Os guardiães da democracia. Ou do medo?


“Política del miedo” dos Violadores del Verso & Soziedad Alkoholika

A União Europeia acaba de repor as sanções contra a Bielorrússia. Depois da vitória de Alexander Lukashenko, as televisões encheram-se de imagens de manifestantes contra o governo daquela república do Leste Europeu. Foi a tentativa de reedição das revoluções coloridas. Como a democracia só serve quando dela resultam os fiéis seguidores da cartilha neoliberal, sancionam-se os vencedores.

A União Europeia não é uma instituição democrática. Depois das sucessivas tentativas, distantes dos povos europeus, de construção de uma constituição, apenas sobrou uma solução: a imposição. E, curiosamente, esta é a mesma União Europeia que condena os governos que atacam alguns dos postulados do capitalismo.

O conjunto de países latino-americanos que avançam com uma série de reformas progressistas são, de forma frequente, alvos das elites políticas, económicas e culturais da União Europeia. Apesar de não fugirem muito das regras das democracias ocidentais, abrem telejornais, enchem manchetes e recebem o rancor dos comentadores.

A revolta que se alastra por vários países do Norte de África e Médio Oriente desmascara a hipocrisia das democracias europeia e norte-americana. Durante três décadas, os poderes tunisino e egípcio nunca receberam o ódio da imprensa ocidental. E agora, de repente, o cidadão comum descobre que há mais ditaduras para além das do costume.

Porque os governos norte-americano, europeu e israelita, entre outros, a par das agências de informação, estão agora ocupadas em garantir que as soluções para a revolta não são as dos povos mas as que garantam a manutenção do poder económico nas mãos dos de sempre. Querem que o futuro volte às mãos dos que, nos anos 70, decidiram o futuro de Espanha e da Grécia e dos acabaram com a revolução portuguesa.

À luta!

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6 respostas a Os guardiães da democracia. Ou do medo?

  1. miguel serras pereira diz:

    É bem verdade, sem dúvida, que nunca denunciaremos demais a hipocrisia dos governos ocidentais EUA e UE) perante o que se passa na Tunísia e no Egipto.
    Mas convém também não esquecer que as autoridades da RPC se mostram tão incomodadas como o Ocidente – senão mais. Além de que utilizam meios que fazem a inveja das “nossas” oligarquias, que sonham voltar a poder usá-los, e talvez por isso não se cansam de apontar a China como exemplo.
    Eis a reacção da ditadura da grande potência aos acontecimentos:

    “Las autoridades chinas no quieren correr riesgos ante la posibilidad de un efecto de contagio de las protestas en favor de la democracia ocurridas en Egipto, Túnez y otros países musulmanes. Pekín ha bloqueado la palabra “Egipto” en los microblogs de portales como Sina.com y Sohu.com , que, cuando se efectúa una búsqueda, devuelven el mensaje “De acuerdo con las leyes, regulaciones y políticas relevantes, los resultados no pueden ser mostrados” o dicen que no han sido encontrados.

    Pekín posee uno de los sistemas de censura de Internet más sofisticados del mundo, gracias, en parte, a tecnología suministrada por empresas extranjeras, con el que logra con bastante éxito controlar lo que pueden ver, leer y publicar sus 450 millones de internautas.

    Las revueltas en Egipto y las imágenes de los tanques en las calles de El Cairo han traído a la memoria de muchos chinos los recuerdos de las protestas de Tiananmen, en la primavera de 1989, y la consiguiente represión a manos del Ejército, en la que murieron entre cientos y miles de personas, según las fuentes. Las manifestaciones, a favor de reformas políticas y democracia, fueron catalizadas por la corrupción y la inflación.
    (…)
    La prensa oficial ha informado en los últimos días de las revueltas en Egipto, e incluso de los cortes de Internet y el servicio de telefonía móvil en El Cairo. Pero lo ha hecho de forma limitada, y ha aprovechado lo sucedido para lanzar un mensaje que más parece destinado al consumo de su propia población. El diario Tiempos Globales, publicado por el Partido Comunista, asegura hoy en un editorial que la democracia no es compatible con las condiciones existentes en Egipto y Túnez, y que “las revoluciones de color” -en referencia al término aplicado por primera vez para describir las protestas en favor de reformas políticas en las antiguas repúblicas soviéticas- no pueden lograr democracia real” (http://wap.elpais.com/index.php?module=elp_gen&page=elp_gen_noticia&idNoticia=20110130elpepuint_9.Tes&seccion=int)

    msp

  2. Filinto diz:

    Toda a generalização é burra, dizia um qualquer brasileiro. Escreve “a imprensa ocidental” nunca mostrou “ódio” como se a imprensa necessitasse ou provasse alguma coisa em demonstrar “ódio”. Uma parte da imprensa ocidental denunciou os regimes magrebinos, além de tal forma os denunciou que o Bruno sabe o que se passava lá.

    • Bruno Carvalho diz:

      Denunciou os regimes magrebinos depois de ter estalado a revolta, quando as ditaduras foram desmascaradas. Não seja burro. Sabe bem que falava do silêncio antes das explosões sociais.

      • Filinto diz:

        Não lhe chamei burro, mas isso não me ofende, o que me ofende é que insista na generalização.

        Só depois das explosões sociais é que se apercebeu do que se passava no Magrebe? É isso? Que explosões? Estas? As de há cinco anos? As denunciadas pelos RSF durante anos seguidos? As da Argélia? As de Marrocos? As dos berberes? As dos anos 80?

        Engula o orgulho e corrija o erro. Eu corrijo o meu: “Toda a Unanimidade é burra”, era o que escrevia o Nélson Rodrigues. Não era a generalização.

  3. Leo diz:

    Escreveu um texto corajoso. Parabéns, Bruno.

  4. Leo diz:

    “os governos norte-americano, europeu e israelita, entre outros, a par das agências de informação, estão agora ocupadas em garantir que as soluções para a revolta não são as dos povos mas as que garantam a manutenção do poder económico nas mãos dos de sempre. Querem que o futuro volte às mãos dos que, nos anos 70, decidiram o futuro de Espanha e da Grécia e dos que acabaram com a revolução portuguesa.”

    Se fossem só governos dos USA, UE e Israel e a sua clique mediática estávamos bem e melhor estariam tunisinos e egípcios. Nunca devemos esquecer a cumplicidade que infelizmente continua de quem se diz de oposição e até de esquerda.

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