Por falar nisso, eis o meu new diary-agenda

Cansada de ter de me lembrar sozinha, sem auxiliares de memória, dos dias em que não posso marcar nada para poder faltar tranquilamente ao italiano, entre outros compromissos que faço por falhar de forma metódica, e como não me habituo a usar o telemóvel para fazer café e essas multimerdas que eles agora fazem, comprei uma agenda. Não foi a tiragem limitada a 2011 exemplares que me convenceu (uma exclusividade foleira que faz de mim a n. 264/2011, como na tropa), nem a ideia de nomear cada dia com uma efeméride pateta, como esta

ou esta

ou esta

(todas vagamente inspiradas no calendário inventado pelos patafísicos, mas em versão loucura soft); nem sequer a antevisão de um tempo futuro hiperfraccionado, para satisfação de todos os pretendentes ao ano disto e ao dia daquilo, em hora disso ou minuto dessoutro, “saturando a história num mundo que parece querer esconjurar o terror de que não se passe nada” (tradução livre da bula introdutória que acompanha a coisa). Não. O que realmente me convenceu foi

este

marcador. Raramente me senti tão compreendida pela sociedade de consumo.

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8 respostas a Por falar nisso, eis o meu new diary-agenda

  1. Sinto-me na obrigação de recordar à camarada que o apego e a despudorada ostentação desses frívolos objectos de luxo concebidos pelo capitalismo internacional para distraír a classe operária e as amplas massas populares das suas urgentes tarefas revolucionárias, configura um perigoso desvio de direita pequeno-burguês que, dificilmente, poderá ser tolerado!

    (onde é que se compram essas coisas catitas?…)

    • Morgada de V. diz:

      Quer dizer que aquilo dos patafísicos não vos enganou convenceu de que isto era um produto cultural compatível com a causa operária? Damn. Compram-se numa porrada de livrarias em França, na Bélgica, e na Nouvelle Librairie française em Lisboa (moradas, descrição e filosofia do bicho aqui).

      • A causa operária exige aquele tipo de comportamento e atitude que, em devido tempo, foram definidos como “Vida simples, luta dura e pensamentos elevados”!… Menos do que isso e… al paredon!

  2. JMJ diz:

    A revolução não terá (ainda) hora marcada mas, até lá, é preciso saber onde e quando reunir, para a preparar e dar andamento. Eu, pessoalmente, acharia mais proleta uma daquelas agendas (horriveis e sempre igualmente confusas) que o STAL oferece aos seus sindicalisados, mas prontos, a revolução já vem “trop tard”.

    (há umas agendidas muito catitas, tamanho A6, da moleskin, que parecem mesmo o livrinho vermelho!)

    Post-Scriptum: Folgo em saber que dão ouvidos às ameaças que aqui são feitas. O respeitinho é muito bonito e com certas coisas não se brinca!!

  3. Pedro Penilo diz:

    Eu voltei depois de 4 anos (?) às agenda de papel. A minha tem essa mesma funcionalidade, mas sem o marcador. E nem cobram mais por isso.

    Quer dizer… Penso que não cobram.

  4. susana diz:

    foram anos e anos de agendas-livro, sempre vazias, ou quase. das entradas ninguém me lembrava, pelo que os compromissos tinham que ficar na memória e a agenda servia, na melhor hipótese, para confirmar uma data já ultrapassada. o telemóvel apita: grande vantagem.

  5. António Figueira diz:

    Inveja das minhas clairefontainezinhas, patologicamente riscadas, é o que é.
    Tente outra, minha senhora.

  6. Joana diz:

    Cara senhora, concordo com a susana: o telemóvel apita. E em quaisquer 5 minutos aprende a mexer nas funcionalidades mais obscuras, incluindo tirar café. Mas esta é fácil: manda um SMS a pedir que lho façam, et voilá!

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