As tropelias do Partido Socialista y sus muchachos

Na sequência das revoluções em curso na Tunísia e no Egipto, a Internacional Socialista, à qual pertence o Partido Socialista, apressou-se a publicar duas notas de esclarecimento onde anunciava a expulsão do Partido de Ben Ali e de Hosni Mubarak. Trata-se de uma grande mentira que mais não pretende do que esconder as responsabilidades desta Internacional com o terror vivido ao longo de décadas por egípcios e tunisinos.

A mentira fica clara com uma leitura dos estatutos da dita Internacional, que ao contrário do que quer fazer passar o seu Secretário-Geral Luís Ayala e o Presidente Papandreou, os partidos dos ditadores Mubarak e Ben Ali só podem ser expulsos mediante decisão do Congresso por maioria de dois terços.

O comunicado da Internacional Socialista é falso, viola os seus próprios estatutos e pretende apenas salvar a face de quem sempre deu cobertura não só a estes como a outros partidos de natureza ditatorial.

Vejamos o que dizem os Estatutos:

5.1.3 Expulsion of Parties

Decisions to expel parties and organisations from membership may be taken ONLY by the Congress by a majority of two-thirds of parties voting.

Prestemos atenção ao que diz o Comunicado da Internacional Socialista em relação ao RCD de Ben Ali:

“A decision has been taken by the President together with the Secretary General, in accordance with the statutes of the Socialist International, to cease the membership of the Constitutional Democratic Assembly (RCD) of Tunisia.”

E agora uma passagem da carta ao NDP de Mubarak, assinada pelo Secretário-Geral Luis Ayala:

“We are, as of today, ceasing the membership of the NDP”

José Sócrates com Ben Ali

A partir de uma investigação de Miguel Lopes que nos chegou nesta caixa de comentários.
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17 respostas a As tropelias do Partido Socialista y sus muchachos

  1. Carlos Vidal diz:

    Ó Renato, acho que não estás a ver bem o problema.
    Então estes tipos não estão no poder em tudo quanto é sítio?
    Aliás, basta ser partido de poder para ser responsável, ou seja, basta ser grave e adulto para ser governante e responsável e, voltando ao princípio, basta ser poder para ser da coisa Internacional Socialista.
    Se eles estão todos no poder, à esquerda e à direita (seja lá o que isso quer dizer), qual é o problema de imediatamente reunirem os tais 2/3?
    (Angola, Moçambique, Tunísia, Egipto, Israel, Portugal, Grécia…….)
    São todos governo em todos os lugares, têm todos telefone, falam-se todos os dias, protegem-se todos os dias, então?………….

    • Renato Teixeira diz:

      Eu estou a ver o filme todo e a investigação do Miguel também. Permite que os cépticos mudem de ideias sobre o “socialismo” da internacional socialista, e se perceba o calibre dos democratas afins que também citas.

      Sempre com a boca cheia de pacifismo para travar as contestações e para abrir caminho aos suspeitos do costume, e tanto silêncio quando deixam de conseguir esconder o sangue nas mãos dos seus aliados estratégicos.

      • Renato Teixeira diz:

        Mais do que ver o “independente” Galamba ou a “independente” Pimentel, falarem sobre o assunto com tanta propriedade com que defenderam o Partido Socialista nesta matéria, devia ser de lei que um Sócrates, um Soares ou um Alegre descessem do pedestal da sua demagogia e dessem algumas explicações.

  2. Miguel Lopes diz:

    “qual é o problema de imediatamente reunirem os tais 2/3?”

    O tempo que isso demora. É preciso reunir o Conselho para agendar o Congresso, reservar um local, reunir quórum, apresentar a proposta de expulsão e esperar que hajam dois terços que a aprovem.
    Supostamente o próximo Congresso é este ano, já que o último foi em 2008 e eles são de 3 em 3 anos. Mas mal a revolta rebentou, a Internacional Socialista foi obrigada a fazer damage control, nem que para isso atropelasse os estatutos. E foi o que aconteceu. Segundo os estatutos, nem o Presidente nem o Secretário-Geral podem tomar a decisão de expulsar ninguém, mas fizeram-no.
    Pode parecer uma questiúncula burocrática, mas para mim não é. Estes partidos vivem, como referes, da aura de responsabilidade e respeitinho pelas regras, mas isso é apenas uma fina camada de verniz que estala à mais pequena contrariedade.

  3. Renato, excelente, mas eu sei que sabe que eu também sei que não há ilusões por aí.
    ‘Isso’ de que falou é uma “casa de chá para tias velhas”, dão umas lambidelas umas às outras de quando em vez e claro, a seguir não acontece nada, nem essas «madames» quereriam que…

  4. Nada a ver com nada, eu estou mais que recuado, mas chamaram-me a atenção, senão eu nem teria reparado: o novo CEMFA aqui é o Luís A. (piloto aviador) que eu conheço e de quem gosto, sejas lá feliz pá.
    Pessoa mais elegante e civilizada que ele é difícil.
    A tropa que te respeite, por favor, e o resto do pessoal também.
    🙂

  5. Leo diz:

    “a Internacional Socialista foi obrigada a fazer damage control,”

    E disseram ao tal Ayala para escrever as cartas. Curiosamente este Ayala foi nomeado Secretário-Geral no Congresso de Estocolmo de 1989, o mesmo que aprovou a entrada da Tunísia e do Egipto. Mas não foi por falta de tempo, foi para confrontarem a IS com um facto consumado. É que muitos membros haverá que não concordam. Angola, África do Sul, Costa do Marfim, para só citar alguns membros africanos da IS.

  6. Justiniano diz:

    É apenas mais um elevadíssimo ensinamento dessa excelsa e lendária organização humanista!!

  7. Sendo assim e já que socrates tambem é da Internacional Socalista, poderemos considera-lo terrorista

  8. António Paço diz:

    Mais umas quantas revoluções, e lá terá a Internacional «Socialista» de expulsar mais uns quantos membros do clube. Se isto pega, até podemos fazer apostas para ver quem será o último que expulsará o penúltimo. Em que lugar a contar do fim estará o PS-ócrates? Faz lembrar aquele slogan de tempos já distantes: «Quanto mais a luta aquece, mais {força} tremuras tem o PS.»
    Os meus parabéns ao Renato (e ao Miguel) por um excelente post.

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