Amado, Barroso, Ban Ki-Moon ou Obama estão todos a ser derrubados nas praças Tahrir. Se eu fosse o Chavez não metia a mão na merda.

aos 35′

A presença das Nações Unidas neste emaranhado só pode surpreender os mais distraídos ou aqueles que insistem em tratar a política como se de um romance se tratasse. Sabemos da omnipresença dos Boutros-Ghali (o Youssef e o Broutos Broutos) e da benção da alta finança às últimas três décadas no Egipto, como sabemos que a turba de fascistas que tem vindo a cair da cadeira nos últimos dois meses só teve meios para exercer o seu terror porque lhes era conferida legitimidade, armas e dólares em nome de todos nós. Ao contrário do que nos querem convencer não são só meia dúzia de loucos e tiranos que estão no alvo dos levantamentos populares do Norte de África e do do Médio Oriente. Os líderes europeus, as sucessivas lideranças norte-americanas, o FMI, o BM e a mais que suspeita ONU estão a ser derrotados nos palcos que a história está a escrever a cada 24 horas. Não têm só as mãos sujas de sangue por financiar ou aplaudir os jactos que hoje bombardearam os manifestantes da Líbia e somaram mais 400 vítimas ao longo calvário dos povos. Têm também a a sua estrutura moral em ruínas porque sabemos que voltavam a fazer tudo de novo.

Ban Ki-Moon (ONU) com Kadhafi (Líbia), Al-Beshir (Sudão), Saleh (Iémen), Jean Ping (União Africana), Ben Ali (Tunísia), Berlusconi (Itália); Moulay Rachid (Marrocos), Ahmed Nazif (Egipto), Amr Mussa (Liga Árabe), Erdogan (Turquia) e Al Said (Omã)

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27 respostas a Amado, Barroso, Ban Ki-Moon ou Obama estão todos a ser derrubados nas praças Tahrir. Se eu fosse o Chavez não metia a mão na merda.

  1. Sérgio Pinto diz:

    Meter a ONU aí pelo meio, como se estivesse no mesmo patamar e tivesse o mesmo grau de uniformidade que os outros não faz muito sentido, mas adiante…

    • Renato Teixeira diz:

      Veja que não meti a ONU aí pelo meio. A ideia da posta é precisamente trazer a ONU para o primeiro plano. Ou acha injusto? Acha mesmo que Broutos Broutos, Kofi Annan ou o espantalho de serviço actualmente não apertaram as mãos a eles todos? Já se esqueceu dos vetos do Conselho de Segurança aos Colonatos e ao colonialismo israelita? Da benção da guerra do Afeganistão? Ao que fizeram no Haiti? Já chega? É que de azul só mesmo os capacetes ou o sorriso da foto (e o cadastro) sugere-lhe outro tipo de humanidade?

      • Sérgio Pinto diz:

        Acho. Como acho absurdo e sem sentido (sim, estou a ser simpático) falar do Conselho de Segurança, que está obviamente dependente dos EUA, e ignorar relatórios feitos sobre Jenin ou Gaza – mas adiante, imagino que considere uns mais representativos da ONU do que outros porque lhe dá jeito.

        Claro, o PNUD, a OIT, o PAM, a UNESCO, a UNICEF, a (…) nada disso existe ou interessa. O Haiti? Refere-se àqueles vómitos por si largados sobre a corrupção de várias ONG’s, etc., sem se dar ao trabalho de dizer em que se sustentava, sem dar qualquer medida alternativa, e optando por generalizações a todos os títulos ‘geniais’, caro revolucionário de sofá?

        • Renato Teixeira diz:

          Olhe o respeito e a compostura que andamos com pouca paciência. Se cita seja preciso. É este o vómito que fala?
          http://5dias.net/2010/01/15/tragedia-demagogia-e-roubo/
          É que não podíamos estar mais de acordo. Abjecto mesmo.

          Seja sério no debate. A ONU legitima aqueles que são os pressupostos da “estabilidade” ocidental. Se essa estabilidade é garantida com Ali, Mubarak ou Kadhafi está tudo bem. A natureza da ONU vê-se quando pega em armas ou quando legitima as dos outros, não quando oferece aspirinas aos famélicos do mundo.

          • Sérgio Pinto diz:

            Se não está contente com o ‘respeito’ e lhe deu agora para se tornar sensível a caracterizações desfavoráveis (coisa curiosa para quem tão rapidamente designa terceiros como ladrões, corruptos e afins), pode sempre optar por censurar os comentários.

            E, de caminho, sim. Esse é um (acho que não foi o único) dos posts rasteiros que aí largou sobre o tema.

            Vê-lo a pedir seriedade no debate é mais ou menos como ver o Bush a perorar sobre direitos humanos e liberdade. Mais uma vez, a ver se entende: a ONU não se resume ao Conselho de Segurança e, como qualquer organização com dimensão semelhante, dificilmente poderia ser vista através da grelha dicromática que gosta de aplicar, nessa absurda (mas característica) febre generalizadora, em que tudo se divide entre os Renatos “guardiães dos povos” Teixeiras e o resto da escumalha, corrupta e colaboracionista.

          • Renato Teixeira diz:

            Bush!?! Belo finale. Quase deu para ouvir os violinos. Deve ser essa a banda sonora da O salvadora da pátria e o resto são corruptos NU. Veja que o seu comentário é daqueles assim que dá para qualquer debate. Há e tal você diz isso porque acha que só você é que sabe e os outros são todos uma merda.

            Quanto ao assunto volte a ler os post do Haiti, ou então passe os olhos pelo que faz a ONU. A ONU mesmo, esquecendo o Conselho de Segurança que é a sua alma mater. De resto, querer analisar a ONU relativizando o Conselho de Segurança é de facto algo parecido do que faz o Bush relativizando Darwin face aos criacionistas.

          • Sérgio Pinto diz:

            Sim, o Bush. Não gostou da companhia? Ainda bem, porque a ideia era essa.

            Não sei se reparou, mas essa história do “só você é que sabe, (…)” também se aplica perfeitamente a si, quer em posts, quer em caixas de comentários.

            Você pode continuar a marrar no Conselho de Segurança, como se fosse aí que a ONU começasse e acabasse. Mas, sei lá, tente abstrair-se um bocadinho dessa obsessão, e explique-me (por exemplo) de que forma é que o CS condiciona a acção do PNUD e de institutos com ele relacionados, como o IPC-IG (assim de repente, a ‘economia’ que aí é defendida difere ‘um bocadinho’ da economia habitual dos fundamentalistas de mercado. É um bocado como ir dos Ladrões de Bicicletas aos Insurgentes – ainda que você possa não notar diferença alguma, ela não só existe como é substancial).

      • Sérgio Pinto diz:

        Ah, e paralelamente a isto, queria só acrescentar o quanto acho curioso que fale em ‘turbas de fascistas’ (e bem) sem nunca ter uma palavra para o Ahmadinejad. Afinal, parece que há opressões mais iguais que outras…

        • Renato Teixeira diz:

          Continuamos de acordo. É evidente que há opressões mais iguais que outras, ou quer que lhe vá citar os números da ONU? É que a fazer a contabilidade da paz dos cemitérios costumam ser muito bons.

          Quanto ao Irão esperemos que o povo em armas (claro, sempre o povo em armas) se substitua à República Islâmica, e que seja capaz de fazer florir o homem novo. Agora veja que hoje por hoje e ao lado dos bantustões da posta, no mínimo podemos dizer que os Ayatolahs não atrapalharam. Acredita que a farra é maior em Washington do que em Teerão? Tenha juízo.

          • Sérgio Pinto diz:

            Vê-lo a citar números seria certamente memorável. No entanto, basta-me a confirmação de que as opressões afinal são muito facilmente relativizáveis, aí para as bandas dos revolucionários de sofá.

          • Renato Teixeira diz:

            No sofá, como na vida, há de tudo. Revolucionários e outras declinações menos abonatórias. Pergunto-me qual será a sua…

          • Sérgio Pinto diz:

            A minha é a dos que não têm palavras relativamente mais comedidas ou conciliatórias face a Ahmadinejads, enquanto esperam que o Khadafi vá parar ao caixote do lixo que merece.

          • Renato Teixeira diz:

            Isso é que é. Gente esclarecida.

          • Sérgio Pinto diz:

            É. Quanto a opressões não costuma haver grande razão para névoas, mesmo sem os pergaminhos de pureza revolucionária atestados pelo guardião Renato Teixeira.

          • Renato Teixeira diz:

            Começo a achar que você é o Serras Pereira disfarçado.

          • Sérgio Pinto diz:

            Renato, de vez em quando até consegue ter piada.

  2. xatoo diz:

    este video devia fazer-nos pensar a todos na nossa (do Ocidente) incapacidade de compreender os modos de vida tradicionais de África e neste caso particular dos Bérberes, culturas destruidas por séculos de colonização numa primeira fase que incluiu o assassinato puro (Lumumba, Machel) numa segunda fase neo-colonial pela compra de fantoches locais – ou na mira de fogo actual pela “democracia” oferecida pelo Obama que ainda agora acaba de condecorar Bush – que se saiba el-Ghadafi e Mugabe são dos poucos sobreviventes que ainda resistem e lutam pela soberania

  3. Carlos Carapeto diz:

    Mas afinal, também haviam (há) opressores, oprimidos, milhares de presos politicos, falta de liberdade, nos quintais das nossas traseiras? O que tèm andado a fazer os distintos democratas da Europa? Distraidos a comprar petroleo, vender armas , explorar a mão de obra baratinha em Marrocos, preocupados em arranjar uns buraquinhos para aplicar somas avultadissimas roubadas por esses dirigentes que agora da noite para o dia se descobriu que eram uns despotas, uns tiranos, fascistas, ditadores sei lá que de pior que têm hoje e não tinham ontem.

    Não; alguns dirigentes Europeus não deixam de ser iguais aos outros, só o não fazem aqui porque as condições não o permitem.
    Para esses entre liberdade e negocios não existe qualquer distinção. Só que primeiro estão os negócios.

    Esperem se a “coisa” alastra à Arábia Saudita, os teocratas do Irão vão ficar ruidos de inveja por terem sido tão brandinhos na aplicação das leis Islâmicas.

  4. Ernst von Superavit diz:

    Ora resumindo bem, temos então que:

    1 – Um dos grandes “ícones do anti-americanismo-e-anti-imperialismo-e-tal” passou a integrar uma………….”turba de fascistas”

    2 – “É que a fazer a contabilidade da paz dos cemitérios costumam ser muito bons.”
    E não são só eles.

    3 – “Os líderes europeus, as sucessivas lideranças norte-americanas, o FMI, o BM e a mais que suspeita ONU estão a ser derrotados nos palcos que a história está a escrever a cada 24 horas.”
    Ahaha.! 😀
    Mais uma vez o Sr.Renato se evidencia como um brilhante humorista ou, então, inclui-se em todos “aqueles que insistem em tratar a política como se de um romance se tratasse.”

    4 – “fazer florir o homem novo.”*

    Ahhh, que saudades desta (o messianismo sempre me fascinou).
    Mas está a correr bem, sim. O “homem-novo”.
    Sempre correu ao longo da História e tem sido um enorme sucesso.
    Enquanto escrevo bandeiras monárquicas tomam conta do horizonte de Benghazi.
    (a continuar assim, a denominação “turba de fascistas” ainda vai mudar de “destinatário”, lol)

    *a fazer lembrar também a aliança dos “operários camponeses e marinheiros”. 🙂
    É verdade, que é feito dos marinheiros, caramba?! Ninguém fala neles?
    Não se faz!
    A dos marinheiros era fantástica.

  5. Ernst von Superavit diz:

    E, já agora, uma interrogação: será que o Coronel Muammar Abu Minyar al-Gaddafi já integrava a “turba de fascistas” aquando do sucedido em Lockerbie ou aquando do sucedido nos Jogos Olímpicos de Munique?

    (falava-se em “paz dos cemitérios”?)

  6. Ernst von Superavit diz:

    Espero, sinceramente, que quando (e se) o “homem novo” começar a “florescer” em Harare, em Teerão, em Damasco ou (even) em Pequim (de Riade já nem falo), o júbilo por aqui continue.
    Adoro ver gente feliz.

  7. José diz:

    Renato, decerto que o termo de fascista não se aplicará ao líder da Al-Jamāhīriyyah al-Arabiyyah al-Lībiyyah ash-Shabiyyah al-Ishtirākiyyah al-Uthmā ou Grande República Socialista Popular Árabe da Líbia!…

  8. Ernst von Superavit diz:

    Quando não há respostas (ou não são “convenientes”) é assim…..silêncio.
    Muito bem.

    • Renato Teixeira diz:

      Oh superavit você acha que eu não tenho mais do que fazer do que aturar a sua ignomínia? Em silêncio andaram as potências ocidentais, de Riade a Rabat, nas últimas largas décadas. Agora é tempo de festejar o barulho. Junte-se à festa ou siga o seu conselho e arrume a viola.

  9. Ernst von Superavit diz:

    ” a sua ignomínia?”

    Você é mesmo um castiço.
    Divertidíssimo.

    Se a actual situação na Líbia se estivesse a dar na década de 70 ou por volta de 1989 gostava de ver se a sua reacção.

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