1: “Camaradas, pá!” 2: “A luta é alegria” 3: “Contra a reacção”

A vitória dos “Homens da Luta” no Festival da Eurovisão encerra em si lições para as lutas que aí vêm.

1: “Camaradas, pá”
Os homens da luta envergam e empunham símbolos de que alguma esquerda “moderna” se envergonha. Só quem for muito cara-de-pau é que acha que o humor, neste caso, é de chacota para com estes símbolos

Tal como Carlos Vaz Marques que, cego ao que se passa à volta, diz: “A esquerda revolucionária vai achar que estão a gozar com as glórias da revolução”

 

Quem conhece o percurso dos “Homens da Luta” e o da recepção que têm do povo de esquerda sabe como aqui o humor é uma expressão de afecto. E o povo retribuiu com o seu voto.

2: “A luta é alegria”
Há quem buscando a alegria da vitória, abandone a luta. Ora, como dizia uma minha camarada que viveu a clandestinidade “Nós éramos felizes!”. Busquemos a vitória, mas pela luta, sempre.

3: “Contra a reacção”
A principal lição da noite de ontem, de que muitos companheiros de luta andam esquecidos. Os “Homens da Luta” não desistiram das “palavras fortes”, num Festival da Eurovisão moribundo. Venceram o júri, venceram o “gosto”, ganharam meia sala (e meio povo, lá fora), enquanto a burguesia da canção nacional saía vaiando, com aquele espírito democrático que a burguesia mostra, quando lhe vão ao bolso.

Quem quer lutar e vencer tem de ter objectivos, enunciá-los alto e bom som e… apontar os responsáveis. Pode demorar um pouco mais de tempo. Mas é mais certeiro o tiro.

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20 respostas a 1: “Camaradas, pá!” 2: “A luta é alegria” 3: “Contra a reacção”

  1. Adoro esta:
    http://www.youtube.com/watch?v=2x0mvUGjfzU
    O sarcasmo e a aironia são impagáveis (e como diria o Zé Mário Branco) uma arma contra …pois.
    😀

  2. Rui F diz:

    A luta…é…o quê? Já conseguiram ultrapassar a barreira dos 500€ de salário minimo, quando os lutadores Gregos e os Irlandeses há MUITO tempo a ultrapassaram?

    O Carlos Maques diz que os verdadeiros revolucionários ficam com vergonha? Claro! Esta Luta, apenas tem um simbolismo até porque foi o Povo (o mesmo que votou Salazar) que a elegeu. Contudo, vai mostrar lá fora a imagem do que lutar actaulmente em Portugal: Nas pontes dos fins de semana ou à 2ª Feira.
    A tua Camarada era Feliz na Clandestinidade? Há uma solução: Passar-se para a clandestinidade. Alguem disse que a felicidade colectiva só se atinge, queando se alcançar a felicidade individual.

    Palavras Fortes 🙂
    Parole…parole…parole…
    Revolucionários Burgueses de sofá.

    • Pedro Penilo diz:

      Caro Rui F: creio que não nos entendemos aqui. Se não percebe porque é que alguém com cerca de 20-25 anos era feliz, mesmo na clandestinidade, não percebe como é possível a clandestinidade. Eu já estive em piquetes de greve (não sei se é seu costume, fora do sofá…?). Há alegria, quando fazemos as coisas com convicção.

      • Rui F diz:

        Pedro

        Normalmente os meus piquetes são no trabalho.
        Luto para que o meu trabalho melhore todos os dias e que dia a dia, me dê menos trabalho a fazê-lo. Não sei se me fiz entender.

        Percebo, entendo, etc, a clandestinidade e a luta dos clandestinos opositores ao antigo regime. Mas fazer da luta a saída para a Alegria e Felicidade acho “parvo” (é a moda da Deolinda). Como se não houvesse outras razões para atingir a felicidade que não a luta.
        Mais uma vez não sei se me faço enetender

        • Pedro Penilo diz:

          Mas quem disse que não havia outros motivos e razões para a felicidade? Neste post não estamos a falar da Felicidade. Estamos a falar da luta, e só.

  3. Assim sem querer dar uma de “paizinho”… pensem, s.f.f.
    Se a ‘luta’ não fôr um prazer e uma alegria, se fôr só destempero e tristeza, quem é que «ustede»s lá têm ?
    Só merdosos e oportunistas, e estúpidos e ‘pides’.

    Sei do que estou a falar, fui um “recruiter”, e haviam «vosselências» de ver quem eu consegui ‘recrutar’…
    Claro que não vou dixer.
    🙂

    No matter onde p.q.p. estejam onde, mudámos-lhes ligeiramente as consciências e isso há-de reflectir-se nalgum lado.
    Depois , a partir de um certo ponto, as coisas mudam, de uma maneira ou d’outra.
    Que eu saiba, sempre foi assim.
    Mas isto é apenas a minha desconsiderável opinião.

    😉 😉

  4. E de qualque maneira eu também gosto do Nuno Norte, mas mais do tempo em que o João Gil o recrutou para um projecto efémero, porque tinha a “voz quebrada” (tabaco ? alcol?? drogas ???) ) que fazia absolutamente sentido.

    Aki:

  5. Carlos Vaz Marques diz:

    o percurso do homem da luta e a expressão de afecto do povo de esquerda http://www.youtube.com/watch?v=GxW5JgwddRA

    • Pedro Penilo diz:

      Está com falta de sentido de humor, Carlos Vaz Marques. Não sei se participa em manifestações ou vai à Festa do Avante. Eu, sim. E já me cruzei lá com os “Homens da Luta”. São bem recebidos, sempre. E como o Carlos Vaz Marques sabe, os afectos não são unívocos. Vão-se construindo em ambos os sentidos.

      O seu texto citado é “cego”, pois faz análise ignorando que, à sua volta, o “povo de esquerda” – particularmente o do PCP – rejubilou com o sucedido (qualquer que seja a filiação política ou orientação sexual do personagem que escolheu). Admito que seja porque não tem muitos contactos de esquerda no Facebook. Ou então porque não deu uma vista de olhos antes de dar a sua opinião. Uma coisa hoje frequente nos meios da comunicação social.

      Espero que não tenha tido a deselegância de pensar que me “tramava” com esta revelação da caricatura de um “machista gay”. Vira-se contra si, não sei se percebe… Seria mais uma paupérrima demonstração de preconceito sobre comunistas, que faz escola. Ou inversamente, uma péssima demonstração de trogloditismo no que toca às questões das opções sexuais de cada um. É que há gays, há gays machistas e pode-se fazer humor com tudo isso, tal como com tudo o resto que está vivo.

      Quero admitir que é simplesmente porque não me conhece. Alguns jornalistas e comentadores (quase todos) de hoje trabalham muito com preconceitos e são pouco críticos em relação à sua linguagem.

      • São bem tratados na Festa do Avante? Deve ser tirando aquela vez em que levaram porrada e lhes tiraram as câmaras, à frente destes olhos que a terra há-de comer. Nessa altura, curiosamente, o vox populi comunista não era lá muito favorável aos méritos dos Homens da Luta.

  6. Augusto diz:

    A canção é uma treta….

    Não é mais que um gozo, aos temas esses sim marcantes, do Zeca, do Zé Mario, do Sérgio.

    Mas se uma cançoneta de puro gozo, está a causar tanta celeuma, então é porque há gente que não tem mesmo nenhum sentido de humor…..

  7. iskra diz:

    Pois claro,camarada Pedro, pá! Hoje é dia de alegria,pá. O PCP faz noventa anos.
    Bom dia Partido :-). Deixa lá o pessoal que diz que luta mas é deprimido! São os Luto-deprimidos!

  8. M. Abrantes diz:

    Achar que o voto nos homens da luta é um voto na esquerda, é não querer perceber bem o que se passa à sua volta.

  9. rui david diz:

    eu acho que o verdadeiro momento transgressor é quando a miúda diz: “e não lhes falta a boa disposição”, enquanto seguia para o próximo “artista”

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  11. taitai diz:

    O que desagradou a todos os beneficiários do actual estado da política portuguesa, sejam de direita ou de esquerda, se é que isto ainda existe na realidade, é aperceberem-se de que o povo, anestesiado e indolente com a lenda do 25 de abril, está finalmente a compreender o que sucede, e a dar sinais de consciência. Começa de maneira tímida, mas será que finalmente uma nação enganada e espoliada por pretensos democratas que tomaram o país de assalto e o levaram á falência vai finalmente revisitar a história e perceber os porquês?
    Será que sairá de sua poltrona, onde está preso pelas novelas, futebol e reality shows, e vai procurar saber os factos? Há um limite para a ilusão, e desagrada os que tem explorado o povo portugues nestes anos todos qualquer sinal de inquietação, há que se preservar os tachos e os esquemas para os filhos. Neste aspecto não há conotação política, todos são velhos amigos.

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