DOMINGOS CLANDESTINOS – Saudar, lembrar e aprender com a Guerra Civil de Espanha

A Guerra Civil espanhola é um caso escola do debate político do século XX. De balão de ensaio para a 2ª Guerra Mundial a palco de clarificações fundamentais entre os projectos políticos à esquerda, os acontecimentos que marcaram a segunda metade dos anos 30 não devem ser esquecidos, até porque estão a voltar à ordem do dia a partir do Médio Oriente e do Norte de África. A inevitabilidade da guerra para consumar revoluções e mesmo as conquistas democráticas voltou, a partir de Espanha, a repetir-se dramaticamente, mas quarenta anos antes de Allende ser assassinado já era claro que dificilmente o imperialismo aceita sem violência a vitória eleitoral de um projecto antagónico no coração do “seu” território. Para lá desta conclusão importa perceber o papel da ex-União Soviética e a capitulação generalizada das forças políticas à Frente Popular que desarmou o povo e baixou a guarda da revolução. O Terra e Liberdade, outrora difícil de encontrar onde quer que fosse, já pode ser visto integralmente no youtube e é, a par da Homenagem à Catalunha de G. Orwell, obrigatório. De seguida pode também descarregar o Clandestino dedicado ao tema e onde se procurou ir além da espuma num assunto demasiado importante para todas as máquinas de propaganda.

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4 respostas a DOMINGOS CLANDESTINOS – Saudar, lembrar e aprender com a Guerra Civil de Espanha

  1. Leitor Costumeiro diz:

    Grande filme, uma das melhores “Internacionais” que ouvi…

  2. V. KALIMATANOS diz:

    Renato,

    Fraca visão essa de comparar o que está a passar-se no Magreb com o que aconteceu em Espanha, e particularmente em Barcelona. Pelo seguinte, e que chega: a esmagadora maioria das pessoas que agora se revolta contra as ditaduras aos gritos e de cacete na mão acredita em Deus, o mesmo não se pode dizer dos revolucionários confusos descritos por Orwell na Homenagem.

    Da mesma forma que reconhecemos que reaccionários como o Gadafi e o monarca de Barhein recorrem a mercenários para reprimirem a oposição também não devemos esquecer, só porque houve cândido socialismo à mistura, o facto de que o maior contingente das Brigadas Internacionais ter sido composta de judeus? O ataque era à Espanha católica dos 40 mil padres, não ao capitalismo espanhol. Só que os canhotos dos socialistas das mais diversas matizes que por lá andaram ao tiro e à cronhada nunca tiveram miolos para compreenderem isso nem a coragem para admitir não terem passado de meros títeres.

    Todos estes filmes de jornadas heroicas dos proletariados enfermam do mesmos defeito de serem controlados à distância pela mão invisível. Ao Ken Loach, por exemplo, tanto se lhá que as receitas dos filmes lhe bastem para pagar as despesas como não. And why is that?

    Toda a gente fala do “Batalha de Argel” (neste caso, o alvo era DeGaulle – catolicão, mas muito honesto) mas ninguém se incomoda com o fato de o mesmo ter sido pago e encomendado pelo Governo Argelino. E quem foi o seu “realizador”? Pontecorvo, um judeu que não se interessa nada pela religião. Se calhar o melhor de tudo seria explicar estes estremeções histórico-revolucionários em termos de “religião antiga” e esquecermos as mais modernas de pseudo progresso, na forma de socialismos, comunismos e anarquismos.

    Subscrevo esta parte dum comentário ao vídeo:
    “Oh don’t get me wrong, I hate the church, but u know what I hate even more? Hypocrisy. The second republic portrayed itseld as civilised, democratic and liberal, but what kind of democracy is it when they go about killing priests and burning churches just because of the different way of thinking?

    Bom, no tempo do Lenine e do Trotsky queimaram, for starters, aí umas 1200 igrejas e não foi por isso que o preço do chouriço subiu ou a fundação de Israel deixou de ser encorajada e apoiada pela União Soviética dos malenkoves.

  3. Fernando Simões diz:

    A Frente Popular desarmou o povo?
    Você só pode estar a brincar ou então não sabe nada da Guerra Civil de Espanha.
    Começe por ler os básicos. Para começar o Hugh Thomas já lhe dá uma ideia geral.
    Ou então o seu problema é outro.
    Você acha que a Guerra se ganhava ocupando os minifúndios dos camponeses Aragão que, até à altura eram o celeiro da República? Ou cortando a seu belo talante as comunicações da Generalitat?
    Já agora quem alinhou com o golpe de Casado, caçou comunistas em plena Castellana e entregou Madrid aos assasinos de Franco sem luta foi o anarquista Cipriano Mera o qual acabou por ver a sua sentença de morte comutada pelo “generalíssimo” (ele há coincidência do diabo).

    Ai, ai, a “doenca infantil” volta a tacar…

  4. Américo Tomé diz:

    Trata-se de um filme emotivamente forte mas historicamente incorrecto. Procede aliás a uma injusta revisão do papel do PCE no desenrolar da guerra, apesar de ainda assim mostrar a forma autista como o POUM e outros que tais capitularam perfeitamente ao pretender manter uma estrutura da guerra ineficaz, desarticulada, românticamente condenada ao extermínio, que aliás veio a acontecer.

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