Um detective para troca-tintas

No outro dia, vi na livraria que a editora da Zita Seabra tem um policial em que a introdução reza o seguinte: “O inspector Pekkala – conhecido como «O Olho Esmeralda» – foi em tempos o mais célebre detective de toda a Rússia, o favorito do czar. Agora, é prisioneiro dos homens a quem antes devia dar caça. À semelhança de milhões de outras almas, foi metido nos campos do Gulag, na Sibéria, onde quase que mais valia a pena estar morto.”

Lendo com mais atenção, percebe-se que o herói do livro é um inspector da Okhrana, a polícia política do Czar. Estou em pulgas para ler a estreia de um polícial em que o herói da editora Zita Seabra será o inspector Gouveia. Só cá faltava.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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2 respostas a Um detective para troca-tintas

  1. miguel serras pereira diz:

    Nuno,
    aprecio especialmente o “quase que mais valia estar morto”.
    Tenho de ler com atenção esse romance policial filosófico sobre o tema das relações entre a (quase) mais-valia e a morte, tanto mais que, pelo excerto que aqui citas, quase “que” adivinho nele uma inusitada inspiração badiouliana, ainda que temperada por uma conceptualização à la Rancière do par polícia/política.

    Mas quem é a Zita Seabra? Recorrendo ao som na tentativa de despistar um sentido que me escapa, no significante que a nomeia parece-me ouvir ressoar o objecto grande Z do não menos grande Zizek… Mas é uma conjectura e, por favor, corrige-me se aqui erro.

    Abrç

    msp

  2. É por essas e por outras que os ex-PCP têm má fama. 🙂
    É só uma chalaça, ok?

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