Dicionário popular (suplemento oficial do Borda d’Água)

Bazooca (ou bazuca):

Designação popular por que ficou conhecido, a partir da II Guerra Mundial, um lança-granadas-foguete de uso individual e grande simplicidade técnica.
É constituído basicamente por um tubo, um aparelho de mira e um sistema eléctrico de disparo accionado por um gatilho e que provoca a ignição do propulsor da granada.
Esta, embora de alcance limitado devido à modesta quantidade de combustível, tem um grande poder explosivo que, aliado à ponta oca em forma de cone invertido, lhe confere um grande poder perfurante e faz com que rebente com tudo à volta.
Convém, por isso, não deixar o pé na linha de tiro.

Notícias da chatice da política:

Em bem menos que uma semana, o PSD ficou impossibilitado de apresentar moções de censura durante uns bons mesinhos. Consta que não está muito chateado. Acha que a coisa lhe saiu barata, pois não teve que se co-responsabilizar com governação nenhuma; bastou uma conversa de responsabilidade, irresponsabilidade e, assim como assim, já não interessava nada.

Fait-divers:

Um Sr. Portas que não é o que eu conheço anda radiante. Foi reeleito presidente da colectividade e diz que mandou nos chefes dos outros clubes todos. Há quem jure que tem razão.

A bolsa de valores de Lisboa deve ter encerrado em alta, pois foram vistos muitos senhores a circular pelas ruas circundantes afixando um irreprimível sorriso malandro na cara.

O Sr. José de Sousa, prometedor engenheiro reformado, conseguiu finalmente estabilizar a sua tensão arterial, ao garantirem-lhe que não será tão cedo despejado do apartamento que ocupa, de forma periclitante, para os lados de S. Bento. Teve, no entanto, que tomar um comprimido quando o pároco local lhe lembrou que tem por lá umas facturinhas para pagar qualquer dia, nos altares do S. Pedro e do S. Paulo.

Vida cultural:

Aguarda-se a qualquer momento uma performance de dramatização histórica, levada a cabo em local ainda não especificado, mas ali para os lados do Martim Moniz. Não se trata, contudo, do célebre episódio do entalão na porta, mas da reconstituição de uma declaração da APU em noite de descalabro eleitoral. Especulam os críticos se não se tratará, afinal, do lançamento encapuçado do episódio-pivot de uma segunda temporáda da aclamada série televisiva “Conta-me como foi”.

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged . Bookmark the permalink.