24 horas depois, aqui e agora!, começou o novo governo Sócrates-Cavaco. Escrevi ontem: “Sócrates vai ser mais Passos Coelho que Passos Coelho, tudo agora lhe corre de feição. E o outro tonto [perdão, esperto e avisado], o Passos propriamente dito, nem disso se apercebe.”

(visitar este site)

Governo corta indemnizações de 30 para 20 dias

A proposta do Governo prevê que a indemnização passe a ter por base 20 dias de salário [no lugar de um mês de salário-base] por cada ano de antiguidade na empresa. A indemnização passará a ter também um limite máximo de 12 meses, à semelhança do que acontece em Espanha..

Actualmente, os trabalhadores envolvidos em despedimentos colectivos ou cujo posto de trabalho foi extinto têm direito a uma indemnização de um mês de salário-base (sem contar com os suplementos) por cada ano ao serviço da empresa, sem que a lei preveja qualquer limite máximo. Na prática, um trabalhador que tenha 30 anos de casa terá direito a uma indemnização correspondente a 30 salários.

A ministra Helena André anunciou também que o fundo para financiar o pagamento das indemnizações terá um cariz obrigatório e será gerido por um a entidade pública e por “três ou quatro” entidades privadas.

Todas estas alterações destinam-se apenas aos contratos assinados a partir da entrada em vigor das novas regras. De fora ficam os contratos em vigor.

Não, não vamos perder pela demora.

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12 respostas a 24 horas depois, aqui e agora!, começou o novo governo Sócrates-Cavaco. Escrevi ontem: “Sócrates vai ser mais Passos Coelho que Passos Coelho, tudo agora lhe corre de feição. E o outro tonto [perdão, esperto e avisado], o Passos propriamente dito, nem disso se apercebe.”

  1. ovotas diz:

    Eu só venho aqui pela revolução.

  2. Abílio Rosa diz:

    Prof. Carlos Vidal:

    Ultimamente não tenho tido muito tempo disponível para comentar neste blogue de culto, devido a várias deslocações ao estrangeiro e outros afazeres pessoais.

    Continuo a apreciar a sua coerência e a sua intransigência perante a realidade das coisas e dos factos.

    Tal como eu e V. Exª. prevíamos, a candidatura da pseudo-esquerda folclórico-socialista/bloquista foi um autêntico fiasco.

    Avisámos toda essa animada insurgência que seria um suicídio para a esquerda e para quem vota à esquerda irem atrás da arruada alegrista/louçanista/danieloliveirista e outros serventuários do capitalismo snob e fofinho.

    Nestas eleições só havia dois candidatos operários e de esquerda: Francisco Lopes e paradoxalmente José Manuel Coelho, que correndo noutro eixo da via, apresentou-se sempre como comunista (embora «renovado» e não «renovador», há que reconhecer) e que nunca enjeitou o seu passado de militante comunista nos tempos áureos do PCP e da URSS.

    A sua sinceridade, combatividade , simplicidade e lucidez politica são de realçar.

    Com um taxi e um carro funerário, como instrumentos de campanha, cilindrou na Madeira a «oposição» pírrica e apalhaçada do PS e do Bloco de Esquerda e ganhou nos três concelhos mais progressivos da Região Autónoma da Madeira, incluindo o Funchal, a segunda praça financeira do país, logo a seguir a Lisboa.

    Ganhou no coração do jardinismo (um feito notável e inédito!), um regime corrupto, muito ao estilo do defunto regimen tunisino de Ben Ali.

    Quanto à candidatura suportada pelo PCP, na pessoa do camarada Francisco Lopes, tal como eu previa, foi combativo, assertivo, apresentou propostas efectivamente de esquerda e foi o único candidato que derrotou Cavaco no debate.

    Francisco Lopes teve uma campanha séria, baseada na politica de transformação da sociedade e não alimentada com factos criados pelas agências de comunicação ou pela agenda mediática da contra-informação.

    O seu score eleitoral foi respeitável e se o PCP não se envolve nestas eleições o nosso eleitorado teria ficado desmobilizado ou à mercê dos pregadores-gerais desta republiqueta socrática.

    Finalmente verificamos que Sócrates venceu em toda a linha, encostando Cavaco, não à «parede» mas ao «biombo», e já está «ultrapassando pela direita» o próprio Passinhos Coelho (um clone do Sócrates, mas mais adocicado) que julgo vai ser apeado pela seita cavaquista mais depressa que se julga.

    A aparente contradição socretenismo versus cavaquismo é só uma encenação destinada a intensificar o esbulho, a exploração dos trabalhadores e o saque dos bens nacionais.

    Neste contexto faz todo o sentido do PCP preparar a luta e a resistência, não contemporizando com a retórica bloquista/ louçanista e muito menos com as prosápias do «Estado Social», para inglês ver, por parte dum Partido Socialista cada vez mais neo-liberal e recentrado à direita, após a liquidação das alas «ferrista» e «alegrista».

    Embora todos os autores deste blogue merecem o meu mais sincero respeito, quer pela sua permanente combatividade e lucidez politica, tenho que realçar a intrasigência e a verticalidade politico-ideológica do Prof.Carlos Vidal que faz uma leitura fria dos acontecimentos muito antes deles acontecer, como fazia magistralmente Lénine.

    Estamos a atravessar um momento único na História de Portugal, na Europa e até do Hemisfério Ocidental, e é nestas ocasiões que somos chamados à luta e sem pastenejar demos dizer «presente»!

    Provavelmente teremos o FMI dentro de três ou quatro meses, e muita coisa se alterará.

    Se os trabalhadores, as suas organizações representativas, os sindicatos e o povo em geral, se não reagirem a tempo, certamente sofrerão mais cortes salariais, terão menos benefícios do famigerado estado social e irão trabalhar décadas para alimentarem o apetite insaciável dos agiotas, nacionais e internacionais.

    Basta consultar a Comissão de Honra de Cavaco para constatarmos que toda a «fina flôr do entulho» da banca, dos negócios, dos monopólios suportados pelos contribuintes e consumidores, do sub-mundo da finança e da trapaça, estão lá todos e todos estão ávidos de obterem mais-valias e mais «competetividade» e «produtividade» directamente para os bolsos deles.

    Basta recordar o episódio dos dividendos antes do final do ano transacto.

    Como proclama o candidato outsider José Manuel Coelho, estamos entregues à alta corrupção, ladroagem, gatunice e injustiça.

    Por isso cada vez mais se justifica a luta ORGANIZADA ,sem limites, nas ruas, nas fábricas, nos campos, nos portos, noa aeroportos,etc. antes que nos comem vivos.

    Não há alternativas e não me venham com «consensos», «negociações» com parceiros sociais, pois tudo isso é uma treta para justificar o roubo por via da lei.

    Força Prof. Carlos Vidal.

    Até Sempre!!!

  3. mesquita alves diz:

    Bom dia,
    O que não irá demorar muito acontecer, é o povo fartar-se destes alegados partidos de esquerda e destes alegados sindicatos protectores dos trabalhadores, pela estratégia que usam em beneficio das suas estrtégias pessoais.Estas entidades, são capazes de arrasar avenidas inteiras por uma décima a mais no salário, ou porque não concordam com uma avaliação de professores que nem conhecem muito bem.
    Contudo, hoje quando de uma forma inacreditável, um dos direitos mais importantes de Abril está a ser negociado e roubado aos trabalhadores – o direito à justa indeminização por despedimento, vejo reacções amorfas num caso, pactuantes noutros e uma indiferença gritante por parte das entidades de esquerda, moderadas ou não, acima referidas.Chama-se a isso berrar com o acessório, e miar com o importante!
    Durante os últimos 2 anos os trabalhadores foram distraídos com as P*.. das questões fraturantes, enquanto o patronato,pela calada ,promoveu a união das associações, e um lugar de previlégio à mesa do governo. Sim, são os primeiros a ser ouvido, e só quando tudo está mais ou menos cozinhado é que os trabalhadores são chamados.
    Esta questão da indeminização, como o direito a não ser despedido sem justa causa , são valores sagrados em que a credibilidade dos sindicatos vair posta à prova como nunca foi desde o 25 de Abril.
    Abraço

  4. A.Silva diz:

    mesquita alves, a que alegados partidos de esquerda se refere? É bom que chamemos os burros pelo nome, o tempo não está para discursos dúbios.

    • Carlos Vidal diz:

      Sim, o BE calou ou matizou as críticas ao governo durante um período de tempo que sabemos ao que correspondeu. Recentemente, até domingo.

      No artigo que o Tiago Saraiva acima cita de Louçã, é facto que este tudo faz para denegrir o PCP, através do que este disse e do que disse o seu candidato.
      Portanto, não sei se Louçã, agora muito aflito, coloca o PCP na esquerda ou na extrema-esquerda “sectária”, etc., etc.

      O BE diz-se de esquerda, o “PS” também. É sempre preciso estar atento.

  5. Manuel Monteiro diz:

    Essa p… da ministra do trabalho ainda se diz ex-sindicalista. Claro que era da escola da UGT…
    Manuel Monteiro

    • Carlos Vidal diz:

      E mais: quer apostar, caríssimo Manuel Monteiro, que esta sinistra personagem com seu ar abebezado, depois de finda esta comissãozinha de serviço, vai voltar para o sindicato, para, como sempre, “defender os intereesses dos trabalhadores”??

  6. helder diz:

    O argumento da “convergência com Espanha” é para atrasados mentais do calibre da ministra. Em Espanha, as indemnizações, são calculadas face ao ordenado bruto, pelo que já estávamos muito à frente.
    Este governo psems está a preparar o governo de 1000 anos da “direita”.

    • Carlos Vidal diz:

      Podíamos antes convergir, sei cá, com a Alemanha, por exemplo.

      De qualquer modo, a dita “convergência com Espanha” neste caso das indemnizações por despedimento, bem como hoje a medida daquela sinistra “alegrista” (que fez tudo para estrelar aquando da Gripe A, mas não teve ela a sorte para isso, nem nós o azar de precisarmos da criatura, porque não adoecemos), esta sinistra fez acabar hoje, em nome da saúde pública e do SNS, o pagamento de transporte a doentes não urgentes que ganhem fortunas como, por exemplo, um pouco mais do que o salário mínimo.

  7. ora cá está o hibridismo político bem como a alteridade do mesmo, também dá para a ética do grande Levinas, o monofisicismo duma só natureza de grande quilate- a alma- é aqui a presença dum platonismo mais ou menos maniqueísta.

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