A Gui contra o governo vai dar muito mais jeito à luta. Assim se afiem as facas no rumo certo.

“Tomo emprestadas as palavras de Soares: foi uma campanha «um bocadinho desagradável». Devem ter sido as eleições com mais declarações de voto e menos-mau-ismos e de que tenho memória – as pessoas diziam ‘não tenho em quem votar’ (e metade não votou mesmo), a estrutura do PS apoiava Alegre mas queria votar no Cavaco, (e Sócrates deu-lhe o abraço do urso), parte da base do BE não apoiava Alegre nem-que-chovessem-sapos, Nobre falava de dar tiros na cabeça, 5% dos portugueses votou num manguito ao sistema e a margem de vitória de Cavaco foi igual ao aumento do número de votos brancos e nulos, em geral da esquerda protestante…

… no entanto, como de costume, parece que quase só houve vencedores.

Venho por este meio assumir a minha derrota pessoal nestas eleições presidenciais – eu queria, muito, que o cavaco perdesse. E ele ganhou. Eu apostei que as esquerdas somadas eram mais que a direita esguia e azeda. E não foram. Apostei que as pessoas teriam mais medo de economistas que de poetas. E não tiveram.

As pessoas desconfiam de partidos, re-digo. Alegre teve mais votos sozinho, nas últimas eleições, do que com o apoio do BE e do PS, nestas. Cavaco também teve muito menos votos. todos os ‘independentes’ beneficiaram em o serem.

dá que pensar. espero eu.”

Agora sim e a confirmar-se que nem todas as facas no BE vão continuar ao serviço do governo Sócrates, como anunciou o Francisco Louçã, postar os desenhos e os textos da Gui dará muito mais prazer. Acho mesmo que devíamos lançar um abaixo assinado para que ela se deixe “contaminar por esta esquerda grande”, para “combater ideias feitas e preconceitos”, “para alterar o rumo do poder que tem amarfanhado a política”, para “derrotar a desigualdade e a exploração”. “Precisamos do seu trabalho, da sua determinação para derrotar o capitalismo, (…) Porque a política dos arranjos degradaram sempre a política”.

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10 respostas a A Gui contra o governo vai dar muito mais jeito à luta. Assim se afiem as facas no rumo certo.

  1. A.Silva diz:

    Um dos factos mais positivas destas eleições, foi sem duvida o apareceimento (plo menos pra mim) da Gui na blogosfera 🙂

  2. guictx diz:

    Se calhar podiam começar por convidá-la para o Cinco Dias.

    • Renato Teixeira diz:

      O convite já foi feito por vários aqui da tasca. Estamos à espera da convergência. 🙂

      • A. Trigueiro diz:

        Convergência ? Mas qual convergência ?

        A Gui queria muito, como diz ali em cima ,que o Cavaco perdesse.
        Para o Renato, a vitória ou a derrota do Cavaco é igual ao litro, porque só se interessa pela luta contra o Sócrates.

        Como se ambos, Cavaco e Sócrates, não fossem intérpretes da política de direita que que nos levou ao desastre actual.

        A Gui percebe esta evidência. O Renato não. Mas fala em convergência…

        • Renato Teixeira diz:

          Falo pois. Convergência contra quem nos governa e não vejo que tenha que escolher entre os dois. A Gui conseguiu, o A.Trigueiro, pelos vistos, também, agora há que vos convencer da importância do combate que de alguma maneira desprezaram a quem tem, hoje por hoje, o poder.

  3. Joao diz:

    Renato fico muito fodido com a eleição do cavaco e acho que a escolha do alegre ẃ algo que vai mesmo ter que ser muito discutido dentro do bloco, que foi errado. Mas ao ver os teus posts ao longo deste noite quase que parece que ficas contente pelo facto de o Cavaco ter sido eleito nem que seja só para provar que “tinhas razão”.

    • Renato Teixeira diz:

      Festejei o pior resultado de sempre do Cavaco e do Centrão, mas só depois da derrota do Sócrates ser uma certeza. Interessa menos a razão do que as lições, e este caso particular, como o seu comentário deixa perceber, vai ser pródiga em fechar o caminho da conciliação para muito activismo honesto mas muito mal representado e conduzido.

  4. antónimo diz:

    Bem, Passos Coelho deve ser um cavalo afastado. Só Rui Rio corre o risco de vencer Sócrates e o terno apreço português pelas figuras crispadas e impolutas. Em cinco anos, Marcelo (no fundo um famoso), Durão Barroso, Santana Lopes – e talvez Paulo Portas – tentarão a sua sorte. Pela direita concorrerá ainda a caridosa Isabel Jonet – prevê-se um grande resultado. E pelas esquerdas e autoditas esquerdas: Guterres (duvido), Sócrates e mais quem?

  5. nota 1: não tenho pago ao renato teixeira, que nem conheço, a publicidade.

    nota 2: já respondi ao amável e honroso convite do nuno, do tiago e do renato (há aquela coisa de faltarem gajas a discutir política e-tal… ;). acompanho este blog. mas tenho sempre de passar à frente dos posts do vidal. e não gosto de «coberturas jornalísticas» de eleições como a tua ontem. como te disse, irritas qualquer mortal que tenha perdido as eleições – que tenha votado contra cavaco. tu não votaste. és responsável, por inacção, pela sua eleição. e parecias-me contente demais. dás razão àqueles que dizem que os extremos se tocam. é difícil fazer convergência assim.

    nota 3: renato, não sou o teu submarino amarelo ‘dentro do BE’. já cá ando desde o início ou quase, não saí, não faço parte de nenhuma ‘corrente’ e faço crítica interna, o mais construtiva possível. e acho sinceramente que a tua imbirração contra as esquerdas que às vezes se enganam é muito infantil. o 5dias fica pior quando vira muro das lamentações. a esquerda, assim em geral, também.

    nota 4: eu continuo a desenhar, prometo. um dia destes.

    saudinha,
    gui

    • Renato Teixeira diz:

      Ui… tanta confusão. O BE precisa é de submarinos vermelhos. Isso não ia passar com o dia de ontem?

      Devias reconsiderar. As postas do Vidal são do melhor que há, principalmente as que reflectem o socialismo real, e o campo de debate é imenso. Haverá outo arco-íris com as cores que por aqui confluem?

      Mas o teu texto trai o teu comentário. Lá fica claro que percebeste que houve maneira de ser simultaneamente contra Cavaco e o candidato do Sócrates.

      Aqui, precisamente, apesar do erro quantitativo: “5% dos portugueses votou num manguito ao sistema”.

      Quando as direcções traem as aspirações dos eleitores eles costumam fazer isso mesmo: manguitos. É sobre elas que deve versar o balanço e não sobre os que não gostaram o que encontraram para comer, na mesa da democracia.

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