O dirigente do PS Rómulo Machado acusa a direcção do partido de manipular as actas das reuniões da comissão nacional com o objectivo de ocultar as intervenções em que são feitas críticas à actual liderança de José Sócrates.
Rómulo Machado conta ao i que a prática no partido é aprovar as actas sem serem lidas, mas argumenta que, depois de ler todos os resumos das reuniões da comissão nacional, percebeu que estas “estavam a ser completamente manipuladas”.
“As intervenções críticas foram, na esmagadora maioria dos casos, manipuladas. Este tipo de maquilhagem não é próprio de partidos ou estados democráticos, sendo, pelo contrário, abundante nos regimes totalitários de que as famosas fotografias com a presença de Trotsky, manipuladas pela propaganda estalinista, são apenas um exemplo.”, afirma este dirigente socialista, que dá alguns exemplos de intervenções suas contra o líder do partido ou com reparos ao governo que foram “completamente manipuladas e algumas até invertidas”.
Rómulo Machado diz que numa das reuniões criticou “o culto da personalidade ao secretário-geral existente no partido” e que a acta resume a sua intervenção dizendo que “existe uma excessiva identificação do secretário-geral com o governo”.
“Noutro caso fiz uma intervenção em que discordava frontalmente do reduzido tempo que era dado aos membros da comissão nacional para falarem e a acta dizia apenas que eu tinha falado sobre o tempo disponibilizado para intervenções, omitindo as críticas que fiz”, acrescenta o dirigente socialista.
Em entrevista ao i, o ex-deputado socialista Henrique Neto referiu-se igualmente a este assunto e afirmou que “as actas da comissão nacional ou não são feitas ou não são votadas, porque não correspondem minimamente àquilo que lá se passou”. O antigo dirigente do partido acusou o presidente do PS, Almeida Santos, de “controlar tudo” e de “só dar a palavra a quem verdadeiramente ele quer”.
(…)
O centralismo democrático é crime. Essa é boa.
Observação pouco espertinha.
Não sei onde está na notícia o centralismo democrático.
Mas, de qualquer modo, diria eu: o centralismo democrático é o centralismo democrático. Ou seja, apesar de não ser militante, estaria eu na primeira linha disposto a aceitá-lo (a praticá-lo, em tal militar), se para uma organização do movimento colectivo de emancipaçãop social organizada ele fosse, ou ele é, necessário.
Não vejo é relação entre o centralismo democrático e a falsificação das minhas declarações, isto no actual momento social – dizer que eu disse o que eu não disse, ou dizer que eu não disse nada, não lembra ao diabo.
Recomendo-lhe, de Lenine, “A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky” – aqui Lenine analisa, genialmente e à lupa, aquilo que Kautsky REALMENTE DISSE E ESCREVEU.
Não sei, fiz-me entender?
felizmente os últimos tempos vão mostrando a cepa dos partidos ditos democráticos – actas rasuradas pelo dr. santos, as companhias na internacional.
pode ser que alguns jornalistas pensem mais antes de dar larga ao seu direito deontológico ao preconceito.
Sim, deve sublinhar-se a ligação:
as Actas do dr. Santos (dr??), as Actas de Ben Ali, as Actas de Hosni, e o mais que veremos.
Suponho que, no meio de tudo, as do dr. Santos estarão entre as piores.
(Atrevo-me a dizer que se o Allende fosse vivo – foi da IS, não foi?? – morreria pela segunda vez.)
mas apesar de tudo temos sempre os AA a dizer coisas, como se tivessem moral sobre as companhias e hábitos de outros, que tratam pela caricatura.
Quer queira quer não, o pano de fundo deste post e nesta questão em geral é que a Maçonaria é equivalente ao comité central do centralismo democrático do PS. De resto, este tipo de centralismos democráticos deram origem a coisas belíssimas como os processos de moscovo.
AA:
«o pano de fundo deste post e nesta questão em geral é que a Maçonaria é equivalente ao comité central do centralismo democrático do PS»
Precisa de uma errata, claro, e eu ajudo:
o meu amigo quer dizer «equivalente ao comité central do centralismo democrático do PCP», não é verdade?
E repito o que acima disse: não estarei contra o centralismo democrático – uma luta social define-se no momento “quente”: se o centralismo democrático estruturalmente for requerido, eu estarei desse lado.
Quase incondicionalmente.
Agradecido pela muy acertada errata.
Quanto ao resto: o momento quente é fácil de situá-lo num dos 10 dias que mudaram o mundo. Já encontrar o momento frio que deu origem à formação do partido único e desaguou nos processos de moscovo (que nunca o vi a condenar…) é mais difícil. “First things first”, amanhã no Egipto veremos. Sem centralismos democráticos.
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Mas estes tipos não têm vergonha?Na democracia deles uns são mais iguais que os outros.
Pelo que li,será esta a democracia que querem para Portugal? E falam em democracia?
Pouco a pouco se vai sabendo o que aconteceu e porque aconteceu o 25 de Abril. Essa nova brigada do reumatico tem muito que dizer.