exemplo da democracia em termos politicos), ignorando que se existisse uma revolução anárquica ou comunista, isso implicaria imediatamente a bancarrota, a fuga de capitais, as falências das empresas e do Estado, o desemprego ainda maior, o racionamento de bens e serviços, a pobreza generalizada da população.
Somos os maiores defensores da democracia e das suas conquistas para as pessoas e é por isso que defendemos uma participação digna de Portugal na Eurovisão, que não ajude a prejudicar a imagem do país além-fronteiras, neste dias em que estamos tão dependentes da boa vontade externa para resolver os nossos problemas.

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15 respostas a Quando ouvires alguém defender a não-politização do movimento, não te esqueças que isso faz parte de uma agenda política

  1. Vasco Ramos diz:

    Estas duas:
    1″está em causa o bom nome de Portugal e do Povo Português, num humilde contributo para evitar o perigoso caminho que o país começa a percorrer em direcção à instabilidade política, social e económica. Estes movimentos da “reacção”, “anti-sistema”, “anti-partidos”, “anti-tudo” estão na moda, são bem organizados, mas não teêm soluções credíveis para o país no mundo moderno em que vivemos. Cantam contra o governo, contra a Alemanha, o FMI, a Europa, os mercados, as agências de rating, os bancos, os EUA, os partidos. Acenam com o fantasma do fascismo, mas teêm como alternativa a anarquia ou uma ditadura comunista”;
    2″defendemos uma participação digna de Portugal na Eurovisão, que não ajude a prejudicar a imagem do país além-fronteiras, neste dias em que estamos tão dependentes da boa vontade externa para resolver os nossos problemas.”

    É por isto que, sabendo que os HL começaram como palhaçada, são para já úteis.
    Na medida em que dão arrepios na espinha a quem escreve estas coisas. E aos MST’s desta vida.
    Mas não fiquemos demasiado excitados…

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Vasco, o que me interessa no fenómeno não são os Homens da Luta ou a letra. O que me interessa é que a discussão é feita exactamente nos mesmos moldes de quem tenta afastar os militantes dos partidos e a política do protesto do dia 12 de Março. O que me interessa é perceber quem é esta gente que continua a pensar que o melhor é estarmos caladinhos, que a política é para os políticos, e que, preocupados com a imagem da nação não querem votar senão no PS ou no PSD.

  2. JMJ diz:

    “bem-estar económico dentro do possivel, protecção social detro do possível” é a melhor descrição do nosso regime pós-76.

    Anda tudo feliz e contente, “dentro do possível”….

    Que palhaçada estes gajos! e logo “neste dias em que estamos tão dependentes da boa vontade externa para resolver os nossos problemas”

  3. Leitor Costumeiro diz:

    Só posso dizer o seguinte:
    BURROS!!ACÉFALOS!!!

  4. Diacho !
    Nem sabia que alguém ainda via essa «cégada» da Euro (isso), quando há tanta coisa melhor por aki e por ali…
    Falta de assunto ??

    🙁

  5. CD diz:

    Que grande democracia esta, que faz cair pesadamente sobre quem trabalha e há muito está afastado de uma vida digna os efeitos da chamada “crise”
    A ofensiva avança como nunca se viu pela mão dos grandes democratas do PS e do PSD. O horizonte que apontam, exploração e liquidação dos direitos sociais, retrocesso e as pessoas a serem tratadas como animais e números.
    O caos não interessa a ninguém. Mas não há que manter este sistema iníquo e perverso. É necessário avançar e criar condições para que a luta cresça, para que a consciência dos excluídos compreenda da necessidade de responder e derrotar estes fantoches e oportunistas, que falam em nome do povo e todos os dias agravam a sua vida e o futuro do país, a favor dos seus donos e ídolos.
    Só a luta sairá vencedora com o envolvimento largo de sectores sociais e camadas da população desfavorecida.

  6. Johnny Carmeleon diz:

    Não deixa de ser engraçado que esses senhores (do grupo do Facebook) questionem a legitimidade de um processo eleitoral idêntico àquele que apregoam como único método legítimo/legitimante. “Não, não! Isso de o eleito ser alguém que recebeu mais votos mas que não reúne a maioria efetiva dos possíveis votantes porque nem todos os possíveis votantes votaram é inadmissível! Só é legítimo se a eleição corresponder a um sistema de proporcionalidade com voto não-obrigatório em que a abstenção e o voto nulo são possíveis!” Pois bem, deixando de lado a discussão em torno da tomada de posição que pode ser a abstenção (que é, afinal, a atitude corrente das pessoas que pensam como os senhores do grupo do facebook)… não votou, tivesse votado!

  7. Johnny Carmeleon diz:

    Adenda ao post anterior: “sistema (…) com voto não-obrigatório em que a abstenção e o voto nulo são possíveis” é, claro, uma redundância.

  8. Pingback: Quais Homens da Luta, qual quê: humor a sério é na petição anti-eles | cinco dias

  9. JP diz:

    A democracia é óptima mas só quando dá o resultado que se pretende…

    Nos meios mais selectos já se ouve:
    “Ó Mariazinha, guarde as pratas que a gente vai pró Brasil…”

  10. Epitácio Lemos diz:

    Até chegarmos à sociedade comunista, toda e qualquer teoria acerca do sim da luta de classes é ela própria uma manifestação da luta de classes a nível ideológico.

  11. Bolota diz:

    Os homens da luta tem rosto . Será que quem promove a petição anti- Homens de luta tambem tem???

  12. A.Silva diz:

    Tá bonito isto, tá!… já não bastava os diolinda.

  13. “” Estes movimentos da “reacção”, “anti-sistema”, “anti-partidos”, “anti-tudo” estão na moda, são bem organizados, mas não teêm soluções credíveis para o país no mundo moderno em que vivemos. “”

    Quer dizer, o povo votou, elegeu mas como não foi a eleição que lhes daria o jeitinho,tratm os vencedores pot anti-tudo….
    então mas afinal quem é que aqui está a ser anti?…será birrinhas?

    “” Acenam com o fantasma do fascismo, mas teêm como alternativa a anarquia ou uma ditadura comunista “”

    Esta então é a mais engraçada!
    Aqui não lhes importa, os HDL terem ganho consoante o critério da votação em causa, não, isso a eles não lhes importa, por eles, passam simplesmente por cima da escolha da maioria para impor a sua minoria e têm a lata de falar em fascismo! Anarquia?…Ditadura comunista?…então como se chamará o fascismo deles?..e a anarquia de fazerem só o que lhes dá na gana? e como se chamará o seu tipo de ditadura?…a Ditadura do beiçinho? ..da birrinha?
    Quem serão eles para falarem pela maioria que votou e dizerem que PT “merece ” ser melhor representado?
    Penso que já chega do tipo de representação deste tipo de malta habituada a ter as suas vontades feitas á base da birrinha e do beiçinho e passarmos á nossa representação, a da LUTA.

    STREETWARRIOR…. dia 12 veremos quem irá ficar árrrrrrrrrasca

  14. Me Nhoca diz:

    Pois é interessante revive um pouco um festival dispendioso

    e semi-morto

    uma manifestação pretensa mente musical leva a uma contra-manifestação

    é o espírito do nacional-manifestismo

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