Cocó, ranheta e facada denunciam os Deolinda

O João Pinto e Castro coloca um gráfico a dizer que os licenciados portugueses têm mais acesso ao emprego do que alguns dos seus congéneres europeus. A Irene Pimentel e o maradona reagem com suspiros de adolescentes, arfando profusamente. A Irene Pimentel bate com o punho no peito farto e pede desculpa por ter gostado das canções dos Deolinda. Pequeno pecado, a excelente e premiada estudiosa apesar de ser tentada com musiquinhas duvidosas, nos táxis, sabe muito e já tinha alertado os músicos para não se deixarem “instrumentalizar” pelos malandros dos esquerdistas. Músico que se preze não pode dizer mal do governo do sr. engenheiro. Fica mal.
Mas vamos aos dados publicados pelo Pinto e Castro, o gráfico não esclarece que tipo de emprego maravilhosos esses ganda manganões conseguiram, nem o tipo de vínculo contratual. Apenas que são licenciados e no momento do inquérito estão empregados. Podem ser o CEO da EDP, só há um e ganha mais do que o salário mínimo, ou os milhares de licenciados que estão a atender telefonemas em salinhas simpáticas onde se acumulam algumas centenas deles, por pouco mais que o salário mínimo. É sobre a precariedade do trabalho e a falta de qualidade dele que fala a canção em questão.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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8 respostas a Cocó, ranheta e facada denunciam os Deolinda

  1. Ricardo diz:

    Nuno,
    Se olhares bem para o gráfico, o que revela é que a percenteagem de empregado com formação equivalente a pelo menos o ensino superior é das mais baixas dos países da OCDE. Revelando mesmo que apenas a Islândia, Nova Zelandia (?) e a Coreia do Sul paresentam proporções inferiores. Nada diz sobre a taxa de empregabilidade dos licenciados portugueses, a não ser que o atalho que criaste não esteja correcto.

    Entretanto tens toda a razão nos comentários que fazes.

  2. Ricardo diz:

    Desculpa, mas li mal o gráfico que não é nada perceptível… O que não retira razão ao que escreveste. Além do mais é má política não referir a fonte do mesmo, nem os critérios que estão presentes na sua construção.

  3. JA diz:

    Os Deolinda falam de estágios e precariedade e de uma geração. O gráfico do Pinto e Castro fala de estar empregado (não sei se pressupõe um contrato de trabalho) e de população global (ou melhor, entre os 25 e os 64 anos). A partir da fonte que o Pinto e Castro teve a honestidade de referir é possível aceder a um ficheiro excel com os dados brutos. Aí se pode ver que a diferença entre níveis de escolaridade no caso português só é gritante no caso das mulheres. Entre homens, a única grande diferença é entre os 78% de taxa de emprego entre os que têm menos estudos (pre-primary and primary education – até 3º ciclo?) e os 90% com educação superior (tertiary education).
    Um gráfico é melhor que mil palavras… sempre que nos der jeito.

  4. susana diz:

    bem, eu penso que o gráfico é bastante claro: dá-nos o total da população empregada (vai em crescendo da esquerda para a direita), dividida em duas fatias: a verde os que não foram além do secundário, a laranja a parcela que foi. diz-nos que ainda não estávamos nas taxas mais altas de desemprego (andamos sempre atrasados, é só isso) em 2008 e que a nossa população activa (que não há-de ter mudado significativamente, por seu lado, desde 2008) tem pouca formação académica. nada diz sobre a relação entre a escolaridade e a obtenção de emprego (por exemplo, podia ser, hipoteticamente – embora muito pouco provável – que a faixa excluída do gráfico – os desempregados – fosse constituída maioritariamente por licenciados).

  5. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Reparem que o post tem um conjunto de links, a saber:
    O gráfico, o post do maradona, o post do João Pinto e Castro onde se encontram os links para o gráfico, para o estudo e o comentário da Irene Pimentel, e ainda o post da Irene Pimentel. Mais claro que isso, não é possível.
    Finalmente, lendo o estudo não é claro para mim, duas questões em relação aos jovens licenciados:
    1. Tipo de vínculo laboral
    2. Tipo de emprego que falamos.
    E é isso que eu discuto no post.

  6. mesquita alves diz:

    Nuno,
    Há 2 problemas graves distintos. A precaridade, o que, com mais ou menos pressão pode ter solução, ou ser atenuado, e o desemprego de licenciados.
    A realidade, dramática, é teres dezenas de milhar de licenciados em: Sociologia, História, Direito, Antropologia, Psicologia, Estudos Internacinais, Jornalismo, Arquitectura, Relações Públicas, Filosofia, Arqueologia, Várias combinações de linguas… etc, sem qualquer relação com as necessidades reais deste país. Muito mais penoso ainda, é que “estão no forno”, para sair nos próximos 4 anos, muitas mais dezenas de milhar, cuja situação, vai ser muitíssimo mais grave. Podem fazer as musicas que acharem por bem, mas os verdadeiros culpados foram os governos dos últimos 25 anos que, com os impostos dos trabalhadores, financiaram cursos sem qualquer retorno económico para o país, obrigando aqueles que os frequentaram e concluiram, independentemente do esforço que tenham feito, a não ter futuro no “instrumento que escolheram”.
    Abraço

  7. leonor santos diz:

    O ressabiamento contra os Deolinda continua. Ver aqui esta monumental porrada no Ferreira Fernandes em http://sempunhosderenda.blogspot.com/2011/02/ferreira-fernandes-acha-que-os-deolinda.html

  8. David diz:

    Parece que todos os grandes estão contra os Deolinda. http://www.ionline.pt/conteudo/105448-deolindas-e-cassandras-nao-culpem-universidade

    Porquê? Eles apenas fizeram uma canção. Uma canção que já foi estropiada por todas as interpretações negativas que dela querem fazer.

    Libertem os Deolinda

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