A confusão que interessa

Há coisas muito importantes a passarem-se no mundo. Umas mais a sério, como o que se passa na Tunísia e no Egipto, outras mais a fingir como as análises do BE e o PCP sobre as presidenciais (não digo que as dos outros partidos sejam boas ou melhores, mas essas não me interessam). Enfim, o mundo dá para tudo e espero que ambos os casos, as coisas cheguem a uma libertação profunda das amarras que nos oprimem – embora esteja menos esperançado em relação aos últimos.

Mas eu vim falar de uma coisa completamente insignificante – de um partido completamente insignificante que a Diana me alertou há uns dias: o PAN – Partido pelos Animais e pela Natureza. E porque é que faria uma coisa destas? Bem este partido é óptimo para fazer pontes com o mundo e com uma variedade de discursos que existem por aí.

Começando pelo hino, que parece uma versão pimba do ‹‹Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict›› dos Pink Floyd; continuando pela sua Declaração de Princípios que defende uma ‹‹harmonia tão ampla quanto possível›› para os ‹‹todos os seres sencientes, humanos e não humanos›› (ver ponto 3). Isso é bonito, mas parece que a única forma de o fazer é tratar bem os animais e a natureza, esquecendo por completo o sistema capitalista em que vivemos e que daí vem boa parte das barreiras que existem entre nós e a felicidade. É uma boa forma de entretenimento a que estes camaradas do PAN nos apresentam – mas poderia ser completamente ingénua, coisa que não o é.

Para além de defenderem o negócio ‹‹verde›› (ponto 7), outra grande medida – sem esquecer a repetição constante da igualdade entre homens e animais – é a lusofonia:

‹‹Portugal deve promover a Lusofonia e os valores universalistas da cultura portuguesa e lusófona no espaço internacional, dando o seu melhor exemplo e contributo para converter a sociedade planetária na possível comunidade ético-cultural e ecuménica visada entre nós por Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.››

A cidadania, o civismo, a lusofonia e coisas desse género não faço ideia do que são na prática (e na teoria tenho muitas duvidas). Palavras que se utilizam bastante – estas e as anteriores eleições presidenciais são disso exemplo – e que agradam a muita gente porque parecem, para além de inofensivas, completamente correctas e certas sem nunca se questionar para que servem.

Não esquecer uma pequena coisa: as ligações de quem gere a coisa. O Paulo Borges é um dos directores da revista Nova Águia e presidente do Movimento Internacional Lusófono, coisas confusas mas que pendem para um certo lado pouco simpático.

É estar atento.

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39 respostas a A confusão que interessa

  1. Não exageremos. Este partido representa certas correntes vegan e/ou budistas, para já algo residuais em Portugal (mais os budistas que os vegan), e nada mais. O Paulo Borges, que foi meu professor na faculdade e é uma excelente pessoa, é líder de uma das principais associações budistas de Portugal. Quanto à “Nova Águia” e ao “Movimento Internacional Lusófono”, melhor faria o autor do post em ter averiguado, um bocadinho que fosse (por exemplo, clicando nos links, como eu fiz) sobre a realidade das mesmas. Não me parece que uma revista que pretende reviver o espírito da “Águia” (onde publicaram “saudosistas” como Teixeira de Pascoaes, mas também gente que veio a colaborar na Seara Nova, como Jaime Cortesão, ou o magnífico Santa Rita Pintor), e que tem como chamadas de capa os 100 anos da República, Alexandre Herculano, Miguel Reale, o citado Cortesão, e António Telmo, penda para o lado “pouco simpático” que se queira imaginar. O mesmo se pode dizer do “Movimento Internacional Lusófono”, que não passa de uma associação de intelectuais de vários países lusófonos (eu não vejo o que raio é que esta palavra possa assustar), e que se apresenta assim: “Defendemos o reforço dos laços entre os países lusófonos – a todos os níveis: cultural, social, económico e político -, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.”

    • Youri Paiva diz:

      Concordo com a ligação budista do PAN, mas conheço a Nova Águia há bastante tempo e já fiz várias visitas ao seu blogue. É precisamente a Nova Águia e o MIL que me preocupam, a União Budista é um pouco indiferente neste caso. Nem tudo o que por lá se escreve é desse lado, mas a agenda – a pátria, a lusofonia – tem que se lhe diga; para além de todas aquelas visões metafísicas-pagãs-grandes-misturadas.

      Mas até dou de barato que seja dúbio (para mim é pouco dúbio, mas enfim – coisas):
      http://novaaguia.blogspot.com/2009/02/para-o-antonio-de-oliveira-salazar.html
      ou o activo e passivo do Estado Novo… Claro que me podes dizer que por lá há coisas que dão para todos os lados, mas que bom que é ter uma revista e um blogue que dá para tudo.

      E chegam ao ponto do puritanismo deles os levar a fazer uma petição contra o Manuel João Vieira e uma exposição dele no Museu Nacional de Arte Antiga (boa ou má, nem sei, nem me interessa – o problema deles é ele ser um ‹‹escarro››).

      Deve ser do conselheiro da direcção António José de Brito.

      Quanto ao MIL sonha com uma convergência lusófona. Ora, por mais bonita que pareça no papel, esta ideia vem do colonialismo e continua no colonialismo – Portugal como uma luz para o mundo.

      • Youri Paiva diz:

        Mas é verdade que aquilo deixou de ser tão fascista. Os nazis do PNR que fizeram parte dessa coisa saíram daquilo há uns anos. Mas lá estiveram.

        • mariana aires diz:

          Caro Yuri,
          há informação desactualizada, o Paulo Borges foi de facto um dos fundadores da revista nova águia, projecto do qual se demitiu através de um comunicado público no qual expôs as razões desse afastamento. O mil é outra coisa…
          Em relação ao medo dos discursos patrióticos associados ao mil, são de facto patetas, pessoalmente não lhes dou atenção. O pensamento universalista, tendo como partida a língua portuguesa, que é aquela em pensamos, não tem para mim qualquer problema. Na minha opinião alguns mal entendidos surgem da incapacidade de escutar e assim ao ouvirmos lusofonia, pensamos em Portugal, colonialismo, (alemanha, judeus, nazismo…). E se há realmente questões que interessam a todos, penso que é positivo que nos libertemos dos nossos ódios de estimação, clubismos, cores políticas seja o que for, para discutirmos soluções. Enquanto pensarmos que isto não vai lá porque não há diálogo possível com os poupinhas de cascais que têm montes no alentejo e gostam muito de cães e bifes, estamos a inviabilizar uma mudança real, nunca saímos do ciclo de preconceitos que supostamente queremos combater. Força bruta, contra força bruta(que afinal até não é nada bruta)…ser revolucionário assim devia ser um trabalho remunerado, porque ele é tão importante para este sistema como o do operário explorado.
          Se para ser politicamente activo eu tenho de pôr-me dentro de uma caixa e ficar a guardar a entrada com o meu polícia dos discursos duvidosos, então prefiro não ter caixa e correr o risco de encontrar um fascista vegetariano e dar-lhe tofu com malaguetas para ele aprender a não ser assim…

          • Youri Paiva diz:

            O MIL não é outra coisa, a Declaração de Princípios do MIL começa assim: ‹‹O presente texto condensa e concretiza as propostas do Manifesto da Revista “Nova Águia”.››.

            Segundo o que pensas, é errado pensar em Portugal quando se fala de lusofonia, devem ser coisas que em nada se relacionam. A tua simplificação entre parênteses (não percebi ao que se relacionavam) sobre Alemanha, nazis e judeus também deixa muito a desejar, principalmente porque a única vez que se falou de nazis foi daqueles militantes do PNR que fizeram parte d’A Nova Águia (e não deixa de ser curioso a quantidade de blogues de extrema-direita pura e dura fazem links a essa revista).

            Mas só para esclarecer. Eu não acho tudo bom nem discuto tudo da mesma forma, não me quero ‹‹libertar›› das minhas ‹‹cores políticas›› para encontrar ‹‹soluções››. Há gente e ideias com quem não me entendo e nunca me entenderei, nomeadamente com aqueles em que as ideias são as da opressão. Isto não é preconceito, são interesses e objectivos diferentes e completamente antagónicos.

            Se achas que ser ‹‹revolucionário›› deveria ser um trabalho pago como o de um operário estás claramente enganada. Querer mudar o mundo em que se vive não é uma profissão um emprego, é uma vontade em se querer viver melhor consigo e com os outros, ser operário é um trabalho.

            E isto nada tem haver com caixinhas, tem haver com atenção a discursos e ideias que foram e continuam a ser perigosos. Se preferes dar tofu a nazis e esperar grandes resultados, boa sorte. O Celeiro faz isso parte toda a gente que tenha algum dinheiro para a coisa e não muda muito o mundo.

          • mariana aires diz:

            O que quis dizer, foi que não podemos dar mais importância às patetices do mil, que se quer colar à nova águia que neste momento é uma coisa diferente do que era quando surgiu…os discursos são perigosos quando usados por gente perigosa, isso é um facto, mas não deixa de ser um uso indevido neste caso refiro-me a autores de língua portuguesa citados nessa missão. Cada um de nós tem as suas opções políticas, valores etc, mas considero que elas não devem ser restritivas quando está em causa o debate sobre questões que interessam a todos, porque no fundo a utilização política das causas sociais é uma arma usada por todos indiscriminadamente, os discursos não diferem muito. Todas as pessoas quer tenham ou não um pensamento político, diriam da mesma forma que querem viver bem no mundo e com os outros, é daqui que a discussão pode partir independentemente das ideias que possamos ter para a realização desse objectivo.
            Lusofonia, este som luso está relacionado com Portugal, com Angola, com o Brasil etc na mesma medida, não há que ter medo, eu particularmente não acho que tenho alguma coisa a ver com o colonialismo, não tenho também que me desculpar por ele. Comparei com o complexo alemão relativamente à sua história porque acho que são fenómenos parecidos. E realmente diverte-me pensar que pode haver um militante do pnr que é vegetariano, porque se não posso partilhar com ele das mesmas ideias políticas posso pelo menos partilhar o tofu e daí se calhar partir para outras coisas. Acho que alguém que decide deixar de comer carne, ainda que políticamente possa andar por outras paragens, partilha comigo pelo menos uma preocupação comum, neste muitos passos necessários para mudar o mundo…

        • NUNCA lá estiveram. Deixavam comentários e saíram quando perceberam que o MIL nada tinha a ver com eles, bem pelo contrário.

          • Mais outra “confusão” que só pode resultar da má-fé: a NOVA ÁGUIA e o MIL sempre defenderam, aberta e inequívocamente, um “Portugal lusofonamente multicolor”. Mais: nessa medida, eu sempre disse que ser racista não era apenas estúpido como anti-patriota…

          • Youri Paiva diz:

            Pois. Das confusões do Renato Epifânio nada de novo. ‹‹Portugal lusofonamente multicolor›› excluí os não lusófonos, independentemente da cor? Ou estarei errado? Há para aí muita confusão.

          • Pois há, em particular na sua cabeça. Só uma cabeça completamente “confusa” é que acusaria o Agostinho da Silva de “colonialista”.

          • Youri Paiva diz:

            Não me respondeste à pergunta. Um ‹‹Portugal lusofonamente multicolor›› é o que? Serve para que? E não excluí os não lusófonos (seja lá o que isso for)?

            E escusas de vir com defesas chorosas, não disse que o Agostinho da Silva era colonialista.

  2. voaralho diz:

    Just in case, já deste de comer ao burro?

  3. António Paço diz:

    «Deixa burro zurrar de si manera», como cantavam os Finaçon:

  4. Há neste texto duas actualizações que importa referir:
    1. Paulo Borges já não está ligado ao MIL (desde há 2 anos, creio)
    2. Paulo Borges já não é co-director da revista Nova Águia (desde há um ano aproximadamente)

    Quanto à frase “coisas confusas mas que pendem para um certo lado pouco simpático.”
    não sei bem o que significa, mas lendo um pouco do que consta no site oficial do movimento vê-se rapidamente que nada “de pouco simpático” é aqui referido, especialmente não naquele tipo de “fracas simpatias” a que este texto injustamente refere:
    http://www.movimentolusofono.org

    • Youri Paiva diz:

      É verdade, parece que o Paulo Borges abandonou a coisa. O próprio site do PAN está desactualizado.

      ‹‹Ao apresentá-lo, fazemos nossas as palavras de Agostinho da Silva, cidadão luso-brasileiro cujo pensamento inspira o M. I. L., na proposta de reorganização de Portugal e do mundo lusófono que redigiu em 1974: “A comunidade a que o propomos é o Povo não realizado que actualmente habita Portugal, a Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, o Brasil, Angola, Moçambique, Macau, Timor, e vive, como emigrante ou exilado, da Rússia ao Chile, do Canadá à Austrália”››
      Isto não é colonial?

      • Aproveito para responder aqui também ao mais acima: este tipo de movimentos são constituídos por uns patuscos meio românticos, e algo desligados da realidade (fazem lembrar os escribas do 5 dias neste aspecto). O artigo sobre o Salazar é isso mesmo, e recorda-me um tipo que conheço que detesta o Salazar mas admira muito o Duarte Pacheco, como se fosse possível um ter existido sem o outro. O que o autor desse artigo diz é que está na hora de avançar, sem estarmos sempre a falar do Salazar, olhar para o futuro, etc., em suma, um conjunto de banalidades sem substância – mas longe, muito longe, da “perigosidade” que o autor do post descobre, e o mesmo aliás quanto a tudo o resto o que li na revista. São uma espécie de “nacionalistas moderados” a la Teixeira de Pascoaes, saudosistas, mas não do punho de ferro da ditadura, mais de uma imagem de Portugal perdida no passado simultaneamente bucólica (rural) e sebastiânica. Na sua maioria, uns tipos de direita, sem dúvida, mas moderados, note-se que os próprios autores da “Águia” original se exilaram quando do golpe de 1926, e tudo menos perigosos, na minha modesta opinião.
        Já quanto ao “lusófono”, creio que o autor do post insiste num lamentável equívoco. A ideia de “lusofonia” quer dizer, apenas, “língua portuguesa”, ou mais precisamente, comunidade da língua portuguesa. Não vou aqui discutir se devemos perder tempo com projectos de construção de uma efectiva “comunidade da língua” no mundo, e etc, apenas sublinhar que nada há de “colonialista” nesta ideia, que resulta do colonialismo, sim, mas apenas enquanto facto histórico; antes pelo contrário, já que um colonialista nunca colocaria a coisa como uma “comunidade entre iguais” como fez o Agostinho da Silva (um brasilófilo, note-se). Ou o Youri acha a CPLP um “instrumento do colonialismo”? Não que não possa efectivamente ser (neste caso os ingleses com a commonwealth dão lições), mas o seu princípio não é esse, a ideia é a de cooperação entre os países, uma ideia que, curiosamente, tem raiz no mundo “socialista” da Europa de Leste e seus amigos.
        Relativamente ao Manuel João, pois não me espanta nada que estes tipos se insurjam contra um tipo que ridiculariza o seu amado país como este faz. Azar o deles, que, assim, caem eles próprios no maior ridículo.
        Volto a frisar que o que conheço do Paulo Borges diz-me dele que é assim um tipo meio lunático (embora um excelente professor), budista, vegan, amigo dos animais, e um bocado apanhado pelo Pessoa e a lusofonia, mas o mais longe possível do que o Youri supôs, aliás, recordo-me de me ter dito que se considerava de esquerda.

  5. Diana Dionísio diz:

    Parece-me perigoso o nascer destes partidos, supostamente políticos, que põem política de lado. Explico-me melhor: este partido pode reunir o comunista vegetariano com o nazi vegetariano, o socialista com pena dos elefantes com o “que odeia política e partidos” e que vive para adoptar gatinhos cegos. E sem terem de discutir nada uns com os outros. Isto leva-nos a algum lado?
    Por mais que as questões ambientais e de animais não sejam as questões a que, pessoalmente, quero dedicar a minha vida, parece-me que podem ser questões válidas de serem postas… Mas para isso há que ter um pensamento político sobre o mundo. Porque para ajudar os animais e a natureza há milhões de hipóteses diferentes, de soluções diferentes – e muito provavelmente só algumas é que me interessam.
    Por alguma razão os Verdes estão coligados com o PCP. Não há amigos do ambiente e dos animais no PSD? Claro que há. Mas terão as mesmas soluções para os problemas uns e outros? E o Hitler não era vegetariano? Há pessoas que gostam mais de animais do que pessoas… Devo achar isso muito bonito? Ou devo pensar que há um problema grave aqui?
    Enfim, pensando que há algum pensamento por detrás deste movimento ou partido (deve haver porque há filósofos ao barulho!), e tentando percebê-lo… também me espanta esta questão da lusofonia aparecer no meio da comunhão entre animais e homens e natureza. Não devia ser então mais importante que tudo uma sensação qualquer universal, completamente universal? Donde vem a ideia de que a lusofonia tem de ser propagada? A lusofonia é mais importante que a linguagem universal do soprar do vento? E isso vende-se aos outros? Isso não faz parte da vida (fará? isso existe e interessa para alguma coisa? enfim, estou só a tentar entrar-lhes nas cabeças…) apenas de uns quantos homens por razões da sua condição de espaço, tempo, interesses, etc? Um burro está interessado na lusofonia? E o que é que a lusofonia traz de benéfico para os crocodilos?
    Pelo que percebi este PAN já existe há algum tempo. Por que vieram agora apresentar-se publicamente e dizer que querem 3 deputados na Assembleia da República? Talvez porque de repente perceberam que a maior parte das pessoas não liga nenhuma à política e aos partidos e acha (com alguma razão…) que as questões mais fundamentais das suas vidas parecem não estar a ser decididas por elas, mas sim por grandes empresas e multimilionários em reuniões lá longe. Talvez porque de repente perceberam que as pessoas até votam mais facilmente naqueles que dizem que odeiam partidos e politiquices do que nas tradicionais forças políticas.
    Mas tal como me assustou votar no Nobre – então se o Nobre tem o apoio de pessoas que são contra o aborto eu posso estar ao lado dele? E quando se puser de novo essa questão? O que fará o Nobre com os apoiantes anti e pró-aborto? Zanga-se com uns deles? Inventa uma solução de consenso? E os apoiantes o que fazem? – também me assusta um partido que quer reunir quem é contra as maldades que se fazem aos animais sem falar na organização capitalista da sociedade, como diz o Youri. Não acho que dentro de um partido todos tenham que pensar a mesmíssima coisa. Claro que não. Um partido discute coisas. Mas há umas certas formas de pensar o mundo que me parece que têm de estar antes de outras questões para que as pessoas possam discutir alguma coisa com pés e cabeça.

    • mariana aires diz:

      Diana,
      quando falas de coisas que têm de estar antes de outras para podermos pensar coisas com pés e cabeça, parece-me um ponto de partida muito rígido…acho que para discutir e pensar é apenas preciso cabeça(e estômago), os pés são facultativos. O pensamento livre não pode partir de “um ter que” fazer ou ser ou pensar seja o que for…

      • Youri Paiva diz:

        Sim, parte antes do vazio que é uma coisa muito bonita.

        • mariana aires diz:

          O vazio é uma ideia realmente bonita, mas melhor ainda é o nada. Se calhar para começar qualquer coisa podiamos partir daí, não por razões estéticas mas por ser um ponto de partida livre, sem pressupostos. Tenho dificuldade em compreender os livres espíritos que olham para os outros e os classificam como lunáticos ou inconsistentes. Não corro o risco de ter de discutir a questão do aborto com o Nobre e acho importante a observação feita pela Diana, além de sugerir imagens hilariantes ilustra bem o que fazem os partidos – escolhem os discursos mais em voga. Mas por outro lado acho que a forma como instrumentalizamos a natureza está na base de todo o sistema capitalista e de muitos dos problemas sociais. Se temos de começar por algum lado, por mim pode ser por aí…(não precisamos do Nobre nem de ninguém).

          • Youri Paiva diz:

            Parece-me impossível partir do vazio ou do nada – há sempre coisas que as pessoas pensam sobre o que se discute, e ainda bem que assim é. O debate não é livre por se partir sem pressupostos, é livre, mas com confrontos e com ideias.
            Em relação ao resto, confesso que não percebi nada. É tudo muito vago o que escreves, noutro lado qualquer disseste que se tu e um nazi não comem carne é um bom ponto de partida – ainda bem que achas que eu tenho muitos pressupostos e que com nazis é possível partires para a transformação de um «mundo novo» (seja lá o que isso for).
            Há pessoas de ideias com quem não me quero entender porque os meus interesses e objectivos são completamente contrários aos meus. É assim e isso não me faz confusão. A ideia do consenso total (como da maior parte dos consensos) é totalmente fictícia, implica a não-discussão e é uma forma de manter tudo tal e qual como está.

  6. mariana aires diz:

    Se eu gostar de ler e citar Trotsky ou Mills não há problema…mas e Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa ou José Marinho, posso? Ou será que sou fachocolonialista? Se eu falar de quinto império de Pessoa (porque é bom discutir ideias)? -bbbuhhhh,nem vou ouvir mais…espera, é um reino espiritual, não há juntas de freguesia e também não há portugueses, nem nacionalidades…-nem penses, eu já sei onde isso vai parar…

    • Youri Paiva diz:

      Esse comentário é uma grande confusão, Mariana.

      O V Império é uma ideia fascista. Podemos discuti-la, como eu posso continuar a considerar que é uma ideia fascista – e isso em nada está relacionado com juntas de freguesia ou portugueses (não existem no V Império?!).

      Este comentário é que é a não discussão. Faz-se uma acusação, tenta-se discutir o que é uma coisa – o PAN, o MIL, a NA – e vem um choradinho logo de seguida.

    • Youri Paiva diz:

      Já agora, se gostas tanto de defender o V Império de Pessoa-Borges, o que tens a dizer sobre isto:
      http://reverentia-lusa.blogspot.com/2006/10/axo-portugal-raa-imprio.html

      As coisas que se descobrem. Da AXO à Nova Águia, da Nova Águia ao MIL, do MIL à União Budista, da União Budista ao Partidos pelos Animais e pela Natureza – este gajo mete inveja à Zita Seabra.

      • mariana aires diz:

        Não gosto de defender o IV império, nem Pessoa gosto de ler e discutir ideias. Não me interessa defender a coerência do Paulo enquanto activista político ou espiritual, acho que o mais relevante é factor provocatório das suas propostas e sinceramente não acredito que sejam perigosas, (estando ele à margem neste momento do movimento do mil e da nova águia, que não sei se são movimentos perigosos ou apenas parvos). Não conhecia o “axo”, parece-me à primeira vista um movimento cuja ideologia mistura influências da filosofia de Nietzsche, com um apelo ao activismo apartidário (até aqui tudo bem), com o senão de se usar uma linguagem imprópria e desajustada com as dispensáveis referências históricas que tornam tudo o resto ainda mais duvidoso.
        Mais uma vez insisto que não me interessa defender o Paulo nem o seu percurso, acho que não é isso que está em causa. A mim agrada-me a ideia de abalar as estruturas que criámos, as ideias sobre o que é uma proposta políticamente séria e poder abrir a discussão a outras visões do mundo, sejam elas lunáticas, bucólicas, panteístas, apartidárias ou socialistas. O meu choradinho e comentário impertinentes servem para expressar o meu desconforto com as catalogações, com os autores proíbidos…acho que o fascismo mais que um discurso é uma atitude, preocupa-me sentir que em nome da liberdade e dos ideias políticos de esquerda se cristalizem tantos preconceitos. Estamos aqui afinal a defender a instituição “política séria”? Que instituição é essa?

  7. Ho Chi Mihn diz:

    PARA MIM BASTA AQUELA TRETA DO Vº IMPERIO DESCRITO COMO Vº IMPERIO EM “dando o seu melhor exemplo e contributo para converter a sociedade planetária na possível comunidade ético-cultural e ecuménica visada entre nós por Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.” PARA PERCEBER A GRANDE TRETA DAQUILO!

  8. “No seu site o PAN divulga apoios de figuras mundiais como o Dalai Lama e a indiana Maneka Gandhi, bem como nacionais, da área da música os Blasted Mechanism, Ágata, Ana Bacalhau, O’questrada e Rui Reininho, e também os actores Heitor Lourenço, Pedro Laginha e Sandra Cóias.”
    artigo em vermelhos.net

    • Youri Paiva diz:

      Viva a diversidade. De um líder religioso, à agora que canta ao lado – a fingir – dos precários até à música pimba. É bonito.

      Mas acrescento: E então?

  9. O amontoado de “confusões” é tão grande que nem sequer vale a pena tentar esclarecer – para mais, já me habituei a que o projecto NOVA ÁGUIA / MIL provoque imensas “confusões” em certo tipo de mentes.
    Cito apenas o grande “colonialista”: “A direita me considera com da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.”

    • Diana Dionísio diz:

      Traduzindo: ninguém me compreende e só eu tenho razão.
      Ou por outra, somos todos burros menos o Agostinho da Silva e o Renato Epifânio.
      (Para quê deixar comentários, então?)

      • No MIL estamos bem acompanhados e cada vez mais bem acompanhados – o MIL tem continuado a crescer exponencialmente no número de aderentes. Não sofremos pois de problemas de solidão. Nem sequer de incompreensão – apenas de algumas “vozes de burro”. Mas essas, já se sabe, não chegam muito longe. Nem com partidos que as defendam…

  10. E agora, para promover a vossa histeria, que muito me diverte, deixo o convite:

    O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a Academia das Ciências de Lisboa têm o prazer de convidar Vossa Excelência para a entrega do PRÉMIO PERSONALIDADE LUSÓFONA DO ANO (2010), atribuído ao Bispo D. Ximenes Belo, que decorrerá no dia 21 de Fevereiro, às 17h30, na sede da Academia, numa sessão presidida pelo Professor Doutor Adriano Moreira
    http://mil-hafre.blogspot.com/2011/02/21-de-fevereiro-ximenes-belo-na.html

    • Diana Dionísio diz:

      Ah, sim, o Senhor Professor Doutor Ministro do Ultramar durante o Estado Novo…

    • Youri Paiva diz:

      Sim, acho que sim. Entregar um prémio ao Ximenes Belo, que teve um papel importante em Timor, por um ministro do Ultramar do regime fascista é uma coisa que eu adorava ir.

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