Não se pode mudar de esquerda?

Depois de um protesto de operários contra o governo da República Democrática Alemã, o secretário da União dos Escritores apressou-se a justificar o governo, o que levou o dramaturgo e militante comunista Bertolt Brecht a escrever o poema “A Solução”:

«Após a insurreição de 17 de Junho
O secretário do Sindicato dos Escritores
Mandou distribuir panfletos na Avenida Stalin
Declarando que o povo
Se tornara indigno da confiança do governo
E só à custa de trabalho intenso
A poderia recuperar. Não seria
Mais simples então que o governo
Dissolvesse o povo e
Elegesse outro?»

Ao ler as análises do Francisco Louçã e ouvindo o discurso de Francisco Lopes lembro-me sempre deste poema. Quando é que percebem que não podemos estar contentes e que este é o pior resultado possível? Louçã escreve como se o BE tivesse tido a melhor estratégia para bater a direita, Lopes como se os comunistas tivessem tido uma grande vitória. Nós sabemos que isso é tudo mentira. Temos um país em crise profunda e os partidos de esquerda (PCP e BE) acantonados nas suas pequenas estratégias, a defenderem os seus míseros lugares, sem capacidade de se entenderem e , sobretudo, sem quererem juntar esforços para apresentar uma alternativa com força que combata a política neoliberal do bloco central. Estes partidos estão convertidos em máquinas de produzir e justificar derrotas. Não querem, nem ambicionam vencer. Em vez de nos quererem convencer que temos de mudar de povo, não seria melhor a esquerda começar a mudar?

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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51 respostas a Não se pode mudar de esquerda?

  1. a anarca diz:

    Isso mesmo 🙂
    Ontem viu-se 🙂
    a questão é esta, resta alguma esquerda ?!

    • Luís diz:

      Ir atrás da burguesia do Alegre nunca é bom, mas deixem de choramingar pelo PCP porque o nosso combate é na rua e não nos votos!

  2. Quem não se sente não é filho de boa gente.Nuno,pensando em si,apetece-me dizer só a sinceridade é revolucionária!

  3. Hamílcar Barca diz:

    A esquerda do mindinho senta-se sobre mão até ficar dormente, depois masturba-se para uma sensação diferente.

  4. Renato Teixeira diz:

    Brilhante. Nenhum eleitor de esquerda elegeu Cavaco, mas todas as suas direcções abriram caminho à sua recondução.
    Não partilho apenas o teu estado de espírito. Ou melhor, partilhava-o quando se decidiu esta estratégia, há demasiado tempo atrás. O resultado foi o pior dos males e comporta melhores leituras do que alguma vez se pensou ser possível neste contexto em que afinal o pior dos vícios foi o oportunismo do que dizes serem “as suas pequenas estratégias”.

    As coisas têm que mudar.

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  6. vítor dias diz:

    Deixando-te em paz com os teus sonhos molhados de que um entendimento ou coligação entre o PCP e o BE obteria uma maioria parlamentar, varrendo quase para o caixote do lixo da história o PS, agradecia-te apenas que me iluminasses explicando qual é a passagem em que «Lopes [falou] como se a esquerda tivesse tido uma grande vitória».

    Eu não encontrei mas encontrei a afirmação de que «A eleição de Cavaco Silva, embora com a votação mais baixa ou das mais baixas de sempre para um segundo mandato, constitui, não apenas a continuação, mas o agravamento dos problemas nacionais» o que não me parece nada um parágrafo de grande celebração de uma grande vitória da «esquerda».
    Sempre grato,
    Vítor

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Vitor Dias,
      Um dia vais-me explicar como vais mudar a política deste país com este vasto campo unitário da intervenção democrática (ainda sobra algum?) e dos verdes?
      Depois explica-me esta passagem fantástica: o Lopes teve 7%. Em muitos concelhos de Setúbal conseguiu ficar em quarto lugar. Perdeu Beja para o Cavaco. Teve um mau resultado e diz o seguinte:
      “Os resultados eleitorais obtidos pela minha candidatura claramente acima de 7% traduzem a afirmação e confirmação de uma força e de um projecto indispensável para abrir caminho ao futuro de Portugal.”
      Ok, se tivesse 10% diria o mesmo, e 5% idem, idem aspas , aspas e provavelmente diria o mesmo com 2% dos votos. Mas achas que isto corresponde a uma análise séria da votação?
      Lamento, mas os meus “sonhos molhados” pretendem um pouco mais. Estou um bocadinho farto daquela escola, que se calhar foste tu que inauguraste nas tomadas de posição do partido, que sempre que a gente perdia votos, ganhava moralmente. Um bocadinho de capacidade crítica e de pensar que se podia fazer melhor, não te ficava nada mal. Não achas? Ou a auto-crítica não faz parte dos sonhos molhados?
      Nota que o Coelho ficou a 2,5 % do Lopes isso não te faz pensar um bocadinho?
      Pareces aquele gajo que caia do prédio e enquanto deslizava dizia animado: “até agora tudo bem, até agora tudo bem”.

      • Leo diz:

        “Nota que o Coelho ficou a 2,5 % do Lopes isso não te faz pensar um bocadinho?”

        E o que diz ao facto de o Coelho só ter tido menos 0,8% que o Louçã, Nuno?

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          Leo, é para o lado que durmo melhor. Votei Lopes e não reparei que o Louçã se tinha candidatado a estas eleições.

          • Leo diz:

            Mas o Lopes só se candidatou a estas eleições. E há 4 meses era um perfeito desconhecido como por aqui se lembraram de me lembrar nem sei quantas vezes e com razão, não é verdade?

          • Renato Teixeira diz:

            Era nada. Para o Leo ele até tinha sido o famoso secretário do Vladimir.

        • Youri Paiva diz:

          Este Leo cansa. O que interessa é quando se discute a esquerda e o PCP de uma forma que não a do discurso de FL de ontem – aquela forma enfadonha e previsível – vem logo aquela treta do ‹‹e o BE não-sei-que››. Como se isso importasse alguma coisa.

          Enquanto competirem dessa forma nem começamos a caminhar.

      • vítor dias diz:

        Caro Nuno:

        Andaste distraido, essa história das vitórias morais apesar das descidas eleitorais está morta no PCP desde 1990 (também com a minha modesta contribuição), vai reler as apreciações do CC a todas as eleições posteriores.
        E quanto às de ontem, eu considero sim que, num quadro de opinião nacional muito perturbada, é um bom resultado o F. Lopes ter alcançado os 7% enquanto noutras casas políticas a dispersão, a desorientação e fragmentação foi o que sabe.
        Ainda neste domínio, Nuno, era só o que faltava que os resultados do candidato do PCP (que perde votos evidentemente por comparação com J. de Sousa em 2006) tivessem de ser amesquinhados por causa de fenómenos como os resultados do Coelho ou do Nobre.
        E, depois, tendo em conta a perda de votos que já assumi, é impressionante que tu continues a falar como se o PCP em legislativas fosse estavelmente o 1º partido em vários distritos quando já não o é há muito e, mesmo que o fosse, não vejo que um seu candidato presidencial tivesse a obrigação de por exemplo obstar à deslocação massiva de eleitorado do PS para Cavaco.
        Sim, eu queria fazer melhor e sempre quis fazer melhor mas vou morrer sem nunca cair nessa palermice de supor que onde há inêxito ou resultado abaixo das expectativas há necessariamente erro.
        Por fim, desculpa lá o mau jeito, mas esqueceste-te de contar aos leitores e a mim qual era a passagem do discurso de F. Lopes que indicava que eele estava a proclamar «uma grande vitória » da «esquerda». Continuo à espera.

        • Nuno Ramos de Almeida diz:

          Vitor Dias,
          Tens razão numa coisa. Eu devia ter escrito que o Lopes tinha assumido a votação como um bom resultado do PCP e não uma vitória da “esquerda”. Há mt que o PCP não fala da esquerda. Eu como acho que o PCP é de esquerda é que não distingui correctamente. Vou corrigir.
          Essa ideia que os maus resultados não estão associados tb a eficiência das políticas é peregrina. Permite a gente nunca meditar sobre nada, nunca mudar nada. Parece que a realidade, essa malandra, é que se engana. Repara, a maior parte da população deste país não é milionária. Os seus interesses não são os da especulação financeira. No entanto, o PCP baixa de votação desde 1979. Achas que não há nada que pudesse ter sido feito de melhor?
          Indo directamente a estas eleições, achas que num cenário que o BE ia com o candidato do PS, não podia ter havido um candidato mais abrangente? Tinha que ser , como de costumo, um tipo da comissão política?
          Como sabes, tenho admiração e respeito por ti, mas não estás a ser exacto na comparação eleitoral, eu falo entre duas eleições presidenciais, não comparo voto das legislativas. Lopes perdeu mais de 1,5% em relação a Jerónimo. Em condições políticas mais favoráveis, pq era a única candidatura à esquerda do PS, coisa que não se verificava há 5 anos, o candidato do PCP perdeu votos e influência. Apesar de ter feito uma boa campanha. A questão era objectiva. O candidato podia e devia ser outro.
          Entretanto, não me respondeste: espera que a ampla unidade do PCP se esgote nos verdes e na ID e achas que isso é suficiente?

          • vítor dias diz:

            Nuno:

            Perguntas-me tu : «esperas que a ampla unidade do PCP se esgote nos verdes e na ID e achas que isso é suficiente?».

            Por fingida modéstia não te remeto para várias intervenções que fiz em vários Congressos sobre a questão da alternativa.

            Mesmo sem isso, jamais encontrarás em qualquer texto meu ou documento do PCP a ideia de que a unidade suficiente é a do âmbito da CDU.

            Por outro lado, não é verdade que a vida política nacional, embora com atritos, competições e diferenciações como é compreensivel numa noção de esquerda plural, regista uma larga convergência entre o PCP e o BE em muitos pontos da acção parlamentar e da luta social ?

            Se queres formas superiores de entendimento, diz quais são não vá dar-se o caso de uma entidade política unificada ter um valor eleitoral inferior a soma das partes.

          • rms diz:

            O PCP não perde votos desde 1979. É fazer as contas.

        • miguel serras pereira diz:

          Vitor Dias,
          é verdade que Francisco Lopes não falou em “grande vitória”. Limitou-se a dizer, como V. aqui faz (um pouco mais subtilmente), que foi a melhor campanha possível do melhor candidato possível e com os melhores resultados possíveis.

          Ou acha que não?

          Seu leitor atento

          msp

      • Niet diz:

        Grande artigo! Em cima da Hora, e com muita coragem! O pior é que a ” maladie senile ” já vitimou a Esquerda italiana- Veltroni contra DAlema…-está a arrazar a Esquerda francesa- PCF a 4 por cento e NPA em implosão, com partido de trânsfugas do PS a subir.
        E, em Portugal, a coisa é mais dramática e perigosa, claro! Há uma crise teórica imensa e uma crise de direcção política geral para as quais não existem receitas simples e burocráticas de espécie alguma. De qualquer das formas, se novidades e profundas mexidas políticas podem ser previstas a prazo, mais ou menos longo, elas nascerão da crítica de experiências feita no interior do espaço político hegemonizado pelo Bloco de Esquerda. Não há volta a dar a esse respeito, penso! Salut! Niet

  7. João Pedro diz:

    Esquerda só há uma. O resto, são equívocos…

    Dito de outro modo ou de modo substancial: De um lado, a esquerda real, consistente, coerente, consequente, digo, o PCP. Do outro, o Partido Anticomunista (PS,PSD,CDS, UGT e tutti quanti, servidores dedicados dos designios do grande capital financeiro).

    João Pedro

  8. o da boa-fé diz:

    Boa resposta ao Bruno Carvalho…

  9. Pois Nuno.
    Dissolver o povo e/ou a realidade é um velho sonho molhado das vanguardas revolucionárias de todo o tipo.
    Não presta ?
    Acaba-se com ela antes que ela acabe conosco.
    Claro que não funciona, mas há gente permanentemente burra, não aprende nunca com nada.
    🙁

  10. Camarro diz:

    Caro NRA

    Mais uma vez certeiro! Já era altura de se enterrar o sectarismo dos dois lados. Temo, contudo, que ainda esteja para durar. As presidenciais serviram para aumentar ainda mais o fosso. É pena!

  11. Para ganhar a Cavaco, a esquerda tinha de fazer melhor do que atirar-lhe com a casa da Coelha, a barraca das ‘escutas’, a amizade do Dias Loureiro ou as acções da SLN.
    O que a esquerda tinha de fazer (e não fez) consistia em duas coisas muito simples (?):

    Uma que NUNCA consegue; e outra que AGORA não conseguiu:

    A que NUNCA consegue: unir-se, apresentando um único candidato e não um sortido deles.

    A que AGORA não conseguiu: apresentar um candidato mais “consistente”:
    Alegre, ao aparecer, desta vez, com apoios partidários claros, perdeu a aura de independente que me levou a dar-lhe o meu voto há 5 anos. E ao aparecer apoiado por Sócrates e por Louçã – chiça, que par!!- , deitou a perder o resto.

    Mas toda a gente sabia e dizia isso há muito tempo. O espantoso é como é que alguém quer chegar a PR sem ter o mínimo de lucidez para perceber o que entra pelos olhos dentro. E, já agora, que raio de conselheiros tem ele?!

  12. Apeteceu-me demitir (traduções, traduções) o povo a semana passada.
    O texto de um Francisco tem um silêncio muito audível: JM Coelho não existe. Espero que seja um recado para o BE-M.
    Do discurso do outro Francisco suportei uns segundos. Além de já saber que ia repetir o de Octávio Pato, não ouço os mimetismos de leitura de quem não consegue perceber que a particular entoação de Cunhal era dele. Não tenho nada contra as fotocópias, que hoje em dia têm bastante qualidade, mas tenho bastante contra as audiocópias, irritam-me.

    • Renato Teixeira diz:

      A audiocópia do Alegre de Alegre também foi um bocado insuportável.

    • Leo diz:

      Para poupar os ouvidos pode ler o que ontem disse Franciaco Lopes:

      “Saúdo os trabalhadores, a juventude, o povo português.

      Saúdo o Partido Comunista Português, a JCP, o Partido Ecologista “Os Verdes”, a Intervenção Democrática, os cidadãos sem filiação partidária, as dezenas de milhar de activistas homens, mulheres, jovens que, com a sua participação militante, com os seus tempos pessoais e familiares, foram a fonte da energia, criatividade e força desta extraordinária campanha.

      Saúdo o camarada José Barata Moura, mandatário nacional e todos os mandatários da candidatura.
      Saúdo todos aqueles que votaram na minha candidatura a Presidente da República e que assim a fizeram sua, dando com o seu voto um sinal claro de exigência de mudança na vida nacional. Cada um dos votos dados a esta candidatura pesa e pesará na acção para abrir um caminho novo para Portugal.

      Esta candidatura que constituiu uma necessidade e um imperativo nacional, colocou ao povo português a questão essencial em causa no tempo em que vivemos: a necessidade da ruptura e mudança face a um rumo de declínio e injustiça social que conduziu o País para o atoleiro em que se encontra e a adopção de um novo rumo patriótico e de esquerda, vinculado aos valores de Abril e à concretização do projecto consagrado na Constituição da República Portuguesa, no caminho do desenvolvimento, da justiça e do progresso social.

      Esta foi a candidatura que trouxe para a campanha e para as opções actuais e futuras, os problemas e aspirações dos trabalhadores e do povo, a necessidade de pôr termo à abdicação dos interesses nacionais e à subordinação do poder político aos interesses da especulação de um número reduzido de famílias, accionistas, gestores e beneficiários dos grupos económicos e financeiros, afirmando a independência nacional e a soberania do povo sobre o futuro do País.

      Esta foi a candidatura dos trabalhadores. A candidatura que afirmou e afirma o caminho da produção nacional, da criação de emprego, da valorização do trabalho e dos trabalhadores, da resposta ao presente e futuro das novas gerações, do direito das mulheres à igualdade na lei e na vida, do papel dos intelectuais e quadros técnicos, dos homens e mulheres da cultura, do respeito pelos direitos e a dignidade dos reformados pensionista e idosos e das pessoas com deficiência, da defesa dos direitos dos imigrantes e das comunidades portuguesas no estrangeiro, dum sector público determinante nos sectores básicos e estratégicos, do apoio aos micro, pequenos e médios empresários, da defesa e valorização dos serviços públicos, da soberania nacional e da democracia política, económica, social e cultural.

      Esta foi a candidatura que não teve quaisquer compromissos com a política de direita. A candidatura que marcou a diferença em relação a todas as outras, pelo percurso, pela verdade, coerência, objectivos, projecto, pela campanha e pelo compromisso duma intervenção que vai continuar.
      Os resultados eleitorais obtidos pela minha candidatura claramente acima de 7% traduzem a afirmação e confirmação de uma força e de um projecto indispensável para abrir caminho ao futuro de Portugal.
      No balanço desta candidatura está presente também, muito além da sua expressão em votos, a simpatia, o apoio e a identificação com os objectivos da candidatura, que constituem um importante contributo para novas opções políticas e a abertura de um caminho novo patriótico e de esquerda para o País.

      A eleição de Cavaco Silva, embora com a votação mais baixa ou das mais baixas de sempre para um segundo mandato, constitui, não apenas a continuação, mas o agravamento dos problemas nacionais.
      Os seus resultados são indissociáveis da vantagem de exercer as funções de Presidente da República, da utilização abusiva dos meios correspondentes, do recurso à dissimulação para esconder as suas responsabilidades na situação do país e o comprometimento com o pior da política de direita do Governo, incluindo as consequências nefastas das medidas do Orçamento de Estado para 2011.

      A minha candidatura deu o contributo, que nenhuma outra deu, para confrontar Cavaco Silva com as suas responsabilidades nos últimos 25 anos, com a sua acção enquanto Presidente da República, com a sua posição de abdicação da soberania nacional e protecção dos especuladores e a sua vinculação aos interesses dos grupos económicos e financeiros, com a sua ligação a práticas e o comprometimento em decisões de grande gravidade para o povo português, com o seu acordo estratégico no pior da política do Governo PS. A minha candidatura foi a candidatura que de forma séria, consistente, coerente, determinada e corajosa enfrentou a candidatura de Cavaco Silva. Foi a candidatura que se afirmou na crítica e na proposta como a verdadeira alternativa a Cavaco Silva.

      O capitalismo e a sua natureza exploradora, opressora e predadora, as políticas da União Europeia a política de declínio, injustiça e afundamento do País aí estão a querer cilindrar, sempre mais, o povo e o País.
      No quadro da grave situação e dificuldades que atingem o País, os trabalhadores, as novas gerações e todo o povo português, a minha candidatura foi expressão e parte do processo de mudança que Portugal precisa e que é cada vez mais necessário e urgente.
      As centenas de milhar de votos nesta candidatura, significam centenas de milhares de vozes que hoje se levantaram a dizer basta, a exigir mudança, uma nova política, um futuro melhor. Cada um disse o que tinha a dizer com o voto nesta candidatura e podem hoje olhar para si próprios com a consciência tranquila, dizendo fiz hoje o que devia ser feito. Estas centenas de milhar de vozes dirigem-se a todos os portugueses para alargar esta corrente de acção para mudar Portugal para melhor. Contem com a nossa convicção, a nossa determinação, o nosso projecto, a nossa confiança nos trabalhadores, no povo e no País. Temos encontro marcado já amanhã e todos os dias que se seguem na luta que continua e se vai intensificar para vencer o declínio nacional e as injustiças sociais, para construir um Portugal com futuro, uma sociedade mais justa.

      Avançamos e avançaremos com toda a confiança!
      Continuaremos e intensificaremos a luta com os que em nós votaram e com os muitos que se nos virão a juntar para que viva Portugal!”

  13. Pedro Pousada diz:

    E o que é isso de mudar de esquerda?Fechar a chafarica e entregar a chave aos experts da telegenia? aos socialistas de direita?Dissolva-se é o povo que não vota!E não me refiro aos que querem mas não conseguem; aponto o dedo é à escuma invertebrada dos indiferentes crónicos, dos que não se estão para chatear, aos ignorantes e egoístas políticos e outros avatares do conformismo luso. Na mesa onde passei o domingo foram 450! Observei também que os mais leais ao sufrágio são os que tinham 30 anos na década de 60 e 70.Porque será?Considerando que muitos dos meus alunos de faculdade não sabem a diferença entre a 1º e a 2ºGuerras Mundiais não me surpreende. Há tempos surpreendi em conversa uma aluna minha, cheia de piercings e com ar bué freak, como eles dizem, a explicar a um colega que o Salazar foi um tipo fixe!Caiu-me o queixo.E não me esqueço também de uma conferência organizada na Un. de Coimbra, pela Faculdade de Letras sobre os Intelectuais e os Poderes com o Adriano Moreira 8a citar slogans do Maio de 68, só visto!), O chico Louçã, o Pacheco Pereira e um tipo do PS de quem já não me lembro a debitarem sobre a questão do poder e dos inteligentes…notem como nenhum intelectual comunista foi convidado a pronunciar-se , e a pás das tantas, a organizadora a propósito da resistência francesa à ocupação nazi referiu “os socialistas, os gaulistas e os católicos” como protagonistas dessa luta, népia de comunas no horizonte…em tudo, em todas as rotinas quotidianas a opinião comunista é obliterada, ocultada, deturpada e depois aguardam milagres de fátima?
    Sim, foi um triste resultado considerando que os conteúdos do projecto comunista para estas presidenciais eram válidos e superiores ao do vate alegre e do morto-vivo de boliqueime. A luta e a dedicação do PCP à causa dos trabalhadores e desempregados é imensa, consequente e permanente mas as pessoas que em momentos de luta, de resistência sabem que podem contar com os comunistas continuam a não retribuir. Temos que viver com essa ingratidão que anda de mãos dadas com o preconceito anti-comunista, esse enorme calhamaço de mentiras, falsidades e imagens virtuais, maior que um super-petroleiro e que navega nas indecisões e meias-tintas de muito revoltado inorgânico; ainda me lembro de uma justificação absurda que um colega de faculdade uma vez me deu para não votar comunista:”é pá os gajos faziam de Portugal uma enorme festa do Avante!”Que fazer contra o preconceito?Ele anda por todo o lado:na TV, na rua, na rádio, nos jornais e nas cabecinhas da burguesia proletarizada e tesa e é o nosso castigo de Sísifo.Mas mais certo que o sol ou a chuva é que a luta continua, continua pois!E as cabeças das pessoas que pertençem naturalmente à esfera da esquerda conquistam-se uma a uma, é como lidar com uma criança teimosa, é preciso muita paciência… Abraços

    • Justiniano diz:

      Caríssimo Pedro Pousada, magnífico, expressivo e pungente testemunho!! A indignação e a ironia!! O absurdo injusto e a revolta regeneradora!! Gostei, bastante, da “burguesia proletarizada”!!

  14. Ricardo diz:

    Nuno,
    Acho que deves procurar reflectir um pouco mais sobre o que dizes serem as afirmações dos vários dirigentes do PCP e do BE.
    És incapaz de ler ou ouvir de facto o que o Francisco Lopes disse. Para o PCP a vitória do Cavaco representa um sério agravamento das condições de vida dos trabalhadores e do povo, em geral. O que o Francisco Lopes també afirmou foi que com a intervenção do PCP nesta campanha deu um importante contributo para a luta, para a necessidade de não esmurecer, para a necessidade do seu reforço.
    O que o Francisco Lopes e a sua candidatura assumiu foi a necessidade de nestas eleições lutar para a derrota do projecto de direita, do candidato que representava o acerto de contas com Abril e que durante os últimos cinco anos não só não cumpriu como não fez cumprir a Constituição. Mais, o que também afirmou foi que Alegre não representava efectivamente a ruptura para com a política de direita do governo PS de Sócrates. Não foi o PCP e a sua direcção que apelou e se orgulhou do apoio de Sócrates, e tudo o que representa, à sua candidatura. Não foi o PCP que afirmou que o OE para 2011 tinha que ser aprovado.
    Na tua opinião (espero que não te importes que te trate por tu) o PCP na noite das eleições não deveria dar uma palavra de alento ao povo descontente e vitima desta política, da candidatura vencedora e do governo do PS e de Sócrates. Até parece que o PCP devia fazer o discurso do desencanto e do conformismo, logo agora que é cada vez mais necessário afirmar que vale a pena lutar.
    A pior coisa que o povo e a luta agora necessitam é que aqueles que estão empenhados no seu reforço se perdam em ses, em suposições sobre este e aquele nome.
    Entretanto, acho que deves evitar confundir percentagens com pontos percentuais, por uma questão de rigor e de responsabilidade.

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      Ricardo,
      Tratas-me por tu as vezes que te apetecer. É interessante o teu texto. Discordo no seguinte, acho que apesar da candidatura valorosa do Lopes, o candidato e o terreno da candidatura foi mal escolhido, dai tb o mau resultado.
      A campanha pedia um candidato unitário anti-pec que conseguisse mobilizar os sectores da população que estão contra estas políticas que nos levaram à crise.
      Até pq o BE se enredou numa candidatura apoiada pelo partido autor do PEC, teria de ser o PC a dinamizar essa candidatura.
      Essa iniciativa tinha que ter a ambição de mobilizar esses sectores e não se ficar pelas fronteiras diminuidas do partido, com mais um membro da comissão política a candidatar-se. O resultato foi mau, mas não foi desastroso pq a militância e o Lopes fizeram uma boa campanha. Infelizmente, a política que prevaleceu à escolha de um candidato para apenas o eleitorado do PC é que foi profundamente errada.
      Posto isto, no meu entender, o sectarismo do BE e do PCP são um dos maiores obstáculos para os combates que se avizinham. Não gostaria de ver numas próximas e muito próximas eleições PCP e BE, no meio da maior crise de sempre, não serem capazes de se reforçar e de ter a âmbição de derrotar estas políticas, para isso também é preciso ter força eleitoral, para além de capacidade de fazer a luta de massas.

      • JMJ diz:

        Discordo totalmente.

        Num periodo marcado por uma necessidade de reforço da luta de massas nas diversas frentes, a escolha de Francisco Lopes, homem ligado ao movimento sindical e ao mundo do trabalho foi a escolha certa.

        Um homem que acompanha há muito, muito tempo as lutas, que se identifica com elas e que continuará a lutar, nos próximos dias.

        Reduzir tudo, todo o processo politico à expressão eleitoral é meio caminho andado para o fim do PCP como partido revolucionário, do proletáriado e de todos os trabalhadores.

  15. xatoo diz:

    tanta conversa desfiada e é lamentável que ninguém queira perceber que a revolução necessária para enterrar o neoliberalismo não é coisa que possa ser decidida por votos dentro do esquema montado pela burguesia transnacional que nos vedou o país com o arame farpado do papel monetário impresso
    Para se construir uma estratégia seria preciso também lembrar outra componente que anda muito esquecida por aqui – é verdade, o marxismo como teoria de acção – primeiro que tudo estudar e classificar a composição das actuais classes sociais existentes em Portugal. Quantos trabalham em produção de bens concretos? que percentagem vive dos esquemas financeiros, quem aceita tornar-se improdutivo numa sociedade com graves carências de toda a ordem? quantos são analfabetos politicos? quem vive dos salários do funcionalismo profissional da politica espectáculo?
    Quando concluirmos os resultados, talvez então o melhor seja de facto os supostos militantes de esquerda sentarem-se cada um na sua capelinha, rezar segundo o seu programa individual,, e aguardar que algo aconteça algures lá longe, e como de costume, esperar os 300 anos da praxe até que o novo paradigma chegue a Portugal

  16. José Silva diz:

    Há malta que fala como se não houvessem factores externos a condicionar o voto, e abstenção, dos portugueses. O voto em tal candidato ou no outro não depende somente dele ou dos seus apoiantes. Basta pensarmos no paradigma da inevitabilidade da vitória do recandidato, veiculada aos quatro ventos por tudo o que é comentador, sondagem, jornalista, etc, e reparar que tal facto, associado às sondagens, representou a justificação para a ordenação da cobertura aos diferentes candidatos. Considerar alguns candidatos como sendo elegíveis e, consequentemente, desvalorizar as outras candidaturas silenciando-as demasiadas vezes, são factores que têm que ser contabilizados na hora da avaliação das prestações das candidaturas.
    Quanto ao resultado do Francisco Lopes, tal como acontece com os resultados da CDU, são o resultado de todos estes factores associados à falta de informação de classe, ou excesso de (des)informação da classe dominante.
    Quanto à traição (aos que acreditavam na sua boa vontade) do BE ficará marcada no respectivo lugar na história, ao lado do PS e UGT.
    E enquanto o PCP se pautar pela coerência e princípios que o caracterizam, terá sempre o o apreço do Povo, na luta por um país melhor, MESMO QUE ISSO SIGNIFIQUE “NÃO GANHAR ELEIÇÕES”.
    Viva o Meu, Nosso, Partido!

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  18. JP diz:

    Nuno, porque não convidar o Vítor Dias para um debate sobre estas e outras questões da esquerda e fazer o upload do vídeo aqui para a tasca?

    A conversa lá em cima estava interessante.

  19. Nuno Ramos de Almeida diz:

    José Silva,
    Estou mt mais descansado, como as condições objectivas são dadas externamente como se fossem axioma (e eu que estava convencido que elas eram produto da acção humana), aquilo que fazemos é sempre perfeito, mesmo que o resultado tenha sido pífio.
    Fica por explicar como é que com as mesmas condições objectivas, pelos vistos impossíveis de mudar, já se teve entre 21 e 5.
    Fechar os olhos é uma péssima política, assim não se mudam as condições subjectivas e muito menos se alteram as objectivas. Dá-se uns vivas como se fosse um padre nosso, mas não se passa disso.

  20. Bom dia Nuno,
    Desculpa lá a preguiça, mas vou citar o Cravo de Abril. Como é óbvio porque subscrevo as questões aí abordadas no seu conteúdo:
    «(…) No que me diz respeito, não fiquei nem «triste», nem «desiludido» com o resultado eleitoral – que, aliás, considero um bom resultado.
    É claro que queria mais votos, queria que a nossa votação tivesse sido superior – mas essa é outra questão: é uma questão que, penso, tem mais a ver com os meus desejos do que com a realidade concreta em que travámos esta batalha – em que, de resto, travamos todas as batalhas eleitorais.
    Tenho para mim que, no regime de democracia burguesa em que vivemos ( se quisermos ser mais rigorosos podemos chamar-lhe ditadura do grande capital), as mais difíceis batalhas, para os comunistas, são as batalhas eleitorais.
    Trata-se de um combate em que o inimigo «joga em casa», dispondo de meios e instrumentos de intervenção incomensuravelmente superiores aos nossos e recorrendo a todos os métodos e práticas que considera necessários para alcançar os seus dois objectivos essenciais: perpetuar-se no poder e concretizar o velho sonho que eles sintetizam em três palavras: «morte do comunismo».
    Os média – não por acaso propriedade do grande capital – constituem um dos mais poderosos instrumentos utilizados, com a sua extraordinária capacidade de difusão das «notícias», das «opiniões», das «ideias» que aos seus patrões interessa que sejam difundidas – e que, de tantas vezes publicadas, acabam por transformar-se, muitas vezes, em «opinião pública».
    E só com uma forte consciência política, ideológica e de classe, é possível rejeitar as «notícias», as «opiniões», as «ideias» que o poderoso arsenal de rádios, televisões e jornais fazem chegar, todos os dias, a todas as horas, a milhões de pessoas.
    Este é um dado que não podemos deixar de ter em conta quando analisamos, por exemplo, a postura da multidão (homens, mulheres, jovens) que, votando contra os seus próprios interesses, elege os cavacos de que o grande capital precisa para continuar e acentuar a exploração dos que os elegem.
    Então, a nossa participação em batalhas eleitorais começa por ser um acto de resistência e é, ao mesmo tempo, um caminho para adquirir mais força para a luta que tem que continuar – a luta de massas, a luta de classes, da qual a batalha eleitoral é parte integrante mas não a decisiva.
    Essa participação deve ser assumida, também, (digo eu) com a consciência plena de que, em eleições burguesas, tudo está cirurgicamente programado, montado e organizado no sentido de assegurar previamente, sempre, a vitória eleitoral ao (aos) candidato(s) do sistema – e também com a consciência plena de que, no dia em que o grande capital verificar que essa vitória não está previamente assegurada… pura e simplesmente acaba com as eleições. (foi assim que fizeram, por exemplo, quando, convencidos de que o eleitorado ia dizer «não» ao tratado porreiro, pá… pura e simplesmente proibiram o referendo)
    Por tudo isto, cada batalha eleitoral é, para os comunistas, uma batalha em que a vitória não se traduz em serem os mais votados (coisa impossível de acontecer neste contexto), mas em fazerem o que deles se espera e, com isso, criarem condições para para dar mais força à luta dos trabalhadores e do povo.
    Nestas presidenciais, impunha-se que os comunistas apresentassem uma candidatura própria, em condições de afirmar inequivocamente a sua posição face à dramática situação actual do País, a partir da análise rigorosa dessa situação, da sinalização clara das suas causas e dos seus causadores e da apresentação das suas respostas – respostas que, necessariamente viradas para a situação actual, incorporam sempre, necessariamente, o objectivo da construção da sociedade socialista.
    E foi isso que os comunistas fizeram, cumprindo as tarefas que lhes eram exigidas – entre as quais a de resistir – e ficando mais fortes para a luta.
    É essa a nossa vitória.
    E não a subestimemos, porque se trata de um importante resultado – aliás, conquistado a pulso, como não podia deixar de ser, e só conseguido pela notável campanha que erguemos – com um candidato notável, com um notável colectivo partidário e com milhares de notáveis amigos e companheiros de luta.
    A nossa campanha foi, para além do resultado em votos, uma sementeira de convicção, de determinação, de verdade, de coragem, de lucidez, de dignidade, de esperança – uma sementeira que, por tudo isso, dará frutos.
    Frutos que serão visíveis no reforço da luta de massas.
    Da luta de classes – a tal que, ela sim, é decisiva para mudar transformando; para substituir a velha sociedade capitalista, baseada na exploração do homem pelo homem, pela sociedade nova, liberta de todas as formas de opressão e de exploração: a sociedade socialista e comunista.
    Para lá chegarmos – sempre dando resposta à situação actual – temos muito caminho para andar.
    E a questão não está em medir o caminho que temos que andar – a questão está em não desistirmos dessa caminhada, mesmo sabendo que ela é difícil, complexa, longa e que exige a cada um e a todos os caminhantes todas as forças de que dispõem.
    A questão está em nos fazermos ao caminho todos os dias – e, assim e por isso, conquistarmos todos os dias uma importante vitória.»

  21. “A campanha pedia um candidato unitário anti-pec que conseguisse mobilizar os sectores da população que estão contra estas políticas que nos levaram à crise.”

    Mas é tão difícil perceber ist0?????

    Mas não é obvio que numa situação de crise aguda, com cortes nos salários e o FMI a rondar, com um enorme descontentamento popular face à situação, o candidato do PCP ter obtido ainda menos que o Jerónimo é um resultado péssimo, ok não tão catastrófico como o da “esquerda de veludo”, mas claramente insuficiente?

    E ninguém se questiona de como um ex-militante do PC (que ainda tem a bandeira do partido pendurada em casa) consegue sem distribuir um panfleto ou colar um cartaz, mas com uma mensagem incisiva e cáustica obter um resultado de 4,5% a nível nacional e na Madeira obter um resultado Histórico? Acham mesmo que esta entrevista é dada por um louco/tiriríca?
    http://www.youtube.com/watch?v=48JhTd3r90w

    Serão sonhos molhados os desejos do Nuno? O que é certo é que no actual panorama tanto PC como BE sofrem de uma paralisia estratégica, sem se apresentar uma alternativa consequente ao centrão será impossível impedir o avanço das actuais medidas regressivas. Pode o PC sozinho construí-la? Pode o BE sozinho? Parece-me óbvio que não… Portanto por mais molhados que sejam os sonhos, ou de alguma forma se concretizão ou a Esquerda perde por falta de comparência…

    Aliás quero ver o que vão fazer qd a direita dura quiser derrubar o governo no próximo orçamento… (devem tar a fazer cruzes pa que o Coelho e o Portas continuem a levar o Governo ao colo, fiem-se na virgem e não corram…)

    • Ricardo diz:

      E o Francisco Furtado acha que o PCP deve segurar a política de direita do PS e de Sócrates, a mesma contra a qual o povo se mobilizou em greve geral em Novemvro passado?

      • Ó Ricardo o que é que achas?
        A questão é q tanto BE e PCP vão ficar entalados pq não podem (quer dizer, veremos…) viabilizar o governo que temos, mas ao se aliarem à direita e derrubarem o governo vão ser acusados de ser aliados de Paulo Portas Coelho e Cavaco… Aliás não axas curioso que raramente PC ou BE ou CGTP peçam a demissão deste governo? Aliás nem tão pouco o Camarada Lopes… De facto, um candidato a sério repetiria o icónico “óbviamente demito-o” isso sim pá! Isso sim, não é andar com a cassete completamente impotente do costume. (e claro pior ainda é apoiar o candidato do próprio regime sócratista…)

        O busílis da questão é q tanto BE e PC tão entalados porque nenhum deles se constituí como alternativa a este governo!!! Nem, mais grave, parecem ter vontade de construir essa alternativa.

        Estas eleições foram uma oportunidade perdida para começar a construção desse Bloco políticó-social alternativo, aí sim até poderiam e deveriam fazer tudo para derrubar este governo (há poix e aquela moção de censura do PC de há uns tempos foi só mm pa Inglês ver…), aí sim poderiam ter a margem de manobra estratégica necessária para os combates que aí vêem.

        Como as coisas tão a esquerda vai com dois potes de barro contra um martelo de aço, qual será o desfecho?

        Pá e isso que a luta é na rUa, pois claro que é, mas axam que as eleições não têem um papel determinante? Já se perguntaram se os resultados para a constituinte em 75 foram exactamente o momento de viragem da Revolução e o que deu elán à contra-revolução???

        A luta é na RUa, é na fábrica, na escola, na internet e claro, nas Urnas. Não é que para mim as Urnas sejam um bezerro de ouro, mas desprezar o efeito que têm na própria dinâmica da luta de massas é pura cegueira política.

        • Ana diz:

          ” Aliás não axas curioso que raramente PC ou BE ou CGTP peçam a demissão deste governo?”.. Não sei se lembra, ou se se quer lembrar, mas foi o PCP que na Assembleia da República apresentou uma moção de censura ao Governo Sócrates.!!!

  22. xatoo diz:

    concordo com o convite ao Vitor Dias da esquerda dos mais diversos matizes… no entanto seria imperdoável não convidar para esse debate o comunista José Manuel Coelho, sob pena de morrerem todos de tédio…

  23. Pedro Rodrigues diz:

    Bela discussão.
    Aquela que deveria ser mais relevante à esquerda nestes últimos anos.
    Sempre pensei ingenuamente que o PC “aproveitaria” (e em minha opinião bem) o facto de o Bloco apoiar um candidato que iria ser apoiado pelo governo.
    Pensei que com um candidato na linha de um António Filipe, de um Octávio Teixeira, um Ruben de Carvalho (havia mais) o PC pudesse garantir os seguintes objectivos:
    1- Aproveitar a falta de um candidato à esquerda do PS e traduzir-se num melhor resultado eleitoral, sobretudo sem o “Bloco” ir a votos e sem qualquer tipo de candidato concorrencial no seu espaço politico.
    2- Cerrar fileiras, marcar e alargar o seu eleitorado, constituindo-se também na força eleitoral, como no projecto e a força politica alternativa ao governo e à direita.
    3- Trazer ao discurso politico por parte do PC, uma linguagem alicerçada também num candidato que não se confundisse permanentemente com o Partido (nunca ninguém sabia onde acabava o partido e começava o candidato), neste tipo de eleição seria importante que também isso se sentisse.
    Claro que digo tudo isto, porque considero o PC, bem como o Bloco imprescindíveis numa reconfiguração do sistema politico partidário nacional para uma melhor correlação de forças à esquerda . Mas a opção do PC não foi essa, escolheu um “homem partido” virado para dentro sem capacidade de agregar para fora, não dando o sinal necessário de abertura que inclusive pusesse 0 Bloco em dificuldades e que também este tivesse que mudar a agulha de alguma da sua estratégia de crescimento. Foi mais uma oportunidade perdida.
    A única viabilidade para um projecto alternativo à esquerda terá que passar sempre por um compromisso entre o PC, Bloco e até com alguns sectores do PS no estabelecimento de um programa mínimo, mas que as pessoas possam realmente se rever e percepcionar.
    Mais uma vez o nosso pior inimigo não é a direita é o sectarismo à esquerda.

  24. Manuel Monteiro diz:

    Este paleio das eleições já cansa. Era querer que o povo parado escolhesse os “melhores”.
    Mas o povo só ganha a dimensão consciente quando em movimento, em luta. Nessa dinâmica o povo elabora o seu programa, escolhe os seus representantes, constroe o caminho para uma nova sociedade
    O malabarismo táctico e eleiçoeiro fora da luta popular só produz indigência teórica, cretinismo parlamentar e ilusões reformistas…
    Manuel Monteiro

  25. Beatriz Tavares diz:

    Como sempre, chego sempre um pouco atrasada ao debate político…Mas é que raramente consigo ter um julgamento esclarecido sobre os resultados eleitorais em “tempo real”. Aliás, mesmo após alguma reflexão, os resultados eleitorais, têm quase sempre uma componente de “mistério insondável” que inibe as minhas conclusões.
    Este post é só porquê não gosto de assistir à auto-flagelação da esquerda. É também porque não me sinto responsável por todos aqueles que decidiram não votar, votar nulo ou votar em branco. Também não me sinto responsável por todos aqueles que decidiram votar no “casal Mariani” mais as suas pequenas poupanças, e que viram nesta dupla um sucesso para Portugal e as nossas finanças. Também não me sinto responsável por todos aqueles que consideram que o futuro de Portugal passa por arrivistas sem lastro de qualquer espécie.
    Não se pode mudar de povo, mas também não se pode pretender ganhá-lo a qualquer preço. No estado actual em que o país se encontra, e não me refiro apenas à crise económico-financeira, o que mais me preocupa no resultado destas eleições é o facto de estarmos cada vez mais, política e culturalmente, vulneráveis a discursos anti-partidários. Sinto, cada vez mais, que qualquer palhaço e/ou oportunista que se apresente perante uma vasta fatia do eleitorado falando mal dos políticos e dos partidos, está condenado ao estrelado. Até mesmo Cavaco Silva, se repararem bem, assumiu esta postura.
    Face a esta pobreza político-cultural, fomentada através dos mais diversos meios de informação, “canais de intretenimento, redes sociais”, blogs, etc.,etc., etc., o combate político, principalmente para a esquerda torna-se cada vez mais difícil. embora não impossível, nem desesperado. Sendo a “esquerda” um espaço pouco definível, onde o PS está e não está conforme as suas próprias conveniências de poder, momentâneas, a situação complica-se. Mas esta é a esquerda que há, fazendo o seu caminho, tal como o povo, de onde emerge.
    Quanto à frieza dos números:
    Houve mais 546.551 inscritos do que em 2006
    Houve menos 1.099.791 votantes do que em 2006
    Houve mais 174.933 votos em branco e nulos do que em 2006
    A diminuição do número de votantes distribui-se assim (trata-se apenas de uma hipótese de distribuição):
    Cavaco Silva – menos 543.069 votos
    Manuel Alegre – menos 269.174 votos do que Mário Soares, Fancisco Louça e
    Garcia Pereira em 2006
    Francisco Lopes – menos 173.222 votos do que Jerónimo de Sousa em 2006
    Fernando Nobre – menos 544.387 votos do que Manuel Alegre em 2006
    José Coelho – incomparável (189.036 votos)
    Defensor Moura – incomparável (66.092 votos)

    Os votos dos socialistas foram para onde? Ficaram em casa? Branquearam? Foram para Cavaco? Para o Coelho? Não sei. Sei que muitos votantes no PCP e no BE faltaram à chamada. Mas também não vejo razões para o casal Mariani pular de contentamento.
    Sei também que o que vem a seguir não vai ser bom para os trabalhadores, eleitores, que terão de aprender, às sua próprias custas, que os políticos não são todos iguais.

  26. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Olá Beatriz,
    É sempre um prazer ler-te. Continuas a ter uma pena afiada e inteligente. Repara, no entanto, que o meu post anda um bocadinho ao lado da tua resposta. A medição de um bom e de um mau resultado eleitoral é relativamente objectiva. Podes não ter culpa do voto de todos os merceeiros, mas se o conjunto deles votar nos outros candidatos, dá para ver que resultado foi mau. No entanto, a qualificação dos resultados é uma pequena parte do meu curto post. Aquilo que eu digo é que temos uma esquerda que não quer vencer. Perante uma crise violentíssima, o PCP e o BE não são capazes de apostar em políticas que federem (uma só letrinha muda todo um conteúdo 🙂 ) descontentes e que apareçam às pessoas como alternativas viáveis de luta à situação actual. Só isso.

  27. Beatriz Tavares diz:

    Nuno,
    Julgo que o meu post não foi ao lado do teu, nem vice-versa. Face ao debate que o teu post suscitou, pretendia apenas trazer para a análise dos resultados aquilo que me parece mais importante: o estado político-cultural (para já não falar de uma palavra tão cara a todos nós: ideológico) do país.
    Infelizmente, não é um problema que afecte apenas merceiros. Afecta-nos a todos e principalmente os trabalhadores “por conta de outrém”, desprovidos de qualquer cultura ideológica ou mesmo profissional, , noção ou disponibilidade para a luta. Mas que sonham com um futuro melhor (geralmente, um que lhes é oferecido diariamente pela TV, em pacotes promocionais, sem qualquer sacrifícios, sem qualquer luta e sem qualuer política)…
    O problema da federação dos descontentes, muitas vezes, não é encontrar uma plataforma de descontentamento comum…E encontrar um programa de contentamentos: um projecto político.
    Mas não sejamos ingénuos: a questão do poder é uma questão central em política, sempre foi e sempre será, na esquerda inclusive.
    Compreendo contudo e subscrevo a tua preocupação quando dizes: “Perante uma crise violentíssima, o PCP e o BE não são capazes de apostar em políticas que federem (uma só letrinha muda todo um conteúdo ) descontentes e que apareçam às pessoas como alternativas viáveis de luta à situação actual.”
    Faz-me lembrar as lições de história que os nossos antepassados nos deram. E do estado da esquerda europeia antes da Revolução Soviética ou antes da subida de Hitler ao poder, por exemplo.
    Perante a situação económica e social da Europa, perante o estado da chamada União Europeia e dos Estados Unidos, perante a crise/desespero do capitalismo financeiro mundial, perante a emergência dos países asiáticos, perante a ausência de situações expancionistas clássicas utilizadas a 1ª e 2ªguerra mundial, etc., etc.: “O que fazer?”

  28. Leo diz:

    O que fazer, Beatriz?

    O que sempre se fez, fazer das tripas coração e ir à luta.

  29. Pingback: A “esquerda” ignorante e arrogante que emprenha pelos ouvidos | cinco dias

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