Comité Contra o Pagamento da Dívida Pública

A crise que atravessa o mundo não é um desastre natural nem um acidente de percurso. Faz parte, como outras que a precederam, dos próprios mecanismos do sistema capitalista em que vivemos. Quando os negócios perdem rentabilidade e os investimentos deixam de gerar os lucros necessários, a crise torna-se um pretexto para baixar salários, privatizar bens ou serviços essenciais (água, energia, saúde, educação), reduzir direitos e conceder mais privilégios aos privilegiados.
Depois de vários governos terem injectado fundos públicos (pagos pelo contribuinte) no sistema financeiro – para cobrir os prejuízos provocados pela especulação no sector imobiliário – o problema da dívida pública ganhou uma importância decisiva. Esse mesmo sistema financeiro cobra agora juros cada vez mais elevados aos Estados, pelos empréstimos de que estes necessitam para relançar as respectivas economias e assegurar o seu funcionamento. Os «mercados» procuram compensar as suas perdas através da dívida pública e os governos agem por sua conta, impondo políticas de austeridade e fazendo os trabalhadores pagar a crise.
A luta contra o pagamento da dívida é um dos elementos essenciais da resistência às imposições da alta finança mundial. Recusamos-nos a pagar para manter o capitalismo agarrado à máquina. Por todo o lado se formam grupos, movimentos e organizações para juntar esforços nesse sentido, superando o isolamento nacional e colocando a questão no plano internacional. É tempo de começar a fazê-lo, também aqui.

A sessão pública de apresentação/lançamento do Comité Contra o Pagamento da Dívida Pública, inserida nas Jornadas Anticapitalistas, irá realizar-se na próxima 3ª Feira, 1 de Março, na Casa da Achada, a partir das 18h30.

Via Rubra
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4 respostas a Comité Contra o Pagamento da Dívida Pública

  1. Com o actual nível de juros no tempo de duas legislaturas a dívida duplicaria e deixaria o país exangue – as condições de financiamento tornam a dívida ilegítima para além de insuportável,só serve para manter no poder os mesmos que conduziram ao actual estado de coisas o que torna odioso pagá-la.

  2. João diz:

    Em princípio tenho vontade de ir à manif contra o pagamento da dívida pública.
    Mas preciso que me digam primeiro quem nos vai emprestar dinheiro no dia seguinte.

  3. l'outre diz:

    A injecção de capital estatal na banca Portuguesa não tem nada a ver com a nossa presente crise financeira. Agravou esta crise, mas não a gerou. A injecção de capital público em bancos só aconteceu no último ano. O nosso problema de dívida pública começou há mais de dez anos, quando o estado começou a viver com défice sistemático crónico. O estado está há mais de dez anos a gastar mais do que o que recebe.

    Esta situação não é sustentável, mais tarde ou mais cedo terá de existir um reajustamento. Se esse reajustamento se deve fazer pelo lado despesa (cortes no investimento, salários, aquisições, número de funcionários públicos, inflação, etc) ou pelo lado da receita(aumento de impostos, aumento da actividade económica, etc) é discutível. No entanto esse reajustamento TEM de existir. Ninguém aguenta indefinidamente gastar mais do que ganha, nem um estado.

    Deixar de pagar a dívida também não é um caminho ajuizado. O problema pode ser meu, mas acredito que os compromissos são para ser cumpridos, nem que seja por uma questão de honra. E, na minha óptica, Portugal deve sempre almejar a ser um país honrado. Uma pergunta mais interessante seria: Como é que podemos tornar a república portuguesa menos dependente deste tipo de financiamentos externos?

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