Devidamente censurado quanto a um dos participantes…

… para evitar ferir as susceptibilidades que os leitores mais modestos possam ter, em relação ao que lhes possa parecer auto-promoção, aqui fica o anúncio de um debate a ocorrer no próximo sábado.

Afigura-se-me que o tema (descrito pelos organizadores da coisa como adiante transcrevo) é de algum interesse para os leitores deste blog. Se acharem que não, desculpem qualquer coisinha…

«A partir dos mais diversos pontos, de Roma a Tunes, do Cairo a Oakland, de Londres a Beirute, de Buenos Aires a Atenas, de Maputo a Sana, um conjunto muito significativo de lutas, manifestações, greves, ocupações tem vindo a ter lugar. Um elemento comum, além da assinalável capacidade de mobilização, parece ser o facto de muitas dessas acções assumirem, formal e substancialmente, não só o questionamento da ordem estabelecida, mas também o padrão normalizado de luta política legal e confinada aos limites do poder de Estado. Num contexto de crise do capitalismo global, a ordem pública é confrontada com uma desordem comum que toma as ruas como o seu espaço, resgatando palavras como «revolução», «revolta», «motim». O debate que propõe a UNIPOP passa por procurar identificar que outros pontos de contacto têm estes diversos focos de luta, bem como quais são os seus limites, e perceber em que medida é que um certo efeito de arrastamento pode ou não ter como consequência a constituição de uma resposta emancipadora à crise de capitalismo global, ou seja, que articulação têm estes movimentos com o paradigma de «revolução» e de que forma o reconfiguram.»

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22 respostas a Devidamente censurado quanto a um dos participantes…

  1. GP diz:

    Então mas se o outro (ali mais acima) pode ferir susceptibilidades à vontade…

  2. LAM diz:

    Susceptibilidades muito bem feridas, aliás. No caso, só lamento que não exportem a susceptibilidade anunciada para norte. Outra maré virá.

    • Paulo Granjo diz:

      Eh, Pá!
      Não diga isso, que o Outro abespinha-se comigo e, em consequência disso, o Sitemeter lá do Antropocoiso fica em estado de erecção.
      Ora aquilo é um blog singelo, discreto e respeitável, a quem ficam muito mal debochisses dessas.

      • LAM diz:

        Isso passa. Tudo passa quando a alma não é devassa (ou quando a alma é devassa, se calhar é melhor, agora baralhei-me com as rimas).
        Mas há-de passar e o meu erro foi não ter pluralizado o aplauso às duas susceptibilidades anunciadas, esta a mais a de cima.
        Susceptibilizem quanto puderem, à força toda.

  3. joão viegas diz:

    Ahahahah, Muito bom !!! Muito bom mesmo.

    Eu também sou assim, por exemplo quando li a ultima vidalice ai mais acima, o meu primeiro movimento foi comentar a posta borbulho-adolescente dizendo que o drama da esquerda portuguesa jaz em grande parte na cumplicidade objectiva entre o pc e a perfeita idiotice.

    Mas depois censurei-me…

    Muito bom.

  4. José diz:

    Bom, tendo lido a polémica provocada pelo Outro, após ler o post acima deste e à evidente auto-promoção, poderia escrever-se uma lista de qualificativos face a atitude do Outro.
    Num esforço de modéstia e contenção verbal, fiquemos-nos por É preciso ter lata!

    • Carlos Vidal diz:

      Provocada pelo Outro????

      Não, nunca aqui me confessei desconfortado. (A única vez que me desconfortei, saí, e não me deixaram.)

      • paulogranjo diz:

        Não tem nada a ver, mas esta conversa está a lembrar-me o título de uma pesquisa qur comecei com outros colegas, há já muitos anos: «O Outro Cá Dentro».
        🙂

  5. Leo diz:

    “de Roma a Tunes, do Cairo a Oakland, de Londres a Beirute, de Buenos Aires a Atenas, de Maputo a Sana”???

    Há presentemente manifestações, greves, ocupações em Oakland, Londres, Beirute, Buenos Aires e Maputo? Francamente, não dei por nada.

    O que sei é esta noite em Manama, capital do Bahrain houve um ataque das forças de segurança, às 4 horas da manhã, com gáz lacrimogénio, balas de borracha e balas de fragmentação contra homens, mulheres e crianças que dormiam em tendas e ao ar livre na praça a que chamaram de Libertação! E que depois de atacar manifestantes pacíficos a polícia caçou os que fugiam e impediu o acesso de ambulâncias. Este massacre iniciado às 4 horas da manhã sobre cidadãos pacíficos e desarmados salda-se por 4 mortos, 60 desaparecidos e centenas de feridos!

    Eu bem sei que a 5ª Esquadra norte-americana está sediada no Bahrain, mas talvez seja oportuno associá-la à lista. É que por lá decorre desde há 4 dias uma acesa luta de massas. Inicialmente era para melhorar o regime, com este ataque traiçoeiro provavelmente já é a mudança de regime que está na agenda.

    • paulogranjo diz:

      Obrigado por relembrar. E também houve umas cenas na Líbia.
      O mundo anda mesmo depressa! Os homens fizeram o raio do cartaz há uns 15 dias e já apareceram mais casos para discutir, que o desactualizaram.
      Ou então, você é que tem razão. Como os gajos são todos uns perigosos direitistas a falarem numa iniciativa de uma reaccionaríssima associação, se calhar vão calar tudo o que tenha a ver com os interesses estado-unidenses.
      Que corja que eles são! Ainda bem que me avisou; já estou a pensar em não ir.

      • Leo diz:

        Continua sem me elucidar sobre manifestações, greves, ocupações que presentemente decorram em Oakland, Londres, Beirute, Buenos Aires e Maputo.

        Eu continuo a não saber de nada e procuro andar informado.

        • Paulo Granjo diz:

          Olhe… Passe por lá, informe-se e, se quiser, participe na discussão – que, segundo me disseram, é mui democraticamente aberta a todos os presentes.

  6. Leo diz:

    Bem me parecia que não se passa nada de especial por estes dias em Oakland, Londres, Beirute, Buenos Aires e Maputo.

    Por isso deixo o convite para “Em luta pela Mudança!” participarem neste debate sobre “As revoltas populares no Magrebe e Médio Oriente”.

    É amanhã, Sexta-feira, dia 18, às 18h00, na Casa do Alentejo, em Lisboa

    com Rui Namorado Rosa, presidente do CPPC,

    Carlos Carvalho, dirigente da CGTP-IN.

    Abel Sidarus e Frei Bento Domingues, dirigentes do MPPM,

    e José Manuel Rosendo, jornalista

    • Cá fica a divulgação. Sempre às ordens.
      Quanto à conclusão que tirou, aconselho-o a ir apreciar esculturas evocativas da revolução ali para o topo do parque Eduardo VII.

      • Leo diz:

        Bem compreendo a frustração mas de facto, nestes últimos tempos nada se tem passado em Oakland, Londres, Beirute, Buenos Aires e Maputo.

        Quanto a Atenas andam há muito tempo em luta e vão continuá-la com força, tenho a certeza. E confio que o Manuel Loff desmascare as cumplicidades norte-americanas, europeias e nacionais que empobrecem os gregos e as tentativas de espoliação do seu património.

        • paulogranjo diz:

          Não faça isso ao pobre do homem, coitado! É que deve haver poucas coisas mais embaraçosas para alguém, particularmente para um intelectual marxista, do que você pensar que o está a elogiar…
          Ainda por cima, depois desse portentado de análise e argumentação.

          • Leo diz:

            Certo, certo é que um mínimo de decência obrigaria a reconhecer que nestes últimos tempos nada se tem passado em Oakland, Londres, Beirute, Buenos Aires e Maputo.

            Mas não se pode pedir decência a quem não a tem.

  7. miguel serras pereira diz:

    Muito bem esgalhado, Paulo Granjo.

    Congratulações republicanas e livre-pensadoras

    msp

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