A má consciência do Presidente do IEFP

Num  artigo  assinado  e  publicado  no  Jornal  de  Negócios  de  21/2/2011,  a  propósito  de  responder  a Camilo Lourenço, o presidente do IEFP, faz-me um ataque pessoal. É evidente que não vou descer ao nível de Francisco Madelino que, à falta de argumentos, substitui o debate objectivo e fundamentado por ataques  que  revelam  um  anticomunismo  primário  e  a  falta  de  espírito  democrático.  Para  que  o  leitor possa apreciar o teor dos argumentos utilizados pelo presidente do IEFP vou transcrever algumas das suas  palavras.  Segundo  ele  a  analise  que  faço  dos  números  do  desemprego  registado  divulgados mensalmente pelo IEFP  são “panfletos dum conhecido economista do agitrop comunista, há quarenta anos, ex-deputado e ex-director geral em 1975”. O objectivo é claro: desacreditar aquelas análises com o pretexto que são orientadas por critérios político-partidários.
Mas deixemos este tipo de linguagem, que só caracteriza quem a utiliza (faz lembrar os tempos negros do salazarismo) e passemos aos factos para que o leitor possa ele próprio tirar as suas conclusões. Os dados que vou utilizar constam da Informação Mensal sobre o mercado de emprego que está disponível no “site” do IEFP, portanto acessível ao leitor.
Todos  os  meses  o  IEFP  divulga  dados  sobre  o  desemprego  registado  que,  naturalmente,  abrange apenas  uma  parte  dos  desempregados  existentes  no  nosso  País.  E  isto  porque  não  inclui  os desempregados  que  não  tomaram  a  iniciativa  de  se  inscreveram  nos  Centros  de  Emprego  e  que, naturalmente,  não  são  poucos  por  razões  bem  conhecidas.  Analisemos  então  os  últimos  números divulgados pelo IEFP, que são os de Janeiro de 2011.
Segundo  o  IEFP,  no  dia  1  de  Janeiro  de  2011,  estavam  inscritos  nos  Centros  de  Emprego  541.840 desempregados, que eram os que transitaram do fim do mês de Dezembro de 2010. De acordo com a mesma  Informação  Mensal  de  Janeiro  de  2011,  inscreveram-se  nos  Centros  de  Emprego,  durante  o mês  de  Janeiro  deste  ano,  63.269  desempregados,  e  o  IEFP  colocou  (arranjou  emprego)  para  4.327 desempregados.  Fazendo  contas simples  deviam  existir inscritos  nos  Centros  de  Emprego,  no fim  do mês  de  Janeiro  deste  ano,  600.782  (541.840+63.269-4.327).  No  entanto,  na  Informação  Mensal referente  a  Janeiro  de  2011  sobre  o  mercado  de  emprego  publicada  pelo  IEFP,  este  informa  que existiam, no fim do mês de Janeiro de 2011, apenas 557.244 desempregados inscritos nos Centros de Emprego. Portanto, como é fácil concluir desapareceram dos ficheiros dos Centros de Emprego 43.538 (600.782-557.244) desempregados. E o IEFP continua a não explicar a razão deste “desaparecimento”.
Perante esta diferença o que tenho feito é o seguinte: alerto a opinião pública, nos estudos que faço, para a discrepância que existe nos dados divulgados pelo IEFP e para a necessidade, por uma questão de  transparência,  do  IEFP  incluir  na  Informação  que  divulga  mensalmente  não  só  o  desemprego registado,  como  faz,  mas também  o  número  de  “desaparecidos”  e  as  razões  que  levam  o  IEFP  a eliminar um numero tão elevado de desempregados, todos os meses (porque isso acontece em todos os meses) dos seus ficheiros. E é este esclarecimento que o presidente do IEFP devia dar, mas que se tem sempre recusado.
O  nosso  povo  tem  um  ditado  muito  apropriado  que  se  aplica  a  situações  como  esta,  e  que  é  o seguinte: “quem  não  deve,  não  teme”.  Mas  é  evidente,  que  o  presidente  do  IEFP  ao  recusar sistematicamente   dar   tal   esclarecimento,   mostra  que   teme.   É   evidente   também   que   este “desaparecimento” de um numero tão elevado de desempregados, no período imediatamente anterior à publicação   dos   dados   sobre   o   desemprego   registado,   serve   objectivamente   os   propósitos propagandísticos do governo. É um “desaparecimento” minimamente muito conveniente. Isso até pode ser uma razão que explica as quebras que se têm verificado em contra-ciclo com os dados do INE.
É  evidente  que  após  a  sua  eliminação,  muitos  desses  desempregados  tornam-se  a  inscrever  nos Centros de Emprego por se terem apercebido que tinham sido eliminados administrativamente. Por isso o argumento utilizado por Francisco Madelino de que isso não é verdade, porque a soma dos eliminados todos os meses daria ao fim de um ano, um número irreal, não colhe. A verdade é que a sua eliminação antes da  publicação dos dados mensais  serve objectivamente o governo porque reduz o desemprego registado e, ainda por cima, sem qualquer explicação acaba por passar despercebido à opinião pública. O desafio que fazemos ao presidente do IEFP é o que temos sempre feito, e que ele tem ignorado, que é  o  seguinte:  que  passe  a  divulgar mensalmente  o  numero  dos  desempregados  “desaparecidos”  dos ficheiros dos Centros do Emprego assim como as razões que levaram o IEFP a eliminar esse número tão  elevado  de  desempregados.  Enquanto  não  fizer  isso,  a  credibilidade  dos  dados  do  IEFP  será reduzida, e não se livra da acusação de eles servirem os propósitos propagandísticos do governo. Os trabalhadores do IEFP não têm qualquer responsabilidade porque se limitam a aplicar um regulamento aprovado pelo presidente do IEFP. E isto apesar de Francisco Madelino os procurar envolver.
Para terminar quero deixar uma coisa clara: não é fazendo “queixinhas” ao secretário geral da CGTP, onde trabalho, como fez numa  carta que lhe enviou e que foi publicada num jornal  que me fará calar na defesa da verdade e que me impedirá de exercer o  direito de liberdade de expressão consagrado na Constituição da República.

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4 respostas a A má consciência do Presidente do IEFP

  1. Dédé diz:

    Mias um rufia de bairro este gajo do IEFP.

  2. Orlando diz:

    Continua camarada na tua luta de nos informar, pelo menos alguns sabem que isto é tudo uma falácia e que nos querem comer por parvos (a alguns claro), outros andam esclarecidos, mas infelizmente são uma minoria.
    Estes números só demosntram o embuste que são os Boys do qual os partidos ditos de poder usam para manter a população controlada, mas isso será até um dia…

  3. resumo diz:

    Apoio totalmente o dr.Eduardo Rosa,pelo seu trabalho q não é para tapar os olhos ao povo enquanto esse menino anda a mamar à grande e à francesa.O raio q os parta.Contra números,não há argumentos!

  4. Beijos e pontapés diz:

    Eugénio eles como bem sabes, fazem o papel deles. Nós fazemos o nosso. Os “abutres” têm o dinheiro. Nós a Honra !!
    Não desistiremos !!!

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