Quando as revoluções não vencem acabam derrotadas

Há mais imagens na Al Jazeera onde se vê grupos de milicianos montados a cavalo e a camelo, munidos de armas de fogo, de paus e chicotes, a carregar sobre os manifestantes.

El Baradei, a Irmandade Muçulmana e a generalidade dos partidos da oposição demoveram a ida de milhões de pessoas rumo ao Palácio Presidencial e o resultado é que o Palácio Presidencial mandou as suas milícias à Praça Tahrir e aos restantes locais onde o governo estava a ser contestado. As consequências estão à vista: Mubarak diz que não sai e instaura a lei do terror com a complacência dos EUA e da UE, as pessoas que estão na rua há uma semana estão exaustas e expostas à repressão indiscriminada dos mercenários do regime e a carnificina vai continuar. Até quando?

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12 respostas a Quando as revoluções não vencem acabam derrotadas

  1. l'outre diz:

    …”com a complacência dos EUA e da UE”…

    Não acredito que esteja a defender a intervenção dos EUA e da UE. prefere que façam o mesmo que fizeram no Iraque? Ou prefere que deixem os egípcios decidir o seu futuro?

    • Renato Teixeira diz:

      Onde leu tal coisa? Ouviu o Obama ou o Sarkozy? A ideia é precisamente a contrária: que deixem de intervir nas escolhas dos egípcios. Deixem de financiar o aparelho de Estado de Mubarak (que nos últimos dias até de Israel recebeu armas anti-motim para além de apelos de apoio ao déspota amigo: http://extra.globo.com/noticias/mundo/presidente-de-israel-shimon-peres-manifesta-apoio-mubarak-no-egito-969257.html), que cortem com ele toda e qualquer relação diplomática, etc, etc.
      Enfim, é demasiado simples para que tenha que ser mais explicado.

      • l'outre diz:

        Eu não falei de Israel, apenas de EUA e UE. Ambos estes distanciaram-se de Mubarak e não fizeram nenhuma menção de qualquer intervenção a favor ou contra o actual regime ou os manifestantes. Os líderes americanos e europeus têm se revelado bastante prudentes, apelando apenas a uma transição pacífica.

        Por isso pergunto novamente: O Renato está chateado por a EUA e a UE não mostrarem vontade de intervir? Preferia que fizessem o mesmo que fizeram no Iraque?

        P.S. – A notícia que postou não fala em nada sobre armas anti-motim, apenas na pressão política que Israel anda a fazer sobre os estados europeus e americanos.

        • Renato Teixeira diz:

          http://www.presstv.ir/detail/163052.html

          Quanto ao resto leia o anterior comentário. Verá que há muitas alternativas a uma invasão que não defendo quem quaisquer circunstâncias.

          Quanto aos EUA e à UE, ou seja, às declarações de Obama e Sarkozy, a tónica foi de tolerância face ao ritmo e método de Mubarak e nenhuma crítica lhe foi endossada.

          David Cameron, pasme-se, foi o primeiro e o único até agora, a dizer que é inaceitável que Mubarak esteja a instigar a violência.

          • l'outre diz:

            Alguém conhece a organização humanitária “International Network for Rights and Development”?

            Parece ser a única fonte do alegado apoio israelita ao regime de Mubarak, no entanto quando a procuro no google, não consigo encontrar qualquer informação sobre esta organização. Apenas encontro noticias que citam um suposto relatório feito por esta organização. Não consigo encontrar nem o relatório, nem qualquer página oficial da organização, nem qualquer outra menção a esta organização.

            Seguramente que é defeito meu, mas quando não encontro várias fontes credíveis para a mesma notícia começo a ficar desconfiado…

            “Quanto aos EUA e à UE, ou seja, às declarações de Obama e Sarkozy, a tónica foi de tolerância face ao ritmo e método de Mubarak e nenhuma crítica lhe foi endossada”

            Precisamente, a posição europeia e americana tem sido: “Isto é um problema egípcio, os egípcios é que têm de o resolver, seja com Mubarak ou com outro qualquer”. Parece-me uma posição prudente, e que coloca a escolha do líder egípcio nas mãos dos egípcios.

          • Renato Teixeira diz:

            Primeiro queria um link, agora quer uma colecção deles. Tem mesmo dúvidas que Israel prefere o Mubarak ao que quer que o suceda?

          • l'outre diz:

            Caro Renato, depende de quem lhe suceder. Israel já esteve em guerra com o Egipto, é natural que se sintam preocupados com o que possa acontecer por lá. Daí a dizer que estão a prestar apoio material ao actual ditador é esticar um pouco as coisas.

            E não quero uma colecção de links. Apenas quero confirmação que a tal “International Network for Rights and Development” realmente existe, que publicou o tal relatório que detalha o apoio israelita a Mubarak, ou outras fontes que afirmem o mesmo.

            Já lhe disse que sou cuidadoso e desconfiado com as minhas fontes de informação, e este relatório que parece que ninguém conhece, de uma organização que parece que ninguém conhece cheira a esturro por todos os lados.

  2. O que se vê aponta claramente no sentido inverso do que tu escreves. Aquelas pessoas não parecem “exaustas e expostas à repressão indiscriminada dos mercenários do regime”. Estão a fazê-los recuar, são mais numerosas, mais determinadas e estão suficientemente organizadas para resistir. Já agora, elas estão na rua «há» uma semana e não «à» uma semana.

    • Renato Teixeira diz:

      Já corrigi. Obrigado.

      Entre a hora de almoço e até às 17h estive a ver a emissão em directo e ela dava conta desse avanço. Quando ao resto esperemos que tenhas razão e que a revolução tenha mais força do que a contra ou que o velho regime. Uma organização revolucionária com força dava uma ajuda inquestionável à espontaneidade das massas.

  3. xatoo diz:

    as chefias complexo politico-militares EUA, Israel e UE são três componentes de uma mesma coisa… ou está-se-me a escapar algo?

  4. Niet diz:

    R. Teixeira: Confirma que uma ” santa aliança ” que une Bouteflika, Ghaddafi, Família Saud, M.AhmedhNejjad, entre outros, apoiam a ” luta ” de Moubarak? Por outro lado, o enviado de Obama parece que se vai encontrar com dirigentes da Irmandade. Grande ” paper” no Counterpunch sobre a estratégia americana no Médio Oriente. Calma e tudo pela Revolução Permanente! Salut! Niet

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