LONGA, MUITO LONGA VIDA A MANUEL VILLAVERDE CABRAL – por favor, não tocar!! O MSP bloqueia-vos a consciência, o Noronha esmaga-vos a carreira com exemplos de textos aterradores

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(O grande e relativamente obscuro – artista de génio – David Hammons, vendendo bolinhas de neve em NY: ainda estão à venda!!)

Diz o grande Ricardo Noronha:

A propósito disto [cuidado, Bruno Peixe, isto é contigo], ocorre-me dizer que mais vale uma intervenção de Esquerda [de Manuel Villaverde Cabral, suponho eu] num colóquio organizado pela Direita do que uma intervenção de Direita numa candidatura presidencial de Esquerda.

Por mim, diria exactamente o contrário. Até porque, para mim, a esquerda de Villaverde Cabral, a boa!!, é a de 1984, com João Carlos Espada e Pacheco Pereira. Um homem coerente. Aprecio, e muito. Intocável!

O José Barata-Moura (que os tipinhos do “Vias de Facto” achincalharam vergonhosa e estupidamente), de ouvir o nome do intelectual intocável, estremeceu e corrigiu logo de fio a pavio o seu “Estudos Sobre a Ontologia de Hegel: Ser, Verdade, Contradição” (texto que o sr. MSP não entenderá tão cedo na vida, naturalmente). Entretanto, também com receio, o Bourdieu retirou das bancas o volumoso “La Misère du Monde”. E é assim a vida em Lisboa, ou a partir de Lisboa e ecoando Lisboa no mundo inteiro.

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11 respostas a LONGA, MUITO LONGA VIDA A MANUEL VILLAVERDE CABRAL – por favor, não tocar!! O MSP bloqueia-vos a consciência, o Noronha esmaga-vos a carreira com exemplos de textos aterradores

  1. Niet diz:

    Meu caro: Assistimos a um processo de ” corrupção hermenêutica ” em torno do lugar e do poder simbólico dos intelectuais portugueses. Há anos- não sei se foi o João-Palma Ferreira ou o Nuno Teixeira Neves- que indicavam o lugar dos nossos ” pensadores e doutrinadores “, da época, como estando ao nivel dos redactores do Le Monde ou do The Guardian. Nada mais, nada menos, com as honrosas excepções da praxe. A ” coisa ” gerou escândalo, claro. Nos textos do Luiz Pacheco e,sobretudo, na Correspondência de Jorge de Sena e na Conta-Corrente de Vergílio Ferreira- no volume referente J-A. França/ Sena, o grande poeta e crítico confessa-se ” vencido das artimanhas dos seus contemporâneos – dezenas de casos são, irónica ou dramaticamente, referidos e analizados. E o próprio MM Carrilho não ” começou ” mal saído da Fac. Filosofia a ” deitar abaixo ” o António Sérgio? A ” cena “, hoje, é mais complexa e complicada, já que não é preciso estar à espera da chegada dos ” caixotes ” de livros do Sud-Express….Niet

  2. Justiniano diz:

    Meu caro Niet, eu diria um processo de “corrupção heurística”!!
    Um bem haja, para si e para o caro Vidal que muito se enternece com estas pelejas!!

    • Carlos Vidal diz:

      Folgo muito por este seu regresso, caro Justiniano.
      Então não é que se insiste tanto em que somos pobres, somos pobres… e ainda por cima intocáveis…
      Somos o quê, afinal? Uma espécie de casta indiana?

      • Justiniano diz:

        Caríssimo Vidal, muitíssimo obrigado pela sua enorme cordialidade!!
        Sinceramente, como concordará o meu caro Vidal, a quase questão é verdadeiramente trivial e sem grande utilidade. Talvez!! Parece-me evidente que convive, na nossa magnífica academia, como aliás em muitas outras magníficas academias, alguma vulgaridade com a mais profícua densidade de pensamento como se de equivalentes se tratassem!! Assim é e assim será. Não quero falar deste ou daquele personagem!! (O próprio Governo tem por hábito cultivar essa equivalencia ao oferecer empreitadas a gente verdadeiramente impreparada ou manifestamente tonta. Uma das vacas sagradas foi há algum tempo atrás toscamente diminuida pelo P. Lomba. Diga-se que a forma traiu a boa substancia e que o argumento foi falho para tão justo propósito…pena!!!)
        Quanto à grande questão, meu caro Vidal, “Somos o quê, afinal?!”
        Ainda não sei, ou melhor, não serei ainda capaz de dizer e explicar!!
        E lá está uma grande questão que alguma sensibilidade, à chamada “esquerda”, sequer se digna colocar. E nem estou a falar do “quê” mas apenas do “somos”!!!
        Um bem haja,

  3. Parece-me que foges à questão Carlitos.
    Afinal de contas, o conteúdo deste texto em concreto do Villaverde Cabral é assim tão mau? Pior do que muitos dos que ouvimos e lemos durante a campanha presidencial, a começar pelos do candidato que tu apoiaste, apologista do patriotismo e da produção nacional?
    De que tipo é esta contradição: antagónica ou não antagónica?
    Acho que não é preciso recuares à esquerda liberal e ao solene ano de 1984 para te situares face a estas questões. E penso que poderás tocar à vontade no Villaverde Cabral, desde que ele o permita. Eu pelo menos nunca serei um obstáculo a essa experiência táctil.

    • Carlos Vidal diz:

      Grande Ricky, assim é que eu gosto, e muito, de conversar com gente que eu prezo.
      Combatente, vero combatente tu me saíste.

      O excerto do texto que citas (que é mais extenso e está condensado, pois usas […], OK, seleccionas, e bem), apesar de ser colegam tua de fragmentos parece-me banal, eivado de lugares comuns, e povoado de um número (quantitativamente falando) de questões despropositadas para um mero ensaio (e tu sabes o que é um ensaio, não sabes? Eu posso escrever um ensaio sobre o “Que Fazer?”, mas não um ensaio sobre o Lenine integral, “todo” – entendido? Posso falar do ano de 1919, por exemplo, mas não usar um ensaio para retrospectivar uma era inteira). Mesmo para um livro, e que o seja ou que o fosse o caso citado, aquilo era banal até ao tutano.
      O texto de Villaverde trata da:
      – inversão do primado do social sobre o económico
      – da primazia do mercantil Versus a competição partidária
      – dos mecanismos de alienação da população em relação ao sistema (representativo) político-partidário
      – da nossa fatalidade de horizonte de expectativas sem alternativas
      – faz uma análise crítica da era da globalização
      – fala-nos da participação eleitoral ritualizada
      – Ufa!!
      – Ufa!!

      falar de tudo isto, caro Ricky, ou não falar de nada é a mesma coisa, desculpa lá, caríssimo.
      Um tema para cada livro, sff.
      Ou um tema para cada ensaio, e deve-se sempre ultrapassar a esfera do diagnóstico. Mas tu achas que há alguém lúcido minimamente (sem precisar de ser inteligente) que não saiba disgnosticar??
      Concluindo, o conteúdo do texto não é mau (é mesmo “pacífico”), mas o texto é péssimo, escolar, primário, superficial. Entendido?
      Volta sempre. É um gosto.

  4. Para coisas de outro fôlego e maior interesse, concordo contigo, é preciso recuar alguns anos. Mas para a questão que colocava o Bruno – a da oscilação contínua para uma posição cada vez mais “à Direita” e acriticamente liberal – penso que o texto em causa serve. Ou seja, Villaverde Cabral continuou a escrever “coisas de Esquerda” (que são invariavelmente desinteressantes, como costuma acontecer com as coisas de Esquerda), mesmo se elas não nos enchem as medidas.
    Mas se queres textos que resistiram à passagem do tempo e que brilham ainda hoje pela sua profundidade e alcance, então tanto os trabalhos historiográficos sobre a industrialização portuguesa como o ensaio «Proletariado: o nome e a coisa» servem perfeitamente. Sendo que este último, francamente excelente, não se encontra facilmente em bibliotecas nem em livrarias. Mas eu posso emprestar-to, se continuares a fazer posts com senhoras a fazer xixi.
    Sobre o barulho que o post do Bruno gerou, tenho a dizer-te que resulta de uma espécie de private joke unipopiana. É pena que ele conte sempre a mesma.

    • Carlos Vidal diz:

      Atenção ao teu primeiro parágrafo.
      Eu não falei apenas em deriva liberal/neoliberal, nem somente em “conteúdos” ou em “coisas de esquerda”. Eu falei também em aspectos formais, estruturais – desse mesmo conteúdo. O que, sem dúvida, torna o texto muito mau. Se eu dispara para todos os lados talvez acerte nalguma coisa. E, já agora, isso não é ser de “esquerda”.

      • Niet diz:

        M.V. Cabral ” trabalhou ” a finura e a nonchalence durante décadas. Adaptou o seu discurso a todas as modas: debordismo, socialismobarbarismo,newleftfeelingreviewismo…Eu sei lá. E dá a suprema impressão que nada para ele é novo ou diferente do que pensava até aí, o que é uma suprema arte. Fez a tese principal, sobre o qual eu o entrevistei e dei a ver aquando da sua publicação na ” Regra do Jogo” na Imprensa Portuguesa, no final dos anos 70…Ajudou a elaborar teses de muitos amigos meus, de vez em quando lá nos encontramos nos restaurantes lisboetas da moda…Acho que lhe fez muito bem a proximidade com Fernando Gil, de quem prefaciou um dos últimos livros. A ideologia da vontade nele, se assim se pode perspectivar, ultrapassa todos os estigmas de ecletismo e cria mesmo acontecimentos políticos no interior dos Aparelhos Ideológicos de Estado…A ver vamos a sua nova mutação! Niet

  5. Mas vejo-te muito mais exigente, a esse respeito, com o Villaverde Cabral, do que com muitas outras coisas, pessoas e posições a quem teces vastos elogios. E de qualquer das formas, essa questão dos aspectos formais e estruturais convoca um debate outro que não aquele que o Bruno sugeria no seu post.
    Mas estou curioso. O que é então ser de «Esquerda»? Começo a sentir que atribuis à expressão uma conotação mais luminosa e positiva do que eu estava à espera.

    • Carlos Vidal diz:

      Duas questões, caríssimo:
      a) se não fôssemos todos mais exigentes com o Villaverde Cabral (e tu confias mais nele do que eu), esta conversa/discussão/polémica (que é mais do unipopiana) não estaria aqui e noutros lugares em cena.
      b) O que é ser de “Esquerda”.
      A resposta é mais fácil do que pensas. Como me sabes próximo do Badiou (que vocês – excepto o Bruno – não gostam muito na UNIPOP), eu te diria: ser de Esquerda é ser aderente ao acontecimento na base de nada que justifique tal adesão. E o acontecimento institui o inédito (a política tem de ser invenção) para o qual o conhecimento nada serve. O 25 de Abril de 74, claro: a multidão nas ruas, aderia a quê? Ao inédito aberto imprevisível. Isso é ser de Esquerda.
      E ser de Esquerda é ainda perceber a relação entre esse acontecimento e o igualitarismo, ou seja, como é que o acontecimento trabalha para a igualdade.
      Portanto duas ideias-chave: acontecimento, igualdade.
      Tens melhores hipóteses de definição (assim em 5 linhas)?
      Sou todo ouvidos (e abertura conceptual).

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