Ah e tal votar é importante, mas há quem fale de outras maneiras e há maneiras mais importantes de falar.

O fundamentalismo democrático de Daniel Oliveira está cada vez mais burguês uma vez que parece confiar às escolhas eleitorais todas as mudanças e está incapaz de ver que há vida inteligente para lá do acto. Como ele, entendo que a conquista do voto não deve ser menosprezada pelos cidadãos, que no limite da falta de escolhas podem anular ou deixar branco o seu voto. Agora pensar que quem se deixou de dar ao trabalho é um imbecil com pouco mais de duas pernas e que nem sequer merece ser reflectido é mandar para o lixo numa só posta a história inteira do movimento operário. Como mostra bem o que se está a passar no Egipto  ou na Tunísia (Mubarak e Ben Ali foram eleitos há pouco tempo com maioria absoluta) e como bem mostraram diferentes momentos só do último século, as revoluções dificilmente serão anunciadas na televisão e muito menos virão de uma mesa de voto. As eleições apenas permitem uma visão distorcida da realidade e da vontade efectiva das pessoas. Se queremos espelhos é melhor procurar por outro lado.

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12 respostas a Ah e tal votar é importante, mas há quem fale de outras maneiras e há maneiras mais importantes de falar.

  1. brie diz:

    É um ortodoxinho, saiu de lá mas manteve o amor à politica parlamentareira bem ao gosto do Partido.

    • Renato Teixeira diz:

      Brie, tem demasiados argumentos políticos para atacar o Daniel Oliveira e o seu projecto político. Não precisa de insultos de carácter que como pode ver apaguei. Quer ir por aí pode ir ao Arrastão e mesmo que seja censurado pode ter a certeza que o Daniel o lerá.

  2. Manuel Monteiro diz:

    Infelizmente, à medida que a burguesia vai pondo mais palanques para o Daniel Oliveira botar faladura, mais este vira à direita. É como o ditado popular: amor com amor se paga…

    Manuel Monteiro

  3. Manuel Monteiro diz:

    O Daniel Oliveira é aquilo que se pode chamar de reformista radical…
    Manuel Monteiro

  4. Sérgio Pinto diz:

    Renato,

    Num post em que até consigo concordar com parte do que é dito, era escusado meter as eleições do Egipto ao barulho, como se elas fossem comparáveis com as portuguesas (afinal, não temos o principal partido da oposição impedido de concorrer, nem temos o hábito de prender, espancar ou assassinar adversários políticos em nome do governo).

    Ah, e fiquei curioso acerca do que é que revela a “vontade efectiva das pessoas”…

    • Renato Teixeira diz:

      É o que elas revelam quando assumem o seu destino nas mãos e isso está longe de se resumir a uma cruz no boletim de voto.

  5. João Torgal diz:

    Renato, continuo a não poder concordar contigo nesse processo de descupabilização popular. Especialmente quando uma boa parte da população vive num marasmo assumido…

  6. João Torgal diz:

    E dificilmente não concordarás com isto:

    “277.835 cidadãos saíram de casa, foram à mesa de voto e votaram branco ou nulo. Esses sim, quiseram dizer alguma coisa. Os outros ficaram calados. E quem cala consente.”

    • Renato Teixeira diz:

      Não concordo João. Alguns não quiseram dizer nada, outros quiseram falar daquela maneira. Não são a massa amorfa que as luminárias entendem que são e uma parte substancial da culpa, a que cabe aos diferentes projectos políticos, não é analisada. A consciência geral das pessoas de que é tudo um bando de aldrabões e de pelintras, pode ser injusta com este ou aquele personagem, mas é profundamente progressiva face às escolhas que são oferecidas.

  7. Tiradentes diz:

    Comparar as eleições do Egipto?
    Ora são iguais a tantas outras em inúmeros países africanos (a grande maioria) e sobre as quais os videntes observadores vão dando o seu aval como livres e justas.

  8. Mai nada. Derrubar esta merda toda e colocar o Coelho (o outro porque o jorge já por lá anda) no poleiro!

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