Oh, como me sinto desconfortável em dizer isto: DOLiveira e Rui Tavares (notabilíssimo deputado da nação europeia) são duas pueris entidades mediacratas de avassalador pensamento

Então não é que repetiram ao mesmo tempo a tese do “mal menor” = PS. Ora bem, com um seguro de vida deste calibre, do calibre de DOliveira e do sr. Tavares teremos PS mais tempo que Salazar (e eu até achava mais graça mais tempo Salazar do que PS, ora ora), por esta razão: o sr. Tavares e o sr. DOLiveira acham que a moção (já autoflagelada, descansem mediacratas) de censura do Bloco de Esquerda se o governo PS derrubasse abriria espaço para o triunfo daquilo que eles (vá lá perceber-se porquê) chamam a “direita”. Logo, o governo PS, defensor do estado social, dos serviços públicos e dos direitos de cidadania, etc. (e nem uma destas defesas estes mediacratas enumererão na “conta PS”) é menos mau que o PSD.

Assim, teríamos de considerar que o PSD seria menos mau que Marcello Caetano (que era um ditador, porra!). Que Caetano era menos mau que Salazar. Que Salazar era menos mau que Franco e que este seria mesmo menos mau que o chanceler alemão aguarelista do Reich (e não sei onde fica o tipo da Birmânia e o Pinochet no meio disto, mas não ficam mal de todo). Ou seja, se temos em Portugal o menos mau de tudo, o que já é muito bom (que é o PS, essa glória de amizades salutares, de Savimbi a Ben Ali – e eu GOSTO DESTES DOIS GAJOS, como diria o outro), não sei porque é que os srs. DOliveira e Tavares intervêm na coisa pública (por assim dizer), não sei porque pensam, porque se levantam todos os dias, porque… Porque, no fundo, nós estamos bem: temos sociólogos e antropólogos geniais, políticos e líderes (não tão “bons” como os de “antigamente” diz o arrastado DOliveira) pelo menos mais ou menos menos maus. Estamos bem. Foda-se.

Mas, seja como for, em DOLiveira, o expresso amor aos líderes de “antigamente”, os construtores da Europa livre, da Europa, dos EUA e da Rua dos Fanqueiros, aliás, foi ontem (ou anteontem) comovente. É um leitor de Maquiavel este DOliveira (apesar de do genial florentino não ter percebido um puto!), parece simpatizar com o pessimismo antropológico do filósofo, que ia dizendo que os homens conflituando-se nos seus egoísmos necessitam de líderes que os governem e protejam. Grande DO, e de grandes jornalistas, historiadores e antropólogos estamos rodeados. Sim senhor. Até amanhã.

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11 respostas a Oh, como me sinto desconfortável em dizer isto: DOLiveira e Rui Tavares (notabilíssimo deputado da nação europeia) são duas pueris entidades mediacratas de avassalador pensamento

  1. a resposta ao pensamento desses apêndices

    é também de um virtuosismo impagável

    e se alguém espera ser pago….então os senhores que se seguem talvez tenham alguns trocos

    os homens conflituando-se nos seus egoísmos….atão esse con fli tu andou-se?

  2. Daniel Nicola diz:

    Excluindo os “apêndices” (e algum fetiche por urina), hoje vejo-me obrigado a concordar consigo. É que se a teoria do mal menor vingar em futuras eleições, não vejo outro sentido de voto para o DO que não seja o voto no PS.
    Então eu, que estou num círculo (Viseu) onde o meu voto vai sucessivamente e a cada eleição que passa para o caixote do lixo da história, teria por obrigação votar sempre PS. Isto não é um princípio, era o fim.
    cps

  3. Justiniano diz:

    Caríssimo Vidal,
    Aquela posta, ou melhor, aquelas últimas postas (aquela da segunda guerra é soberba, talvez a melhor dos últimos 20 anos de carreira), são coisa de trovador!! Verdadeiramente inacreditável!! Um perscrutador, predistigitador à laia de ameaça disfarçada de escatológica dogmática, ali encontramos!!
    Se não lida com cuidado é obra capaz de nos desalinhar as lágrimas. Plena e pejada de ideias palavrosas e cantos de encantar! Sobretudo de uma falsa ingenuidade ou pretensa inocencia que verdadeiramente se conforma na mais profunda e fuínha má fé, coisa, aliás, típica daquele discursar pós moderno e pós romantico.
    Ora, é dar-lhes o arco siderúrgico, a campânula de fusão, a quinadeira, lenha para a lareira e meias de algodão. E que o que resta do inverno lhes seja proveitoso!!
    E isto, que digo, não é maledicência!! É apenas uma discussão em torno da táctica, e estas coisas são tremendamente importantes e abertas a elevadas paixões!!

    • Carlos Vidal diz:

      Aquele DO nem a escola primária frequentou. Não sabe nem o que é acreditar nem o que é cepticismo (seria de mais, o “cepticismo”, palavrão indecifrável para o pequeno sujeito).
      E aquela dos “líderes sem egoísmo”, “íntegros” e que conduziram os seus povos aos alvores da glória, da convivência, da prosperidade e da paz… aquilo é de nado- (não digo o resto). O tipo nem sabe que estamos aqui, aqui e agora, neste mundo que é o que é e como é. E que todos nós disto fazemos parte. Inclusive os “heróis” dele.

      Ah, como a vida seria boa com “líderes” íntegros, como poderíamos dormir descansados no seu regaço como no regaço de um pai que a todos nos ama por igual!…

      • Justiniano diz:

        Caríssimo Vidal, é verdadeiramente extraordinário o cancioneiro de DO!! Questiono-me se ele acredita mesmo naquilo que canta!!

        • Carlos Vidal diz:

          Aquilo é como um produto, objecto, ou conserva de peixe.
          Sai da fábrica, é produzido em série, sai calibrado para representar e falar pelos cotovelos desta sociedade, e a questão de acreditar ou não, nisto ou naquilo, nem se lhe coloca. Ostenta apenas um número de série. Um número o mais “correcto” possível.

  4. Renato Teixeira diz:

    Excelente bife.
    Mas há duas palavras que não me saem da cabeça: Plano e Marshall. Ao que isto chegou que já ninguém se indigna. No PCP ninguém desconfiou de nada? Isto não podem ser ideias novas. Em Marshall ou se acreditou sempre ou nunca se vai acreditar. Podemos mudar de ideias em tudo resto, sobre Marshall, evidentemente, não.

    • Carlos Vidal diz:

      Atenção que quando Clinton queria “perdoar” a dívida a 36 países em 1999, o “Avante!” publicou isto:

      «Há quem lembre o tão citado (e re-citado) Plano Marshall para atacar os que chama «sobreviventes da “vulgata” marxista» por hoje tomarem posição idêntica há que teriam tido há cinquenta anos relativamente ao dito Plano.
      E depois? M também é letra com que se escreve memória, e ela lembra que o capitalismo (coisa que ainda existe…) se serviu desse Plano como arma estratégica. Ora, sendo os marxistas anti-capitalistas, têm todo o direito (até diria o dever) de estar contra estratégias do capitalismo. Que alguns que hoje teriam perdido memória se lembrem do que liam há vinte e trinta anos sobre a «dívida externa», então na adolescência da arte. Até parece que a desmemória lhes faz seguir Lenine às avessas, numa de desaprender, desaprender, desaprender sempre. Pelo que… não sobreviverão a coisa nenhuma!
      Neste contexto se enquadram alguns comentários (e a ausência de outros) relativos a esta questão da dívida, e do seu «perdão», e a duas situações, que contribuem para melhor entendimento – teimoso, persistente, fundamentado – do que é o imperialismo.»
      http://www.pcp.pt/avante/1350/5003h1.html

      Parece-me que o PCP sempre desconfiou da coisa, destas coisas.
      Ou então não percebi o teu comentário.

      De qualquer modo, atacas, como o PCP e eu próprio, o Plano Marshall, e eu prefiro atacar a ingenuidade de quem gosta de ter “bons” líderes por perto, e para recostar a cabeça, e adormecer qual anjo de “esquerda democrática”.

      • Carlos Vidal diz:

        (Quanto ao resto, mesmo com aquele líquido alegremente vertendo quiçá sem parar, é um bife do caraças. Lindíssima aflição.)

      • Renato Teixeira diz:

        Acho o raciocínio lógico e é verdade que me aflige mais o problema histórico do que o da ingenuidade. Nevertheless uma belíssima aflição, não hajam dúvidas. Onde acabará o raciocínio?

  5. Mais eficazmente tornou a arte testemunha de um encontro com o não-presentificável que tolhe todo o pensamento, assim tornando a arte testemunha da acusação contra a arrogância contida no grandioso empreendimento estético-político de tornar o pensamento em mundo. A condenação à reflexividade encontra-se por isso num outro lado, encontramo-la na reverberação das imagens e das práticas, na circulação dos significados, com desconforto na porosidade das fronteiras. in: “Kant ao localizar o sublime fora da arte”.

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