Então não é que à entidade “doliveiresca” agora lhe deu para plagiar Marx, não tendo para tal jeito nenhum, e ainda por cima para de novo (depois de RTavares) vir em defesa da vida estilo “mal menor”…

Ficheiro:Hermes di Prassitele, at Olimpia, front.jpg

Hermes, por Praxíteles.

Bom, este já é o meu 4º post sobre os Homens da Luta, um grupo de humoristas que eu mal conhecia até há pouco. A malta conhece os “Gato” (já os citei 3 vezes, eu sei), agora muito interventivos neste período difícil para a nação, a malta conhece essa malta da PT e pouco mais. A malta não tem tempo para mais. Adiante (e agora a sério).

Bom, embora a sério, não vou elaborar nada (nada de nada!) sobre o raciocínio ou, se quiserem, o «pensamento» doliveiresco. Não, isso nunca o faria (não tenho estudos para tal). Mas, sobre a vitória dos Homens da Luta no último Festival dos Festivais, DOliveira veio como uma história que faz lembrar uma do senhor das barbas brancas (já conto). Assim: para DOliveira, a vitória dos Homens da Luta deve-se a uma carrada de nostalgia de que todos mais ou menos pedecemos. Nostalgia de um tempo em que tudo era simples, claro, pobre mas certinho, a esquerda estava à esquerda, não gastávamos o que não tínhamos ($$), tínhamos mitos na cabeça (o da emancipação, essa coisa de merda e sem desculpa)… etc., «não tem saudades», diz ele veementemente, e não me obriguem a falar do que «fala» DOliveira. Não sei, nem posso fazê-lo.

Mas o remate, ou seja, a conclusão, doliveiresca é que interessa: é que, por muito mal que estejamos agora, antes (70s, 80s…) estávamos pior. Ou seja, já não é mau de todo estarmos como estamos, etc. Como diz o anarquista RTavares, noutro contexto, há que preservar o PS pois o PSD ainda é pior. Ora bem, sr. DOliveira, sim, estamos melhor agora. Mas em 1974, no dia 25 e tal, por exemplo, também estávamos melhor do que em 1964, e aí muito melhor do que em 1895….

Mas vamos lá ao Marx, por acaso a um momento não muito inspirado (por isso é que DOliveira o escolheu, precisamente porque não sabe escolher). Num momento da Contribuição para a Crítica da Economia Política, perguntava-se Marx porque é que hoje, no actual estádio de desenvolvimento social, ainda amamos a arte grega?, se Vulcano não é nada comparado com Robert & Co., e Júpiter nada é comparado com o pára-raios? Respondia Marx que gostávamos da arte grega porque ela correspondia e nos recordava um momento de infância social da humanidade. Ou seja, nos recordava a criança que já não podíamos mais ser. Claro que esta explicação marxiana é curiosa, mas não é lá muito credível. Ora, foi precisamente aqui que DOliveira se foi inspirar para nos «explicar» o seu prazer, ou lá o que foi, com a vitória dos Homens da Luta.

E sobre isto, já chega. Dias 12 e 19 próximos são dias de democracia. Porque a democracia está na rua e não na urna.

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