Conversas de circunstância

Villaverde Cabral depois de ler os posts do Renato que pedem aliança com a direita para correr com o PS.

Manuel Villaverde Cabral, provavelmente com saudades do tempo em que foi intelectual orgânico do cavaquismo, parece que está com vontade de repetir a dose no coelhismo porque muitos suspiram.

Alguém lhe diga que mais vale ficar sujo do que ir para o tanque de pensamento com esta boa rapaziada.

Villaverde e Cavaco prontos para uma nova aventura.

Villaverde Cabral em mais uma reunião do proletariado cognitivo.

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60 respostas a Conversas de circunstância

  1. Na minha (i)modesta ‘opiniung’ há uma diferença importante entre o Villaverde e outros, neste seguinte sentido:
    Há pessoas que pensam pela própria cabeça, outros que são meras máquinas de repetição de qualquer coisa que lhe dê na frente.

    ‘Tá «alugado» p’raqui ou p’rali ? Deixou de estar ?? Isso é circunstância, azar, acontecimento, parvoíce, ambição idiota, o que seja. Passa.

    A pessoa fica.
    🙂

    • Bruno Peixe diz:

      Caro Major,

      Não sei se percebi o seu comentário. As pessoas que pensam pela sua cabeça, seja lá o que isso for, estão isentas de crítica, porque essas pessoas « ficam »? Mas ficam onde?
      Se se refere ao trabalho passado do Villaverde Cabral, digo-lhe que também admiro o « Proletariado nas Vésperas da República » e o « Portugal na Alvorada do Século XX », como grandes exemplos do que pode ser uma ciência social que pensa, de uma história que incorpora os desenvolvimentos da teoria, ao contrário do neo-positivismo elitista que defende o seu companheiro de tanque-pensante, Rui Ramos.
      Mas é caso para dizer: e daí? Mais uma razão para não se meter com gente desta.

  2. Niet diz:

    Cada classe política tem um Villaverde que merece. Custa muito ver o MV. Cabral nestas andanças…Já está reformado e tem netinhos. Quer ser ministro? Para quê? Voltar a ser Reitor, acho que não pode! Ele e o Barreto (António) e o Vasco P.Valente competem…para
    comer umas perdizes no Gambrinus, com um bom Douro da Quinta do Meão…Niet

    • Bruno Peixe diz:

      É uma boa pergunta, caro Niet. Para quê isto? Não me parece nada que ande ao tacho, antes andasse. Se ainda saísse com esta boa rapaziada para lhes sacar uns valentes cobres, tipo o Carrapatoso financiar um mega projecto de muitos milhões para pagar a seis doutorados e a um coordenador para fazerem um estudo do caraças sobre o uso social do telemóvel, que chegasse à conclusão que o ele serve para afirmar o estatuto social, e que só os pacóvios é que acham que é para falar fora de casa com quem está á distância, eu aí até compreendia. A coisa está difícil e um gajo tem de se aviar. Mas neste caso, infelizmente, eu diria que é mesmo por convicção.

  3. Carlos Vidal diz:

    Estes tipos já não existem: já só querem assegurar futuro para filhos e netos. O que vão dizer a estes e outros encontros não conta para nada, nem para o Passos Coelho. É isto tudo uma verdadeira desgraça. Apesar de tudo, o Pulido Valente ainda é o mais criativo e imprevisível. Que não lhes falte a reformazita. Dó, a idade dá pena. É uma desgraça. Não é só cá, mas cá é pior.

    • Bruno Peixe diz:

      Grande Carlos,

      Eu diria que eles já têm o futuro assegurado até à 10ª geração, se não fizermos nada para lhes trocarmos as voltas. Eu não diria que não contam para nada. É certo que não é dali que sai o próximo governo, mas não é só o governo que nos governa.
      Não diria que o Pulido é o mais criativo, nem sequer imprevisível, acho que até é fácil advinhar o que ele vai opinar sobre um assunto qualquer, para quem se quiser dar a esse trabalho. Ele é simplesmente o mais cínico o que, feitas as contas, é uma posição sempre fácil, porque também não representa nenhum compromisso. Nisso o Villaverde até acaba por ser mais respeitável. Não terá, nesta altura da vida, grandes ganhos materiais e, na área onde trabalha, nenhuns proveitos simbólicos, em andar com esta cáfila. De resto, isso não nos interessa muito, pois não? Quero lá saber das motivações, se foi pelo tacho, ou por convicção. Estão ao serviço do capital? Haverá muro que chegue para todos quando chegar o dia.
      Abraço,
      Bruno.

  4. miguel serras pereira diz:

    Bruno (e Niet, já agora),

    vilipendiar a grandeza de quem de há muito ousa bater-se contra a superstição e a estupidez institucionalizadas só amesquinha quem o faz – é atentar contra o espírito à maneira dos esbirros. Ora, tu, que eu saiba, não és mesquinho nem esbirro, e creio que bem podias emendar a mão a propósito do que escreveste neste post.
    Por mim, estou longe de subscrever todos os argumentos e conclusões a que, num momento ou noutrro, o Manuel Villaverde chega. Mas é evidente que merecem discussão e debate e não excomunhões sumárias, e têm a virtude de uma firmeza anti-inquisitorial que se vai tornando rara – e ainda mais exemplar por isso mesmo.
    Nas circunstâncias presentes, é possível que o MVC se engane por sobrestimar o alcance do que se passa na cena política estabelecida e subestimar a urgência de uma transformação que passa por uma ruptura profunda com o regime das relações de poder efectivamente governantes, sendo que esse regime se funda, em grande medida, fora e para além da versão ou processamento do que passa oficialmente por acção política.
    Se assim for, no entanto, o que há a fazer é interpelá-lo, tentar opor melhores ou mais completas razões às que ele apresenta, por exemplo, numa entrevista recente ( http://www.ionline.pt/conteudo/12583-manuel-villaverde-cabral-se-ha-alguem-pensar-portugal-e-cavaco) e não desqualificá-lo à partida como lacaio da oligarquia: se há coisa evidente, é que lacaio o MVC não o é, nem da presente oligarquia nem dos desígnios de solução da questão social que propõem como alternativa uma ordem hierárquica reforçada e autorizada por uma razão ou racionalidade supostamente superior e “objectiva”. E todos temos muito a aprender expondo-nos ao contágio do vírus do livre pensamento que organiza a sua reflexão e as suas propostas.
    O debate democrático ou a reflexão pessoal que o prolonga responsavelmente pode, sem dúvida, errar – mas não está condenado a fazê-lo, mas, antes, tem por condição retomar as suas próprias conclusões e mantê-las em aberto e, a todo o momento, expostas a um novo questionamento. A verdade decretada ou transformada em propriedade reservada deste ou daquele (indivíduo, grupo, aparelho, classe…), por mais verdadeira que seja, é sempre um erro e um instrumento da opressão e do poder hierárquico.

    msp

    • Carlos Vidal diz:

      Já cá faltava este respeitável senhor.
      Bruno, volta já atrás.
      A polícia (no sentido de Rancière) não perdoa.
      O Ribatejo é terra de gente de boas maneiras.

    • Bruno Peixe diz:

      Miguel,
      estás a gozar comigo? Aconselho-te a reler o teu comentário? Importas-te de me esclarecer em que é que eu sou esbirro? Diz-me uma coisa, tu não leste a notícia do público para a qual eu faço link, pois não? Do que escreves parece-me que não. E parece-me acima de tudo que vieste aqui defender um amigo. Por mim, como sabes, és sempre bem vindo, mas por favor não me tomes por parvo. Como é que tu, que estás sempre a defender a horizontalidade e a igualdade como forma única de estar na política podes vir assim defender o MVC quando resolvo satirizar (mal ou bem não interessa) com a sua participação num think-tank do PSD?
      Desculpa, mas dizer que o MVC está a « sobrestimar o alcance do que se passa na cena política estabelecida » é o understatement of the year. E não me venhas dizer que está a « subestimar a urgência de uma transformação que passa por uma ruptura profunda com o regime das relações de poder efectivamente governantes ». Ou achas que o Carrapatoso, o Galamba de Oliveira e o Rui Ramos estão empenhados nessa transformação?
      Miguel, agora a sério, e sem brincadeira: respira fundo e pensa um bocado. Estes são os gajos que efectivamente governam, e que governam bem assentes nas relações de poder económicas, políticas e culturais existentes. E nada lhes interessa que não seja aprofunda-las em seu proveito.
      Quando o MVC, ou quem quer que seja, se junta a eles, deve ser denunciado, combatido e descredibilizado, independentemente dos seus contributos teóricos e políticos passados que, no caso do Villaverde, não foram menores.
      O Niet dá um bom exemplo: o Cutileiro, que escreveu os « Ricos e Pobres no Alentejo » é o mesmo gajo que andou a defender a guerra no Iraque. Merece por isso alguma espécie de condescendência?
      Deixa lá o amiguismo e vê as coisas como elas são.

      Um abraço,
      bruno

  5. Bruno Peixe, não sei como responder.
    Se calhar é o que disse e os outros disseram.
    O que fica é talvez não tanto a pessoa em si, mas o que fez p’ra nós não ficarmos mais ignorantes.
    Isso aplica-se também ao irmão do João Cutileiro, como decerto sabe.
    A tese de doutoramento dele é «leitura obrigatória», else you die with (very very ) stupid.
    🙂

  6. Niet diz:

    MS. Pereira em especial: Nem Deuses, nem Mestres! E quando o MV.Cabral não disponibilizou uma sala da Biblioteca Nacional para a Associação do 25 de Abril?
    Ele é muito charmoso e um óptimo conversador:fala pelos cotovelos. O seu grande Prof, o Marc Ferro, nunca andou pelas Tv´s nem em debates equívocos. Mas, cada um faz o que lhe dá gozo. Aliàs,ele, MVC, disse na Sic durante a campanha eleitoral que o Cavaco tinha metido” tudo” no seu comité de candidatura, os ex-BNP, os suspeitos e os impolutos, o que era de espantar…Tudo bem, salut a todos. Niet

    • miguel serras pereira diz:

      O Niet faria bem melhor em aprender a falar calado – de quando em quando, pelo menos. Fica-lhe muito mal este filme. E, depois, há a sua inexactidão ofuscante: não o grande mestre, mas o orientador académico do MVC na sua tese, foi Pierre Vilar.

      msp

      • Niet diz:

        MS. Pereira: O Ferro sempre era melhor, convenhamos. E do meu ponto de vista. Acho que ele, MVC, já andava por Oxford na altura, embora refugiado em Paris. É raro enganar-me: tentei ver a tese mas, na balbúrdia da minha Biblioteca, foi impossível ” desenterrá-la “. Tento o máximo rigor, sempre. Por isso, uso citações, meu caro. Niet

      • Bruno Peixe diz:

        Miguel, a ti é que não te fica bem mandar calar o Niet quando ele, neste caso, não concorda contigo. Só lhe ficam bem os filmes quando ele te aplaude, é isso? Um bocadinho menos de azedume e um bocadinho mais da racionalidade que tanto apregoas e, já agora um módico da ligeireza a que o efémero da net nos convida.
        Passa bem,
        bruno.

        • Niet diz:

          Caríssimo Bruno Peixe: Obrigado pela sua apologia da ética e do convivio militante sem peias nem condicionantes, o que realça deveras a probidade do seu empenhamento teórico. O problema que se tece(u) em volta do estilo de intervenção de MS Pereira prende-se, acima de tudo, pela subversão ontológica de um terrível afrontamento de dois paradigmas – que envolvem a critica da dominação que define a teoria critica e o do pensamento da política como diferente da dominação. Miguel Abensour tem escritos lapidares sobre esse passe de grande densidade que cria dramas e dificuldades quase insuperáveis, que Negri, JC-Milner ou mesmo G. Debord ” solucionaram ” pelo apelo à ruptura militante-teórica insofismável. Abensour, por seu turno, invoca…a possibilidade -sem retóricas nem ecumenismos- de ” uma articulação estrangeira às facilidades do ecletismo que determinaria a tarefa dificilima de conceber em conjunto, numa coexistência conflitual, a crítica da dominação e o pensamento da política, a existência de uma não obstruindo a passagem à outra. Mas, talvez convenha colocar um dispositivo ainda entre ambas “, in ” Pour uma Ph. Politique Crítique “, Sens&tonka, france 2009. Niet

  7. miguel serras pereira diz:

    Não, Bruno, não és mesquinho nem esbirro.
    Mas, quanto ao que escreves, vamos lá ver. Tu próprio reconheces que o ponto de vista de Tersites – a explicação pelo “interesse” no sentido mercantil ou pela ambição de capitalização simbólica – não nos leva muito longe no caso do Manuel Villaverde. E adiantes a explicação pela convicção. Ora bem, se de convicção se trata, o que há a fazer é debater, criticar, refutar, enfim, o que quiseres, as razões que dela o outro dá. Começar por compreender que um tipo que diz que o “mal” está na interrupção ou abandono do PREC e que, por isso, se distingue dos que dizem que todo o “mal” ainda hoje nos vem do PREC, ou está a esconder interesses inconfessáveis por detrás de uma cortina de fumo (o que já vimos não ser o caso), ou não tem como objectivo defender a dominação.
    Identificar o MVC com um agente da governação, depois de o caluniares (“futuro assegurado até à 10ª geração”, etc.) é tão ridículo que não comento.
    Declará-lo “ao serviço do capital”, e por isso condenado ao fuzilamento pelo estado-maior da tomada de poder que pelos vistos defendes, não demonstra grande originalidade argumentativa – o que é o menos; mas inscreve-se na tradição obscurantista e sinistra de uma frente “plural” de “coveiros da revolução” – o que é bastante mais grave. Agora tomas-te por consciência histórica e científica da justiça de classe? Nesse caso, embrulha lá este poema da Sophia, que vem mesmo a calhar para epitáfio do tipo de gente que queres fuzilar:

    Nunca choraremos bastante nem com pranto
    Assaz amargo e forte
    Aquele que fundou glória e grandeza
    E recebeu em paga insulto e morte

    Podia continuar, mas por aqui me fico. Não quero discutir este assunto nem alimentar campanhas de difamação: para isso, tens o teu “Grande Carlos”, que, a dar energicamente banho ao cão ou a duchar-se glacialmente a si próprio com não menos energia, prefere, quando o tomam humores mais depressivos, compensar-se, como o Zeca cantava dos “sheiks das fitas”, a dar porrada a quem passa.

    Aqui tens a minha posição: é esta e não pode ser outra. Disse e não repito. Nem volto a discutir contigo, nem oralmente nem por escrito, textos ou conversas em que difames e calunies o MVC. Reservo-me o direito de, sem discutir contigo, denunciar manobras dessas, nas quais, ainda que por ingenuidade, venhas a participar.

    Entendidos?

    msp

    • Carlos Vidal diz:

      Citando MSP:
      «Aqui tens a minha posição: é esta e não pode ser outra. Disse e não repito. Nem volto a discutir contigo, nem oralmente nem por escrito, textos ou conversas em que difames e calunies o MVC.»

      Bom, isto colocado desta maneira é muito sério.
      Vejamos: a quem mais esta ameaça se aplica?
      Só ao MVC?? Mas quem é MVC??
      Um semi-deus que eu desconhecia como tal??
      Um ser único?? Ou há outros a quem a ameaça de MSP se aplique??
      Se não, começo a ficar confuso – não entendo esta beatificação.
      Porque não Francisco de Holanda, Manuel Laranjeira, Leonardo Coimbra, Pascoaes, Santa-Ritta Pintor, etc., que sei eu??
      Porquê esta fixação em MVC?? Então, o Bruno, eu e outros, não lhe podemos chamar serventuário, que sei eu??
      Meu Deus…

      • Bruno Peixe diz:

        Pois, Carlos,

        o que é mais triste no comentário do MSP é isso: parece o problema dele não é tanto a calúnia ou a difamação, que não existem, mas o facto do destinatário ser o MCV.
        Podia talvez tentar entender que o post parte justamente de um justificado espanto ao ver o Villaverde Cabral, tradutor de Mario Tronti e associado à revista Multitudes num grupo de apoio intelectual ao líder do PSD.
        É de certa forma um escândalo ver o MVC a remar no mesmo barco do João Marques de Almeida, do António Carrapatoso e mais não sei quantos CEO’s. Como não é, por exemplo, encontrar lá o Rui Ramos, de quem isso, de certa forma, é expectável.

    • Bruno Peixe diz:

      Miguel,

      Discutirás com quem entenderes. Agora também te digo que não é com poses de indignação e de altivez moral que me calas. Se quiseres discutir racionalmente, tudo bem, como te disse, és bem vindo e na medida das minhas possibilidades tento acompanhar. Se não quiseres, está tudo bem na mesma, não me venhas é dar lições de moral.
      Não se trata aqui de debater as posições do Villaverde Cabral, Miguel. Podes continuar a atirar areia para os olhos de quem quer levar com ela, que o essencial permanece: o MVC pertence a um grupo de reflexão ligado ao líder do PSD juntamente com capitalistas, gestores, economistas e intelectuais de direita. Não se trata de discutir o potencial transformador do sistema político que temos. Isso podes fazê-lo com os que militam no BE e no PCP, que se dizem anticapitalistas e igualitários. Agora, a ver se nos entendemos: não é a isso que estes gajos vêm, OK? Estes não são os donos de portugal, mas são os que se sentam na bancada abaixo dos donos de Portugal. São os que defendem os interesses do capital ou, se preferires, dos governantes, da estabilidade política entendida como manutenção das desigualdades e hierarquias. Por isso, sinceramente, não vejo o que é que haja a discutir com eles, como não vejo o que possa ser discutido com o Paulo Portas. Para se discutir ideias com alguém é preciso haver um patamar mínimo de encontro. Como se dizia no « Prima della Rivoluzione » do Bertolluci, « só se pode discutir com quem se concorda ».
      Por isso, já que pareces ser tão amigo dele, pergunta-lhe, se faz favor, porque é que, achando ele que o mal foi a interrupção do PREC (posição com a qual estou inteiramente de acordo) se alia ele aos coveiros do mesmo?
      E desculpa lá mas vai chamar ridículo a outro. Não caluniei o Villaverde coisa nenhuma. Lá que tu não saibas falar noutro registo que não seja o da indignação sisuda ou da reflexão literário-filosófica é lá contigo, não venhas é policiar o discurso dos outros. O que estás a insinuar com essa tua pose de indignado é que eu associo o serviço que o intelectual faz aos poderes que nos governam a eventuais proveitos económicos, quando eu escrevo exactamente o contrário. Aí residiria a calúnia que nunca faço. Aliás, o ganho pessoal e o interesse material são-me, neste caso indiferentes. Um gajo ajudar o Passos Coelho a governar, seja porque quer ser ministro, seja porque acha que assim salva o país é-me igual. Como dizia o Estaline, são ambas piores.
      O que eu escrevo é que daí não lhe vêm grandes ganhos simbólicos. Seria portanto bom que não viesses com histórias de difamações e de calúnias para desviar a atenção da vergonhosa participação do MVC num grupo cujos propósitos só podes abominar.
      De resto, é um bocado rasteira essa táctica de atacar os outros com argumentos que eles não utilizaram. Onde é que foste descartar que eu defendo fuzilamentos por um estado-maior da revolução? E onde é que te autoriza a escreveres que eu me tomo por consciência histórica e científica da justiça de classe? Por causa do muro?
      Se queres ir por aí, tudo bem. Podia argumentar que um gajo não tem sempre de ser literal e que escrever umas larachas sobre muros e tal não quer dizer que achemos que a malta deve ser toda fuzilada. Acho que já deves ter lido disso em blogues ou em qualquer lado, não sei. Mas peguemos este boi pelos cornos e digamos que sim, que acho que a violência não pode ser posta de lado em contexto revolucionário. Que sim, que quando as conquistas de muitos são postas em risco pelo interesse de alguns as primeiras devem ser defendidas com o que for preciso. Em que é que isso representa a defesa de um estado maior portador da racionalidade histórica e científica? Tudo depende de quem é que tu colocas no lugar do sujeito da política revolucionária e nada, mas nada, do que eu escrevi, a gozar ou a sério, aponta para estados maiores ou consciências (cruzes canhoto, abomino consciências, mesmo de classe).
      lembro-te, aliás, que há umas semanas, tu consideravas como aceitável o fuzilamento do Ezra Pound pelos resistentes italianos. Quando é que um juízo deixa de ser animado pela consciência da realização de uma justiça histórica de classe e passa o limiar de aceitabilidade que propões?
      E deixa lá as ameaças de denúncia. Aqui não valem o esforço e só te ficam é mal.

      • Carlos Vidal diz:

        Essa do Ezra Pound foi incrível!
        Acrescente-se Céline (a causa dessa famigerada consideração de MSP), Marinetti, Lissitsky, Rodchenko (porque não? Na lógica MSP, teria de ser), Richard Strauss (compôs o hino para os Jogos de 1936 de Hitler), Karajan, os descendentes de Wagner (todos), e ficávamos com MSPss para semear um pouco pelo Ribatejo fora. Nada mau.

        • Bruno Peixe diz:

          Bom, Carlos,

          ninguém está isento de responsabilidades políticas só porque é artista. Não concordo que aqueles que serviram um regime devam ser castigados. Essa é uma posição de um moralismo e de um revanchismo insuportáveis, sejam os servidores artistas ou burocratas.
          Da mesma maneira, se uma clique de interesseiros e plutocratas quiser travar um processo revolucionário em nome dos interesses oligárquicos de alguns, esse processo tem de ser defendido, violentamente, se necessário for, seja contra quem for: compositores, escritores, etc. A luta política torna justamente essas diferenças indiferentes, e é também nisso que reside a sua lógica igualitária.
          Um abraço,
          Bruno.

        • miguel serras pereira diz:

          O CV faz-se desentendido.
          O que eu disse foi que, se Ezra Pound, no teatro de guerra, tivesse caído nas mãos dos resistentes – sei lá, quando fazia as suas emissões radiofónicas de propaganda fascista -, eu acharia normal que eles o fuzilassem. Mantenho o que escrevi, sendo que não o fiz – mas deve ser a influência do Niet sobre o CV – a propósito de Céline.
          Acho, evidentemente, uma abominação que o tenham exibido numa jaula, etc., etc.
          Sou contra a pena de morte – excepto no teatro de guerra, durante as hostilidades, em que a sua aplicação é menos uma pena do que um acto de “legítima defesa”. Em todos os outros casos, sou pela sua rigorosa abolição, independentemente da natureza do crime. Foi a posição de alguns que não choraram nem lamentaram a sorte de Eichmann, que o seu enforcamento não enlutou, mas que tentaram que não lhe fosse aplicada a sentença de morte. Ou a de muitos resistentes franceses que se opuseram à execução, após julgamento em tribunal, de comprovados colaboracionistas, aos quais teriam tratado expeditamente do sebo pouco tempo antes, no contexto do maquis.

          É só.

          msp

  8. Renato Teixeira diz:

    Uma posta destas, brilhantemente bem escritas, seguida dos perdigotos do MSP, convocam-me para te dar os parabéns nosso grande Bruno Peixe. Em cheio e em cima da hora. Uma caracterização fulminante do MVC seguida de vários golpes de rins no seu serventuário. Implacável.
    Saudações marxistas revolucionárias e cumprimentos trotsquistas leninistas.

    Quanto ao assunto discutido em baixo arrisco no entanto dizer que o MSP não está nada interessado em defender o amigo MVC. O tipo apenas mostra que está lixado por não ter sido convidado para debater os Estados Gerais da república do PSD.

    • Bruno Peixe diz:

      Obrigado Renato. O estilo do teu parágrafo faz-me lembrar assim a modos que alguém, está aqui mesmo na ponta da língua, mas insiste em não sair.
      Sabes o que é que me fode um bocado? Escrevi duas postas hoje, uma que me deu trabalho a pensar e a escrever, sobre a leitura mediática da rua árabe, a partir de um post da Irene Pimental, e depois fiz esta às três pancadas com umas imagens que saquei da net, meio a gozar, porque achei assim um bocado ridícula a participação do Villaverde Cabral nesta cena. E porque conheço muita malta que acha que o Villaverde continua a ser um tipo de esquerda. E não é que esta segunda tem muito mais respostas e suscita muito mais debate?
      Um abraço,
      Bruno.

      • Renato Teixeira diz:

        A mim acontece-me sempre essa merda. Os leitores gostam é de pancada menos elaborada, e quem sabe até nem terão razão. Assim, por dentro da nossa incivilidade, os melhores debates acabam por florescer.

        Ele há gajos que também me estão debaixo da língua mas que insiste em não sair, que nunca perceberão que dos diamantes não nasce nada e a merda nascem as flores:

      • Renato Teixeira diz:

        Até terão razão, queria dizer.

      • António Figueira diz:

        Não te incomodes, a outra terá suscitado menos debate mas está porreira, e esta tem uma pérola impagável, que é o meeting do proletariado cognitivo. Abraço – e que o Almighty nos proteja a todos da fúria do moralismo!

        • Carlos Vidal diz:

          Bruno e caros amigos, há um crítico e ensaísta francês, que raramente leio, chama-se Jean Clair. Não é parvo, mas faz-se.
          Para ele a vanguarda (artística, literária, musical, etc.) é um equivalente de fascismo e totalitarismo.
          Ora, perante gajos destes (e outros que conhecemos muito bem), apetece-me invertar as coisas: à boa maneira zizekiana, não direi quando ouço a palavra totalitarismo lanço-me ao combate, mas direi: quando ouço as palavras “democracia” e “cidadania” (governante ou não governante) saco logo do meu revólver.
          Volto amanhã.

      • miguel serras pereira diz:

        Agradece, Bruno, agradece ao camarada Renato Teixeira a solicitude com que acorre a caluniar-me em teu socorro. Lá sabes que alianças aceitas, e contra quem – é contigo. Mas olha que vais ter de continuar a viver contigo todos os dias.

        msp

        • Carlos Vidal diz:

          Este comentário é indecoroso e inaceitável.
          De baixo nível.
          És amigo de X, então não te falo mais.
          Seria abjecto, se não fosse infantil. E inconsequente.

        • Bruno Peixe diz:

          Pois aí é que nós discordamos: cada um vive com muitos outros que não apenas o próprio. Se calhar era por viver demais com ele próprio que o outro dizia que viver todos os dias cansa.
          Quanto ao Renato, a sério, Miguel, aligeira lá os termos com que escreves. Calúnia é palavra forte e acho que sabes distinguir um discurso irónico de uma acusação. O Renato Teixeira, que aliás te chama « Aristocrata Libertário » ou coisa assim que o valha, que mistura nobreza com política revolucionária, sabe bem que não é por quereres ir para o tanque dos conselheiros do príncipe que te insurgiste contra o meu post. Ele sabe, e sabe que os interlocutores do seu escrito também não atribuir à frase o seu sentido literal. Como sabes muito melhor do que eu, estão reunidas as condições para a ironia, com que decerto todos leram a frase do Renato. É exactamente o mesmo protocolo de leitura que tu pressupões, creio, quando dizes que o Renato é o « porta-brados da revolução islâmica » ou quando escreves que ele anseia pelo momento em que as invocações por Alá venham substituir as reivindicações democráticas no Egito. Se lermos isto da mesma maneira que tu lês o Renato, poderíamos também, com má intenção, dizer que tu, de facto, estás a acusar o Renato, que já declarou o seu ateísmo e o carácter estratégico e táctico do seu apoio aos movimentos islâmicos (apoio com o qual não concordo puto), de ser um convicto activista do islamismo radical. Dito assim até parece… uma calúnia. Mas não é, pois não? Não, é aquilo que nós lemos: uma sátira a essas posições do Renato.
          Volto a dizer que não te fica bem, de todo, esse tom de invectiva moral. Aqui no 5dias ninguém, parece-me, tem problemas em estar com os outros. Quando discordamos, escrevmo-lo abertamente. E eu já discordei do Renato, do Carlos, do Nuno, e eles já discordaram uns dos outros e de mim. Ás vezes até com violência excessiva, embora não no meu caso, que eu sou de brandos costumes.

          • miguel serras pereira diz:

            Bruno, não te passa pela cabeça a ideia de que eu já pudesse saber que um tipo só fala e convive consigo próprio porque fala e convive, primeiro, com outros? Ou que não há liberdade interior sem, pelo menos, sinais de fogo da mesma nas praças e nas ruas?
            Mas o que daqui se segue é que tenho de aprender a desdobrar-me reflexivamente e a responsabilizar-me pela companhia que faço aos outros – e, portanto, tenho de viver num registo explícito comigo próprio, não podendo escapar à minha própria companhia.
            Mais ainda, se quisermos falar de uma cidade democrática, livre de hierarquias classistas, auto-governada por iguais, teremos falar também de uma sociedade que IMPÕE aos seus indivíduos o convívio explícito consigo próprios, a exigência de que cada um deles pense pela sua própria cabeça para dar conta e razão daquilo a que se opõe ou daquilo que propõe.
            Assim, espero que não estejas a reclamar, para te distinguires de mim, a condição de fiel, tanto quanto possível teleguiado, destes ou daqueles “deuses da tribo” e continues a querer-te membro da tribo dos que se querem podendo e devendo viver divinizar as suas convicções ou as suas leis.

            Quanto ao teu amigo que me chama “pide”, talvez um destes dias tenha a resposta não propriamente argumentativa que implora – não tenho mais nada a replicar-lhe. Mas, sobre o assunto, respondo-te a ti, que aquilo que tenho escrito é que ele é um paladino e defensor da “resistência islâmica” – ou o apoio à “burguesia nacional” do regime iraniano, como escreveu há dias -como via anti-imperialista e período de transição para o socialismo ou lá o que é que ele enuncia enquanto terra prometida da sua luta final. Não vejo onde possa haver nisto calúnia, ou, se preferes, mais do que reconhecimento puro e simples.

            msp

          • Carlos Vidal diz:

            Atenção, atenção MSP, “pide do bom senso” ou “pide da moral” não é a mesma coisa que “pide”, assim, apenas “pide”.
            Qualquer causídico lhe pode explicar isso muito bem.
            CV

        • Renato Teixeira diz:

          MSP é a incorporação da justificação estalinista. Quando os tempos forem revolucionários é inaceitável perder paciência com um tipo destes. Não acrescenta nada. Desmoraliza.

          Oh meu bardamerda, bófia da moralidade, pide do bom senso, não consegues fazer três postas sem me insultar em duas, e vens agora chorar no ombro do Bruno?!?

          Kronstadt contigo.

          • miguel serras pereira diz:

            Sobre Cronstadt (http://cirandas.net/anarquismo/faq-anarquista/a-rebeliao-de-kronstadt?view=true):

            “Existem muitas importantes fontes históricas disponíveis sobre a revolta. O que existe de melhor para estudos sobre a revolta é o trabalho de Paul Avrich e Israel Getzler, Kronstadt 1921. As obras anarquistas incluem Ida Mett em seu livro The Kronstadt Uprising (o melhor trabalho político sobre o tema), Alexander Berkman escreveu The Kronstadt Rebellion (também consta uma boa introdução na obra A Tragédia Russa), Voline em The Unknown Revolution dedica todo um excelente capítulo sobre Kronstadt (onde apresenta uma grande quantidade de citações retiradas de documentos de Kronstad) o volume dois de No Gods, No Masters de Daniel Guerin apresenta uma excelente seção sobre a rebelião (incluindo um detalhado relato de Emma Goldman extraído de sua autobiografia Living my Life sobre os eventos extraídos dos documentos de Kronstadt). Anton Ciliga (um libertário socialista/marxista) em seu livro Kronstadt Revolt também apresenta uma boa introdução aos temas relacionados com o levante.

            Do ponto de vista da análise leninista, a antologia Kronstadt contem artigos de Lenin e de Trotsky relacionados à revolta, uma espécie de ensaio suplementar refutando a versão anarquista. Este trabalho é recomendado para aqueles que querem saber qual foi a versão trotskista dos eventos por conter todos os documentos relevantes emitidos pelos líderes bolshevikes. Emma Goldman em seu trabalho Trotsky Protests Too Much é uma grande resposta aos comentários de Trotsky e de seus seguidores.”

      • Tânia Vânia diz:

        Se é só isso que te fode não estás mal.

    • Tânia Vânia diz:

      Não poderia concordar mais. Quer dizer poder podia porque sou uma daquelas pessoas que pode ser sempre mais. Um pouco como MVC.

  9. zé neves diz:

    Bruno, já deixaste claro, nos comentários (no post tens para lá um “mais vale ficar sujo do que…” que eu não percebo bem onde quer chegar), que não acusas o Villaverde de ter a posição que tem por causa de interesses, tachos e que mais. Mas sabes perfeitamente que era isso que aí vinha quando escreveste o que escreveste. E foi isso que veio, como se pode ver nos comentários do Renato e do Vidal. Bem sei que uma pessoa não pode estar refém do leitor, mas convém ter em conta as reacções mais primárias.

    Quanto à tentação estalinista de que o MSP te acusa, queres o quê? Escreves, a brincar, presumo, mas ele há coisas com que não se brinca, que “há muro que chegue para todos” (ou coisa que o valha, cito de cor)?!?! E surpreendes-te com o quê?

    abç

    ps – mais interessante seria, e não substituindo a crítica explítica ao envolvimento do MVC no tal grupo, ir à luta; perguntar-lhe por quê, de que modo, a que propósito, para quê. Olha que ele até era capaz de responder.

    • Carlos Vidal diz:

      Pouco arguto e pouco leitor, este zé neves (em minúsculas, à lá câncio).
      O que eu disse, redigo: MVC já nada tem para dizer para além do que já disse e fez.
      Logo, não vai aos tachos, nada disso.
      Como a idade (em geral, conta para todos) é uma coisa desgraçada (nem todos são eduardos lourenços), assegura-se, no máximo, pole positions para os descendentes. O que nem se refere a MVC, mas a todos nós, humanos ensarilhados.

      Mas o zé neves é de outra fibra. Alguém um dia lhe disse que ele até devia ter piada.
      E aí se quedou. E julga ser verdade. É o pior que pode acontecer a uma pessoa.

    • Bruno Peixe diz:

      Para evitar leituras retorcidas: o sujo aparece ali, porque os tanques servem para lavar, e o que está em causa aqui é a participação num… think tank. Eu sei que não é propriamente um momento sublime de humor, mas olha, apareceu naquela altura.
      Quanto à questão dos interesses, é como dizes, não deves deixar de dizer o que tens a dizer com medo de seres mal interpretado, deves é ter o cuidado de escrever/dizer o que podes para evitares más interpretações. Aliás, como se depreende do que eu escrevo, e apesar de acreditar que não é por interesse que o MVC se mete nisto, devo dizer que não me parece que seja o mais importante, e que estas discussões não devem ficar presas nas motivações pessoais.
      É claro que é importante saber as ligações da administração Bush com certas empresas para compreender a invasão do Iraque (e mesmo assim não é o mais importante, creio), mas mesmo que elas não houvesse, mesmo que ninguém nessa administração tivesse ganho alguma coisa com a invasão, mesmo assim ela seria a combater.
      Quanto à questão do muro, vê a minha resposta acima a essa questão. E já agora, como eu sou muito brincalhão: onde é que põe a linha entre aquilo com que se brinca e aquilo com que não se brinca? É um debate sério que não se resolve com moralismos sisudos.
      Quanto à interpelação ao MVC, achas que faz sentido perguntar a alguém porque é que participa num tanque com aquela gente para aconselhar o Passos Coelho? Eu diria que a participação num tal grupo implica um grau de envolvimento subjectivo com o actual modo de governo, político, económico e cultural, que a pergunta do « porquê? » feita de uma perspectiva anti-sistema faz tanto sentido como perguntar ao Balsemão porque é que ele está nos Bilderberg. Tu podes perguntar ao Loução ou ao José Soeiro, ou ao Rui Tavares, porque é que eles ainda acreditam no potencial emancipatório da política parlamentar, e daí vir um debate interessante, porque estão num espaço intersticial, dentro do sistema, mas contra o sistema. No caso de um think tank do PSD, acho que já estamos para além disso, e quem lá está sabe ao que vai.
      Ou então não é nada disto e o MVC é um adepto da teoria do « quanto pior melhor », ou seja, acelerar o capitalismo para chegar mais depressa às condições da revolução. O problema é se acelera tanto que nos queimamos todos (todos não, há sempre uns que resistem).
      Um abraço,
      Bruno.

      • Carlos Vidal diz:

        Nunca pensei que MVC fosse assim uma entidade tão sacrossanta.
        Por mim, diria o que tenho a dizer, e não me preocuparia um segundo em defender-me desta barragem fanática e acéfala MSP-zé neves.

  10. António Paço diz:

    Estes vossos bate-papos às vezes parecem uma reunião dos Insones Anónimos.

    • Carlos Vidal diz:

      O problema aqui, António Paço, foi o post do Bruno ter sido desviado para a defesa pessoal de uma entidade sacrossanta que eu não sabia que o era (julgava-o um intelectual entre outros). E foi desviado pidescamente pelo sujeito do costume. Que, esse sim, nem dorme para policiar a vida e trabalho dos outros. Um dia até foi ao caixote do lixo buscar um post meu (que achei mau e deitei fora), e tentou garbosamente exibi-lo no seu “Vias de Facto”, onde parece estar bem acompanhado. (Permita-se-me apenas referir que naquele lugar, com reservas mútuas, e não tratando tudo por igual, tenho consideração pelos escritos do Rick Noronha. Mesmo que este não grame nada do que eu escreva. É com ele e não comigo.)

      • Ricardo Noronha diz:

        Isso não é inteiramente verdade Carlos. Gosto muito quando tu escreves sobre Caravaggio e o Renato sobre as lutas estudantis em Coimbra em 2004. Quando fazes a apologia do linchamento popular de Felgueiras e o Renato me garante que o Hezbollah é que é (o movimento, não o rapper), já me divirto um pouco menos. Mas continuem. Ainda havemos de chegar a alguma conclusão.

        • Carlos Vidal diz:

          Meu caro Ricardo, o meu comentário a Felgueiras tem um óbvio sentido: é o do moralista ético (justo, em Felgueiras) e o do denunciante (ou entidade desvalorizadora) da ética em nome de um “moralismo bacoco” no Egipto. Quem é este tipo afinal? Disse, e digo, ironicamente e a sério, que o seu linchamento não me incomodaria nada. Sobretudo se fosse no Cairo! Até aplaudiria.

    • Tânia Vânia diz:

      Cheira-me a discussão saloia mascarada de pensamento contemporâneo. De uma forma bem bem resumida isto vai dar ao mesmo sítio a que iria dar um troca de argumentos entre o Ricky Martin e o Enrique Iglesias. E mais não digo (até porque este e “mais não digo” é uma daquelas frases que encerra em si mesma uma autoridade que só alguns iluminados podem ter).

  11. zé neves diz:

    bruno,

    diria que não se brinca ao estalinismo com quem defende o estalinismo, eis uma fronteira clara.

    em relação ao MVC, acho que era interessante questionar o seu posicionamento criticamente e não apenas assinalar o mesmo condenando-o. Acho que era mais interessante condená-lo de modo argumentado do que simplesmente condená-lo. as duas alternativas que colocas no fim do teu post são preguiçosas. Sabes bem que a coisa pode ser mais complexa do que resumes. E não digo isto em abono do MVC, mas porque chegar a essa complexidade, que em nada diminui a possibilidade de condenar a sua posição, pode ajudar a compreender melhor algumas coisas dos tempos que correm.

    abç

    • Carlos Vidal diz:

      Caríssimo z neves, já agora uma questão estalinista (vês o estalinismo em toda a parte e ainda bem, é sinal que a coisa está viva):
      a tua exposição sobre o “Povo”, comissariada em co-curadoria com o sr. José Manuel dos Santos, foi muito interessante. Mas fica-me uma dúvida: aquilo era a sério ou era a brincar??

  12. Pingback: MOLTO SOSTENUTO PEREIRA – Contra o moralismo anarco-régio, música brega! | cinco dias

  13. Dallas diz:

    Por mais que me custe dizer isto, estou com o Bruno.
    O MVC até pode ser a melhor queca da academia portuguesa. Porém, não estamos a falar da sua tradução de Tronti ou do excelente “O Operariado nas Vésperas da República”. Estamos a falar da sua participação num think-tank que discutirá e ajudará a definir os contornos de uma eventual governação PSD. É este o objecto do post, não outro.

    • Bruno Peixe diz:

      Dallas,

      Obrigado pelo apoio, mas porque raio é que te custa dizer que estás comigo? Eu estou quase sempre contigo quando escreves no Spectrum.
      Tu sabes mesmo como magoar os sentimentos de um rapaz….
      É já agora, porque é que o Villaverde é a melhor queca da academia (intelectualmente falando, presumo)? Que escreveu coisas boas, escreveu, mas daí a ser a melhor trip teórica desde o anti-édipo vai alguma distância. Não é seguramente a publicar livros que consistem unicamente num questionário aos valores do jovens que se vai lá.
      De resto, é exactamente disso que fala o post: de um tanque pensador para ajudar a definir os termos em que um governo do PSD funcionará.
      Ainda me custa a compreender a reacção de tanta gente boa a isso.
      um abraço,
      bruno

      • João Valente Aguiar diz:

        «Que escreveu coisas boas, escreveu, mas daí a ser a melhor trip teórica desde o anti-édipo vai alguma distância».

        Concordo em absoluto contigo Bruno Peixe. Acho a posição mais sensata sobre o MVC aqui exposta. Isso e o fulcro do teu post e da participação de MVC naquela coisa do PSD: «é exactamente disso que fala o post: de um tanque pensador para ajudar a definir os termos em que um governo do PSD funcionará». Um governo objectivamente comprometido com os interesses do grande capital. Que o MVC, eventualmente não o esteja conscientemente, isso pouco importa. O que conta é a sua participação com aquela gente.

        Cumprimentos

        • Bruno Peixe diz:

          Obrigado João,

          na verdade se há coisa que não se pode dizer do Villaverde Cabral é que seja inconsciente nestas coisas da política e do grande capital. Ele já tinha apoiado o Cavaquismo e as crónicas desse apoio (por assim dizer) estão reunidas num volume editado pela Celta e de cujo nome não me consigo recordar.
          É curioso que o Miguel Serras Pereira chame a atenção para o facto do MVC dizer que o PREC acabou cedo demais. É que essas crónicas insistiam, num período em que Cavaco era cada vez mais criticado na rua, na sua legitimidade para governar, recorrendo justamente à ideia de legitimação pelo processo. Aliás as referências teóricas do Villaverde Cabral, por essa altura, já não eram o Marx ou o Tronti, mas sim o John Rawls e o Niklas Luhmann.

          Diga-se, em abono da verdade, que neste caso não se trata apenas de um tanque pensante do PSD, mas sim de um tanque pensante do PSD mais agressivamente neo-liberal dos últimos tempos. E que não escondem ao que vêm. O que é que pode o Villaverde Cabral ver nisto, ele que ainda há pouco dizia que o BE e o PCP deviam fazer um governo de salvação nacional? Olha, não faço puto de ideia. Se calhar acha que carregar o pé no acelerador neo-liberal nos leva mais depressa ao apocalipse do qual sairá a fénix comunista. Seja como for, o facto é que está lá, e isso, agora, é que interessa.

          Um abraço,
          bruno

          • António Figueira diz:

            Bruno,
            Permite-me uma síntese: o MVC é um tipo simpático (eu pelo menos acho), intelectualmente interessante (idem), politicamente errático (idem idem); gostei imenso, quando era novinho, do “Portugal na Alvorada…”, acho altamente legíveis (no sentido de intelectualmente estimulantes) outras coisas que ele escreveu depois, acho altamente deprimentes outras ainda, e tenho imensa pena de algumas figuras que ele faz (tanques pensantes e quejandos); sobretudo, não o penso num pedestal qualquer, imune à crítica (como me parece que o acha quem, depois de uma atitude pública da parte dele, e de uma crítica política da tua parte, te pergunta: – E por que não lhe colocaste pessoalmente tu a questão?); o MVC é um intelectual na cidade, provecta que seja a sua idade não me parece irresponsável, longe disso, logo é um objecto legítimo da crítica política, pelo que escreve e faz, e ponto final.
            Abraço, AF

  14. Dallas diz:

    Bruno,

    desde que raptaste a Madie que me custa dizer que estou contigo nalguma coisa.

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