Francisco Lopes, o único candidato do trabalho

O resultado obtido pelo candidato apoiado pelo PCP, Verdes e ID foi um bom resultado. Há quem vaticine que foi uma derrota. Naturalmente, não é o resultado merecido. Pela campanha, a que mais gente mobilizou, e pelo conteúdo, a única que combateu as políticas de direita, denunciando não só Cavaco Silva mas também José Sócrates, Francisco Lopes merecia muito mais. Mas as eleições não servem para premiar os melhores candidatos.

Na maioria das vezes, servem os interesses do poder dominante. Não é por acaso que a comunicação social e as empresas de sondagens estiveram, desde o primeiro momento, com Cavaco Silva e Manuel Alegre. As outras candidaturas foram secundarizadas, em distintos níveis. Agora, compara-se o resultado de Francisco Lopes com o obtido, há cinco anos, por Jerónimo de Sousa. Contudo, esquecem-se de que Jerónimo de Sousa, há cinco anos, era já um reconhecido dirigente do PCP com amplo reconhecimento mediático.

Francisco Lopes foi, desde o princípio da campanha, atacado por todos os lados. Porque era funcionário do PCP. Porque era electricista. Porque era desconhecido. Porque era a candidatura do PCP. Como se um funcionário e dirigente do PCP, com trabalho regular junto dos trabalhadores, não tivesse o direito a ser candidato a Presidente da República. Como se um electricista, por não ter uma licenciatura e vir da classe trabalhadora, não pudesse ser Presidente da República. Como se o desconhecimento da existência de Francisco Lopes não fosse antes fruto da discriminação que sofre, na comunicação social, a maioria dos dirigentes e acções realizadas pelo PCP. E, finalmente, como se o PCP não tivesse o direito a apoiar a candidatura de um seu militante. Como se o PSD e PP não apoiassem Cavaco Silva, como se o PS, BE e MRPP não apoiassem Manuel Alegre e como se Fernando Nobre não tivesse o apoio encapotado de parte das estruturas do PS e de Mário Soares.

Estas, e todas as demais razões encontradas, serviram para discriminar o candidato Francisco Lopes. O resultado por ele obtido, abaixo do resultado de Jerónimo Sousa e muito acima do conseguido por António Abreu, foi uma conquista a pulso. Foi resultado de uma campanha eleitoral como há muito não via e que superou, de longe, todas as das candidaturas opositoras. Foi resultado da surpresa que provocaram as intervenções de Francisco Lopes na rua, nos comícios e nos debates. Foi acutilante e encostou a maioria dos candidatos às cordas. Apesar disso, os jornais davam-no como perdedor de quase todos os debates. Foi com Cavaco Silva que se tornou impossível esconder a qualidade de Francisco Lopes.

Para além de tudo isto, esquecem-se os analistas de que as eleições representam para o PCP uma importância menor do que para os outros partidos. A acção deste partido não se esgota nas instituições e dá prioridade à luta de massas. As outras organizações partidárias não existem fora da Assembleia da República e dos processos eleitorais. Nesse sentido, analisar a campanha e o resultado do candidato apoiado pelo PCP com a mesma bitola é uma farsa. Principalmente, porque esta campanha também foi um meio para agitar e para apelar à luta intensa que aí vem e que, certamente, terá como dínamo os comunistas e os trabalhadores portugueses.

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36 respostas a Francisco Lopes, o único candidato do trabalho

  1. Renato Teixeira diz:

    O que é um “bom resultado” que “não é merecido”?

    • Bruno Carvalho diz:

      Um bom resultado é aquele que se obtém apesar de todos os obstáculos que, como sabes, eram muitos. Naturalmente, sabemos que neste sistema político e económico não há resultados merecidos.

  2. a anarca diz:

    Deu-me um enorme gozo votar num candidato como o Chico Lopes 🙂

  3. Augusto diz:

    300.000 votos foi um BOM RESULTADO!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Está tudo dito…..

    • Bruno Carvalho diz:

      Sabe quanto custa para uma pessoa votar num candidato que vem de um partido que defende uma mudança radical no sistema político e económico? Sabe quanto custa superar todas as manipulações e silenciamentos por parte da comunicação social contra os candidatos comunistas?

      • ” garantia do exercício das liberdades democráticas, incluindo a liberdade de imprensa e de formação de partidos políticos, a protecção na ordem jurídica dos direitos dos cidadãos, o respeito por opiniões, interesses sociais e aspirações diferenciadas e pelas crenças religiosas e a prática do culto, a realização de eleições com a observância estrita da legalidade pelos órgãos do Poder”

        – Mudança Radical?

  4. Bruno Carvalho, não há nada como «vitórias morais».
    Consolam-lhe a alma, fantástico.
    Estou verdadeiramente impressionado, solidário e mais o que quiser teminado em “ário”.
    Adoro eternos perdedores, e admiro quem joga para perder, suponho que haja uma certa moralidade nisso, once you understand it.
    Eu não.
    🙁

  5. Leo diz:

    A candidatura de Francisco Lopes dignificou uma vez mais o Partido e a esquerda portuguesa. Mais importantes que os votos foram as consciências abertas para as lutas que virão e que estarão a nosso lado no dia-a-dia do futuro!

  6. João diz:

    Eu não sou do PCP e votei Lopes por exclusão de partes. Mas não me venham agora com tangas, o candidato foi mal escolhido se, como ele e Jerónimo dizia, queriam que o povo português decidisse se merecia ou não ir à segunda volta. O que dizem os números é que parte do eleitorado do PCP não votou nele. Era essa a ideia?

  7. Bruno,
    Apesar de ter votado no mesmo candidato que tu, não compartilho do discurso do ilusionista. O resultado foi mau. No meio de uma crise gravíssima, um partido de esquerda que desde o princípio contestou a política que nos levou ao desastre, perde mais de 100 mil votos e desce mais de 1%!
    Apesar da boa campanha de Lopes, a escolha do candidato e do terreno eleitoral foi má. É pena que, mais uma vez, ninguém vai fazer um balanço crítico da derrota. Mais uma vez vão ficar pq a culpa é toda dos outros, a malta fez tudo bem.

    • Bruno Carvalho diz:

      Eu creio que te esqueces da abstenção. Desta vez, houve uma elevada abstenção forçada. Ou seja, eu estava nas mesas e pelo menos 20% dos que iam votar na minha mesa voltaram para trás porque não sabiam o número de eleitor. Daí, posso justificar uma parte dos 100 mil votos. E se podemos comparar com Jerónimo Sousa também podemos comparar com António Abreu…

      • Nuno Ramos de Almeida diz:

        Se eu comparo percentagens, a abstenção não é para aqui chamada. O resultado é muito mau. Não se pode comparar a ida às urnas do Abreu, que nem ele sabia que ia a votos. Já agora pq não comparas com o Carvalhas? Não o fazes pq a situação é mt diferente.
        O grave é que nesta situação política é desastroso que perante a crise e as medidas neoliberais e anti-populares a candidatura do PCP não consiga ganhar forças.
        O Lopes excedeu-se na campanha, mas a luta política tinha exigido um candidato mais abrangente que pudesse ter os votos de outros sectores de esquerda desiludidos com a candidatura BE/PS. O PCP não teve a coragem de dar esse passo e foi pena.

        • Bruno Carvalho diz:

          Não, Nuno. Tu começaste por comparar números (os tais menos 100 mil votos) e percentagens. Logo, se comparas números tens de falar na abstenção. Relativamente à percentagem é um facto. Não me parece que o Francisco Lopes se tenha excedido. Esteve à altura da situação política e aproveitou a campanha para atacar as políticas de direita, coisa que ninguém mais fez.

          Sinceramente, acho que houve muita gente do BE a abster-se e a votar Francisco Lopes. A questão é que foi a gente mais consciente e não a massa que vota no BE.

  8. Morte aos Mercados diz:

    Sou da mesma opinião que o Bruno Carvalho. Francisco Lopes era um desconhecido entre o povo quando apresentou a sua candidatura. Durante meses tive de explicar quem era Francisco Lopes e identificá-lo como o candidato comunista. Após meses de uma campanha intensa e de esclarecimento, o resultado de Francisco Lopes é deveras positivo.

    Querer comparar este resultado com o de Jerónimo de Sousa nas últimas eleições, quando este já tinha um “amplo reconhecimento mediático” não faz sentido, nem contribui em nada para a discussão sobre o resultado do candidato comunista.

    Outro ponto a adicionar. A crise em que vivemos veio aumentar a descrença e portanto, a abstenção, porém, virá o dia em que o povo e os trabalhadores, adicionarão à revolta a esperança de uma alternativa e aí, a conversa já será outra!

  9. Não.
    As vitórias constroem-se ganhando, existe uma coisa chamada objectivos e resultados, está familiarizado com o conceito ?

    A “luta” pode ser interessante, mas não passa daí.
    Dá p’ra conversar a à volta da fogueira, mas não muito mais.

    Se calhar é por isso que dois de nós chegavam perfeitamente p’ra dez de vocês (e repare que estou a falar em abstracto, não de si em concreto).
    Não estou preocupado com o seu «estado anímico», isso a existir é problema seu, não meu.

    Weak people, half people, dá em pouca coisa.

    No tempo do Bento Gonçalves bosselências eram bem mais duros, entretanto amoleceram, e agora pedem licencinha a sabe-se lá quem para se expressarem, revoltarem, the lot and what have you.
    Ridículo.

    Perdão se o ofendi, não era a ideia, existem umas quantas (e significativas…) diferenças entre nós, mas não creio que seja por aí que «o gato vá às filhozes», se é que me fiz entender…

    🙂

    • A.Silva diz:

      James a propósito de “as vitórias constroem-se ganhando”, nunca ouviu dizer que o último a rir é que ri melhor!
      E pode crer que a festa ainda não vai no meio 🙂

  10. Tiago Mota Saraiva diz:

    Bruno, não concordo com tudo o que escreves. Mas o último parágrafo é fundamental.

  11. Dédé diz:

    “Sabe quanto custa para uma pessoa votar num candidato que vem de um partido que defende uma mudança radical no sistema político e económico? ”

    Tem piada, a mim não me custou nada. O que custa é esta satisfação e autismo duma força politica indispensável à luta dos trabalhadores.

    Compreendo que as eleições não sejam a frente de luta fundamental para o PCP, mas 3,1% de votos (do total dos inscritos) não reflecte uma fraca influência do PCP?

    • Bruno Carvalho diz:

      Dedé, se alguma vez a influência se medir somente pelos resultados eleitorais então estará o PCP na mesma linha que os partidos comunistas que abdicaram da luta revolucionária. Dedé, a influência do PCP está muito além dos votos que recebe. Está também nas lutas que se travam no nosso país e para as quais contribuem decisivamente os militantes comunistas.

  12. Um ponto de vista muito mais bem conseguido que a explicação de ontem de Francisco Lopes, que considerou ter sido um dos factores para que a vitória de Cavaco não tivesse sido tão grande.

    • Leo diz:

      Conhece mesmo o que ontem disse Francisco Lopes? Está aqui:

      “Saúdo os trabalhadores, a juventude, o povo português.

      Saúdo o Partido Comunista Português, a JCP, o Partido Ecologista “Os Verdes”, a Intervenção Democrática, os cidadãos sem filiação partidária, as dezenas de milhar de activistas homens, mulheres, jovens que, com a sua participação militante, com os seus tempos pessoais e familiares, foram a fonte da energia, criatividade e força desta extraordinária campanha.

      Saúdo o camarada José Barata Moura, mandatário nacional e todos os mandatários da candidatura.
      Saúdo todos aqueles que votaram na minha candidatura a Presidente da República e que assim a fizeram sua, dando com o seu voto um sinal claro de exigência de mudança na vida nacional. Cada um dos votos dados a esta candidatura pesa e pesará na acção para abrir um caminho novo para Portugal.

      Esta candidatura que constituiu uma necessidade e um imperativo nacional, colocou ao povo português a questão essencial em causa no tempo em que vivemos: a necessidade da ruptura e mudança face a um rumo de declínio e injustiça social que conduziu o País para o atoleiro em que se encontra e a adopção de um novo rumo patriótico e de esquerda, vinculado aos valores de Abril e à concretização do projecto consagrado na Constituição da República Portuguesa, no caminho do desenvolvimento, da justiça e do progresso social.

      Esta foi a candidatura que trouxe para a campanha e para as opções actuais e futuras, os problemas e aspirações dos trabalhadores e do povo, a necessidade de pôr termo à abdicação dos interesses nacionais e à subordinação do poder político aos interesses da especulação de um número reduzido de famílias, accionistas, gestores e beneficiários dos grupos económicos e financeiros, afirmando a independência nacional e a soberania do povo sobre o futuro do País.

      Esta foi a candidatura dos trabalhadores. A candidatura que afirmou e afirma o caminho da produção nacional, da criação de emprego, da valorização do trabalho e dos trabalhadores, da resposta ao presente e futuro das novas gerações, do direito das mulheres à igualdade na lei e na vida, do papel dos intelectuais e quadros técnicos, dos homens e mulheres da cultura, do respeito pelos direitos e a dignidade dos reformados pensionista e idosos e das pessoas com deficiência, da defesa dos direitos dos imigrantes e das comunidades portuguesas no estrangeiro, dum sector público determinante nos sectores básicos e estratégicos, do apoio aos micro, pequenos e médios empresários, da defesa e valorização dos serviços públicos, da soberania nacional e da democracia política, económica, social e cultural.

      Esta foi a candidatura que não teve quaisquer compromissos com a política de direita. A candidatura que marcou a diferença em relação a todas as outras, pelo percurso, pela verdade, coerência, objectivos, projecto, pela campanha e pelo compromisso duma intervenção que vai continuar.
      Os resultados eleitorais obtidos pela minha candidatura claramente acima de 7% traduzem a afirmação e confirmação de uma força e de um projecto indispensável para abrir caminho ao futuro de Portugal.
      No balanço desta candidatura está presente também, muito além da sua expressão em votos, a simpatia, o apoio e a identificação com os objectivos da candidatura, que constituem um importante contributo para novas opções políticas e a abertura de um caminho novo patriótico e de esquerda para o País.

      A eleição de Cavaco Silva, embora com a votação mais baixa ou das mais baixas de sempre para um segundo mandato, constitui, não apenas a continuação, mas o agravamento dos problemas nacionais.
      Os seus resultados são indissociáveis da vantagem de exercer as funções de Presidente da República, da utilização abusiva dos meios correspondentes, do recurso à dissimulação para esconder as suas responsabilidades na situação do país e o comprometimento com o pior da política de direita do Governo, incluindo as consequências nefastas das medidas do Orçamento de Estado para 2011.

      A minha candidatura deu o contributo, que nenhuma outra deu, para confrontar Cavaco Silva com as suas responsabilidades nos últimos 25 anos, com a sua acção enquanto Presidente da República, com a sua posição de abdicação da soberania nacional e protecção dos especuladores e a sua vinculação aos interesses dos grupos económicos e financeiros, com a sua ligação a práticas e o comprometimento em decisões de grande gravidade para o povo português, com o seu acordo estratégico no pior da política do Governo PS. A minha candidatura foi a candidatura que de forma séria, consistente, coerente, determinada e corajosa enfrentou a candidatura de Cavaco Silva. Foi a candidatura que se afirmou na crítica e na proposta como a verdadeira alternativa a Cavaco Silva.

      O capitalismo e a sua natureza exploradora, opressora e predadora, as políticas da União Europeia a política de declínio, injustiça e afundamento do País aí estão a querer cilindrar, sempre mais, o povo e o País.
      No quadro da grave situação e dificuldades que atingem o País, os trabalhadores, as novas gerações e todo o povo português, a minha candidatura foi expressão e parte do processo de mudança que Portugal precisa e que é cada vez mais necessário e urgente.
      As centenas de milhar de votos nesta candidatura, significam centenas de milhares de vozes que hoje se levantaram a dizer basta, a exigir mudança, uma nova política, um futuro melhor. Cada um disse o que tinha a dizer com o voto nesta candidatura e podem hoje olhar para si próprios com a consciência tranquila, dizendo fiz hoje o que devia ser feito. Estas centenas de milhar de vozes dirigem-se a todos os portugueses para alargar esta corrente de acção para mudar Portugal para melhor. Contem com a nossa convicção, a nossa determinação, o nosso projecto, a nossa confiança nos trabalhadores, no povo e no País. Temos encontro marcado já amanhã e todos os dias que se seguem na luta que continua e se vai intensificar para vencer o declínio nacional e as injustiças sociais, para construir um Portugal com futuro, uma sociedade mais justa.

      Avançamos e avançaremos com toda a confiança!
      Continuaremos e intensificaremos a luta com os que em nós votaram e com os muitos que se nos virão a juntar para que viva Portugal!”

      • A.Silva diz:

        Uma coisa boa destas eleições é a clareza e a firmeza de Francisco Lopes, de que este discurso é exemplo.
        Como a dialéctica nos ensina, não há factos em si absolutos, uma derrota não é absoluta ela pode conter em si as sementes de uma vitória derradeira 🙂

  13. marco diz:

    Certo é que para aí 70% dos comunistas que conheçam não são membros do PC.

    E gostava de saber que luta revolucionária se faz sem revolucionários…Em acabando o que resta do movimento sindical, adeus PC…

    Digo-o com magoa e apreensão, mas a realidade é essa. Com a estrutura e o discurso actual as possibilidades de crescimento são virtualmente 0…

    • Bruno Carvalho diz:

      Gostava de saber quem são esses comunistas…

      • marco diz:

        Não me diga que também quer nomes como o outro…

        Eh pá, não são «gaj@s em trânsito para o PS» ou «malta sem ideologia» ou «pequeno-burgueses ambiciosos»…

        Basicamente é rapaziada que ainda assim prefere a Velha Europa à Coreia do Norte. E também não gosta muito que alguém que vive há 36 num centro de trabalho se arrogue a dono da verdade…além de que passava bem sem o tal discurso da «vitória moral».

        E mais uma ou duas coisas…

  14. Camarada Bruno procurei a referencia suas e não encontrei para republicação de seu texto no DL.
    Além de blogueiro é mais o que?

    http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=11351&Itemid=176&thanks=13

    Saudações

    Sturt Silva

  15. fernando antolin diz:

    Eh pá, quase me assustei, mas vá lá que as tradições se conservam: assim como o café da Havaneza, na Praia de Santa Cruz nunca prestou para nada, também o PCP,embora perdendo todas, nunca perdeu uma eleição nacional, desde 1975 !! Viva a tradição.

  16. Orlando diz:

    Penso que Francisco Lopes fez a campanha mais séria de todos os candidatos, focando os pontos mais importantes e que preocupam os portugueses. A votação por ele obtido de 7,15%, foi boa, no sentido em que muitos eram os apelos feitos para a abstenção, por parte pessoas de esquerda, como aqui o fizerem certos comentadores. Conseguiu a mobilização possível. Com isto não estou a dizer que o PCP não tenha de reflectir no sentido de arranjar maneira de convencer mais eleitorado, mas será sempre muito difícil, quando certos homens e mulheres,que se dizem de esquerda não compreendem que a abstenção nunca será o caminho para alterar as coisas.
    Creio que para o PCP não é uma luta pela vida, o resultado destas eleições, outras forças politicas terão muito mais problema para explicar aos seus militantes escolhas feitas à revelia dos mesmos. O PCP vai continuar a existir, já passei dos 40 anos e há mais de 20 anos que são muitos os que lhe vaticinam a sua morte, pelos vistos o partido tem resistido e tem sabido dar as respostas necessárias nas situações mais difíceis. Continuo a acreditar neste partido, combativo e de luta na defesa dos mais desfavorecidos.
    Não creio em falsas uniões de esquerda quando não são convictamente assumidas. Não creio em apoios faseados em que agora apareces tu, depois aparece eu. Uma alternativa de esquerda terá que ser construída na base de negociações, sem protagonismos e meus caros existem pessoas que por uma bela foto na primeira fila dão o cu e oito tostões. Assim a alternativa não poderá ser construída.
    Tenho esperança que daqui a cinco anos, em novas eleições presidenciais, vá existir uma pessoa que consiga um consenso da esquerda. Creio que vamos conseguir, nessa altura eleger CARVALHO DA SILVA, será a escolha mais acertada e terá hipóteses de ganhar e ser o presidente que Portugal precisa.
    A luta não pará. Até logo camaradas.

  17. Vicente de Lisboa diz:

    Oh Bruno, esse argumento do Lopes não ser conhecido está de pernas para o ar.

    Se as candidaturas do PCP são pessoais (por obrigação constitucional) mas em nome do colectivo, o relativo desconhecimento mediático do candidato apresentado não “desculpa” o pior resultado. Realça é que a escolha desse candidato foi errada, e devia ter sido apresentado um mais bem conhecido.

    A menos, claro, que o objectivo fosse resumido a dar o candidato a conhecer, mas nesse caso porquê a necessidade de desculpar os resultados? E ainda por cima com argumentos que tratam o leitor como o Cavaco trata os Portugueses – como se fossem criancinhas especialmente lentas. A lenga-lenga dos candidatos Comunistas serem acusados de ser Electricistas, Mecânicos e outras que tais, até pode funcionar no recrutamento para a J. mas para quem já presta atenção às campanhas eleitorais há mais tempo, só dá para revirar os olhos.

    Já agora, que porra é esta do “conhecimento mediático”? Onde foi parar o “Povo”? Reconhecimento Popular, se faz favor!

    • Bruno Carvalho diz:

      Reconhecimento popular é uma coisa e conhecimento mediático é outra. Por isso é que junto dos trabalhadores, os dirigentes comunistas têm reconhecimento popular e junto dos media têm desprezo. Claro que você preferia que o PCP se adaptasse aos media e fizesse dos seus candidatos aquilo que os media querem.

      • Vicente de Lisboa diz:

        Precisamente por serem coisa diferentes referi a distinção, e apelei a uma sobre a outra… Mas se calhar o Bruno conhece tão bem o que vai na cabeça dos outros que nem precisa de ler.

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