Do outro lado do resort


Foi bom enquanto durou. Eram bons os tempos em que íamos de férias para o Egipto e para a Tunísia. Íamos em pacotes para os resorts fechados e com excursão opcional incluída. Um dia bastava para fazermos o retrato ao lado das ruínas de outras civilizações. Para mostrar aos amigos e, claro, para pôr no facebook. Agora, tudo mudou. Parece que vivem numa ditadura que não dava para vislumbrar das janelas dos hotéis de capitais europeus e muito menos na televisão lá de casa. Quem diria que estivemos três décadas a pensar que a democracia ia para além da porta dos empreendimentos turísticos. Um gajo até tinha direito a uma pulseira que dava para encher o bandulho até cair. E ia lá desconfiar que o Mubarak e o Ben Ali eram ditadores. Não tinham o selo de qualidade da Internacional Socialista? Bem, nunca se pode confiar numa coisa que tem o Sócrates como vice-presidente. É um facto. Ainda por cima parece que não gosta da confusão que o povo egípcio armou. Realmente, podiam tratar do assunto com mais inteligência. Olha para o caso da Bélgica, onde uma socialista flamenga propôs às mulheres dos políticos greve ao sexo para forçar à formação de um novo governo. De uma coisa podem ter a certeza, para o ano vou de férias para Marrocos.

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4 respostas a Do outro lado do resort

  1. Carlos Vidal diz:

    Pois é, o homem é vice-presidente da Cloaca.
    Só lhe fica bem.

  2. josejose diz:

    Marrocos ? Vê lá se te salta o tiro e a culatra sai pela pistola …

  3. Sim Marrocos é uma democracia flamejante

    Enquanto a Tunísia e o Egipto eram e se calhar serão ditaduras disfarçadas de pseudo-democracias cleptocratas

    O Irão ou o Sudão são democracias em botão

    O paquistão ou a índia são caciquismos tribalistas disfarçados de democracias
    onde se massacra mais gente numa semana

    do que se matou no egipto nestes dias

    após uma revolução muitos vencem mas a maioria perde

    daqui a uns anos haverá uma democracia ao estilo angolano ou iraquiano

    os turistas irão visitar as pirâmides à custa da escravocracia democrática de uma clique de ditadorzitos que farão eleições de 4 em 4 anos ou de 5 in 5

    e tal como cá pouco mudará

  4. Discordo em relação à Índia.
    Mas reconheço que há estados (federal lá) piores que outros.
    Eu escolheria a Argélia para férias em vez de Marrocos. Quanto mais p’ra sul melhor.
    Mas também depende se és um turista ou um viajante… (consultar o Paul Bowles, ‘The Sheltering Sky’ / ‘O Céu que nos protege’ para a “distinção”)
    Por acaso sei do que estou a falar.
    Nos dois casos.
    🙂

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