Pergunta sem algibeira

Guardadas as enormes distâncias, em que canção do Zeca Afonso se foram os “Homens da Luta” inspirar para o seu bailinho?

Resposta:

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15 respostas a Pergunta sem algibeira

  1. Samuel diz:

    Duvido que alguma vez a tenham ouvido…

    • paulogranjo diz:

      Olhe que não, Samuel.
      Lá por a coisa ser musicalmente má e com uma letra primária em termos formais, não creio que seja boa política pressupor que são ignorantes. Aliás, se o fossem, duvido que conseguissem tornar-se tão desconfortáveis quando parodiam tiques dos anos 70.
      E, se repararmos, toda aquela parte inicial do “Por vezes dás contigo…” repega, de forma muito menos elaborada mas tema a tema, as questões de vários versos da “Tinha uma sala mal iluminada”. Tirando (e faz sentido) os que remetem para a resistência anti-fascista e especificamente para a situação de refluxo revolucionário.
      Pode ser até que tenha razão. Mas, a mim, parece-me demasiada coincidência.

  2. Leitor Costumeiro diz:

    Conheço as pessoas em questão, considero-os inteligentes e principalmente porque se recusam a perder tempo com o politicamente correcto e com estas especulações ridículas que os intelectuais “prescindíveis” tentam levantare…

    • paulogranjo diz:

      Que todos os intelectuais (e messias, e deuses e chefes supremos) sejam “prescindíveis”, e que também tentem “levantare” outras coisas mais agradáveis que especulações ridículas!

  3. Leitor Costumeiro diz:

    Sim!!Vamos continuande a espera…

  4. rui david diz:

    peo amor da santa… ao menos deixa o Zeca Afonso de fora.

    • Rui: o Zeca é de todos os que o queiram (quisesse ele ou não). Também destes, se o quiserem. E, depois, marca o imaginário de muitíssima gente, mesmo quando não de forma deliberada e consciencializada.

  5. Pisca diz:

    Ouvi uma vez e não sei porquê a dada altura lembrei-me de:

    – O Meu Coração Não tem Côr – do Zé Fanha/Pedro Osorio cantada pela Lucia Moniz

    deve ser das minhas orelhas

  6. Não axo que eles sejam estúpidos.
    Não axo um delito apropriar-se/inspirar-se no que quer que seja, desde que se improvise em cima em vez de plagiar à balda. Toda a a ‘gente’ faz isso desde tempos imemoriais, ora pôrra’ todas a as músicas estão “escritíssimas” há anos passados.
    O ‘segredo’ é reinventar , não ? E às vexes sai agradável.
    Infelixmente sobre o assunto concreto, como não vi nem ouvi não arrisco opinião.

  7. E vou ser «políticamente incorrecto» à brava.
    Ele tem músicas geniais… nomeadamente a aquela de de homenagem ao José Dias Coelho, Eu nunca gostei do Zeca e não é agora que vou começar a gostar.

    (O Zé Dias Coelho foi assssinado pela PIDE (pai ? tio ?? da Teresa) ali na Calçada da Ajuda , Lxª, em frente de da casa de uma amiga minha — que está velha, e não vou identificar — e isto é uma homenagem notável.)

  8. Só olho por olho e dente por dente vale, bíblico e my kind of radicality.
    You vote, we act. That’s all.

    🙂

  9. Conheço o Zé desde 1900 e troca o passo…
    Isto é do melhor que ele alguma vex fex:

    [i]Eu Sou Português Aqui

    Eu sou português
    aqui
    em terra e fome talhado
    feito de barro e carvão
    rasgado pelo vento norte
    amante certo da morte
    no silêncio da agressão.

    Eu sou português
    aqui
    mas nascido deste lado
    do lado de cá da vida
    do lado do sofrimento
    da miséria repetida
    do pé descalço
    do vento.

    Nasci
    deste lado da cidade
    nesta margem
    no meio da tempestade
    durante o reino do medo.
    Sempre a apostar na viagem
    quando os frutos amargavam
    e o luar sabia a azedo.

    Eu sou português
    aqui
    no teatro mentiroso
    mas afinal verdadeiro
    na finta fácil
    no gozo
    no sorriso doloroso
    no gingar dum marinheiro.

    Nasci
    deste lado da ternura
    do coração esfarrapado
    eu sou filho da aventura
    da anedota
    do acaso
    campeão do improviso,
    trago as mão sujas do sangue
    que empapa a terra que piso.

    Eu sou português
    aqui
    na brilhantina em que embrulho,
    do alto da minha esquina
    a conversa e a borrasca
    eu sou filho do sarilho
    do gesto desmesurado
    nos cordéis do desenrasca.

    Nasci
    aqui
    no mês de Abril
    quando esqueci toda a saudade
    e comecei a inventar
    em cada gesto
    a liberdade.

    Nasci
    aqui
    ao pé do mar
    duma garganta magoada no cantar.
    Eu sou a festa
    inacabada
    quase ausente
    eu sou a briga
    a luta antiga
    renovada
    ainda urgente.

    Eu sou português
    aqui
    o português sem mestre
    mas com jeito.
    Eu sou português
    aqui
    e trago o mês de Abril
    a voar
    dentro do peito.[/i]

  10. Peter, the Afrikan diz:

    Mr. Granjo,

    Já pensou em ouvir a música “Daqui o Povo Não Arranca Pé” de Carlos Moniz e Maria do Amparo?

    Não será a música dos “Homens da Luta” um plágio a esta e a outras músicas de 1974-75?

    Os “Homens da Luta” são contratados pela SIC. Foram? São? Como ficamos?

    Por alguma razão, o homem da boina é muito admirado pelo Mário Crespo… Já tocou, emd directo, num telejornal da SIC Notícias, enquanto o Mário Crespo cobria o idiota ou patife de elogios.

    …e já agora, não foi aquele que tem o ar de vendedor de banha da cobra (o de bigode) e que tem a mania de usar o megafone (só sabe fazer isso) que disse, a propósito de uma manifestação do 25 de Abril que “era pena que não houvesse igualdade naquela manifestação”, pois segundo aquela besta quadrada paga pelo Balsemão, “os ricos íam à frente (os dirigentes do PCP) e os pobre atrás?

    Porque será que o pateta da boina imita o Zeca Afonso, nos seus “ti-ri-ri-ri”? Porque faz isso? Foi porque algum ricalhaço da estação televisiva achou piada? Um daqueles mandões que detesta o 25 de Abril?

    Só mais uma pergunta, Mr. Granjo… só mais uma…

    Porque será que o vosso blog caíu no disparate de achar que esta música representa uma forma de luta (de esquerda?) contra o sistema?

    Goodbye, Mr. Granjo.

    • paulogranjo diz:

      O nosso blog tem um montão de gente com posições muito diferentes, mesmo em relação a coisas bem mais importantes do que esta, e não tem nem “centralismo democrático” nem posições comuns.
      Acho que o melhor é discutir esses aspectos com o Pedro (não o africano, mas o cá da tasca).

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