Dualidade de critérios

Hassan Nasrallah com Najib Mikati

Se Bush ganha com menos votos expressos do que o seu adversário ou Cavaco com um quarto dos votos dos eleitores, ninguém se atreve a dizer que está em causa a democracia. Se a maioria dos deputados eleitos pelo Hezbollah, no escrupuloso cumprimento das regras parlamentares, escolhe um primeiro-ministro do seu agrado para substituir outro, Hariri, que havia pedido a demissão, toda a gente se levanta a gritar “golpe de Estado”.

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20 respostas a Dualidade de critérios

  1. José diz:

    Para um jornalista tão conhecedor da realidade da Médio-Oriente e, em particular, do Líbano, a “distração” parece-me excessiva.
    A constituição libanesa é clara quanto à distribuição sectária dos lugares de topo político:
    presidente – cristão, primeiro-ministro – sunita, presidente do parlamento – xiita.
    Daí as alegações de “golpe de estado”.
    Não é, Renato?

    • Renato Teixeira diz:

      E por isso mesmo estão a apoiar um sunita que não é do Hezbollah. Sabe o que quer dizer “escrupuloso cumprimento”?

      • José diz:

        Tenho uma ideia, sim. Precisamente aquilo que não está a acontecer no Líbano.

        • Renato Teixeira diz:

          Fale de factos José, não de intenções. Os tipos até apoio de partidos sunitas têm. Maioria absoluta de deputados. Esmagador apoio popular. Enfim. Chegou a sua hora no Líbano, goste-se ou não, e a maioria dos libaneses é por aí que quer ir. Ou então concordará que quem não gosta de Cavaco insubordine as ruas porque sim.

          • José diz:

            Esmagador apoio popular?!
            Vê-se pelas manifestações e “dias de ira”…
            “Chegou a sua hora (…)”
            Ele já foi primeiro-ministro anteriormente.
            Para o Líbano não ter problemas sérios, ele tem que ter o apoio maioritário dos sunitas, o que não acontece sequer na sua própria terra.

  2. O Renato que me adisculpe, porém quando vejo fulaninhos vestidos de padreca a tentar mandar em toda a gente (hipócritas, esse people está todo carregadinho com AK’s e RPG’s, e depois da época da papoila pegam nisso e desatam aos tiros…) dá-me vontade de emigrar e de mudar de ateu para ‘budista’…
    😉

    • Renato Teixeira diz:

      Pois emigre, não se meta é com eles e com o povo que os escolheu. Verá que eles não vão atrás de si como fariam muitos democratas vestidos à Pet Shop Boys.

  3. Von diz:

    É uma pena não termos todos o seu sentido de democracia.

  4. Von diz:

    Ainda não percebi se você é inocente ou realmente mal intencionado.

  5. Renato, longe de mim meter-me com eles, não sou mais «rápido que uma bala rápida».
    Tenho é pena que por conta desses e dos outros (sunnis, christãos, druzos, sabe-se lá mais quem…) as pessoas normais vivam (sobrevivam ?) com medo e o coração na boca, e que se por acaso lá fôssemos os dois haveria a excelente probabilidade de um de nós não voltar, ou voltar dentro de um saquinho de seu nome «body bag»…
    🙁

    • Renato Teixeira diz:

      Não vejo as coisas dessa maneira. Pessoas normais é uma entidade que desconheço. Claro que a sua agenda não é reivindicável, mas a sua acção resistente é a razão profunda para que todos os libaneses ainda tenham Líbano.

  6. Manuel Monteiro diz:

    Mal intencionado mas com colhões!
    Manuel Monteiro

  7. Renato vá lá (a Beirute, a Tiro, ao vale de Bekaa, à fronteira (‘) com Israel, volte vivo e depoix conte coisas.

    P.S.
    «Pessoas normais» (isso que lhe escapa…) são as desgraçadas que não se lembraram de comprar um dessas coisas que eu referi acima.
    A minha vantagem: sei desmontar e voltar a montar uma coisa dessas de olhos vendados, fui obrigado a aprender essa m#$%&a…
    A desvantagem: não tenho já a idade, nem a vontade, nem a necessidade, até porque não sou libanês.
    Portanto se quiser entregue-se a uns ou a outros, ou dispare você (o «hardware» eu arranjo-lho nas calmas…)

    😉

    • Renato Teixeira diz:

      Tem andado distraído caro Major. Por aqui e um pouco mais para baixo encontra alguns dos trabalhos que trouxe de lá: http://5dias.net/tag/jornalismo/
      Fui muito bem recebido e sem qualquer dúvida sobre se prefiro o Líbano de Sabra, de Chatila e do bairro Xiita, do que o do bairro falangista ou do parolismo neo yuppy do Corniche. Fora de Beirute e especialmente do vale do Bekaa para baixo só o Hezbollah anima as hostes e tem um crédito inabalável mesmo entre famílias católicas que correctamente defendeu dos ataques israelitas. Vai haver surpresas em breve. Verá.

    • JMJ diz:

      Bolas, se o Fernando Nobre (que como deu para ver durante a ultima campanha eleitoral, está morto cerebralmente) sobreviveu em Beirute, porque não conseguiria o Renato sobreviver?

      Vai na volta ainda apanhava a p**a da galinha, mais o pão e ainda entrevistava a criança, para podermos finalmente esclarecer toda essa triste história.

  8. José diz:

    Surpresas haverá, decerto. Para quem, logo se verá.

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