And the winner is…

O Indomável é para mim o filme mais fraco dos 5 que vi dos irmãos Cohen. Sou suspeito, pois não sou fã de westerns, mas a história é bastante insossa e falta-lhe o humor negro e os fabulosos diálogos surreais tão habituais nos filmes anteriores.

O Discurso do Rei tem interpretações brilhantes (não só de Colin Firth – é elogio fácil valorizar muito este tipo de papéis extremos, mas no caso é bem merecido – mas também principalmente do notável Geoffrey Rush), mas pouco mais. É rebuscado dizer que há uma denúncia do predomínio da forma sobre o conteúdo, pelo que a marginalização da questão da Guerra é ridícula e o argumento é bem pobre.

A Rede Social é uma história bem contada, tem a seu favor a contemporaneidade da questão do Facebook, mas é vulgaríssimo.

A Origem é um blockbuster fraudulento, armado numa intelectualidade que não possui e numa pseudo-ideia inovadora. Pior que Matrix, só mais do mesmo.

Assim sendo, dos 5 filmes que vi, que o prémio vá para Aronofsky.

O Cisne Negro teria tudo para ser um filme recheado de clichés (a jovem frágil, obcecada pela perfeição  artística e oprimida pela mãe). Mas, fazendo jus ao seu passado, o realizador ultrapassou convenções e, com toques do denso mistério psicológico de Brian de Palma ou de uma certa complexidade claustrofóbica de David Lynch (sem os seus devaneios surrealisticamente extremos) e com o desempenho notável de Natalie Portman, O Cisne Negro é um óptimo filme.

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15 respostas a And the winner is…

  1. João Torgal< tenho essa ‘coisada’ toda cá em casa, mas só tive tempo ( e pachôrra) para ver o do Colin Fith, adoro o homem e as gajahs que tb por lá andam (a tipa com dois apelidos e a que fax de rainha-mãe)

    O Darren Aronofsky é um fulano pouco abaixo de génio, gosto muito do gajú.

    Não sei quando vou ter saco p’ra ver o Black Swan e esse remake do True Grit (mas há Jeff Bridges — de quem eu até gosto — que bata o John Wayne ??)

    O «Social Network» está realmente baixote na minha lista de prioridades, já espreitei e não fiquei muito convencido.

    Salut e bons fimes,

    A.S.C.

  2. E aqui fica uma referência / homenagem “muuuito lateral” relacionada com o filme das «redes sociais», na versão ‘autêntica’, a dos Radiohead:

  3. 1. Comparar essa coisada com o primeiro filme da triologia Matrix é pecado. Das poucas coisas que merecem tiro na nuca.
    2. O Fincher já só faz filmes escorreitos, temo pela adaptação do Stieg Larsson, longe vão os tempos do seminal (sempre quis usar esta palavra) Fight Club

    • V. KALIMATANOS diz:

      Tem razão, Nuno, porque, salvo erro no terceiro filme da “triologia”, o herói diz, a certa altura numa cena de perigos muitos: “we have to save Zion” – o que, em minha opinião de parte politicamente desinteressada, não vale a pena e é um risco desnecessário, muito embora dê uma ajudita a garantir os tais capitais do costume para financiar filmes desse tipo.

  4. Tânia Vânia diz:

    Nem discursos, nem redes nem bailaricos : o filme do ano chama-se “Despojos de Inverno”.

  5. O filme do ano chama-se, claro, “Biutiful”…

  6. Assim em como sendo este aki ?

    O poster:
    http://img28.imageshack.us/i/sbone2010poster.jpg

    Screenshots:
    http://img545.imageshack.us/i/sbone201001.jpg/

    Debra Granik – Winter’s Bone (2010)

    http://www.imdb.com/title/tt1399683

    Genre: Drama | Mystery | Thriller

    Cast: Jennifer Lawrence, Garret Dillahunt, Shelley Waggener, Lauren Sweetser…

    Plot:
    With an absent father and a withdrawn and depressed mother, 17 year-old Ree Dolly keeps her family together in a dirt poor rural area. She’s taken aback however when the local Sheriff tells her that her father put up their house as collateral for his bail and unless he shows up for his trial in a week’s time, they will lose it all.
    She knows her father is involved in the local drug trade and manufactures crystal meth, but everywhere she goes the message is the same: stay out of it and stop poking your nose in other people’s business.
    She refuses to listen, even after her father’s brother, Teardrop, tells her he’s probably been killed.
    She pushes on, putting her own life in danger, for the sake of her family until the truth, or enough of it, is revealed.

    —> Estreou aki no burgo dia 17 deste mês, e em França e na Alemanha só em Março.
    Tem ar de ser interessante. Gracias [b]Tãnia Vânia[/i] , ainda não tive tempo p’ra espreitar, mas há-de acontecer. <—

    [i]A propósito, sabia que «Vânia» é um diminutivo de um [b][i]nome masculino[/i][/b] russo, Ivan ? (Axo que significa 'João', mas não tenho a certeza, e não estou p'ra ir investigar).
    No entanto, montão de mulheres o usam aki, é lá com elas… e consigo.

    😉

  7. subcarvalho diz:

    E o filme do ano é…”A Serbian Film!”
    Longe, muito longe das borradas que todos os anos concorrem para os óscares.

    • o da boa-fé diz:

      Borradas é elogio, amigo, porque a borra, pela textura, pela cor e pelo cheiro, consegue despertar a repulsa e a náusea e, assim, romper com o marasmo do espectáculo ambiente…

  8. Johnny Carmeleon diz:

    Blue Valentine!

  9. António Figueira diz:

    “Black Swan”????
    DETESTEI esse filme, achei péssimo, clichés o caraças, lugares comuns do piorio, psicologismo da treta, esteticismo piroso, previsibilidade de tudo, da sequência do filme, da sucessão dos planos, da construção das personagens…
    João Torgal, o que viste tu que eu não vi nesta foleirada??!!
    Perdoa-me o desabafo, mas este filme incomodou-me mais que o segundo golo do Rangers (achei ainda mais difícil explicar o dinheiro que dei pelo bilhete, confesso).

  10. N.K. diz:

    Ouçam o António Figueira. O black swan é cinema mete-nojo, uma bacorada desgraçada. O biutiful, então, é masturbação pela desgraça. O iñarritu está a transformar-se em poluição pavorosa. Social network? grande argumento e bom fincher (que aqui só lhe fez bem meter pouco o bedelho, evitou-se outra lamechice oca como o benjamin button). dos melhores dos óscares (não se admirem se daqui a dez anos ainda se falar dele), tal como o true grit, que tem humor negro e só por simpatia é que se pode ver como um western à antiga (é, pelo contrário, o trabalho de dois gajos bem acima desta academia, que conhecem muito bem o género onde se meteram desta vez, desconstruindo-o com as próprias referências que tornaram o género célebre). E o Jeff Bridges é um génio que não deve nada ao John Wayne. king’s speech? óptimo telefilme de um tarefeiro capaz. falta-lhe coragem e uma noção mínima do que é identidade em cinema, mas ganha bem este óscar, para coroar a pior cerimónia dos últimos anos com um óscar tão banal quanto outros óscares que o produtor-propaganda harvey weinstein roubou (a começar pelo paixão de shakespeare e a acabar no chicago), como este.

    melhores filmes de 2010? lola, mother, bad lieutenant (chegou cá um ano depois, mas pronto) ghost writer, shutter island, l’illusioniste (dois filmes que bem mereciam ter estado no óscar), entre outras coisas, quase nenhuma delas nem o óscar cheirou.

    • Tânia Vânia diz:

      o N.K. anda a ler o ipsilon e depois diz coisas estranhas. Tipo: “E o Jeff Bridges é um génio que não deve nada ao John Wayne.” 🙂 É verdade que também acerta mas isso até o Postiga acerta…

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