A abstenção e os votos brancos e nulos

Aprecio o esforço de fazer uma leitura política da abstenção. Eu, que penso que o voto é um dever e tendo a apoiar a ideia de ser tão obrigatório como o pagamento de impostos, tenho as mais sérias dúvidas sobre como se pode analisar o conjunto de pessoas na qual estarão incluídos os cidadãos que entenderam que estava demasiado frio para ir votar, que não tinham a roupa adequada para se deslocar à assembleia de voto, que estavam longe do seu círculo eleitoral ou que acha que são todos corruptos. Assim sendo abstenho-me de fazer grandes considerações políticas sobre a abstenção.
Mas, nesta eleições presidenciais, brancos e nulos também tiveram uma expressão considerável. Se contassem (e penso que deviam contar) para o apuramento dos resultados, Cavaco teria tido uma derrota sem precedentes, não sendo eleito à 1ª volta. Contudo este conjunto de cidadãos eleitores, também não me parece poder ser politicamente enquadrável numa vontade libertária de mudar de regime. O voto branco/nulo juntou o Renato ao monárquico João Távora do Corta-Fitas ou uma parte da Ruptura/FER às alas mais conservadoras da Igreja que não se revêm em Cavaco. Será que uns contam com os outros para mudar o mundo?

P.S.: Estive nas mesas e na maior parte de votos nulos que vi, nestas eleições presidenciais, fazia-se uma cruz em todos os candidatos. Alguém me explica o significado político disto? Gostavam de votar em todos?

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