Khadafi’s last breath

Governo e membros do partido em debandada; polícias foragidos e dezenas de esquadras e quartéis ao abandono e tomadas pelos revoltosos; comandantes da força aérea desobedecem às ordens para bombardear civis e fogem com os aviões para Malta; representações diplomáticas abdicam em várias embaixadas da Líbia espalhadas pelo mundo; representantes da Líbia na ONU acusam o regime de genocídio e o embaixador americano pede a Kadhafi para abandonar o poder; militares exortados a atirar a matar se tiverem Kadhafi debaixo da mira; parlamento em chamas; aeroporto de Benghazi destruído pelos manifestantes; casinos e demais símbolos  da decadência ocidental vandalizados; etc, etc.

Quando uma manhã nos trás todas estas notícias e enquanto não há uma manifestação em frente à embaixada da Líbia em Lisboa, podemos acreditar que estas foram as últimas palavras de Kadhafi como führer do povo líbio.

Via Rubra: “O fim de Khadafi e a inexorável força da revolução”

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15 respostas a Khadafi’s last breath

  1. Niet diz:

    Calma, Renato Teixeira: Parece que há tropas estrangeiras- mercenários africanos- que foram emprestados à família Khadafi pelos seus aliados do continente africano…A notícia é vendida pelo insuspeito NY Times de hoje. Os especialistas de geopolítica mundial dizem ,por outro lado, que a Líbia de Khadafi é muito dificil de subverter por dentro…Niet

    • Renato Teixeira diz:

      Sim Niet, há sempre nuvens no caminho, mas veja que nas últimas semanas há revoluções a um ritmo avassalador e os factos indicam que a relação de forças não é brilhante para Khadafi. Modere também o seu cepticismo. Ainda que geralmente bom conselheiro no debate político vejo que a cada uma destas vagas achou sempre que a coisa seria derrotada. Terei lido mal nas entrelinhas?

  2. Há um certo “nojo” de esquerda que a impede de condenar o ditador Khadafi. Está tudo em silêncio: BE, PCP, governo, direita: Realpolitik ou um amigo em perigo?

  3. xatoo diz:

    ora Niet, essa é de cabo de esquadra: “insuspeito NY Times” – já me sinto como no desabafo de Herberto Helder (cito de cor): “os intelectuais movem-se lentamente que nem caranguejolas.Porra” …. de facto o que está em marcha é um plano de intervenção da policia mundial (a NATO) para ocupar e implantar um regime fantoche ao serviço do inperialismo na Libia, uma vez que de outro modo nunca conseguiriam vergar um regime com grande apoio popular por dentro, senão criando dissidências internas pela ingerência de forças criminosas. Não esquecer que a Libia actual é uma das poucas ilhas soberanas imune ao imperialismo… isto é, que não dá lucro aos mercados capitalistas. É um pais rico e o regime de al-Ghadaffi distribui razoavelmente bem esses dividendos pela população em geral

  4. LAM diz:

    Há qualquer coisa de artista pop neste gajo, ali entre um Prince e uma Lady Gaga.

  5. “Símbolos da decadência ocidental”… tenho ideia de já ter ouvido isto algures…

  6. Niet diz:

    Mr. xatoo: Temos que ler coisas boas e com um mínimo de credibilidade, não? Ou quer fazer como o(a)s videntes…que se espetam por da cá aquela palha? Li mais um bom artigo no The New Yorker On Line, de Andrew Solomon, e há mais dois no Foreign Policy.Para lá do grande serviço do The Guardian. E o Le Monde e o Libé bem como os blogues da Marianne e da Rue 89 ajudam a fazer uma ideia. Os comentadores dizem que, caso o ditador líbio perca o poder por golpe militar adverso, a estrutura tribal da Libia fragmentará o Estado e as Companhias petrolíferas ocidentais correm perigo. Ao contrário do que diz, a Itália de Berlusconi fez ( e teme agora por isso…) chorudos contratos com Kadhafi, no valor de biliões de Euros. Niet

  7. Luís Fraga diz:

    Eu condeno os massacres de Kadhafi mas não o socialismo árabe (a.k.a. nasserismo, nacionalismo árabe) que o levou ao poder. Vivemos tempos de esquerdas do contra, ou seja, sabem ser do contra mas não sabem que alternativa defender. Se calhar alguns dirão que o capitalismo “ocidental” ou “democracia de mercado” neoliberal é um passo positivo para a Líbia, eu não contribuirei para esse peditório. E se estiverem atentos às bandeiras que os manifestantes líbios estão a usar são velho “Reino da Líbia”, a monarquia feudal que havia antes do Kadhafi, o que ainda é pior.

    O prórpio Latuff (artista de reconhecidas simpatias de esquerda) reproduz nesse cartoon a tal bandeira do Reino da Líbia: a vermelha, preta e verde. É trágico quando a esquerda não tem nada para oferecer. Conclusão: curb your entusiasm.

    • Renato Teixeira diz:

      Não está claro, bem pelo contrário, que seja o capitalismo ocidental a ganhar esta contenda. Da Líbia ao Bahrein.

  8. Hélder Martins diz:

    O Luís Fraga antecipou-se, tirou-me as palavras dos dedos. Há algo de muito estranho na Líbia. Vejo na BBC e France24 os “pacíficos democratas” a passear-se com bombas e RPGs, metralhadoras, e coisas do género. A pegar fogo a esquadras de polícia e outros edifícios do Governo, falam de terem morto polícias de permeio. Esperem lá!
    Na Tunísia, Egitto, Yemen, Barain, aí sim, os manifestantes eram pacíficos e brandem as bandeiras nacionais. Estes säo diferentes, têm a bandeira do Reino Feudal (nem é aquela da República Árabe, parecida com a do Egitto. Os seus líderes supostamente moderadas atiram fawas!?! Espera lá, afinal os líderes moderados säo fundamentalistas islämicos???

    E depois, os pilotos que desertaram falaram com a BBC e disseram que foram mandados fazer vöos rasantes para assustar, e näo falaram em bombardear civis. Aliás, quem anda a espalhar notícias de aviöes a bombardear civis é o mesmo que disse que “já li provas na 2.a feira” da partida de Kadafi para a Venezuela: o MNE britänico Hague, último resquício do Tatcherismo. Em que ficamos?

    • Renato Teixeira diz:

      De todos os sítios houve saque e o que diz ser violência. É natural que depois de anos de repressão as suas caras sejam alvo da fúria dos manifestantes. Da esquadra da polícia ao parlamento. Violência gratuita não se viu em lado nenhum mas já faltou mais dias para inventarem atentados da Al Qaeda um pouco por onde for preciso mão de ferro.

  9. O “nacionalismo árabe” foi responsável por massacres de centenas ou milhares de militantes de esquerda em países como o Egipto, o Iraque ou a Síria (para não falarmos dos massacres que em 1976 o exército sírio fez entre os refugiados palestinianos do Líbano). Aliás, a República Árabe Unida, o ponto alto do tal “nacionalismo árabe”, foi criada devido ao medo que a burguesia síria tinha do PC local (e achavam que com o Nasser tinham um governo forte que fizesse frente aos comunistas).

    É verdade que esses regimes da burguesia nacional árabe talvez fossem preferíveis aos regimes feudais e fantoches das petroliferas, mas é mau caminho idealizá-los.

    • Luís Fraga diz:

      O “nacionalismo árabe”, que foi correctamente chamado de socialismo árabe (porque de facto adoptou elementos do marxismo), foi o movimento político mais importante do mundo árabe até agora. E tudo o que foi feito contra o imperialismo e contra o capitalismo no mundo árabe, (nacionalizações, reforma agrária, direitos laborais) é ao nacionalismo árabe que se deve agradecer. A repressão contra os comunistas e outros grupos de esquerda é condenável, mas o nacionalismo árabe (assim como o socialismo africano e o socialismo islâmico) prova que qualquer tentativa de aplicar um socialismo ocidental, à europeia, ignorando as particularidades culturais árabes está condenada ao fracasso. Essa foi a razão do fracasso do socialismo na República Democrática do Afeganistão.

      A maior asneira que se pode fazer no mundo árabe é ignorar as tradições de esquerda realmente existentes – e porque quem triunfou nos anos 50, 60 e 70 foi o socialismo árabe e não os movimentos comunistas pro-soviéticos, pro-China e afins.

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