Sobreviver para ser muleta ou existir para levar com ela?

Após o anúncio da sua moção de censura, o Bloco de Esquerda, tem sido alvo de uma violenta campanha de censura mediática. Rapidamente de esquerda “nova” e “sexy” passou a “trotskista” e “radical” e Louçã deixou de ser “inteligente” para acumular “tiques revolucionários”.
Paulo Fidalgo, presidente da Associação Política Renovação Comunista, lamenta que se quebre o extraordinário património de amizade e companheirismo alcançado nos meandros da candidatura de Manuel Alegre, na qual “pessoas que nunca tinham trabalhado juntas e que iniciaram um processo de colaboração e conseguiram estabelecer um mínimo de diálogo“. A moção de censura “parece ter cessado todo este capital e estamos outra vez a fazer guerrilhas” complementa Fidalgo.
André Freire, na sua página do facebook, destaca um artigo que publicou no Público (28/10/2010) onde vai mais longe atribuindo à “esquerda radical (BE e PCP)” a co-responsabilidade pelas políticas de direita. Segundo Freire, o pobre PS vê-se forçado a propor e aplicar políticas de direita pois só se pode virar para os mauzões do PSD para as fazer aprovar.
Já Manuel Alegre que não gostaria de ver um partido de esquerda derrubar o seu PS reforça a ideia do bipartidarismo afirmando que “a única alternativa a este Governo é um Governo de direita“.
Toda esta concessão é embelezada pela ideia que a maioria silenciosa dos votantes no BE, gente séria e ponderada, deseja que este partido se constitua como um alicerce do PS e do Governo – exactamente como tantos outros partidos europeus fizeram com, aliás, extraordinários sucessos políticos e eleitorais…

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