Manuel Cerejeira e Manuel Villaverde Cabral (análise comparada: do cepticismo à crítica, da crítica ao cepticismo, e daqui até Cavaco)

Em 1953, escrevia o erudito Cardeal Cerejeira no seu “A Igreja e o Pensamento Contemporâneo”:

«As palavras que põe Dante na boca de Ulisses são a voz eterna que ecoa em toda a consciência de homem – elevando-o acima dos brutos, como verdadeiro rei da criação:

O frati
(…)
Considerati la vostra semenza :
Fatti non costil a viver como fruti,
Ma per seguir virtute e conoscenza.

Ou, como cantou Antero de Quental, que, negando a Deus, se sentiu sempre atraído po Ele (Deus não se pode negar, senão afirmando-O logo por outra forma):

Esperemos a luz de uma outra vida.
Seja a terra degredo, o céu destino.

Ora a Ciência não pode dar sentido à Vida. A Ciência tem por domínio os factos e suas relações mensuráveis; e o sentido de viver formula-se na consciência humana como um fim absoluto a realizar, é de sua natureza qualitativo. A Ciência, por mais que prolongue as suas análises, não encontra senão… a morte, como demonstrou Bergson.»

Há pouco, em 1983, no seu famoso “Proletariado: O Nome e a Coisa”, escrevia, por seu lado, Manuel Villaverde Cabral, antigo camarada de Cavaco e actual próximo de Passos (um nome de ecos religiosos, também):

«Por outras palavras, próximas das dele [ Lenine ] no famoso “Que Fazer?”, era ao “partido” que competia unir, finalmente, a cabeça e as pernas. E foi assim que, beneficiando do milagre conjuntural de 1917, para utilizar a feliz expressão de Tronti, a revolução se fez por meio da sobreposição tecnicamente perfeita do nome [proletariado] e da coisa [o proletariado como realidade sociológica].
Todavia, tal milagre conjuntural e tal perfeição técnica nunca mais se reproduziram. Mais grave ainda, o modo como a revolução se desenrolou ao longo de várias décadas, perante os olhos do mundo inteiro, fez pesar um hipoteca cada vez mais onerosa sobre as próprias condições do êxito de Lenine»

Muito bem, temos um primeiro texto céptico; e temos um segundo texto céptico e crítico (ah, a maldita revolução e o “sovietismo”!). Troquemos-lhes as voltas. Então, qual é o de Cerejeira e qual é o de Villaverde Cabral?

Qual prefere o leitor?

Começamos por esfolar a Ciência ou Lenine? (Eu esfolava a Ciência.)

«O que eu penso é que se há em Portugal alguém capaz de pensar no país, é Cavaco Silva.»

———————————-

(ADENDA, às 15:50 deste dia 12 de Fevereiro, ocorre-me o seguinte acrescento, que também deixei na minha caixa de comentários:

«Este post é uma diatribe, não é proibido gozar-se na blogosfera [ela existe também para o puro prazer inconsequente], diatribe que, contudo, tem elementos a sério [sérios].
O anti-sovietismo de Villaverde Cabral coincide no “ismo”, apenas no “ismo” [apesar de ambos serem comummente fashion], com o anti-cientismo de Cerejeira. De qualquer forma, brincar é brincar, mas não deixa de haver, por completo, matéria séria na brincadeira. Com Tronti ou sem Tronti, não creio lógico usar a expressão “milagre” para falar em revoluções, sobretudo em revoluções fundadoras como a de 1917. Vamos aos pontos decisivos:
1. Não há vacas sagradas na minha casa.
2. Tenho os livros de Villaverde Cabral [apesar de não serem prioritários nas minhas leituras].
3. Não comparo os conteúdos dos textos de Cerejeira [que tinha um português magnífico] com o de Cabral [que também o tem].
4. Não me curvo às “famílias” nem aos nomes.
5. Mais importante do que tudo: já que o Villaverde Cabral é vaca sagrada no “Vias de Facto”, convém lembrar que – o tipo do costume, MSP – achincalhou o autor de “Estudos Sobre a Ontologia de Hegel: Ser, Verdade, Contradição”, que agora está na minha mesa.

O tipo do “Vias” do costume não tem nível nem legitimidade, depois de ter feito com Barata-Moura aquilo que fez, e não tem legitimidade nem educação para vir aqui vociferar, seja sobre o que for.

Na próxima apago-o – literalmente. Como Estaline me ensinou [pessoalmente]. TENHO DITO.»)

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31 respostas a Manuel Cerejeira e Manuel Villaverde Cabral (análise comparada: do cepticismo à crítica, da crítica ao cepticismo, e daqui até Cavaco)

  1. miami_STEVE diz:

    este texto é idiota. és um idiota vidal. sim, esfola a ciência e continua a chafurdar nela como um suíno, que é que o fazes sempre que ligas o computador.

    • Carlos Vidal diz:

      Toda a criação artística, de certo modo (imaterializando a própria racionalidade) serve para esfolar a ciência. Não tenha dúvidas, nobre suíno, o que não quer dizer que seja um abraço à religião.
      Entendeu?
      Não?
      Então, não lhe posso fazer nada..

  2. V. KALIMATANOS diz:

    Ó Vidal,

    Eu acho que o Vilaverde Cabral e o Cerejeira fazem um duo muito engraçado, provavelmente chafaricas com sotainas diferentes. Mas mais bonito ficaria se você se juntasse a eles para formarem o trio fantástico dos gajos que falam do Leninismo e de revoluções mas nunca acrescentam um ponto ao conto da cassete. Isto é, entre montes doutras coisas, que a Revolução Russa foi obra sionista com muita ajuda da banca, e favores tácticos do imperialismo, especialmente do alemão. Nada teve a ver com o progresso social do proletariado e muito menos com o dos trabalhadores agrícolas. Antes e depois do Lenine.

    De modo que pode continuar com a sua música enquanto vai comendo as romãs que dão cor ao guisado, mas não se esqueça de levar as cascas.

    • Carlos Vidal diz:

      Deixe-se de teorias da conspiração.
      A sotaina de Villaverde Cabral no “cortejo académico” aquando do Honoris Causa à Paula Rego, era igual à do cardeal Cerejeira.
      Duas sotainas negras e bem tratadas.
      Nenhuma diferença!!

  3. Tenho uma ideia muito diferente do Manuel Villaverde Cabral, conheci-o em casa do seu irmão, o jornalista comunista Alberto Villaverde Cabral e participei com ele numa conferência do PCP, organizada pelo Luís Sá. Não concordo nada com o teu post. Acho que se querias responder aos disparates que o Serras Pereira comentou no texto do Bruno, escusavas de justificar o comentário.

    • miguel serras pereira diz:

      Nuno Ramos de Almeida,

      1) …”disparates que o Serras Pereira comentou no texto do Bruno” , escreves tu.
      Gostava que me esclarecesses se, sob a forma de lapso revelador, te referes aos “dispartes no texto do Bruno que o Serras Pereira comentou” e que, ainda que contrariado, reconheces; ou se, como receio que seja o caso, te referes “aos disparates do Serras Pereira”.
      2) Na segunda alternativa, gostaria que enumerasses os disparates que identificas na minha resposta (enfim, os principais; os que têm a ver com a fotografia” distorcida que o Bruno propõe do MVC) e os acertos que subscreves no texto do Bruno (http://5dias.net/2011/02/06/conversas-de-circunstancia/).
      3) Finalmente, creio que não será só por teres conhecido o MVC em casa do seu irmão que não concordas com o post do CV. E não vejo em que argumentos substancialmente diferentes dos, bastante convergentes, que foram apresentados sobre este caso pelo Zé Neves (http://viasfacto.blogspot.com/2011/02/viagens-2.html), pelo Ricardo Noronha (http://viasfacto.blogspot.com/2011/02/tinque-tanque.html) e por mim (http://viasfacto.blogspot.com/2011/02/ha-quem-dispare-em-todas-as-direccoes.html), poderás apoiar a tua posição.

      msp

    • António Figueira diz:

      Nuno,
      Eu acho que, fora o gozo (nunca dispiciendo) da provocação, este post do Carlos não faz sentido: “nome” e “coisa” como pretexto, para pôr Cerejeira e MVC em paralelo, pode ter graça mas é absurdo – ou, em português moderno, é curtido mas é marado. Dito isto, e com o devido respeito por dois mortos ilustres, o Luis Sá e o Alberto Villaverde, creio que a sua invocação é aqui desnecessária, e cheira (conheço-te bem demais para saber que não é essa a tua intenção, mas cheira) a argumento de autoridade – ou de parentesco, o que é igual. Repito assim o comentário que fiz ao post original do Bruno – e que me pareceu, como tudo o que o Bruno escreve, profundamente razoável:

      Bruno,
      Permite-me uma síntese: o MVC é um tipo simpático (eu pelo menos acho), intelectualmente interessante (idem), politicamente errático (idem idem); gostei imenso, quando era novinho, do “Portugal na Alvorada…”, acho altamente legíveis (no sentido de intelectualmente estimulantes) outras coisas que ele escreveu depois, acho altamente deprimentes outras ainda, e tenho imensa pena de algumas figuras que ele faz (tanques pensantes e quejandos); sobretudo, não o penso num pedestal qualquer, imune à crítica (como me parece que o acha quem, depois de uma atitude pública da parte dele, e de uma crítica política da tua parte, te pergunta: – E por que não lhe colocaste pessoalmente tu a questão?); o MVC é um intelectual na cidade, provecta que seja a sua idade não me parece irresponsável, longe disso, logo é um objecto legítimo da crítica política, pelo que escreve e faz, e ponto final.
      Abraço, AF

      Abraço grande também para ti, AF

      • Carlos Vidal diz:

        O António acabou de pôr um ponto de ordem na mesa.
        O post é uma diatribe, não é proibido gozar-se na blogosfera (ela existe também para o puro prazer), diatribe que, contudo, tem elementos a sério (sérios).
        O anti-sovietismo de Villaverde Cabral coincide no “ismo”, apenas no “ismo”, com o anti-cientismo de Cerejeira. De qualquer forma, brincar é brincar, mas não deixa de haver, por completo, matéria séria na brincadeira. Com Tronti ou sen Tronti, não creio lógico usar a expressão “milagre” para falar em revoluções, sobretudo em revoluções fundadoras, como a de 1917, que custou muito, décadas de tentaivas e reflexão.
        O milagre não é da jurisdição do Tronti.
        Vamos aos pontos:
        1. Não há vacas sagradas na minha casa.
        2. Tenho os livros de Villaverde Cabral (apesar de não serem prioritários nas minhas leituras).
        3. Não comparo os conteúdos dos textos de Cerejeira (que tinha um português magnífico) com o de Cabral (que também o tem).
        4. Não me curvo às “famílias” nem aos nomes.
        5. Mais importante do que tudo: já que o Villaverde Cabral é vaca sagrada no “Vias de Facto”, convém lembrar que – o tipo do costume, MSP – achincalhou o autor de “Estudos Sobre a Ontologia de Hegel: Ser, Verdade, Contradição”, que agora está na minha mesa.

        O tipo do “Vias” do costume não tem nível nem legitimidade, depois de ter feito com Barata-Moura aquilo que fez, não tem legitimidade nem educação para vir aqui vociferar, seja sobre o que for.

        Na próxima apago-o – literalmente. Como Estaline me ensinou (pessoalmente).

        • Carlos Vidal diz:

          Por fim, uma resposta: não vou dar mais troco a mais ninguém (sobre isto).

        • miguel serras pereira diz:

          CV,
          se quiser apague, se quiser deixe estar.
          1. Se foi um gracejo infeliz, muito bem – todos os temos, e eu, mais do que alguns outros, mais contidos.
          2. Dou um exemplo: admito que terei cedido a uma velha embirração de há mais de quarenta anos, datando das lides pró-associativas na Faculdade de Letras, que o B.-M. me suscitou. Mantenho que, não sendo qualificado para avaliar da sua erudição, nada li dele – até aos anos oitenta e tal/noventa e poucos – que me leve a considerá-lo um pensador muito interessante. Mas teria sido mais avisado e correcto da minha parte ficar-me pela brincadeira inicial – uma resposta à Ana Cristina Leonardo, que dissera que o Popper não tinha culpa do J.C. Espada, a que respondi dizendo, entre outras coisas e de passagem, que o Marx também não era responsável pelo J.B.-M. – em vez de tentar, depois de espicaçado pela parte adversa da assembleia, racionalizar a minha embirração. Seria, de resto, creio, o conselho que o MVC me teria dado se o tivesse consultado sobre o assunto. OK?
          3. Dito isto, não me parece que, na minha “racionalização” (no sentido de Freud, não de Weber) da embirração de há mais de quarenta anos, a irracionalidade tenha chegado a pontos comparáveis à de quem justifica a equiparação de MGC e MVC na base do “ismo” comum ao “anti-cientismo” (e porque não ao catolicismo?) de um e ao “anti-sovietismo” do outro.
          Acresce que, se há “anti-soveitismo” em MVC, não é no sentido de oposição ao poder dos conselhos, mas apenas no sentido corrente e aproximativo em que o termo denota uma posição de denúncia do regime que, após a Guerra Civil, etc., prevaleceu na URSS. Deve, portanto, ficar claro que a proximidade e os pontos de afinidade entre as duas figuras são da mesma ordem dos que podemos sustentar, sempre em nome do “ismo” comum, o ocultismo e o racionalismo, ou entre o ultramontanismo e o laicismo.

          msp

          • miguel serras pereira diz:

            Foi preciso esperar pela publicação no Vias para V., CV, se decidir a publicar o comentário? Não me diga que anda agora a reboque da Rádio Miami… É que não me escapou que outro comentário, por sinal justíssimo, posterior ao meu, não teve de esperar tanto tempo. Não precisa de explicar. Estamos conversados.

            msp

          • Carlos Vidal diz:

            Vamos ser ainda mais claros: não, não se trata apenas da partícula “ismo”, “ismos”, trata-se de “ismos” modistas: sinceramente, não vejo nenhum problema no “ismo” de Cerejeira – é um homem da igreja e um homem de fé. No do Villaverde já vejo problemas, curiosidades: em pleno pós-modernismo (começado pelos idos de 77), o antileninismo era de bom tom, o anti-sovietismo ainda era melhor.
            Trata-se aqui de pensar em dos “ismos” centrais: o antileninismo e o anti-cienticismo. O mundo contemporâneo ainda é feito deles.
            Além do mais, ninguém me repreende, MSP.
            Aliás, o Barata Moura vem aqui a propósito, pois o Espírito Absoluto que ele estuda é suposta presa fácil para um “cientista”.
            Outra coisa: com o seu anticienticismo (não sei se por causa dele, teria de ler e investigar mais), o Cerejeira aproximou-se, colou-se (há quem diga que não) de Salazar.
            Os “ismos” de Villaverde Cabral (são muitos e errantes, o sujeito não vale nada politicamente, vale tudo como historiador social), os “ismos” de Villaverde Cabral, dizia, estão sempre, desde há quase 20 anos a levá-lo para Cavaco.
            Estes são jogos que eu não jogo, nem de um nem de outro.

          • Carlos Vidal diz:

            miguel serras pereira, escreva o que escrever, vamos lá aceitar o que V. escreve como “escrita” e não maleita persecutória, será sempre publicado.
            Abri há pouco o PC (não, não é o que está já a pensar, PC é isto em que escrevo – tinha um escrito seu pendente: não fui eu que o pendurei).

        • joão viegas diz:

          O’ Vidal, mas politicas e medições de pirilau à parte, responda-me sinceramente : o que você escreve no blogue da-lhe… prazer ? Da mesmo ? Não estara v. a confundir ?

          Da-lhe, quanto muito, a ilusão de existir, que acredito possa ser fonte mediata de prazer para o monte de vaidade que v. aparenta ser. Isso não digo que não. Agora prazer… Quando v. escreve as baboseiras que escreve, que cheiram tanto a suor de rato de bilioteca (daqueles que nunca entenderam que um livro fosse mais do que uma caixa de graxa para usar com o primeiro mandarim que se encontra no café), você sente mesmo… prazer ?!? Sera ?!

          Naaa…

  4. Justiniano diz:

    Caríssimo Vidal, a revolta como sublime e única reacção perante o absurdo da iniquidade!! A mais pura estultícia dos justos!! A consciencia do justo, da rectidão, como única verdade à qual nos devemos submeter. Para tal, se necessário, mesmo à custa da insubmissão ao constrangimento das leis mediadas a Deus, pois que por certo não o serão!!
    Sem dúvida, caro Vidal, que nada há de comparável entre os textos!!

  5. Nossa pequena betaria primeiro barganha depois entranha, ad infinitum.

  6. Justiniano diz:

    E mais, caríssimo Vidal! A insubmissão pode e deve, por vezes, dar-se contra o constrangimento de algumas normas da física e da biologia!!! Isto porque a “ciencia” e a “técnica” não nos servem apenas para erguer limites à acção!!

  7. xatoo diz:

    Não há nada para pensar sobre o Portugal no actual paradigma; o que Cavaco faz é um exercicio de ocultação. Como portugal é uma protectorado (a ser “pensado” por outrem há mais de 300 anos) , continua a vir tudo prêt-a-porter pensado de fora, no caso pela via das instituições politico-militares da Aliança Atlântica.
    Quanto ao esfolar as duas sugestões supracitadas, trata-se de uma falsa questão: entre a dialéctica da Ciência e a metafisica da Fé o próprio Lenine já esfolou o que havia que ser esfolado no célebre “Materialismo e Empiocriticismo” – é uma obra de 1909 mas está mais viva que todo o nado-morto que o Villaverde Cabral possa parir algum dia.
    (mas como pessoa, esfolado de raciocinio politico normalizado, gosto do MVC – à esquerda vai a todas e essa desempoeirada falta de sectarismo fica-lhe bem)

  8. Pedro Pousada diz:

    Ó Kalimatanos és um negacionista, não és? É que ouvi o mesmo argumento sobre arevolução russa de um colega de trabalho que entre outras coisas rejeita o holocausto (uma invenção sionista), não acredita na viagem do homem à lua (disse-me que foi uma operação de propaganda para os EUA conquistarem os corações e espiritos do mundo ocidental e que o silêncio dos soviéticos estava liagdo a essa conjura sionista-bolchevique!); perante a sua surpreendente e inverosímil argumentação esqueci-me de lhe perguntar se acreditava que a terra era plana, tu acreditas? a tua cassete (que naqueles tempos devia ser um tambor de parafina) sobre esse assunto (o sionismo como alavanca do bolchevismo) nasceu nos clubes anti-semitas alemães e austriacos, e nas cervejarias onde confraternizavam os voluntários do freikorps e outros espécimes sociais que viriam a engrossar as fileiras do nsadp; a guerra civil, a intervenção estrangeira de vladivostok a baku, dos gregos aos finlandeses no período de nascimento do poder soviético foram imprescindíveis ajudas de custo da banca e apoios tácticos do imperialismo, não haja dúvidas!Então o que dizer da grande guerra patriótica e dos atrasos sociais e económicos que custou à URSS a ocupação nazi-fascista!

  9. miguel serras pereira diz:

    CV,
    tiros nos pés, uns atrás dos outros.
    O MVC nada tem a ver com o pós-modernismo. Nem com o “cientismo”, de resto. Eu diria até que lê-lo pode ser um bom antídoto contra as seduções de um e outro.
    E, depois, como é que alguém que tenha capitulado perante o projecto de ar condicionado pós-moderno ou perante o “cientismo” pode “valer tudo como historiador social”, se tanto o “cientismo” como o “pós-modernismo” ignoram – negam ou denegam – a sociedade e a história?
    Ouça o conselho benevolente e sensato que o Zé Neves lhe deu sobre as armas de fogo. Mais vale tarde…

    msp

    • Carlos Vidal diz:

      Enlouqueceu. Só pode ser isso.
      Escrevi “em tempos de pós-modernismo”.
      Não disse que o seu homem tinha a ver com o caso.

      Mas, se calhar até tem: o nomadismo é um dos seu traços.
      Eu, por exemplo, sou sedentário.
      E, pensando bem, quem lhe dera – ao seu homem – ser um Jameson!
      A si, um conselho: faça qualquer coisa útil: já que é tradutor (é?), traduza o Jameson. Que eu sei quem traduzir.

  10. Miguel Serras Pereira,
    Os teus disparates no post do Bruno prendem-se à tua irritante tendência de controlador mor e fiscal. O Bruno criticou a ida do MVC a uma conferência do PSD. Ninguém está acima da crítica, nem mesmo um autor inteligente e estimulante como o MVC. Como de costume, na tua ânsia de policiar o 5 dias e de nos apontares os nossos pecados lesa majestade, resolveste atirar água benta ao post, normal, do Bruno. Aquilo que me irrita na brincadeira do Vidal é que ele parecia, antes de ler com atenção, tomar uma posição caricatural que se encaixava na tua acção inquisitorial.
    Este tipo de coisas irritam-me moderadamente, pq te fazem perder tempo, podias estar a postar, com a tua inegável inteligência, coisas muito mais interessantes, em vez de fazeres de polícia de costumes. E fazem-me perder tempo, que podia estar a enfrascar-me e estou aqui a responder-te.

    Abraço,
    Nuno

    • Carlos Vidal diz:

      Gosto deste teu naco de prosa, ó Nuno.
      Mas estás a sobrestimar, e de que maneira, o Miguel Serras Pereira.
      É que ele não pode dar mesmo mais do que aquilo que dá: amanuense mesquinho, escriturário sem criatividade. Desde que me foi buscar um post ao lixo para o exibir no blogue dele, estamos conversados (imagina-me a classificar, e a obrigá-los a tal trazerem para todos verem, os trabalhos deitados fora pelos meus alunos – seria um retrato interessante de uma situação escabrosa: merecia eu o imediato desemprego, claro está).

    • miguel serras pereira diz:

      Tudo bem, Nuno. Mas nunca me farás achar estímulo para uma discussão interessante o post do Bruno, cuja inteligência e simpatia, em tantas outras ocasiões, só posso confirmar.
      Perde-se tempo nestas discussões? Em grande medida, sim – mea culpa. Mas tentei, pelo menos, introduzir algumas ideias e argumentos que me parecem pertinentes para outras discussões mais fecundas. Não deste por isso?
      Abraço

      msp

  11. Carlos Carapeto diz:

    Sem pretender emaranhar-me nesta contenda, que mais parece conversa de lavadouro público ( já uso máquina de lavar). Vou acrescentar um pouco mais àquilo que Pedro Pousada disse.

    A questão dos anti-ismos e do ódio contra a Revolução de 1917, não visam os erros e os excessos que tenham acontecido.
    Pretendem sim atingir os grandes sucessos de desenvolvimento alcançados a todos os níveis num país que tinha um século de atraso em relação aos países mais desenvolvidos, num país ainda onde se praticava o feudalismo, os camponeses calçavam-se com casca de árvores, em muitas regiões apenas 1 em 500 pessoas sabia ler. E em menos duas décadas deram um salto gigantesco, ultrapassando a maioria dos países Europeus detentores de impérios coloniais com riquezas imensas.

    Portanto isso é inadmissível para a burguesia, um povo atrasado tomar em mãos os seus destinos e por si só sofrendo agressões, boicotes, isolamento total e mesmo assim conseguir essa façanha, deve ser, tem que ser demonizado até aos confins dos tempos para que outros não se atrevam a seguir-lhe o exemplo.

    Porque ainda não se sabia claramente qual a direcção precisa que a Revolução Bolchevique iria tomar e já estava a ser agredida. Em Janeiro de 1918 quando ainda andavam as potencias capitalistas todas engalfinhadas umas contra as outras na Europa, no entanto entendiam-se para agredir a Rússia.
    Sim; porque nesse mesmo mês (Janeiro de 1918) já se encontravam 50 000 soldados estrangeiros na Rússia, os Americanos tomaram Murmansk, os Franceses Odessa, os Japoneses atacaram no Extremo Oriente de onde só saíram em 1924 e ocuparam metade da Sacalina até à II GG, os Ingleses invadiram o Sul a partir da Pérsia provocaram uma carnificina em Baku. Além do apoio que prestavam aos contra revolucionários.

    Não foi a Revolução Bolchevique que se estreou na violência o capitalismo com as suas agressões é que a tornou violenta, provocando uma terrível guerra civil onde morreram cerca de 5 milhões de pessoas.
    As potencias capitalistas tiveram sempre como objectivo destruir o Estado Soviético. Os Franceses já estavam em guerra com os Alemães e ainda tinham planos para atacar a União Soviética a partir da Noruega e do Cáucaso, Hitler antecipou-se e invadiu a Noruega em 9 de Abril de 1940 e um mês depois foi a vez da França.

    Depois para a abertura da frente Ocidental foi adiar o mais que se pode, até ao momento em que o Exercito Vermelho começou a cilindrar a Wehrmacht com uma frente do Báltico ao Adriático, que não restou outra alternativa aos países capitalistas que se atirarem a pique na Mancha, porque senão os Soviéticos tinham chegado ao Atlântico.

    Ora isso pode lá ser aceite? Mujiques e filhos de Mujiques e de Bábas analfabetos, chegarem ao posto de marechal para combaterem a par e derrotarem os filhos da aristocracia formados nas melhores academias? Ser-lhe dada a possibilidade de frequentarem universidades tornando-se os melhores cientistas do mundo?
    São privilégios que só os filhos da burguesia podem deter. Portanto há que dizer que aquela “coisa” do Comunismo não teve nada de bom, que era um inferno em chamas. E que os seus dirigentes eram o demónio em forma de gente.

    Portanto é precisamente a finalidade destes anti-ismos que por aqui pululam, é desacreditar essa experiência histórica que arrancou milhões de seres humanos das garras do subdesenvolvimento.

    Eu tenho autoridade para me expressar deste modo porque conheci o antes e o depois. Sei como a maioria daqueles povos viviam e sei qual o desastre social económico e de desenvolvimento que a reintrodução do capitalismo provocou naquela sociedade.

    Houve alguém que disse que foi o lobby Judeu que encabeçou a Revolução Bolchevique. E quem foi que a destruiu? Porventura sabe quem são os maiores capitalistas Russos actuais? Vejam se não são Judeus?

    Os trabalhadores Russos actualmente têm estado metidos num imenso “buraco negro” das “delicias do capitalismo” mas nestes últimos anos muitos já tomaram a consciência que o Socialismo não é uma promessa mas uma realidade palpável e visível, porque quando vêm a burguesia ostentar o luxo e os seus cães alimentados a bifes, eles sonham e contentavam-se apenas com um filete que não conseguem alcançar.
    Deram ouvidos à propaganda e promessas dos revisionistas e fascistas , viraram as costas ao Partido Comunista, permitindo que os dirigentes honestos e válidos fossem escorraçados, apoiaram e elegeram a elite oportunista que se apoderou da cúpula partidária e do aparelho do Estado, e o sistema rebentou como uma bola de sabão. E aqueles que os oprimiam antes são os mesmos que os exploram hoje.

    No entanto nada ainda se deve considerar perdido, tudo pode ser reparado, desde que o povo compreenda os erros. Só tem é que saber levantar-se para fazer uma segunda Revolução Socialista corrigindo o que não estava bem.

    E no dia 5 de Julho quero estar em Kursk.

  12. Carlos Carapeto diz:

    Do Miguel Serras Pereira, as minhas preferencias vão para a tradução de Yakovlev.
    Já agora de Zizek também, em especial as páginas 149 a 153 do livro Violência, onde tenta justificar a invasão do Iraque e as torturas de Abu Ghraib.
    Diz o povo; diz-me com quem andas, que dir-te-ei quem és.

    Se ser de esquerda é branquear os crimes dos seus inimigos, como operario preferia meter o meu destino nas mãos de Goebbels. Esse não me aldrabava.

  13. Carlos Carapeto, o Zizek não justifica invasão nenhuma, nem torturas nenhumas. Denuncia a lógica da chamada “guerra ao terrorismo” de fazer dos iraquianos e afegãos uma espécie de hommo sacer, pessoas excluídas de qualquer direito civil que podem ser mortas e torturadas sem nenhum sobressalto.

  14. Carlos Carapeto diz:

    Oh NRA você além de outras facetas que já aqui mostrou ser dotado. Também quer alinhar na fábula da mitomonia?

    O que quer isto dizer?

    Abu Ghraib++++ “Num regime de facto «totalitário» o caso teria sido pura e simplesmente abafado” . (Do mesmo modo, não esqueçamos que o próprio facto de as forças Americanas não terem descoberto armas de destruição maciça é um sinal positivo: um poder verdadeiramente «totalitário» teria feito o que sempre fazem os maus policias: levar as armas para o local e depois «descobri-las».

    Zizek depois segue na mesma senda de trapalhadas, tentando justificar aquilo que era já do conhecimento geral.

    Antes dos Americanos agredirem o Iraque já se sabia que não existia lá esse tipo de armas.

    E o caso de Abu Ghraib foi despoletado porque houve alguém que tornou as imagens publicas.

    Perante isto o NRA vai tentar impingir-me que não houveram abusos e torturas semelhantes noutros centros de detenção? Por exemplo em Bagram no Afeganistão?

    Nuno contenha-se por favor. Não pretenda ultrapassar os limites daquilo que é aceitavel e razoavel, na medida em que você é uma pessoa que tem o dever de estar muito melhor informado que eu, um simples cidadão.

    Se outras situações idênticas não vieram a lume é porque foram abafadas. Mas que aconteceram não tenha-mos duvidas sobre isso.

    Tentar justificar aquilo que é obvio e mais que evidente, seja com que pretexto for é uma falta de respeito para com as vitimas.

    Não pretenda também circular nesse carrocel.

  15. Carlos Carapeto diz:

    NRA depois de reler o seu cometário volto de novo à carga. Analizando melhor aquilo que escreve depreendo que não leu bem o que Zizek escreveu, ou então está em prefeita sintonia com as tentativas de sonegação dos factos por parte dele.

    Para você me responder deste modo.

    ««««««guerra ao terrorismo” de fazer dos iraquianos e afegãos uma espécie de hommo sacer, pessoas excluídas de qualquer direito civil que podem ser mortas e torturadas sem nenhum sobressalto»»»»».

    Nuno está a faltar à verdade.

    O que Zizek diz é isto; ” O aspecto principal e mais vivamente visível é o do contraste entre as as formas «típicas» de torturar os prisioneiros, por um lado, e pelo regime de Saddam e, por outro pelas tropas americanas. Sob o regime de Saddam, predominava a dor brutal e directamente infligida. Oa soldados americanos previligiavam a humilhação psicológica”.

    Deduzi-mos disto que aqueles que foram esmiuçados em interrogatórios selváticos às mãos dos Americanos recebiam as torturas sem dor ? Os que foram assassinados exalaram o ultimo suspiro apenas envergonhados por se encontararem nus frente aos carrascos?

    Talvez Zizek pretende-se que esses actos também fossem filmados? É como o S. Tomé “ver para crer”. Que candura bastarda?

    • miguel serras pereira diz:

      Carapeto,
      1.sou tradutor profissional (“alimentar”) e não é por traduzir um autor que concordo com ele. Traduzi montes de coisas que nunca editaria nem aconselharia fosse quem fosse a editar. É a minha profissão. No conjunto, são muito raras as coisas que traduzi por opção independente das preocupações de subsistência.

      2.O Zizek muitas vezes tem humor e perspicácia – outras vezes, abusa do circo.
      Mas, por favor, no texto a que V. se refere, o homem desmonta bastante lucidamente a lógica e a justificação da tortura pelas autoridades americanas. Releia lá com atenção e verá que é assim. A denúncia do horror é tão intransigente como a sua. E o facto de ele reconhecer e denunciar a prática da tortura sob o regime de Saddam não torna senão mais convincente o seu libelo contra os responsáveis do outro lado.

      Era só. Boa noite para si

      msp

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