O voto é sempre útil

Não tenho participado na campanha presidencial nem acompanhado os debates e entrevistas com a devida atenção. Mas poderia com esse acompanhamento ter adquirido algum maior conhecimento das plataformas de alguns candidatos menos conhecidos na “praça”, mas não sei se teria ganho muito com isso. Apesar disso, acho-se relativamente bem informado sobre os perfis políticos dos candidatos, os seus apoios, os seus programas e a suas ideologias (ou falta dela). Aproveito assim as últimas horas do período oficial da campanha para algumas notas:

  • Continuo a apoiar a candidatura do Francisco Lopes, não apenas por ser militante do PCP, mas porque uma comparação honesta o revelar como o único capaz de cumprir e fazer cumprir a Constituição e o que tem uma visão construtiva, positiva para Portugal (por oposição a uma visão baseada no miserabilismo, carestia e misericórdia), de um futuro em que Portugal se torne de novo produtivo, soberano e independente. E por oposição a outros candidatos sem trajectória e programa político claro, ou com bases de apoio contraditórias.
  • O objectivo principal nesta fase é que Cavaco Silva não ganhe à primeira volta. Isso já constituiria uma derrota para Cavaco. Sobretudo depois de ele, vergonhosamente, ter apelado aos custos económicos para o país de uma segunda volta na actual situação de crise, claramente desprezando a opinião dos Portugueses e o processo democrático, como dizendo, “vamos é despachar isto”.
  • Independentemente do que sondagens mais legítimas ou mais fraudulentas possam indicar, a vitória na primeira volta não é um facto consumado. Na verdade a sua vitória não é um facto consumado e certo. Se ele for à segunda volta, muita reorganização do eleitorado de direita e esquerda pode levar à sua derrota.
  • Os trabalhadores que andaram em luta ao longo dos últimos anos não devem esquecer os responsáveis pela actual crise pessoal, familiar e nacional, e “levar a luta ao voto”. Nesse sentido uma derrota da política de direita é fundamental.
  • Por estas razões, nesta primeira volta, votem segundo a vossa opinião sobre o melhor candidato para o país, independentemente de contas sobre a primeira ou segunda volta. Havendo segunda, logo haverá lugar para nova reflexão.

É nesse sentido que digo que o voto é sempre útil, não é o cálculo político que o torna útil. É intrinsecamente útil ao reflectir a opinião de um eleitor. E é uma oportunidade única para cada eleitor exprimir a sua opinião livremente, e esse direito conquistado em Abril não deve ser esquartejado.

Sobre André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
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3 respostas a O voto é sempre útil

  1. Carlos Braga diz:

    Acabei de chegar de Guimarães, onde estive presente no comício de encerramento da campanha de Francisco Lopes.
    Francisco Lopes esteve sempre na campanha com elevação e apresentando medidas concretas de futuro para o país, combatendo as injustiças sociais, defendendo o aumento do salário mínimo (uma vergonha nacional) e o direito ao trabalho com dignidade… entre muitas, e muitas outras propostas, que visam construir uma sociedade mais livre, justa e solidária.
    No próximo domingo, o meu voto só podia ser Francisco Lopes.
    Força Francisco Lopes!

  2. Pedro Penilo diz:

    Boa, André. Estás em forma!

  3. Em forma de quê? De capacho?

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