PCP decide-se pelo fim do governo, agora só falta levar a teoria à prática

É verdade que Carvalho da Silva ainda não nos deu a boa notícia de uma nova greve geral a pedir a demissão do governo Sócrates, mas a mudança de discurso Jerónimo de Sousa merece o meu aplauso. O PCP finalmente deixou essa história de querer influenciar o executivo do PS sem o fazer cair, e declarou que chegou o dia de finados. Ao isolar o BE como único aliado do PS contra as facas longas, o PCP fica agora com a responsabilidade de dar aos trabalhadores o palco para levar a luta do parlamento para as ruas do protesto. É que se as eleições vierem sem a generalização e intensificação da contestação, aí sim se estará a dar a maioria absoluta de mão beijada à direita. Fazer com ela unidade táctica no parlamento para fazer cair a direita que nos governa, é do mais elementar bom senso.

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8 respostas a PCP decide-se pelo fim do governo, agora só falta levar a teoria à prática

  1. Tiago Mota Saraiva diz:

    Renato, estás enganado. O PCP foi o único partido a apresentar uma moção de censura a este governo. Quanto à CGTP, partilho da tua ansiedade.

    • Renato Teixeira diz:

      Tiago, a última vez que ouvi o PCP dizer que não pretendia derrubar o governo mas “influenciar com as políticas que fazem falta aos trabalhadores” foi pelo menos durante a última greve geral, mas ia jurar que o perguntaram ao Francisco Lopes e a resposta não foi diferente. Se assim não fosse porque é que as declarações de ontem do Jerónimo tiveram o impacto que tiveram, do governo, à direita, ao BE que até teve que repetir a sua incomoda posição publicamente?

  2. Augusto diz:

    Ah Ah Ah….

    O PCP está disposto a VIABILIZAR uma moção de censura do PSD , com o apoio do CDS.

    O PSD e o CDS, serão os continuadores desta politica de agravamento das condições de vida dos trabalhadores.

    Se a politica do PSD e do CDS é a politica do Governo Socrates, com maiores custos para os trabalhadores, como pode um partido de esquerda, sequer pensar, em levar o CDS e o PSD AO COLO para o governo…..

    O que se exige, a quem é de esquerda, é que seja claro nas suas opções.

    E o primeiro passo é propôr a TODAS as forças de esquerda, um programa claro, de alternativa a estas politicas que o PS-Socrates o PSD e o CDS defendem.

    Um programa de governo , com que os trabalhadores se possam identificar, com medidas de defesa do Estado Social, do SNS, da Escola Publica, de demarcação clara das medidas que o FMI nos quer impôr, de alterações ao Codigo de Trabalho, de maiores imposto sobre o sector financeiro, de ataque á corrupção, seja nas autarquias ou na classe politica, de exigencia de uma reforma total da Justiça portuguesa.

    Em suma um PROGRAMA DE ESQUERDA.

    É este o caminho, é este o combate, a luta na rua , tem se ser complementada com propostas clara e crediveis , de que a esquerda é capaz de governar, com um programa alternativo ao PS-Socrates e ao resto da direita e da extrema direita que o PSD e o CDS representam.

    Se o caminho não for este, não é mais deputado ou menos deputado que o PCP possa conseguir , que vão alterar o que quer que seja.

    E o PCP pode uma ser , uma vez mais, a muleta que o PSD e o CDS precisam , para chegar ao poleiro.

    Aliás como aqueles que apelaram ao voto em branco nas Presidenciais, e ajudaram o Cavaco a ser eleito.

    São tão de esquerda , que até se tornam aliados objectivos da direita e da extrema direita.

    • Renato Teixeira diz:

      Só o Augusto para achar que isto que escreve:
      “Um programa de governo , com que os trabalhadores se possam identificar, com medidas de defesa do Estado Social, do SNS, da Escola Publica, de demarcação clara das medidas que o FMI nos quer impôr, de alterações ao Codigo de Trabalho, de maiores imposto sobre o sector financeiro, de ataque á corrupção, seja nas autarquias ou na classe politica, de exigencia de uma reforma total da Justiça portuguesa.”
      tem alguma relação possível com o PS, para além de ser o grande interprete do seu desbaste.

    • antónimo diz:

      Caro Augusto. Diga-me lá que opções de esquerda vê em Portugal, além de um Governo PCP-BE? E neste momento só vejo essa opção de o PSD perder eleitores para o PS, o PS para o BE e o BE para o PCP fazendo com que o conjunto BE-PCP crescesse até perto dos 30%.

      A sério que estou interessado em perceber essas geometrias que o fazem tão contra o PCP, o PSD e o CDS e tão amigo do PS.

  3. CausasPerdidas diz:

    “Fazer com ela unidade táctica no parlamento para fazer cair a direita que nos governa, é do mais elementar bom senso.”

    Posso estar enganado, mas o estado actual da mobilização dos trabalhadores não se reflectirá automaticamente num voto que dê fôlego à resistência anti-liberal no parlamento – o sítio onde, quer queiramos quer não, as coisas por agora se decidem. Isto é uma dúvida e não um programa político parlamentarista.

    Na minha opinião, a enorme abstenção verificada nas últimas eleições presidenciais não representou a recusa da “mediocridade dos candidatos”, o voto contra a falta de unidade da Esquerda e muito menos o protesto libertário contra o sistema, mas sobretudo e tragicamente o estado de espírito que fez com que este país aguentasse 48 anos de Salazarismo. A puta da mansidão. Se não, como justificar o valor demasiado baixo da votação na candidatura “Patriótica e de Esquerda” (sem ironia) do candidato do PCP que nem galvanizou o eleitorado de esquerda desiludido com a “traição” do BE em apoiar Alegre?
    O amorfismo reinante é um dado importante a ter em conta, como dar a volta a isso é o debate que me interessa. Resumindo: como fazer política socialista num quadro social semelhante aos alvores do sindicalismo, sem os alvores e com um sindicalismo funcionalizado quase todo virado para os que ainda têm contrato efectivo e descontam as quotas democraticamente na folha de salário, num quadro em que a dominação ideológica da burguesia sobre o proletariado é bem mais decisivo e poderoso que as invectivas dos púlpitos sobre os comunistas? Como organizar o proletariado precário? Como reedificar a noção de solidariedade de classe? Como vencer o medo que está a vencer?

    Por outro lado. Sobre táctica. Quer dizer, apoiar um candidato social-democrata contraditório para defender o que sobra das garantias que a Revolução impôs na “lei fundamental”, como fez o BE ao tentar espetar uma fractura no partido do poder, é uma “traição miserável”, e nada tem a ver com uma opção táctica mesmo que discutível. Mas votar uma moção de censura com os pressupostos da Direita (sublinho: com os pressupostos da Direita), essa sim, será a opção táctica que trará as contradições que trarão folga ao campo dos trabalhadores. Será a táctica revolucionária onde a outra foi “traição”. Simples.
    Este é, a meu ver, a fuga para a frente, o sentido lógico de quem confirma o erro de entender que a eleição do Cavaco significou o mesmo que significaria a eleição de Alegre. Continua-se a não perceber as contradições, é tudo Direita e “prontos”. Não foi só Cavaco e Passos Coelho que ganharam, Sócrates também ganhou na noite em que Alegre foi derrotado, há ainda quem não tenha percebido isto?

    Confesso que tive dúvidas se a opção táctica do BE foi a mais correcta – e ainda as mantenho. Debati-as com companheiros do BE numa reunião para a qual fui convidado, e verifiquei com satisfação que estas não eram da minha exclusividade. Óptimo, ainda há quem tenha dúvidas. E a lembrar a forma como a coisa foi discutida nalguns fóruns e estados de alma, reitero: falou-se de táctica, não de ajuste de contas.
    Táctica, sim. Já não suporto essas merdas pequeno-burguesas de a propósito de debates sobre táctica tirarem-se conclusões precipitadas sobre estratégia. Tenho idade suficiente para ver no rasto desse suposto purismo ideológico o cemitério de organizações “verdadeiramente revolucionárias” e projectos liliputinos de fazer política à imagem das certezas conjunturais inabaláveis do PCP mas com uma fraseologia mais guerreira, o capital revolucionário desperdiçado em cisões de merda, e o punhado de revoluções perdidas por falta de inteligência… táctica.

    • Renato Teixeira diz:

      Nisso tudo esquece um factor determinante: a natureza do PS. E faz por não se lembrar do outro: o que tem fodido a esquerda são menos as “cisões de merda” do que a capitulação àquilo que se pode chamar de reformismo sem reformas.
      A utopia de um PS de esquerda, que depois do embaraço do Alegre já só não vê quem não quer, é comprovadamente o fiel amigo do PSD em matéria de regime e de programa político, de PEC e de tango.

      Quanto à disponibilidade dos trabalhadores ela afere-se na luta e não nas urnas e as últimos protestos foram considerados acima das expectativas em quase todos os sectores.

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