Ridículo

Ontem o BE pedia ao PSD para não votar a sua moção de censura, acusando-o de cair no ridículo se o fizesse. Há um ano tinha sido o PCP a fazer o mesmo número. Hoje que ficou confirmado que o PSD vai abster-se, o BE acusou-o de cair no ridículo por ter protegido o PS da moção de censura. Entre mimos o PS veio dizer que a partir daqui o PSD cairá no ridículo se vier a apresentar uma moção de censura por outros motivos e o CDS, que também não caiu no ridículo desta vez, não exclui a possibilidade de se colocar ao ridículo na próxima. Moral da história: se depender das ridículas forças parlamentares o ridículo Governo Sócrates vai chegar ao fim da legislatura.

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17 respostas a Ridículo

  1. Leo diz:

    “Ontem o BE pedia ao PSD para não votar a sua moção de censura, acusando-o de cair no ridículo se o fizesse. Há um ano tinha sido o PCP a fazer o mesmo número.” ???? Está enganado. Leia a moção de censura do PCP e perceberá:

    MOÇÃO DE CENSURA Nº 1/XI-1ª

    O FUTURO DO PAÍS COMPROMETIDO PELA POLÍTICA DE DIREITA

    Ao fim de mais de 30 anos de política de direita e com a intensificação das suas orientações pelo Governo PS, Portugal é hoje um país com o futuro seriamente comprometido no que toca ao desenvolvimento económico, à justiça social e aos direitos dos trabalhadores e das populações.

    A política seguida conduziu o país à estagnação, à continuada divergência com os restantes países da União Europeia. Foi e é uma política que esteve na origem da acentuada destruição do aparelho produtivo nacional e da respectiva produção, agravando sistematicamente a dependência externa da nossa economia e naturalmente a dívida ao exterior.

    Foi e é uma política causadora de um aumento brutal do desemprego, da manutenção de baixos salários e do aumento da exploração dos trabalhadores, alterando sistematicamente para pior a legislação laboral e promovendo a precariedade.

    Foi e é uma política de ataque aos direitos sociais, mantendo baixas reformas e condicionando o acesso a prestações essenciais, ao mesmo tempo que degradava os serviços públicos indispensáveis para garantir o acesso a bens como a educação ou a saúde.

    Foi e é uma política de submissão do poder político ao poder económico e de submissão do interesse nacional e colectivo aos benefícios para os grandes grupos económicos e para um punhado de privilegiados, abrindo campo fértil para o compadrio e a corrupção.

    Foi e é uma política de aceitação subserviente dos ditames da União Europeia e de sistemática alienação de soberania nacional.

    A crise que se vive no nosso país, na Europa e no mundo – crise do sistema capitalista – é o resultado da crescente financeirização da economia, da protecção da especulação financeira que ataca as economias mais vulneráveis, procurando impor-lhes, como o apoio dos respectivos governos, inaceitáveis condições de regressão social, de declínio económico e de perda da soberania, visando garantir uma cada vez maior concentração da riqueza.

    A especulação do capital financeiro, que a União Económica e Monetária não impediu – tal como o PCP sempre afirmou que aconteceria e os seus defensores sempre negaram – desencadeou a crise, beneficiou com ela através designadamente da injecção de vultuosos capitais públicos no sistema financeiro e continua a atacar países soberanos visando roubar-lhes milhões de euros.

    Os critérios monetaristas do mercado único, do Euro, da UEM e do BCE, penalizadores das economias mais frágeis como a portuguesa, continuam a ser exigência central do directório das grandes potências da União Europeia, que falando em “ajudas” continua a impor uma política monetária ao serviço dos seus próprios interesses e que constitui um inaceitável garrote para o desenvolvimento do nosso e de outros países.

    É neste quadro que o Governo PS e o PSD se entenderam para avançar com gravíssimas medidas para o nosso povo e para o nosso país. Medidas impostas a partir da União Europeia, que acrescem ainda ao Programa de Estabilidade e Crescimento por ambos aprovado.

    São medidas que nada têm de distribuição equitativa; que penalizam os mesmos de sempre, aqueles que há décadas e em particular nos últimos anos vêem sistematicamente a sua vida piorar, os trabalhadores, os reformados e a generalidade da população. Medidas que mantendo a mesma política de desastre nacional conduzirão aos mesmos resultados, deixando o país em pior situação.

    Com o imposto adicional que agora anunciam, trata-se de praticar um verdadeiro roubo aos salários dos trabalhadores e às reformas, agravado com o aumento do custo de vida que trará o aumento das taxas do IVA, sobretudo nos bens essenciais.

    Com o ataque ao subsídio de desemprego desprotegem-se ainda mais os desempregados e pressiona-se a baixa geral dos salários. Com o ataque às prestações sociais, o Governo PS e o PSD, visam expulsar do apoio a que têm direito, impondo cláusulas restritivas, dezenas de milhares de famílias que delas precisam para sobreviver.

    Com a diminuição das comparticipações dos medicamentos publicada na passada semana, vão aumentar os gastos dos utentes, especialmente dos reformados com baixas reformas.

    Com o acordo entre o Governo PS e o PSD, num primeiro momento deliberadamente escondido, para flexibilizar os despedimentos, estes partidos pretendem dar um novo passo na exploração de quem trabalha, cumprindo assim os desígnios do grande patronato.

    Com o corte no investimento público será penalizado o desenvolvimento nacional, agravando ainda mais o desemprego e a recessão económica.

    Com garrote financeiro e humano à administração pública, incluindo às autarquias locais, continua a destruição dos serviços públicos e a penalização dos que deles necessitam.

    Com o ataque ao consumo interno, o agravamento do IVA, a diminuição brutal do investimento e a manutenção de condições fiscais adversas, afundam-se ainda mais as micro, pequenas e médias empresas.

    Com as privatizações alienam-se alavancas fundamentais da nossa economia, ao mesmo tempo que se perdem recursos financeiros essenciais para o país.

    Entretanto mantém-se incólumes os que continuam a acumular lucros obscenos, como a banca e a especulação financeira, beneficiando de taxas efectivas de tributação que são uma ofensa aos pequenos e médios empresários, da ausência de tributação nas transacções bolsistas, da exclusão da tributação das mais-valias bolsistas das SGPS, da protecção absoluta aos benefícios instalados nos off-shores.

    O Governo PS e o PSD estão juntos numa ofensiva brutal contra os portugueses e contra o interesse nacional.

    Por tudo isto se tornou indispensável a apresentação desta Moção de Censura. Uma Moção de Censura que dá resposta ao profundo e crescente descontentamento do povo português, e à exigência de outra política. Uma Moção de Censura que exprime a mais elevada rejeição institucional desta política e que para além disso se assume pela sua dimensão política; que sendo uma censura ao Governo é igualmente dirigida em simultâneo ao PS e ao PSD e à política de direita que praticam. Uma censura que encerra um juízo sobre o rumo de desastre nacional imposto ao país nos últimos anos pela política de direita, e aos seus principais promotores. Uma inequívoca censura e condenação às medidas agora impostas e às acrescidas injustiças e desigualdades a que se prestam. Uma censura que é expressão clara de rejeição de um caminho de estagnação económica, retrocesso social e de liquidação da soberania nacional. Uma censura que é expressão da necessidade de ruptura e mudança, de exigência inadiável de uma política assente na produção nacional, na criação de emprego, no desenvolvimento, na justiça social, nos direitos e em melhores salários, na soberania nacional. Uma censura que é a afirmação de exigência de um país mais desenvolvido e mais justo, de um Portugal com futuro. Uma censura que afirma que a actual política não é inevitável e que há outro caminho e outro rumo para o país. Uma censura que afirma não só é possível mas indispensável uma política patriótica e de esquerda para Portugal.

    A Assembleia da República delibera, nos termos do artigo 194º da Constituição da República Portuguesa, censurar o XIII Governo Constitucional.

    Assembleia da República, 18 de Maio de 2010

    • Renato Teixeira diz:

      Vejo a palavra Governo PS e PSD associadas uma meia dúzia de vezes. É a pedir para que aprovarem?

      • Leo diz:

        Ah! Extraordinário! Afinal o que pretende é que não seja censurada a política e a ofensiva brutal contra os portugueses e contra o interesse nacional.

        Só quer mudança de moscas, está-se marimbando que a merda continue.

        É isso mesmo que o PSD quer, certo? Bem me parecia…

        • Renato Teixeira diz:

          Leo, isso só vai lá com uma frase batida: “Cabe à esquerda escolher entre direitas?”

          • Leo diz:

            O que cabe, se a moção de censura tem sucesso, é o povo decidir em novas eleições.

            É disso que tem sempre muito medo, da decisão do povo, também em eleições.

            Mas o PCP não tem medo. Por isso não provoca com anúncios de um mês. Apresenta na hora certa e argumenta com seriedade.

  2. Vítor Dias diz:

    Sob pena de passar por falsificador, faça favor de demonstrar qualquer declaração do PCP ou dos seus dirigentes que comprove que, há um ano, o PCP «fazia o mesmo», ou seja «pedia ao PSD para não votar a sua moção de censura, acusando-o de cair no ridículo se o fizesse».

    Não peço nem estou interessado em paleio lateral. O que eu, e certamente outros eleitores, unicamente desejam e esperam é a comprovação da grave afirmação feita.

    • Renato Teixeira diz:

      Vítor Dias, sem querer ter a deselegância de o remeter para a resposta que dei ao Leo sugiro apenas que raleie a transcrição da moção do PCP. Acha que a moção transcrita não pede ao PSD para que vote contra ou se abstenha, ou caia no ridículo?

      Escolho só uma passagem para que nada fique falseado:
      “Uma Moção de Censura que exprime a mais elevada rejeição institucional desta política e que para além disso se assume pela sua dimensão política; que sendo uma censura ao Governo é igualmente dirigida em simultâneo ao PS e ao PSD e à política de direita que praticam.”

      • Vítor Dias diz:

        Pois, estamos mais uma vez conversados:

        – o líder parlamentar do BE declara que não espera a aprovação pelo PSD da moção de censura do seu partido e qualifica de «ridiculo» se isso acontecesse;

        – há um ano ninguém do PCP fez semelhante afirmação, acontecendo sim que os fundamentos da moção de censura do PCP incluiam referências à associação do PSD à política realizada pelo Governo do PS;

        Face a isto, Renato Renato Teixeira conclui que estas duas coisas distintas são uma e a mesma coisa.

        Mais palavras para quê ? É um artista português.

        • Renato Teixeira diz:

          Bom resumo. Foi essa mesmo a associação deste artista e de mais uma mão cheia deles. Divide é disso do português…

  3. José Lopes diz:

    Está aí escrito preto no branco na moção do PCP, “que sendo uma censura ao Governo é igualmente dirigida em simultâneo ao PS e ao PSD e à política de direita que praticam”. Isto é pedir ao PSD que não vote a favor sem cair no ridículo…

    • V. KALIMATANOS diz:

      Já há anos que não lia censura específicamente cozinhada para as liturgias parlamentonas. Obrigado Leo, que para papa só te falta o nome. E esta magana de censura-filho-mas-não-descarriles-o-combóio-porque-o-teu-tacho-depende-dele dá tanto tautau, tanto tautau nos servidores sem vergonha do “sistema capitalista em crise” que posso estar mais 100 anos sem ler outra e a chuchar no dedo a ver se descubro quando é que foi que o “sistema capitalista” não esteve em crise.

      Quem deve dar gargalhada, e um peidito ou outro de satisfação mal contida, ao ler estes manifestos de descontentamento são os titereiros de todos os partidos políticos – incluindo os verdes e o grande partido nacional do desmancho. E as ONGas, já me estava a esquecer.

  4. LAM diz:

    Tal como agora, a abstenção do PSD em 2010 foi criticada por Sócrates, argumentando não entender a “abstenção” quando o PSD teria sido tão criticado na moção quanto o PS.

    • Leo diz:

      O que então em 21 de Maio de 2010 o PM Sócrates disse foi exactamente o seguinte:

      “Mas é preciso também dizer que os partidos que se situam à direita, neste Hemiciclo, ao optarem pela abstenção, perdem uma oportunidade soberana de serem totalmente claros na recusa do oportunismo e da instabilidade política.

      É que, Srs. Deputados, há momentos em que não se pode ser ambíguo, em que não se pode ficar pelo «nim», e este é um desses momentos.

      É um momento em que se esperaria, em particular, do principal partido da oposição uma recusa firme, clara, sem equívocos, daquela que é, sem dúvida, uma iniciativa política completamente irresponsável!

      Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O sentido da responsabilidade política nacional é, portanto, uma questão-chave deste debate. Mas não é a única! Há mais duas linhas de divisão essenciais: de um lado, o Governo e, do outro, todos quantos apoiam ou toleram esta moção de censura. Uma linha de divisão é a Europa e a União Económica e Monetária, a defesa do euro e da zona euro; a outra linha de divisão é a defesa de um sustentável Estado social, em Portugal.”

      Para quem quiser conhecer o que se passou basta consultarem o Diário da Assembleia da República, nº 60 de 22 de Maio de 2010.

  5. JMJ diz:

    Está visto que o ideal, para o Renato, era uma moção de censura nestes termos:

    “MOÇÃO DE CENSURA Nº 1/XI-2ª

    O FUTURO DO PAÍS COMPROMETIDO

    Quem não vota a favor desta moção é MARICAS!!”

    • Renato Teixeira diz:

      Era mais fácil: “MOÇÃO DE CENSURA Nº 1/XI-2ª
      O PS NÃO CUMPRIU COM O PROGRAMA DE GOVERNO”.

      Simples deitar um governo abaixo, né?

      • Leo diz:

        Como se vê não é.

      • Vítor Dias diz:

        Porra, porra !
        Mesmo conhecendo perfeitamente as diferenças entre a actuação governamental e o programa de Governo eu pintava a cara daquela cor que agora não se pode dizer se uma moção de censura se queixasse que o governo não tinha cumprido o seu programa pela simples razão que orientações errads e outras coisas péssimas já não lhe faltavam.

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