Quem te avisa, teu amigo é

“No próximo dia 12 o País assistirá a uma ou mais manifestações convocadas não por sindicatos, Igrejas ou Partidos Políticos, mas por grupos de jovens sob o lema “Geração à Rasca”. Ninguém pode menosprezar essas manifestações. Não partiram de pessoas empregadas com salário e alguma estabilidade. Não partem de aparelhos que habitualmente as organizam e estruturam, criam as suas “palavras de ordem” e promovem a sua própria segurança. (…)

O potencial de revolta de uma sociedade nunca parte de quem está acomodado, seja ele o rico, o médio ou o pobre. Parte de quem esperou e não tem. De quem já teve, gostou, habituou-se, e de repente deixou de ter. As manifestações críticas raramente se geram no seio do ‘lumpen’, mas da média burguesia frustrada e desesperada. (…)

A questão é perceber e antecipar se a partir do dia 12 se pode chegar, mesmo sem se desejar, a uma ‘Praça da Libertação’.”

Ângelo Correia

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33 respostas a Quem te avisa, teu amigo é

  1. Olha quem ?
    Lá por ser filho de um “sorja” da GNR de Aveiro, agora até ele quer cavalgar «coisas» que definitivamente não lhe pertencem ?
    ‘Tamos tramados.

    🙁

  2. Pisca diz:

    O Paramécia a desenterrar pregos

  3. Luís Fraga diz:

    São os pobres que fazem as revoluções SEMPRE! Não é nenhuma pequena, média ou grande burguesia!

    Os pobres sejam eles operários, camponeses, estudantes, vendedores de fruta, de Call Centers, ou de pacotes da TV Cabo, mas sempre, SEMPRE os pobres.

    O senhor Ângelo Veloso, reaccionário como todos os que militam no Partido das Duas Caras PS-PSD (com o CDS de careta auxiliar), confunde deliberadamente os que fazem as revoluções com os que se aproveitam delas. Só um senhor desta elite decadente pode falar em pessoas pobres como “acomodados” e colocá-los no mesmo saco que sectores médios e ricos.

    Nenhuma revolução até hoje, por pior que tenha sido o seu resultado, por mais traída, degenerada e cavalgada pela direita capitalista, fascista ou feudal que tenha sido, repito NENHUMA Revolução até hoje foi feita por outro sector social que não os pobres (nem sequer as chamadas de liberais ou burguesas).

    Por isso eu lanço o alerta, a manifestação de dia 12 valerá zero, ou menos que zero, se não se dispuser a defender, aproximar-se e fundir-se com as aspirações, necessidades e sonhos do sector pobre da sociedade (os que podemos chamar de explorados).

    • Renato Teixeira diz:

      O sujeito histórico não se basta. Reveja lá os livros de história. Clássicos inclusivé.

      • Renato Teixeira diz:

        Acha mesmo que o protesto de dia 12 é feito por gente rica?

      • gg diz:

        o ângelo no apelo ao dia 12… fantástico!!!!

        está tudo dito, aliás basta vêr a promoção sem limites da manifestação de dia 12, pelos média dominantes, para perceber o seu significado…

        • Renato Teixeira diz:

          Diga-me apenas onde é que vê nas palavras do tipo um apelo à manifestação?

          • gg diz:

            Aqui:
            “No próximo dia 12 o País assistirá a uma ou mais manifestações convocadas não por sindicatos, Igrejas ou Partidos Políticos, mas por grupos de jovens sob o lema “Geração à Rasca”. Ninguém pode menosprezar essas manifestações. Não partiram de pessoas empregadas com salário e alguma estabilidade. Não partem de aparelhos que habitualmente as organizam e estruturam, criam as suas “palavras de ordem” e promovem a sua própria segurança. (…)”

            repare, renato, que o facto de falar da manifestação, nos termos tão inovadores de que fala ângelo Correia, é, em si, uma promoção da mesma, permitindo-lhe a si usar tal texto para esse efeito… onde já viu escrito alguma coisa sobre outras manifestações de jovens?

          • Renato Teixeira diz:

            Ele diz que a manifestação sai dos parametros habituais e que deve ser levada a sério. Não vejo simpatia. Só medo.

          • gg diz:

            o renato é um inocente, ou isso é mesmo desonestidade intelectual?

  4. João Valente Aguiar diz:

    Sejamos sinceros, ou a manif de dia 12 de março perde o lastro “anti-classe política”, como se todos os “políticos” fossem os mesmos e, acima de tudo, como se no capitalismo fossem os políticos a classe dirigente. Minha gente, os grandes capitalistas é que mandam. O Sócrates vai embora, o Passos Coelho vai embora, o Cavaco vai embora e o grande capital, a concentração da riqueza e a exploração mantêm-se. Por tudo isto, a manif da CGTP de dia 19 de Março tem uma importância ainda mais relevante na medida em que chama a atenção para a conexão entre os governos e os partidos de direita (PS, PSD e CDS) e a grande burguesia. Gritar contra os “políticos” e, pior do que isso, contra a política não beliscará um cabelo do grande capital e na estrutura da sociedade. Espero que a tendência imanente a muitos dos discursos de dia 12 de Março mudem a sua atitude e a sua orientação.

    • subcarvalho diz:

      Tem razão, é preciso juntar aos gritos anti-classe política, os gritos contra o capital…seja ele privado ou de estado.
      Agora, que são todos iguais, nisso não há dúvidas.

    • Renato Teixeira diz:

      Não é o que se percebe das palavras do Ângelo Correia. Claro que o protesto poderia e deveria ter mais arrojo, politicamente falando. Agora a sua natureza é evidentemente progressiva e não se percebe a comichão que provoca ao PCP.

      • subcarvalho diz:

        Renato, estás a ser politicamente correcto, coisa rara em ti. Claro que sabes porque razão isto faz comichão ao PCP. Sabemos todos!

      • João Valente Aguiar diz:

        Caro Renato,

        não disse que é o que esse senhor disse. Apenas foi um desabafo pessoal sobre a manif 🙂 é uma manif importante e demonstra que existe um descontentamento crescente com o neoliberalismo e suas políticas. Contudo, existem debilidades ainda grandes que urge superar. De outro modo, tal discurso “anti-partidos” e “anti-política”, se o ataque da burguesia se intensificar, pode dar perfeitamente para ser absorvido pelo outro lado da barricada.

        subcarvalho,
        não, os políticos não são todos iguais. O PSD, PS e CDS sim, estão do lado do grande capital. Do outro lado da barricada há mta gente quem lute: PCP, CGTP, vários independentes e democratas, etc.

        • subcarvalho diz:

          Pois é João! Mas já sabemos que há quem goste de cavar mais barricadas do lado de cá. Basta não controlarem alguns dos que lutam contra esse grande capital para que os considerem tão, ou mais, inimigos que o próprio capital.
          E é com esta lógica “fratricida” que o capital engorda.

      • A.Silva diz:

        Renato, estranho é tu não te sentires incomodado (com comichão) por seres colocado no mesmo “saco” que o sócrates, coelhos e correias… ou também já não és, ou nunca foste politico?
        Cá por mim, embora deseje que a manif de dia 12 seja uma grande acção de protesto, não deixa de me causar comichão essa coisa contra os políticos… é que não pactuo com oportunismos ou supostas ingenuidades nem considero que todas as forças politicas têm culpa no estado da nação.

        • Renato Teixeira diz:

          Eu vou para a rua no dia 5, 12 e 19 com a intenção de fazer cair o governo. Qualquer um destes dias a menos teria menos possibilidade de o conseguir. Pelo que têm expressado a do dia 12 parece ser aquela que neste contexto político mais corrói as intenções de quem nos desgoverna a vida. Direcções mal intencionadas, que não me parece o caso, ou menos habilitadas politicamente falando, sempre as houve. Agora há que ter um plano mínimo de unidade. Não vejo que nenhuma das reivindicações seja completamente desprovida e vejo um número alargado de gente a responder afirmativamente ao protesto. Como diria o outro, a revolução russa foi feita a exigir-se pão e paz.

  5. Nuno diz:

    Eu sou do PCP e a manifestação do dia 12 não me faz nenhuma comichão, até vou participar.
    O que me faz comichão é o interesse do Sr. Angêlo Correia.
    «…manifestações convocadas não por sindicatos, Igrejas ou Partidos Políticos…»
    Mete Igrejas para disfarçar e Sindicatos com letra pequena, talvez para diminuir a
    importância dos mesmos. Será? Atenção a Igreja (com letra grande o respeito é muito
    bonito) não organiza manifestações mas sim procissões.

    • Renato Teixeira diz:

      Ângelo Correia não está entusiasmado. Está preocupado. Ainda bem que vai participar. Não há outra maneira de tornar o protesto mais rico e variado.

  6. Nuno diz:

    Mas eu não disse que o Sr. Angêlo Correia estava entusiasmado.
    Pergunto qual é o seu interesse, do Sr. Angêlo Correia, claro.

  7. a anarca diz:

    Não voltemos às dúvidas metódicas … 🙂
    todos para a rua já

  8. jal diz:

    As palavras de Ângelo Correia são a prova clara e indesmentível da simpatia que a iniciativa tem gerado junto da direita e do capital.
    O seu conteúdo desresponsabilizador, na medida em que «todos somos culpados», a sua perspectiva geracional (?), a sua natureza supostamente inter-classista conduzem à mistificação dos problemas reais e não transporta consigo uma proposta alternativa.
    A simpatia gerada em torno da iniciativa com o espaço mediático atribuído, com os elogios de comentadores e politologos do regime, revelam o interesse de quem sabe que não está aqui a ameaça aos seus interesses.
    Num País em que todas as gerações estão à rasca, sinto-me um pouco perplexo com este tipo de evento.

    • Renato Teixeira diz:

      As palavras de Ângelo Correia não expressam simpatia pelo protesto. Traçam caracteristicas que o assustam e que o preocupam, por isso lança o alerta aos seus comparsas. Acha mesmo que o tipo vai à Avenida no dia 12? Tenha juízo.

      • jal diz:

        A direita, ao longo de décadas, silencia a luta e a indignação dos trabalhadores portugueses, menospreza quem de forma sistemática, coerente e determinada a combate.
        A menorização do protesto foi sempre uma arma do capital e da direita portuguesa.

        Agora, aparecem os Ângelos Correiras deste País a dizer: «Ninguém pode menosprezar essas manifestações». (como quem diz, para as outras ninguém liga)

        Fazem-se peças jornalísticas destacando a iniciativa, promovem «Prós e contras» sobre o tema.

        E não há simpatia pela iniciativa? Fará se houvesse.

        • Renato Teixeira diz:

          O Prós e Contras foi uma verdadeira contra-manifestação. Mau exemplo.

          • Renato Teixeira diz:

            O Ângelo faz um alerta, onde é que isso significa simpatia política? Quando se alerta para levar a sério as manifestações neo-nazis na europa do norte e central estamos a mostrar acolhimento a essa causa? Acha mesmo que o raciocínio faz sentido?

  9. José diz:

    Não gostando do sr., não posso reconhecer que a análise do A. Correia está correcta, tal como está certa a análise feita pelo Renato: não qualquer entusiasmo em A. Correia, antes o reconhecimento de que a situação portuguesa pode despoletar revoltas que ultrapassam gerações e classes. Sim, ele está preocupado e com medo.

  10. helder diz:

    Os blindados? sempre vieram?

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