As seis vitórias necessárias

Todos os que

sentem diariamente a porrada do cansaço         têm o cérebro e o estômago ocupados com as suas fomes          todos os que exprimem com o punho cerrado alegria e raiva         todos aqueles que já ergueram a bandeira vermelha         os que conhecem e entoam com genuína comoção a canção cujo primeiro verso começa de pé          Aqueles que se sentem dos outros

Para estes a próxima eleição presidencial tem de cumprir (pelo menos) seis objectivos. Cumprir, aqui, significa trabalhar para eles, para todos eles, independentemente da esperança ou da descrença, porque dar crédito à esperança, ou à descrença, já é capitular.

Esta eleição é uma batalha. Como batalha, não pode ser passada em branco, nem anulada. Prepara melhor (ou pior) terreno para as outras que se seguem. Tem de ser vencida. Como batalha não é o fim, dela não sairá um salvador, nem um apaziguador. Nela se escolhe um projecto de que ninguém é corpo, mas tão somente portador. Um projecto (uma batalha) que enfrenta outros projectos, uma força contra outras que nos aniquilam.

Lançamos o olhar para lá desta batalha, para lá do horizonte do seu momento. Que forças (que política?) sairão reforçadas com os seus possíveis resultados, na primeira e na segunda volta? Que história desta eleição garante melhor que a luta continua, mas com mais garra(s)? A resposta a esta pergunta formula já um segundo objectivo. O êxito, parcial ou total, das diversas candidaturas, não tem o mesmo significado para a luta futura. A história da primeira e da segunda volta deve assegurar o reforço das posições da luta dos trabalhadores e das massas populares.

A componente primária (mas não exclusiva) da vitória é a derrota de Cavaco Silva, como portador e mandatário do que de mais conservador, obscurantista e reaccionário existe na sociedade portuguesa, em despudorada aliança com o que nela há de mais corrupto e boçal.

A componente última da vitória, neste plano e neste momento, é uma derrota da política de direita, uma derrota do projecto ultraliberal, uma derrota da capitulação à chantagem dos mercados financeiros sobre a nossa economia e, finalmente, uma derrota da entrega ao esbulho das nossas capacidades. Política, projecto, capitulação e entrega que são sustentados e corporizados em Portugal pela aliança estratégica de geometria variável PS-PSD-CDS, em conluio promíscuo e interessado com o grande capital financeiro, nacional e internacional, apoiada num total (ainda que encenado) controlo e subversão da comunicação social dominante.

O projecto, que presumo ser o dos convocados neste texto, afirmará em todas as batalhas presentes e futuras a ruptura intransigente e consequente com o rumo de três décadas na política nacional. Isto significa, em todos os momentos, mesmo naqueles de construção da unidade mais ampla e das alianças, encontrar e garantir o reforço das posições do movimento de ruptura e emancipação.

Para estes convocados não será um detalhe que o efectivo exercício da democracia se cumpra: na participação em eleições de uma candidatura com um projecto distinto e genuinamente alternativo; na realização de campanhas eleitorais que são participação, mobilização e esclarecimento efectivos, sem concessões à máquina trituradora mediática; e que, por tudo isto, resultam numa eleição, em que eleitores conscientes e activos fazem a sua escolha, sendo ao mesmo tempo obreiros dessa escolha.

O único candidato – o único projecto – que corresponde garantidamente a todos estes objectivos, é a candidatura de Francisco Lopes.

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16 respostas a As seis vitórias necessárias

  1. luis vasques diz:

    a vossa “sorte” (o nosso azar!) é que é muito pouco provável .. porque senão iam mesmo ter que engolir o sapo alegremente.. (ou nobremente)

    • Pedro Penilo diz:

      Nenhum desses cenários (o da hipotética sorte e o do hipotético azar) invalida, antes reforça, o que está escrito na posta.

  2. mesquita alves diz:

    Boa tarde.
    Em que grupo de trabalho da UEC é que foi feito, este brilhante documento contributivo?
    Os meus parabéns!

  3. João Valente Aguiar diz:

    Completamente de acordo camarada. Nada mais tenho a acrescentar. Apenas uma nota ligeiramente lateral. De facto, é espantoso como todos os que nos criticam, todos os que criticam o projecto político plasmado na candidatura do Francisco Lopes, nunca ou mto raramente, discutem propostas políticas sobre o que mais aflige os trabalhadores, sobre o futuro do país, sobre a organização da nossa estrutura económica, sobre os ataques aos direitos sociais e políticos dos trabalhadores, etc. etc. etc. Tb aqui temos uma outra componente distinta (para melhor, claro) da candidatura que não se esconde e que abraça um ponto de vista de classe bem vincado, do lado dos trabalhadores e dos explorados.

    Um abraço

  4. P.P.>/b> meu caro pode escrever até se esmifrar, e talvex por aí ganhe um votinho por outro para o seu ‘candipato’.

    Moral da estória ?
    Nenhuma, o fulao vai ter os votitos da ‘base de apoio’ do PêCê, portanto entre 5 e isso mesmo, suponho que lá na sede haja maneiras criativas de lamber as feridas. Concurso de tontos… e nem há ‘Zorro’ nem nada.
    🙁

    Admiro-lhe a perseverança e o gosto pela desgraça.

    A.

  5. iskra diz:

    5 estrelas!

  6. joao rocha diz:

    conta comigo , meu voto vai para Francisco Lopes, e não andaremos loge dos 400.000 votos ,Francisco Lopes avanca com toda confiança

  7. Pingback: Nem meia volta dada. | cinco dias

  8. Caso venha a surgir uma segunda volta, não será um reprise da segunda volta entre Freitas e Soares. Esse foi um contexto muito particular, em que estava fresco na memória a governação à direita e a traição do Soares enquanto primeiro-ministro. O Alegre (ou o Nobre) não são o Soares. Não haverá que engolir sapos. Na minha perspectiva, na segunda volta, haverá que derrotar o Cavaco. Isso também pode passar por votar Francisco Lopes na 2ª volta. Porque não?

    • Pedro Penilo diz:

      Está dito!

    • Renato Teixeira diz:

      “Não haverá que engolir sapos. Na minha perspectiva, na segunda volta, haverá que derrotar o Cavaco. ”

      Isto quer dizer o quê?

      • Pedro Penilo diz:

        Enquanto o André não responde, adianto o que interpreto dessa passagem, já que a caucionei.

        Eu diria que Alegre não é o representante máximo – do modo como Soares o era – da traição do PS. Alegre corporiza a ambiguidade calculada, que objectivamente serviu a estratratégia do PS e da política de direita. Mas está colocado pelos seus próprios eleitores num papel que não é comparável ao de Soares, então. E por aqui, para já, me fico…

        Já quanto a Nobre, não tenho tanta certeza… Representa sobretudo uma traição (decepção, ou revelação) de si próprio. Revela destrambelhamento e inclinações pouco democráticas. É então perigoso, por não parecer verdadeiramente sapo.

        • Renato Teixeira diz:

          Não são os eleitores de esquerda que Alegre ainda ilude que se vão sentar em Belém. Haverá Soares sem Alegre? O que muda na natureza da sua candidatura?

          • Pedro Penilo diz:

            Estou de acordo: não há, nunca houve, Soares sem Alegre. Mas, isso não invalida que, num cargo unipessoal, e com a vaidade sabida, isso não represente, em contexto diferente, realidade (algo, qualquer coisa, suficientemente) diferente.

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