Limites do anti-sionismo

O Carlos Vidal escreveu há dias um post em que referia incidentalmente o nome de Jacob Burckhardt e, vai daí, o xatoo fez um comentário em que dizia a seu propósito: “o judeu Jacob […] nasceu no berço sionista foi educado para baratinar culturalmente as verdadeiras relações de produção na Idade Média”. Como bem notou outro comentador, o xatoo, sempre lesto a encontrar a marca dos sábios do Sião em tudo o que mexe, precipitou-se aqui nitidamente: Burckardt não era sionista nem poderia sê-lo, primeiro porque o sionismo nasce no preciso ano em que Burckardt morre… mas também porque Burckhardt não era sequer judeu: os Burckhardt (o Jacob e os outros, são uma dinastia intelectual na Suiça alemã, como os Saussurre em Genebra) eram protestantes – ou alguém julga que Nietzsche se ia travar de amizades com um judeu? O chatoo estava portanto a aldrabar, e a falar como se conhecesse de alguém que obviamente não conhecia; será que ele vai reconhecê-lo? Não, ele vai perseverar (errare humanum est, perseverare diabolicum), e assumir-se como um aldrabão de feira (que é um estádio superior da aldrabice) com um argumento fantástico: Burckardt era de Basileia e o I Congresso Sionista Mundial aconteceu em Basileia; Burkhardt morreu em 1897 e o Congresso também se realizou nesse ano; o Congresso foi subsidiado por um banco amigo e as notas do Banco central suiço têm hoje a efígie de Burckhardt! Por outras palavras, se no ano em que morreu Fernando Pessoa se tivesse realizado em Lisboa, por exemplo, o Congresso das Famílias Numerosas, e se o Totta Aliança o tivesse subsidiado, a presença da efígie de Pessoa nas notas do Banco de Portugal no ano 2000 provaria à saciedade o conluio entre o poeta da Mensagem e a agenda natalista da Liga das Famílias Numerosas… Mas essas minudências não incomodam o Chato: como ele diz a seguir, “judeu, calvinista ou protestante, Burckhard faz parte da tribo que vai construindo o mundo a partir da mitologia do Templo de Salomão” – tese audaciosa que permite supor que, sei lá, o Rei da Prússia também podia ser um sionista. Mas há melhor: o Xatoo escreve que “nunca vi[u] um tipo com um nome destes não ser oriundo da tribo eleita” (o que faz pensar que as revoltas jacobitas eram prenúncios do sionismo), até porque “não [tem] disponibilidade para averiguar a geneologia da familia do Jacob”… Pois a mim falta a disponibilidade para tanto disparate: o anti-sionismo não pode justificar tudo, nem a ignorância perseverante, nem a pura desonestidade intelectual.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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58 respostas a Limites do anti-sionismo

  1. Carlos Vidal diz:

    Só um pequeno reparo, António.
    Um anti-sionista pode sê-lo profunda e radicalmente, e nunca é – directamente e por isso – um anti-semita.
    O anti-sionismo é uma postura política. O anti-semitismo é postura rácica, ou racista.
    É a ignorância ou, na hipótese mais simpática (mais cuidado com esta formulação), a precipitação excessiva, que transforma uma coisa na outra, obviamente. Que as mistura, erradamente, pois elas são coisas separadas, e ainda bem.
    Dizer que Israel é um estado pária e fora da lei (condenado pela ONU centenas de vezes), é uma coisa.
    Dizer que Jacob Burckhadt construiu a sua glória à custa dos Protocolos de Sião e coisas do género é ser anti-semita, porque é trazer um argumento despropositado para uma conversa que se queria com “propósito”.
    Quanto ao que interessa ainda mais, é evidente que as próximas, muitas gerações, vão continuar a estudar Burckhardt e o seu “A Civilização do Renascimento em Itália” (ou o Der Cicerone, que aqui já citei, entre outras obras, muitas).

    • António Figueira diz:

      Nunca farei equivaler o anti-sionismo ao anti-semitismo: o primeiro é uma posição política legítima, o segundo é uma forma de racismo.
      É essencial separar as águas, e não permitir nunca, em nome do anti-sionismo, o anti-semitismo – até para preservar, precisamente, a legitimidade do anti-sionismo.

      • Carlos Vidal diz:

        Como insisto em cima, naturalmente: o político tem de se separar do rácico, se bem que este, por vezes, se queira intrometer no político – e aí há que estar atento.
        Estamos cá para isso.

        • Bruno Carvalho diz:

          Lixado mesmo é dizer que os palestinianos são anti-semitas quando são os únicos semitas na Palestina/Israel. Os únicos anti-semitas que conheço na região são os sionistas israelitas que têm origem, na sua maioria, na Europa.

          • Carlos Vidal diz:

            Como diz Alain Badiou do matemático Lauptman, ele foi resistente (à ocupação nazi de França) por lógica. Há momentos em que o resistente não pensa na pertinência da “resistência”. Ela aparece-lhe como lógica, inevitabilidade, hipótese única.
            Os palestinianos, que perderam vida e país às mãos de estrangeiros fanatizados, são, por lógica, anti-sionistas, obviamente.
            Eu ou tu seremos anti-sionistas por posição/reflexão política.
            Quanto ao anti-semitismo, o que dizes é verdade.

          • José diz:

            “Semite, Person speaking one of a group of related languages, presumably derived from a common language, Semitic (see Semitic languages).”
            Encyclopedia Britannica.

          • António Figueira diz:

            You have a point, Bruno.

  2. JMJ diz:

    Então mas o St. Jakob (que dá nome ao estádio da terra do Roger Federer – Basileia) era um judeu?

    Sempre a aprender!

  3. Será que o Abraham Lincoln e o Isaac Newton também eram sionistas?

  4. José diz:

    Na verdade, o problema não é o Xatoo ser anti-sionista ou anti-semita, parece-me evidente que é ambos, face a leitura dos seus posts e comentários e é claro que sionista e semita são conceitos diferentes e é claro que os seus anti também.

    Numa perspectiva radical da liberdade de expressão, até que não vejo inconveniente nas declarações anti-semitas do Xatoo.

    O problema é que o Xatoo é desonesto. Perante um erro que lhe foi apontado, em vez de o reconhecer, tergiversou e disparou insultos em todas as direcções.
    O erro deveu-se a ignorância? A precipitação? Ao anti-semitismo profundo? Só, provavelmente, Jeová o saberá…

    Seja como for, com desonestos não creio que valha a pena dialogar.

  5. miguel serras pereira diz:

    Brilhante e na mouche.
    É com grande satisfação que aqui procedo à correcção do diagnóstico precipitado que formulei há tempos, quando disse que o António se refugiava na elegância consumada de um bom gosto sem risco e evitava as ideias. Aqui, com efeito, o que vemos é o “espírito da prosa” devolver à forma o trabalho, não das ideias feitas, mas da criação da ideia: das ideias fazendo-se até quando retomam o já feito e, assim, o levam, como diria Sophia, para além do “já sabido” que os “homens sábios” tinham decidido que era quanto e só podia haver.

    Mea culpa

    msp

    • Carlos Vidal diz:

      Este elogio de MSP é pura “lambe-botice.”
      O António Figueira limitou-se aqui, e bem, a enumerar um conjunto indisputável de factos.
      E a reafirmar também o essencial: uma coisa é o antisionismo (de que me reinvindico), outra o anti-semitismo.
      O elogio de Serras Pereira é, pois, desproporcionado.
      Sou,
      CV

      • miguel serras pereira diz:

        Que o xatoo é anti-semita reincidente, já toda a gente o reconhece de há longa data, e não requer perspicácia especial.
        Se o CV não quer, embora saiba, distinguir a formulação desse juízo e a enumeração de “um conjunto indisputável de factos” do tipo de “cosa mentale” que são o trabalho e o jogo mobilizados e solicitados pelo post aqui em apreço, pior para ele. O pior cego é o que não quer pintar senão o que se vê logo. A “atenta invenção do que foi dado” – a que aqui assistimos, ao mesmo tempo que somos convidados a ser sua parte activa – é outra arte.

        msp

        • Renato Teixeira diz:

          Voltou a bófia? Onde está a bófia?

          • Carlos Vidal diz:

            Onde é que há-de estar?

          • miguel serras pereira diz:

            Renato Teixeira,
            olhe que, em português, “bófia” quer dizer “polícia”.
            Quanto ao resto, pode ir matar-se – com o xatoo, se quiser. Ou mesmo sem o xatoo e sem querer.

            msp

            P.S. Também podia levar o CV, de caminho. Mas esse, olhe que é muita areia para a sua camioneta (estilo Paris em Lisboa). Quer e não quer. Não quer porque quer. E quer porque não quer. Depois, atrapalha-se e não consegue. Nem matar-se nem querer. Ou será não querer?

      • António Figueira diz:

        Carlos,
        Se tiveres de ser contra tudo o que o teu adversário político apoia, permites que o teu adversário político condicione a tua posição; logo, tens de admitir que, às vezes, fugaz e conjunturalmente, tu e o teu adversário coincidem – o que é uma vitória tua, porque não te afastaste da tua linha (como certamente terás lido o “Acerca da Contradição”, do Mao Tsé-Tung, percebes bem o que eu quero dizer, e que é válido tanto para a guerra sino-japonesa e a luta contra os fantoches do Kuomintag como para a caixa de comentários de um blogue; deverias explicar isto, por exemplo, ao Leo, para que ele deixasse de dizer essa bestialidade anti-marxista segundo a qual o Mugabe é bom… porque o Gordon Brown ou o Cameron estão contra ele – e assim, em última instância, determinam o que o Leo deve pensar…) Isto da dialéctica tem muito que se lhe diga!
        Abraço, AF

        • Carlos Vidal diz:

          Nada disso, nada disso António.
          Apenas outra coisa:
          se eu não disser nada de especial, apenas factos constatativos, e me classificarem de brilhante, eu fico ou indiferente ou um pouco chateado. Porque não sei o que tal motiva. É só, e o Mao não tem nada a ver com isto, porque isto é simples e o Mao é complexo (o Um divide-se em dois, as contradições não antagónicas, a guerrilha-movimento, tudo isso é complexo de mais para agora).

          • miguel serras pereira diz:

            CV
            não se consuma tanto a interrogar-se sobre “o que tal motiva”. A explicação é simples e dispensa o recurso aos métodos contra-revolucionários da “teoria da conspiração”. Não vou repeti-la: está no que escrevi nos meus primeiro e segundo comentários.
            Quanto aos “factos constatativos”, tomei boa nota da expressão. Quem sabe se um dia não acabará por me fazer jeito?

            msp

          • joão viegas diz:

            Caro Miguel,

            Estive mesmo acomentar a expressão “factos constatativos”, sem duvida um dos legados mais importantes do pensamento vidalesco à posteridade.

            Não sei se a estupidez é um facto, ou se não é. A sê-lo, é com certeza absoluto um facto constatativo…

          • joão viegas diz:

            “a dois dedos de comentar” queria eu teclar antes de me escapar o dedo para o “enter”…

            PS : este comentario (e o anterior) são perfeitamente supérfluos, por mim podem apaga-los…

  6. xatoo diz:

    se o biltre Figueira se resolveu a perorar sobre História (biltre pq distorce malevolamente o que eu escrevi com base numa única palavra: “Judeu”, um conceito abrangente tomando em consideração a idiossincrasia da Maçonaria), então o Figueira devia ter encornado em jovem que uma pleiade de termos de que o seu textinho está eivado, são termos que não possuem objectividade aceite numa discussão sobre um tema que notoriamente o espertalhão dsconhece, vejamos:
    “se no ano em que” … (se) ou “tese audaciosa que permite supor que, sei lá…” (permite supor)… “o que faz pensar” ou ainda “ou alguém julga que” (julga), etc
    Voltando ao termo “judeu” (e uma vez que Carlos Vidal já desmontou a arma de arremesso anti-semitismo) remeto para o meu último comentário no post em epigrafe, acresecentando ainda mais que, há judeus que são mais judeus do que os judeus que são mesmo judeus… por exemplo, temos o caso do Jorge Sampaio (judeu apenas por linhagenm matrilinear) que no seu mandato inaugurou uma placa com nome de rua a um judeu notório simpatizante do Nazismo, de seu nome Moisés Amzalack o lider da comunidade israelita de Lisboa por mais de 40 anos e subdirector de “O Século” onde durante a guerra publicou diversas elegias à Alemanha Nazi. Para mais explicações, e já agora para que os disparates de A.Figueira não ocupem espaço ingloriamente inútil tal como um cócó de cão, remeto os eventuais leitores interessados para o livro de António Louçã sobre o tema versado (é História): “O Segredo da Rua do Século” (Edições Fim de Século)
    comprem, comprem, pq estas diatribes sacanas do autor deste post pode promover inopinadamente o mérito dos autores honestos, como o António Louçã esse sim um exemplo de homem de esquerda, que como muitos são ostracizados por dizerem a verdade

    • António Figueira diz:

      Agradeço aos meus colegas de blogue terem suspendido a publicação deste comentário, mas acho que o retrato intelectual e moral do xatoo ficaria incompleto sem a sua afixação.

    • miguel serras pereira diz:

      Aviso à Navegação:
      O António Louçã e os seus trabalhos são absolutamente não-culpados do uso – e enxovalho – que deles tenta fazer o xatoo.

      msp

  7. xatoo diz:

    e mais um nota, esta da área da Fisica: cócó atrai cocó, e aqui temos o anti-comunista Miguel Serras Pereira a elogiar a prosa do Figeira

    • Niet diz:

      Por acaso , Horkheimer, Adorno e Franz Neumann, que produziram análises quase inultrapassáveis sobre o Terror Nazi, a sua duplicidade e vertigem terroristas, alertavam para a falta de vigilância sobre os ” improprérios ” anti-semitas que ciclicamente denunciam a parte mais hedionda da consciência infeliz dos humanos. Ontem como hoje: ” Mas porventura seriamos tentados a pensar muito, e talvez pensassemos bem, se nós não pensassemos em comum com outros parceiros, se assim o podemos dizer, que partilham connosco os seus pensamentos e nós os nossos?”(Kant). Salut! Niet

  8. Mariana diz:

    Porque é que o anti-sionismo é uma posição legitima, Figueira?
    Apenas o afirmaste. Não explicaste porquê.
    Correcção: Nietzsche jamais foi anti-semita. Quer que lhe explique porquê?

    • António Figueira diz:

      Por que não haveria de ser?
      O sionismo é um etno-nacionalismo, cujo propósito principal é o de atribuir a um determinado grupo nacional (o termo é discutível) o controlo sobre um território, com argumentos históricos contestáveis e efeitos sobre outras populações igualmente discutíveis; por que razão não será admissível ser contra?
      Cuidado com as interpretações: eu não disse que Nietzsche era anti-semita, apenas deixei entender que não fazia parte dos mores de alguém do seu meio e da sua época ter uma relação intelectual e pessoal tão íntima com um judeu como aquela que ele teve com Burckhardt (se me explicar o contrário de forma que me parecer convincente, estou sempre pronto a reconhecer que me enganei).

      • Há um comentário do Nietzsche, não me recordo agora onde, e não consegui encontrar a fonte numa rápida pesquisa, em que diz que é por acaso que não tem nenhum amigo judeu, mas é por escrúpulos que não tem nenhum amigo anti-semita. Penso que isto desmente a impossibilidade de um intelectual como ele, no ambiente da sua época, ter judeus, necessariamente também intelectuais (e muitos havia), na sua relação de amizades. É um facto que não tinha, mas afirma que tal se deve apenas a um acaso.
        Já agora, sei que não é isto que estás estás a afirmar, António, mas quero reforçar: só alguém que não conhece nada de Nietzsche é que pode sequer sonhar que ele é anti-semita.

  9. José diz:

    Provavelmente porque é legítimo ser sionista…

  10. V. KALIMATANOS diz:

    Este naco de prosa do Jacob B. , ilustre membro duma “dinastia intelectual” podia muito bem servir de pretexto para um novo ataque a Gaza, não se diga que não. Havia, já nesses tempos, que acabar com esses seguidores do Islão:

    “All religions are exclusive, but Islam is quite notably so, and immediately it developed into a state which seemed to be all of a piece with the religion. The Koran is its spiritual and secular book of law. Its statutes embrace all areas of life…and remain set and rigid; the very narrow Arab mind imposes this nature on many nationalities and thus remolds them for all time (a profound, extensive spiritual bondage!) This is the power of Islam in itself. At the same time, the form of the world empire as well as of the states gradually detaching themselves from it cannot be anything but a despotic monarchy. The very reason and excuse for existence, the holy war, and the possible world conquest, do not brook any other form.

    The strongest proof of real, extremely despotic power in Islam is the fact that it has been able to invalidate, in such large measure, the entire history (customs, religion, previous way of looking at things, earlier imagination) of the peoples converted to it. It accomplished this only by instilling into them a new religious arrogance which was stronger than everything and induced them to be ashamed [emphasis in original] of their past”.

  11. xatoo diz:

    “Agradeço aos meus colegas de blogue terem suspendido a publicação deste comentário” (xatoo 20:32) diz A.Figueira
    mais uma filha-da-putice inominável, porque quem tem a faculdade de alterar, retardar ou censurar comentários é ele, o autor do post – efectivamente vários comentários posteriores aparecem antes, valendo-se A.Figueira de um método de censura por omissão
    e depois o espertalhão do asno dá coices sobre juizos de valor morais…
    entretanto, quanto mais zurra estigmas mais entalado fica

  12. xatoo diz:

    A. Figueira disse
    “Burckardt não era sionista nem poderia sê-lo, primeiro porque o sionismo nasce no preciso ano em que Burckardt morre” (1897)
    o patarata Figueira tira factos da cartola da Hstória como se fossem fichas avulso, isoladas do conteudo total do baú. Ignora o desenvolvimento dialéctico,,, que o Judaismo é um produto alemão da canibalização do Iluminismo europeu levada a cabo principalmente pelo filósofo judeu prussiano Moses Mendelssohn (que escreveu a Haskalah,, em 1750) – para acabar com a impossibilidade de se manter à luz da ciência moderna a fraude da origem Judaica no misticismo biblico.
    “o que faz pensar que as revoltas jacobitas eram prenúncios do sionismo” glosa mais abaixo o embasbacado A. Figueira – então e não é que tem mesmo? os dois iluminismos são opostos, na medida que o Judaico que serve os principes, banqueiros e os poderosos é uma resposta de classe ao Iluminismo da Revolução francesa que responde aos anseios das massas simples do povo; e por sua vez ambos derivam das grandes revoltas camponesas da Alemanha de 1525 e do seu programa de 12 artigos que foram um racunho precursor na reinvindicação dos direitos humanos (para não prosseguir atrás ficamos por aqui) e pelo assassinato de Muentzer, citando o “revolucionário” Lutero no apelo à repressão da revolta: “Só há uma maneira desse ‘povinho’ fazer sua obrigação. É constrangendo-o pela lei e pela espada, prendendo-o em cadeias e gaiolas, da mesma forma como se faz com bestas selvagens . . . melhor a morte de todos os camponeses do que a morte dos príncipes . . . estrangulem os rebeldes como fariam com cães raivosos.”
    fica uma nota final para CVidal: há aqui um fio condutor, nada na história pode ser analisado sem ser à luz da luta de classes e de quem produz e financia a cultura dominante e, lamento, o teu Burckardt (amigo pessoal do reaccionário Nietzsche entre outros) é um produto que serve os principes, banqueiros e os poderosos…

    • José diz:

      O Moses Mendelssohn foi filósofo, judeu, alemão, mas não prussiano, nasceu no estado de Anhalt-Dessau.
      O Haskalah foi um movimento judeu integrado no Iluminismo europeu e não uma obra de um autor.
      A primeira obra publicada – tanto quanto consegui encontrar – do Moses Mendelssohn foi em 1755.
      Ficamos todos a saber que “o Judaismo é um produto alemão da canibalização do Iluminismo europeu levada a cabo principalmente pelo filósofo judeu prussiano Moses Mendelssohn”. Antes deste filósofo não havia “Judaismo”. Provavelmente só havia judaísmo, com letra minúscula.
      O Iluminismo judeu consistiu na modernização da tradição religiosa, cultural e sociológica judaica. É um movimento interior à comunidade judaica, emulando o Iluminismo cristão, nada tendo a ver com a brilhante conclusão de que “os dois iluminismos são opostos, na medida que o Judaico que serve os principes, banqueiros e os poderosos é uma resposta de classe ao Iluminismo da Revolução francesa que responde aos anseios das massas simples do povo”. Até porque, como o próprio Xatoo diz mais acima no seu comentário, o Iluminismo judaico – que é posterior ao Iluminismo cristão – é anterior à Revolução Francesa…
      Enfim, mais umas tiradas fantásticas do Xatoo, mais umas demonstrações de como pouco sabe do que escreve.

  13. Mariana diz:

    Figueira,

    Quanto a Nietzsche, concordamos. O meio social era profundamente anti-semita.

    Eu é que deveria dizer “cuidado com as interpretações”.
    Eu não disse que o anti-sionismo não é admissível.
    Leia Herzl, compare-o aos etno-nacionalistas europeus e pronuncie-se depois.
    Verá que existem semelhanças, é certo. Mas certamente será capaz de discernir as muitas diferenças que separam o Sionismo dos etno-nacionalismos europeus. As diferenças são substantivas. Poderia explicar tudo isto aqui. Mas não tenho pachorra, sinceramente.

  14. José diz:

    “temos o caso do Jorge Sampaio (judeu apenas por linhagenm matrilinear)” Xatoo dixit.
    Mais uma brilhante tirada do Xatoo, mais uma – se necessário fosse – cristalina demonstração da ignorância do Xatoo e da sua persistência em falar sobre o que desconhece.
    Não há judeus por linhagem paterna. Judeu só o é se a mãe o for.
    Num post anterior, comentei, a propósito de uma tirada do Xatoo, que o anti-semitismo estupidifica. Venho reconhecer o meu erro: não é preciso o anti-semitismo.

  15. scriabin diz:

    Não é verdade que os cristãos novos foram todos rebaptizados com nome de árvore, em Portugal? Pois portanto eu acho que o próprio Figueira é judeu, em versão homeopática: tem uns electrões semitas a boiar no sangue. Para além disso, acho que o xatoo foi inventado pela Mossad. Cabrões, está genial.

  16. scriabin diz:

    É impressão minha, ou o xatoo confundiu mesmo a revolta dos jacobitas com os jacobinos da revolução francesa, e não faz a mínima ideia do que foram as revolas jacobitas, ou o que significa “jacobitas”? De qualquer maneira, de uma forma ou de outra, está uma paranóia bem esgalhada. Faz-me lembrar uma anedota, contada no O Homem do Castelo Alto, do Philip K. Dick: Os Nazis chegaram a marte e pediram que os marcianos apresentassem atestados de pureza racial ariana. Como os homenzinhos verdes não apresentaram os atestados, foram classificados como judeus.

  17. Mariana diz:

    Não é assim tão simples. Há muitos outros nomes, que não de árvores ou trepadeiras, que são nomes judaicos-cristão-novos: cardoso, franco, paz, mello, silva, lopes, rodrigues, moniz.

    Figueira,

    Espero que investigue o assunto sobre o qual falou. Acho que será melhor assim. O Sionismo compartilha algumas semelhanças com o etno-nacionalismo europeu. Mas é muito mais e muito menos do que isto. Investigue o assunto, António.O Sionismo foi inspirado, não pelos nacionalismos que menciona ad nauseum, mas por um esquerdismo universalista muito especial que você conhece muito bem.

    Isto é para o Xatoo. Espero que ele, Xatoo, não tenha sangue judeu. Suicidar-se-ia, sabe-se lá?! Sim, é verdade: o Xatoo é uma criação da Mossad. O objectivo do Xatoo é o de ridicularizar os argumentos da esquerda pela via do reductio ad absurdum. LOL

    http://www.youtube.com/watch?v=834uVI0Vo6o
    http://www.youtube.com/watch?v=RV0ODc9lRDU

  18. Mariana diz:

    Deixei ali os links para o Xatoo deliciar-se com a inteligência humana. Para ver se ele aprende alguma coisinha. Mesmo que pouca.

  19. Mariana diz:

    Sim, José. Não devemos subestimar o poder imenso da estupidez.

  20. xatoo diz:

    isso mesmo Scriabin… e o José é um rabi duma tribo bárbara germânica que não deu por o direito matriarcal ter mudado para patriarcal na transição para o Direito romano – estes fósseis da Judiaria são mesmo curtidos…

  21. Prof. Pardal diz:

    Alguma alminha caridosa explique ao patarata do xatoo a diferença entre jacobitas e jacobinos…se ele quiser, e PUDER, aprender…

    • António Figueira diz:

      Jacobinos, jacobitas… Lembra-me a história daquele pide que, quando o livreiro lhe perguntou por que é que, entre resmas de livros políticos, apreendia também a Fedra, respondeu, com um ar sabichão: – Lenine, Staline, Racine, é tudo a mesma merda…

  22. José diz:

    E o Xatoo insiste na ignorância:
    “e o José é um rabi duma tribo bárbara germânica que não deu por o direito matriarcal ter mudado para patriarcal na transição para o Direito romano”
    Leia, homem! Informe-se antes de escrever disparates!

  23. xatoo diz:

    “Moses Mendelssohn”. Antes deste filósofo não havia “Judaismo” – exactamente, de um ponto de vista de estudo da História por um método racional, (S.Reimarus, F-C.Baur, Bruno Bauer, Hegel, D.F.Strauss, Kautsky, Engels, ) enfim, antes dos ensaios desta gente toda só havia maquinações religiosas, falsificações grosseiras, supersitições, lendas de profetas iluminados e outras charlatanices… se o judaismo é isso então o rabino José continua “iluminado” pela obra que não conseguiu encontrar do Mendelssohn, e a cumprir o seu papel messiânico de desordeiro intelectual, agora no 5Dias

    Eu disse no comentário das 11:39 “para não prosseguir atrás ficamos por aqui) pelo assassinato de Muentzer”,,, o termo jacocita está entre aspas e foi introduzido por A.Figueiras numa diatribe para lançar a confusão, mais para se emocionar com a sua própria psique que outra coisa menos estúpida – mas — se para obviar a excomunhão pela chusma de militantes sionistas que normalmente aterram nos blogues quando lhes cheira a peixeirada religiosa – e se lhes aprouver podemos regredir da Alemanha até Wat Tyler, taboritas, etc – mas seria fastidioso e lateral – deixemos os excessos de erudiçaõ para sabichona Mariana

  24. xatoo diz:

    José
    eu não queria encavacá-lo… mas se na vossa seita religiosa ainda só se continua a reconhecer um filho pelo lado da mãe, então podemos concluir que, pela vossa tradição ancestral, nessa tribo toda a malta molha o pincel e nunca se sabe quem é o pai da criança

    • António Figueira diz:

      Say no more…
      Se isto não é anti-semitismo e alarvidade pura, é o quê?
      Xatoo, nos meus posts, o teu tempo de antena acabou.

      • V. KALIMATANOS diz:

        Figueira,

        É óbvio que vieste aqui não para esclarecer ninguém sobre a verdade do teu Jacob B. , mas apenas para acrescentares um ponto, recolhendo as migalhas de solidariedade mal disfarçada, às idiotices das Marianas que querem convencer aqui a rapaziada deste blogue com a ajuda das opiniões dum homem com 40 anos de tarimba na Mossad.

        Como acho que isto tem a ver bastante com a hopótese de haver por aqui à mistura muita gente que equilibra pires de pano no alto da carola, segue esta dado de estatística sobre a inteligência no uso do disfarce. E porta-te, s.f.f., como o “scholar” que pensas que és quando respondes ao Xatoo, pelo menos iremos notar o enorme esforço que fazes para não caires da cadeira.

        “Author and researcher Fritz Springmeier says in his book Be Wise As Serpents, “80% of the applications for name changes in the United States are Jewish.”

        “Where 50,000 applications are made roughly, that means on a yearly basis 160,000 Jews change their names legally (this is not referring to marriages), and almost all of the name changes are to non-Jewish sounding names,” continued Springmeier.

        According to Jewish sources, half of the Jews no longer have names that are recognizably Jewish. Perhaps we can assume that the statistics, being so heavily Jewish, are the same in Canada.
        It is a well established fact that modern crypto-Judaism is used by Jews to infiltrate religious, political, and financial institutions without being suspected. It was significant enough to have provoked the Spanish Inquisition”.

        • José diz:

          “ajuda das opiniões dum homem com 40 anos de tarimba na Mossad.”
          Fantástico!
          Já agora, façam uma pequena pesquisa sobre Fritz Springmeier.
          É um “author and researcher” de uma credibilidade a toda a prova.
          Este Kalimatanos pode não “equilibra(r) pires de pano no alto da carola”, mas provavelmente porque não tem dimensão para isso.

  25. José diz:

    Por acaso nasci de uma família católica. Que teve a coragem de, nos anos 60, e sendo funcionários públicos no concelho de Ourém, onde situa a freguesia de Fátima, permitir que o seu filho fosse o único a não frequentar a catequese, enfrentando as críticas e a censura social que tal decisão iconoclasta desencadeou. Por manter essa decisão, a carreira do meu pai sofreu.
    A incapacidade de reconhecer a divindade que sentia com 6 anos, manteve-se, infelizmente, pois, abençoados são os crentes, quaisquer crentes, que vêem a sua vida muito arrumadinha perante os ditames da fé.
    A tolerância que bebi dos meus pais, tal como a consciência de que há mais mundo do que as fronteiras acanhadas de uma fé, também se mantém, tal como persiste a curiosidade pela fé dos outros, os seus rituais, as suas leis.
    Desconheço se tenho ascendência judaica, o que não será de todo improvável, considerando que, conforme alguns estudos que li na imprensa, mais de um terço dos portugueses têm genes judaicos, o que quer que isso signifique.
    Mas, da mesma forma que tenho um imenso orgulho nos meus pais e na decisão de aceder ao pedido do seu filho de 6 anos de não frequentar mais a catequese, por não conseguir acreditar em Deus, tenho muito orgulho em ser tolerante e na defesa que faço de qualquer indivíduo ou minoria que sejam atacados pelas suas convicções, quer seja um judeu, um muçulmano ou, até, veja lá Xatoo, um comunista.
    Nestes comentários que tem feito nos últimos dias, o Xatoo apenas tem demonstrado quem é: um prosador cheio de convicção e vazio de conhecimento, pleno de ódio e sem pinga de tolerância, desesperado perante os erros apontados, reage insultando os críticos e não as críticas, “enterrando-se” cada vez mais com as suas explicações desesperadas sobre os erros que lhe foram apontados:
    -Diz que Burckardt era judeu e sionista e não era nem um nem outro.
    Depois de diversas explicações, umas mais atabalhoadas do que outras, acaba com a brilhante tirada de que nunca tinha visto alguém chamado Jacob que não fosse judeu. É evidente que, com isto, acaba por reconhecer o seu erro e a sua ignorância fundamental. Como alguém disse acima, seguindo a sua linha de raciocínio, é claro que o Abraham Lincoln só poderia ser judeu.
    – Diz que o Moses Mendelsohn era prussiano e não era.
    – Diz que escreveu uma obra, o Haskalah, afirmando mesmo a data da sua publicação, 1750. aqui há alguns pequenos grãos de areia: Não apenas o Moses não escreveu essa obra, como o Haskalah não é obra alguma, antes um movimento intelectual, sociológico, cultural e religioso, e a primeira publicação do bom do Mendelsohn foi em 1755.
    – Troca as datas e precedências da eclosão dos movimentos quando afirma que o Haskalah é uma reacção dos poderosos ao iluminismo cristão e à Revolução Francesa, estes últimos tidos por um movimentos dos pobres.
    – Confunde judaísmo, enquanto movimento religioso, mas também cultural e civilizacional, com a interpretação histórica.
    – Neste comentário http://5dias.net/2011/02/21/so-duas-linhas-dirigidas-aos-biltres-e-energumenos-animalizados-que-querem-comparar-khadafi-a-hugo-chavez-apenas-porque-corre-agora-o-boato-de-que-khadafi-foi-para-a-venezuela/comment-page-1/#comment-167865, vem o iluminado Xatoo ensinar às massas qual a grafia correcta do líder da Líbia – Muammar al-Gaddafi – insultando quem utiliza a forma Khadafi.
    Uma pequena pesquisa sobre o assunto permite verificar que os organismos oficiais líbios utilizam grafias diversas da “única” xatooniana:
    “Colonel Muammar Qaddafi” – http://www.libyanembassy.ca/pages/index.htm#
    “Col/ Muammar Elkaddafi,” – http://www.libyanbureaudc.org/history.html
    “Muammar al-Gathafi” – http://www.algathafi.org
    معمر القذافي” Muʿammar al-Qaḏḏāfī” – http://pt.wikipedia.org/wiki/Muammar_al-Gaddafi#Ortografia.
    O terceiro site é o pessoal do líder da Líbia, sendo razoável pensar que ele saberá escrever o seu próprio nome.
    – O pobre do Xatoo, nesse mesmo comentário, vem inventar a nova marca “Kevin Klein”. O seu anti-semitismo já o tolda de tal forma que insiste em mudar o nome dado ao seu filho pelos Srs. Klein: Calvin.
    Já agora, e sendo marxista, pelos vistos Xatoo desconhece que o seu ídolo era judeu.

    Sobretudo, o coitado do Xatoo vive submerso em convicções imutáveis, geradoras de construções distorcidas da realidade e de ódios a quem pensa de modo diverso.
    Se o Xatoo fosse judeu seria Hassídico, se tivesse nascido no Bible Belt, lá veríamos o Xatoo como o pastor dos red necks, escapa à Al Qaeda por não ser muçulmano, enfim, só não escapa ao ridículo de ser quem é por ser o pobre do Xatoo.

  26. Mariana diz:

    Kalimatanos

    Só uma pergunta: qual é o papel do Pai Natal na conspiração descrita pelo seu bem amado Fritz?? Estou curiosa.

  27. Mariana diz:

    José,

    E você desperdiça saliva com neo-nazis como o Kalimatanos e com extremistas de esquerda como o Xatoo?!! São os dois igualmente paranoicos. O que é que nos interessa o facto do sr ser católico ou de eu não ter sido baptizada etc etc?? Qual é o interesse destes factos banais? Tenha juízo e dedique-se a actividades mais interessantes.

  28. V. KALIMATANOS diz:

    Isto não é nada comigo, mas permita-me observar-lhe, meu caro José, que você também andará muito enganadinho nas suas convicções, além de que me parece que não bebeu tolerância suficiente de seus pais para tolerar o Xatoo. Homeopatize isso. E você acha que uma grafia incorrecta dum nome justifica o tempo que você gasta nesta sua tese?

    Já que você cita a Al Kaida (corrija por favor, be my guest) que provas é que você tem de que tal organização exista? Uns videozitos, pois, barbas falsas, passeios lunares. E interesse-se mais pela figura de Abrão, cujo nome você cita provavelmente lembrando-se que toda a gente tem a opinião que foi um homem e presidente extraordinário. De facto, já chovem sobre essa figura acusações de que teria sido precisamente o contrário daquilo que você aprendeu: um grande racista. E como é que vamos saber se o homem era ou não era judeu? Eu por mim, deixo isso na caixa pendentes. Ainda há poucos anos o John Kerry confessou, cândida e publicamente que desconhecia que o seu avô era lá dessas bandas da religião.mas só depois de os investigadores lhe porem as provas defronte do nariz. Procure na Internet, que eu não tenho tempo para isso.

    E leu nos jornais aqui há meses que um investigador norte-americano descobriu que havia mais um milhão extra desse pessoal extremamente inteligente nos USA alone? Aconselho-o, portanto, a tratar todas as informações demográficas, históricas, onomásticas, etc with a pinch of salt, but not vinegar.

    E folgo verificar, sem surpresa, que a sua tolerância não embirrou com o caracter marxista das ideias do Xatoo. Exactamente o que acontece nas enciclopedias dos países capitalistas. Chama-se a isso coexistência pacífica entre as articulações e o bicho do reumático. .

    E dê uns retoques no segundo parágrafo do seu posto quando proceder a arquivo para futura inserção nas suas obras completas. Não percebo nada daquilo.

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