“Coelho e EUA, o mesmo combate” a.k.a. “O próximo anti-americanismo do CDS-PP”

A ressacar das submissões de projectos ao concurso da FCT, lá me cruzei, de saquinho de compras na mão, com a parangona do Expresso: «Wikileaks Portugal – Negócios da defesa arrasados: ministério move-se pelo desejo de ter brinquedos caros»

Visto o texto, não há nada de muito revelador sobre as eventuais questões de corrupção, nem acerca das altitudes a que elas chegaram.
A coisa até que parece varrida para o lado, por esta frase que quase reduz um mundo de transacções mortíferas ainda mais lucrativo que o das drogas ilegais a uma questão de volição infantilizada de uns quantos meninos mimados.

Mas que diz isso, diz. Tal como o disse o patusco do Manuel Coelho, lá para o Largo do Caldas.

Nada de muito original como ideia, de facto.
Estaria até capaz de apostar (embora já faça mesmo muitos anos que estou afastado de tais lides) que há de ter corrido pelos quarteis algum panfleto sigiloso, com o boneco do então ministro Portas na banheira, de chapéu de almirante na cabeça e a brincar com um submarino.
E, se não correu, é porque os militares estão a perder o seu rude sentido de humor castrense e a sua capacidade de gozarem de forma óbvia com aquilo que é evidente. O que seria uma grave perda para a cultura nacional.

Claro que é chato isto vir dos mesmos cámones que “nos” obrigaram a gastar fortunas em inúteis fragatas caça-submarinos e que “nos” pagam o uso das Lajes com material militar maningue fino, em segunda mão. Mas, enfim… cada um tem os amigos e a coluna vertebral que pode.

Contudo, há algo que me cheira, e a que acho alguma piada.
É que, para o senhor dos submarinos, ser assim tratado, pelo amigo americano, como um infantil paisano salivando perante brinquedos caros deve ser pior do que a revelação de suspeitas do foro criminal.

E como “Le partie parti c’est moi”, será que ainda vamos ver o CDS-PP dar uma súbita guinada, tornando-se resolutamente anti-americano?

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged . Bookmark the permalink.

10 respostas a “Coelho e EUA, o mesmo combate” a.k.a. “O próximo anti-americanismo do CDS-PP”

  1. Pedro Dias Silva diz:

    Tudo muito bem. Mas essa da «submissão» (só faltou acrescentar «de abstractos», ou abstratos como agora também sói escrever-se) é que não me convence.

  2. V. KALIMATANOS diz:

    “Le partie c’est moi” – Where is your grammar, kid? She is having a tea in the garden…

    • paulogranjo diz:

      Digamos que, assim à primeira vista, é a forma mais reconhecível (para o ignaro pessoal menos picuinhas que V. Exa.) de adaptar às circunstâncias a velha frase “L’État c’est moi”, atribuída a Luís XIV.
      Mas colabore, hóme! Sugira alternativas gramaticalmente mais correctas e comunicacionalmente eficazes.

      • JMG diz:

        O partida sou eu não faz realmente muito sentido.

        • paulogranjo diz:

          É verdade… escapou-me um “e” a mais. Não digo que dê “partida”, mas dá “parte”… Thanks. Vou corrigir.

      • V. KALIMATANOS diz:

        É que andei aqui a procurar no meu dic de bolso francês o nm “partie” e não o encontrei. Se o seu for melhor e a tiver, azar, pobre picuinhas. Aconteça o que acontecer, não é caso para nenhum de nós perder o sono. Passe bem e continue a escrever, pois gosto muito do seu estilo refinado.

        • paulogranjo diz:

          Conforme reconheci em resposta a outro comentário mais explícito e ao substituir a palavra no post sem fazer desaparecer a original, “parti” estava escrito com um “e” a mais, como se fosse em inglês. Talves efeito dessa ideia cosmopolita e talvez provinciana (as duas podem, curiosamente, andar de mão dada) de obrigarem o pessoal a escrever candidaturas em inglês, para concursos de instituições estatais portuguesas.
          Não se tendo você referido a ortografia ou vocabulário, mas a gramática, não liguei uma coisa à outra. As minhas desculpas.

          PS: a palavra existe em francês, com dois diferentes sentidos, mas nenhum deles o desejado no post. Esse facto não interessa, por isso, para o assunto.

  3. Eu analiso as coisas a caso a caso, portanto fica-me (a mim, quanto mais aos outros…) definir-me.

    Conheço os manos Portas desde que eles tinham poucos anos.
    Não ligo nem a um, nem a outro., especialmente a esse acima semi-mencionado.
    O pai (arqº Nuno) era bem mais interessante.
    Tenho pena que o Toninho L X. ( meu vixinho no “Puarto-carago”) não vá a lado nenhum nesse “partido”também citado, nem ele tem santa pachôrra, mas ficaríamos todos a ganhar no caso de…
    Ele há conservadores com classe e outros sem ela.
    🙁

    • paulogranjo diz:

      Essa também parece ser a opinião do tal embaixador estado-unidense. os visados devem estar a chorar baba e ranho, por serem assim desconsiderados depois de tantos esforços para bons e leais serviços…

Os comentários estão fechados.