Supositório

Segundo a Lusa, esta senhora foi vítima de um “alegado roubo”, seguido de sequestro, durante os quais terá levado um suposto balázio uma suposta facada no putativo abdómen. Felizmente os médicos não só terão tratado como parece que trataram mesmo os presumíveis ferimentos que a alegada vítima alegadamente sofreu, e tão bem o terão feito ou fizeram que ela está agora alegadamente estável (e já recebia supostas visitas no dia em que li este take da reputada agência), se entretanto, como se espera, não piorou.

A melhor resposta a este estado de alegadismo jornalístico foi dada por Arturo Pérez-Reverte, que depois de ter sido repórter de guerra, é pago há anos para se indignar semanalmente (um trabalho que eu faço gratuitamente todos os dias) numa revista espanhola; as crónicas são cada vez mais parecidas umas com as outras, mas nesta de 2007, que se chama “El presunto talibán”, dá vontade de nos co-indignarmos pro bono e sairmos por aí a chamar talibã, assim a seco, aos presuntos que aí andam.

(Notas de leitura para quem não via a TVE em pequenino: “presunto” não é o ibérico, é o nosso “presumível”; e “taliban” é, claro, talibã, como presumo que todos saibam – embora nestas coisas não se deva dar muita folga à presunção).

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15 respostas a Supositório

  1. Não axo o Pérez-Reverte assim tão mau, gostei do capitão Alatriste, e é claro que não leio as crónicas de jornal, só os romances…

    Aqui tem uma “coisinha” sobre o referido:

    Anne L. Walsh – Arturo Pérez-Reverte: Narrative Tricks and Narrative Strategies (2007)

    Publisher: Tamesis Books, 2007-11-19, ISBN: 1855661500

    Capa aki:
    http://img195.imageshack.us/i/arturoprezrevertenarrat.jpg

    The writings of Arturo Pérez-Reverte, one of Spain’s most renowned contemporary authors, have been described as a minefield.
    This monograph examines the complexities behind the narrative technique employed in creating such a minefield, including an analysis of the role played by both male and female characters, the relevance of the past as a motif, and aspects of the role of storytelling in creating mystery where none should exist. Both Revertian novels and journalistic writing are seen to be part of an over-all game which is played between their author and his readers.
    Film, too, forms part of the material reviewed as, though Pérez-Reverte is not a script writer, many films have been based on his novels.
    The text-centred analysis concludes that the themes of interest in all Revertian output revolve around two main areas: the significance of the past, whether historical, cultural, or literary, and the role of the written word in communicating, in rescuing and in challenging versions of that past in order to combat what Pérez-Reverte terms ‘dismemory’.

    ~ANNE L. WALSH, lectures in Hispanic Studies at University College, Cork.

  2. Kevin Rudd

    http://en.wikipedia.org/wiki/Kevin_Rudd

    doing for East Timor what we can’t do, we’re too far away.

    Long live, matey !

  3. ??? diz:

    Morgada, leia a notícia bem. Não foi balázio nenhum. Foi “arma branca” (não, não é um Magnun .44, a arma mais poderosa do planeta, segundo Clint Eastwood, com punho de marfim e madrepérola)

    • Morgada de V. diz:

      Um tempo verbal muito útil, Ana Cristina: teremos todos batido a suposta bota antes de os alegados presuntos saírem de circulação, I’m afraid.

  4. V. KALIMATANOS diz:

    Estou a ver que, afinal, eram dois supositórios, o do jornal e o do post. Que desperdício de glicerina, com uma crise destas e tudo. Cuidado para a próxima, Morgada. Não há facada sem fuck-up.

    • Morgada de V. diz:

      Felizmente o Kalimatanos nunca se engana nos posts com que diariamente não agracia o mundo, nem aliás se esperava outra coisa do autor de obras-primas que nunca viram a luz do dia, e por isso são isso mesmo, perfeitas, e sobretudo insusceptíveis de levar com o aguilhão da crítica. Já eu sou apenas alegadamente humana.

      • Raúl F. CURVÊLO diz:

        Boa tarde Morgada. No caso que ponho ali em baixo não foi nem um balázio, nem uma suposta facada mas sim seis-6-seis tiros. Foram disparados pelo *alegado homicida* (!) que surgia claramente nas imagens disponibilizadas há alguns dias pelo CM na Native Tugaland. Portanto, para o/os escrevedor/es da LUSA pelo menos, parece poder concluir-se que o alegado mais alegado não foi ainda ultrapassado… Enfim. Bye! RFC

        Crime/Aveiro
        Alegado homícida [sic] faz queixa-crime por divulgarem imagens
        por Lusa23 Fevereiro 2011
        O advogado do sexagenário detido preventivamente por alegada autoria do homicídio do ex-companheiro da filha, em Oliveira do Bairro, anunciou hoje, quarta-feira, um processo-crime contra os responsáveis pela divulgação “lamentável e vergonhosa” das imagens do caso.

        Aqui: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1791532&seccao=Norte

  5. O Beirão diz:

    Esta cambada de hipócritas dum ‘politicamente correcto’ subserviente e tonto que enxameia a comunicação social, devia era levar com uma “alegada” poia nas ventas. Esta gente, cheia de mesuras e cortesias e sempre de côcoras diante dos ‘patrões’, tresanda à mais despudorada hipocrisia.

  6. LAM diz:

    Já que se fala em “presuntos”, cadê o António Mira que não bota aqui faladura há mais de bué de tempo?

    • Boa pergunta. Ele odeia o Arturo Pérez-Reverte, contava que desse à costa para ao menos bater no presunto.

    • Há quem diga que está vivo e que ameaça voltar quando entregar a tese (a presunta tese) em Março. Mas com certeza fica muito obrigado por se terem lembrado dele.

      Com Arturito, pela graça de Deus, fiquei muito decepcionado. Sobre todo ao saber que é uma personagem imaginária criada pelos cómicos da “Muchachada Nui”. Isso sim, com uns tomates muito grandes. Como Ele gosta. Demasiada masculinidade para mim…

      abraços e até breve (espero).

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