Quem se mete com o PS, perde.

A argumentação que os alegristas têm usado para justificar o seu fracasso está pela hora da morte. Antes da eleição a culpa era de todos menos deles e agora que a eleição acabou a culpa continua a ser de todos menos deles. Sócrates, no meio do barulho, nem um piropo leva. Rui Tavares, na sua crónica de hoje do Público, radicaliza o discurso que Francisco Louçã e Miguel Portas já tinham inaugurado, e é preciso chegar ao último parágrafo para se perceber que Alegre perdeu as eleições. Até aí, Alegre ganhou e o pouco que perdeu deve-se a tudo menos a erros feitos no marco da candidatura. Tavares diz que ganhou porque aumentou de votos relativamente à soma dos votos de Soares com os de Louçã (?!?); Tavares diz que ganhou porque Cavaco ficou apenas 3% acima da maioria absoluta; Tavares diz que ganhou porque Alegre arriscou em nome de toda a esquerda. Tavares, absolvendo o oportunismo, só encontra um responsável pela sua derrota: o sectarismo do resto da esquerda. Se Louçã e Portas diziam que perderam mas não foram os que perderam mais e se Rui Bebiano, Daniel Oliveira ou o Miguel Cardina, afirmam que perdeu porque foram muito exigentes, já Rui Tavares perdeu porque um terço dos votos brancos e nulos daria para forçar a segunda volta. Com este auto justificativo nem quero imaginar quando chegar a vez do Fazenda nos brindar com o seu balanço. Está em marcha a verdadeira futebolização da política. Qual Jorge Jesus, para os alegristas a culpa da derrota da unidade do BE com o PS foi dos jogadores que não jogaram. Para eles o seu mau resultado nunca será atribuído a Sócrates e ao Partido Socialista. Ficamos sem saber se tal acontece por quererem continuar a jogar com a mesma equipa ou se por ser nessa aliança que os patrocinadores jogam todas as suas cartas. Razão tem o Mourinho, há que ser implacável na primeira pessoa quando o mau futebol é da nossa responsabilidade. Afinal, Cavaco não foi à segunda volta porque o voto em branco e o voto nulo tem poder. A candidatura Alegre perdeu poder, e com ele as eleições, porque não apresentou um argumento para justificar que valeria a pena uma segunda volta. A culpa da vitória de Cavaco, que também apresentou o seu pior futebol de sempre, é da SAD concorrente que decidiu contratar só caceteiros, incapazes de jogar em equipa, com triangulações previsíveis e caducas, sem um rasgo de fantasia e incapazes de perceber que só se ganha à direita se jogarmos ao ataque. Ter metido o PS a jogar na equipa, ainda por cima dando a Sócrates a braçadeira de capitão, foi a razão profunda do desastre. Se continuarem a reproduzir o futebol da direita, a esquerda vai continuar, e bem, a assobiar para o lado. A culpa e a derrota é toda vossa!

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19 respostas a Quem se mete com o PS, perde.

  1. Renato: eu “digo que ganhei”? Que justifica escreveres três vezes “Tavares diz que ganhou” e uma vez que é preciso chegar ao “último parágrafo” para se perceber que Alegre (e eu com ele) perdeu?

    Não sei se reparaste, mas o título da crónica é “Solilóquio do perdedor”. É a primeira coisa que os leitores lêem — talvez não tu, mas 99,9% dos leitores — e mais claro do que isso não poderia ser.

    Tens argumentos de substância suficientes para um debate sem precisar de distorcer as posições dos outros.

    • Renato Teixeira diz:

      Bem Rui, quando dizes que há argumentos de sobra pergunto-te por uma razão, uma razão apenas para o desastre da candidatura do Alegre (e tua). Dizes que António Vitorino não tem razão quando afirma que “há plataformas que se subtraem”, continuas escrevendo que a soma de Louçã e de Soares (se me explicares esta conta tiro-te o chapéu) é que deve ser o comparativo para o actual resultado de Alegre, reforças argumentando com a fragilidade da derrota de Cavaco (certo, certíssimo mas nada explica quanto ao debate à esquerda a não ser o agravamento da derrota), e terminas dizendo que não há razões para flagelos sem nos brindar sequer com uma responsabilidade. Não haverá? Quais foram? Se não fugirem desse debate não serei eu a virar as costas e talvez se coloque a possibilidade de fazerem a tal aprendizagem.
      Sinceramente procuras razões (como o BE e uma parte do PS) para não concluir o que já toda a gente viu (é no sentido contrário ao PS que a esquerda deve caminhar), atiras as responsabilidades para o 13 de Maio, para o Melo Antunes e para a Vera Lagoa, e agora ainda me dizes que a malta não merece uma auto-crítica. Vamos ao debate ou como diz o Bebiano basta sacudir a água do capote?

      • Renato Teixeira diz:

        Como diz o Major um pouco mais abaixo, debate-se ou fica-se apenas pela distorção estética da posta?

  2. Estes textos explicativos da derrota ou não de Alegre e do BE são uma tentativa para condicionar a “leitura” dos militantes sobre o acontecimento. Espera-se que o Órgão máximo entre Convenções – Mesa Nacional-, analise os resultados eleitorais “friamente” e se necessário utilizar a auto/crítica como modelo de apurar erros para que o futuro seja melhor.

    A direcção não deve caminhar no sentido de colocar rótulos ou criar anátemas sobre o pensamento crítico interno. A humildade tem de dominar sobre a arrogância.

  3. Vitor Ribeiro diz:

    Triste esquerda. E é essa retórica assim tão diferente da do PCP? Não vejo como nem onde, pese embora o esforço de alguns em tentar demonstra-lo… Depois admirem-se.

  4. xatoo diz:

    o voto é o ópio dos comentadores que não comentam factos relacionados com a correlação de forças na luta de classes. Os comentadores votivos dizem missas sobre imagens de politicos em abstracto. valha-nos deus…

  5. xatoo diz:

    errata
    onde se lê “valha-nos deus” deve ler-se “valha-os deus”

  6. Não há melhor vitória que “ganhar”, perdendo em toda a linha…
    🙂

  7. a anarca diz:

    A Culpa é deste povo mandrião preconceituoso frustado e medroso .
    Perdemos todos !

  8. Ho Chi Mihn diz:

    Sr. do Solilóquio: AH, AH, AH, AH, AH!

    Desculpe, mas o vosso desnorte só me dá vontade de rir. É que o sonho acabou, pá! Acordem e agora… esqueçam!

    1) A “ala esquerda” do PS provou ser o mito que é e… depois da banhada do dia 23 já não vai levantar “cabelo” – pra não perder a quota dos lugarzinhos. Quanto mais cindir e fazer com o BE uma espécie de “Das Link” à portuguesa…!

    2) Após o resultado CATASTRÓFICO do Alegre, esqueçam qualquer “aliança” com o PS: a conclusão dos boys é que PS & BE = a enterro!

    3) A queda eleitoral começou… E QUANDO o Louçã sair de cena… catrapum! Estás a ver o boneco?

    4) Pra consumo interno não se esqueçam de diabolizar o ruptura e os militantes de esquerda que, dentro do Bloco, se atreveram a votar Chico Lopes, branco, nulo ou coisa nenhuma, dizendo que a culpa também é toda deles. Verás que nada como uma boa purga, pra confiança voltar…

  9. Mariana diz:

    Perdedores, uni-vos!! Proclama o perdedor Renato.

  10. Rui Tavares, eu até gosto de si, e não (com)partilho da ânsia desta “putalhada” para o crucificara si porque lhes dá jeito e precisam de ‘matar o pai’ para se valerem a eles próprios, come se isso não estivesse estudadíssimo.

    🙂

    … (…) … «Distorcer as posições dos outros»…(…) … é a condição primeira de um qualquer debate, sabe isso tão bem quanto eu, se se ficar pela honestidade claro é que vai perder, inglóriamente ou de outro modo.

    Agora escolha, resultados ou consciência ?
    Ou compromisso ??

    Felizmente a escolha é sua e não minha.

    Felicidades.

    A.S.C.

  11. silva diz:

    A DGERT tem por missão apoiar a concepção das políticas relativas ao emprego e formação profissional e às relações profissionais, incluindo as condições de trabalho e de segurança saúde e bem-estar no trabalho, cabendo-lhe ainda o acompanhamento e fomento da contratação colectiva e da prevenção de conflitos colectivos de trabalho e promover a acreditação das entidades formadoras. Tudo uma grande mentira, as provas são dadas com o despedimento colectivo de 112 pessoas do CASINO ESTORIL
    “Para Os Trabalhadores da empresa casino estoril no final se fará justiça, reconhecendo a insustentabilidade de um despedimento Colectivo oportunista promovido por uma empresa que, para além do incumprimento de diversas disposições legais, apresenta elevados lucros e que declara querer substituir os trabalhadores que despede por outros contratados em regime de outsoursing”.

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