Feridas abertas no Bloco de Esquerda – Nova dissidência tornada pública

Carta Aberta à Comissão política do Bloco de Esquerda

Ao cuidado da Comissão Política do Bloco de Esquerda,

sou não só aderente, mas militante do Bloco de Esquerda desde que atingi a minha maioridade, tendo agora quase 25 anos. Já então acreditava que qualquer transformação efectiva na sociedade portuguesa teria de se constituir em ruptura com o sistema político e económico nacional, e em combate contra os partidos que o dominam num perpétuo rotativismo em que tudo muda a cada quatro anos, para sempre ficar no mesmo. Acreditava que a resposta política teria que ser extra-sistémica, pois o quadro da política convencional “tem ajudado bem pouco a superar este quadro e, pelo contrário, revela-se um factor do seu agravamento: a fulanização aproxima-a de uma feira de vaidades, o minimalismo da dependência face aos media retira-lhe densidade e qualidade, a gestão de influências diminui-lhe a credibilidade” (“Começar de Novo”, manifesto fundacional do Bloco de Esquerda). Face a estas limitações patológicas da democracia parlamentar portuguesa, a alternativa socialista e popular teria de se constituir em ruptura com a situação, e em diálogo com sectores com objectivos programáticos comuns. Nesta guerra, o parlamento deve ser um campo de combate, mas não o único, e nunca o primordial. A alternativa constrói-se na base, e não na cúpula. O Bloco surgiu como resposta a estes anseios, como uma coligação de movimentos e indivíduos de esquerda que, em unidade na diversidade, se propunham corajosamente a tomar esta tarefa de refundação nas suas mãos.

Desde o inicio, verifiquei divergências com a direcção do movimento, sem nunca consumar um corte definitivo, pois as divergências são naturais num partido democrático. No entanto, deixaram de o ser quando me senti ostracizado por pertencer a uma das correntes internas do Bloco, nunca sendo formalmente convidado a sair devido às minhas divergências, ainda que sentindo uma agressividade latente da parte dos camaradas que discordavam das minhas posições, afectos à direcção. Houve alturas, em que uma autêntica “caça às bruxas” tinha lugar, uma verdadeira “demonização” de uma das correntes internas do movimento, algo que não é salutar, e que ainda hoje ocorre no seio do partido. Sem me alongar em pormenores, todos os que ainda militam no Bloco, certamente sabem do que estou a falar.

Ainda assim, continuei a militar. Questões organizativas resolvem-se dentro da organização, pensei eu, e o essencial é a política. No entanto, ainda no campo das questões organizativas, ocorreram divergências políticas. Como já disse acima, quando construindo uma alternativa política socialista e popular, o parlamento deve ser um campo de combate, mas não o central. A alternativa constrói-se no real, no tecido económico da sociedade, no seio de quem trabalha, intervindo nos sindicatos, comissões de trabalhadores e outros movimentos sociais. O trabalho parlamentar deve-se sempre subordinar a isto, e os deputados eleitos devem estar subordinados a quem intervém directamente na sociedade. No Bloco, sempre se verificou o contrário: um grupo parlamentar completamente independente, um autêntico “partido dentro do partido”, cujo trabalho é o eixo à volta do qual gira o movimento. Alturas houve, em que a impressão que me dava era de que o Bloco se resume quase exclusivamente ao grupo parlamentar, o resto era uma mera estrutura de apoio. Neste momento, e com o evoluir da situação, não tenho qualquer hesitação ao afirmar que o Bloco está completamente institucionalizado, profissionalizado e, se preferirem, burocratizado. Denotam-se facilmente fenómenos preocupantes, como o da excessiva profissionalização e casos de carreirismo da parte de jovens escolhidos a dedo pela direcção, cujo único critério de escolha é a fidelidade política à dita.

Depois, e para concretizar, vieram as rupturas politicas definitivas. O apoio a Sá Fernandes na Câmara de Lisboa e a coligação com o PS no dito município. O voto favorável à filantrópica “ajuda financeira” à Grécia, ou seja, o apoio ao PEC do vizinho, e para culminar, a campanha conjunta com o partido do governo para a eleição de Manuel Alegre. O Bloco não é a alternativa extra-sistémica que eu procurava no inicio, e não vejo forma de o voltar a ser. A institucionalização está consumada, e a partir desse momento, quero cancelar a minha categoria de aderente do movimento e, com isso, privar-me de todos os deveres e direitos que tenho como tal.

Tal não quer dizer que não haja momentos em que estaremos em luta conjuntas, e provavelmente, o BE até continuará a contar com o meu voto em certos actos eleitorais mas, perante tanta divergência programática, deixei de vislumbrar qualquer sentido em continuar organizado, não querendo contribuir para uma contabilização artificial do número de aderentes do partido. Como tal, desejo desvincular-me do mesmo.

Com saudações socialistas,

Tiago Silva

[aderente nº 3409]

PS – Tiago, a dissidência é sempre um momento de tristeza mas é seguramente melhor do que cantar alegrias a fingir, a mentir ou de encomenda. Parabéns pela coragem que te dará muito mais energia para as lutas que valem a pena. Aquele abraço.

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86 respostas a Feridas abertas no Bloco de Esquerda – Nova dissidência tornada pública

  1. Tiago Silva diz:

    Obrigado, Renato, mas a minha dissidência foi “progressiva”. Isto é, “fui saindo”, e depois de estar meses sem querer fazer a mínima coisa para o movimento, apercebi-me que continuar a ser “aderente” do mesmo era uma maneira de contar para uma contabilização artificial do mesmo. Como também não tenho esperança, nem motivação de remar contra a maré, preferi sair. Ainda assim, não o queria fazer sem manifestar as razões, achem-nas justas ou não.

    No entanto, como foi uma decisão tomada ao longo de meses de reflexão, não foi um “parto doloroso”, passe-se a expressão 🙂

  2. Rui F diz:

    Em democracia é assim que funciona.
    E se as alternativas não te satisfazem, funda uma alternativa.

    Boa sorte Camarada

  3. xatoo diz:

    tanta conversa por causa de um único indivíduo. Justifica-se?

    • Renato Teixeira diz:

      Para o Xatoo o individuo será sempre uma unidade desprezível e significará sempre um individuo. Temos concepções diferentes caríssimo.

    • Tiago Silva diz:

      Certamente que sou só um indivíduo, que resolveu tornar pública a sua dissidência. Vá lá ver os que saem em silêncio, ou os que “saem” mas não têm pachorra para cancelar a sua categoria de “aderente”.

      • Renato Teixeira diz:

        E vêm de todas as correntes para além de alguns independentes. Do PSR à UDP chegam sinais de grande desistência, que ainda por cima sai calada ou “fica” silenciosa.

        Este processo é a cara metade do caminho que o BE escolheu. Saem “Tiagos” para que os “Zés” façam o seu caminho.

        • Boots diz:

          Enquanto continuarem a ter o lobby que têm na comunicação social essa realidade não se vai sabendo…

          • Renato Teixeira diz:

            Também por isso faz sentido usar a rede para divulgar estes assuntos, mas parece-me que o central é a relevância política das conclusões da dissidência e o facto do BE não fazer gala na sua fama democrática e não fazer circular os documentos por toda a militância.

  4. lingrinhas diz:

    os zés os anacletos , os fazendas eoutros apaniguados.

  5. Citando xatoo:
    «tanta conversa por causa de um único indivíduo. Justifica-se ?»
    Sim.

    Desde tempos e tempos.
    No dia em que perderes o respeito pelos indivíduos/as singulares, meu caro estarás fornicado.
    Porque depois, um dia, há-de tocar-te a ti, espera por elas.
    Vai doer.

    🙁

    Já se sabia há muito tempo, não ?

  6. O Tiago refere que tomou a sua opção devidamente ponderada (ao longo do tempo), é uma atitude respeitável, obviamente. Tudo o que o Tiago escreve é do conhecimento de todos, nesse sentido, penso que não deveria ter desistido, assim como aqueles que regista e, de todas as correntes/independentes. Sair é o mais fácil, sem desprimor, e por consequência faz/fez aquilo que a direcção e demais adversários internos queriam.

    Boas lutas.

  7. O tom tonitruante do título fez com que , por momentos, eu pensasse que tivesse saído o Fazenda. A carta é bastante interessante pelo seu conteúdo, mas é subalternizada pelo título que escolheste. Eu teria escolhido uma citação da carta. Manias de jornalista.
    Mesmo assim, registo um progresso desde que fizeste cair o governo do ANC e do PCSA às mãos de um partido trotskista que tinha tido 300 votos nas eleições 🙂

    • Renato Teixeira diz:

      Pensei nisso mas o quarto parágrafo é demasiado grande e impossível de seleccionar. Aqui fica, então, para teu deleite:
      “Depois, e para concretizar, vieram as rupturas politicas definitivas. O apoio a Sá Fernandes na Câmara de Lisboa e a coligação com o PS no dito município. O voto favorável à filantrópica “ajuda financeira” à Grécia, ou seja, o apoio ao PEC do vizinho, e para culminar, a campanha conjunta com o partido do governo para a eleição de Manuel Alegre. O Bloco não é a alternativa extra-sistémica que eu procurava no inicio, e não vejo forma de o voltar a ser. A institucionalização está consumada”.

      Noto no entanto algum desdenho xatooiano, deriva colectivista por certo, deste teu comentário. Vou já fazer uma posta a meter-me com o Sporting.

  8. Um abraço camarada Tiago. Compreendo-te tão bem.
    Até já.

  9. Augusto diz:

    Tiago Silva , poderia dizer que se quis pôr em bicos de pés…mas não vou por aí.

    Os partidos politicos são constituidos por cidadãos, e a adesão é livre, tal como a saida.

    As suas divergências desculpe que lhe diga são um bocado pifias….

    Fala do Sá Fernandes , da ajuda á Grécia e do apoio ao Alegre, só posso entender que está um pouco atrazado na sua dissidência, dado que alguns destes factos têm anos, e outros muitos meses.

    Então porquê agora….

    Talvez porque domingo vá haver a primeira volta das Presidenciais?

    Só pode …..

    Em suma o caro Tiago Silva acaba por se juntar a Correia de Campos, no auxilio ao Cavaco Silva…

    Mas cá estaremos no Domingo á noite, para se houver segunda volta ( como parece que se começa a desenhar) , conversar-mos…..

    • Vale uma aposta? Dia 23 à noite, os malandros que quiseram fazer uma Convenção Extraordinária, que disseram e mantêm que o BE cometeu um erro político ao apoiar o candidato do Governo…vão ser os grandes responsáveis pela vitória de Cavaco…todos nós somos Correias de Campos em potência!!
      Tiago, não sejas egoísta: nem penses que vais ficar com a pifia só para ti…

    • Tiago Silva diz:

      Não estou atrasado, como disse a mantive-me “fora” do BE, ainda contando como “aderente”. Resolvi abdicar desta “aderência”, pois a caracterização de Manuel Alegre como “impulsionador da luta de classes” (tal como li em textos de dirigentes do BE) foi a última gota. Não foi um corte “atrasado”, mas bem reflectido e fundamentado. A capitulação do BE é progressiva, tal como foi o meu processo de decisão. Ver os deputados do BE de mãos dadas com dirigentes do PS, profundamente enterrados até ao joelhos no estrume que se tornou o centrão, foi a ultima gota. Espero que o BE use galochas.

      Mais, se para o Augusto aprovar o PEC do vizinho, disfarçando-o de “solidariedade internacionalista” e andar de mãos dadas com o Sócrates, enganando o povo com um candidato politicamente transformista, é aceitável, tudo bem… Agora, não é o projecto que me apresentaram aquando da minha entrada, como tal este caminho marcará a minha saída.

      Quanto ao “por-me bicos de pés”, eu não pedi ao Renato a publicação do texto no blog, mas acedi a que ele fosse publicado, não tenho qualquer vergonha de assumir as decisões que faço. No entanto, aconselho-o a entrar em contacto com muitos dos jovens dirigentes do BE. Esses sim, põem-se em bicos de pés e até fazem malabarismos para alimentar o seu ego.

      Quanto ao Cavaco, nem vou comentar, pois a crítica vale o que vale para quem faz da aliança com o Sócrates a sua política.

    • Renato Teixeira diz:

      Eu diria que para quem anda sobre as andas do PS acusar os outros de se colocarem em bicos de pés é muito descaramento.

      Que a direcção do BE tenha por hábito esquecer na gaveta as declarações de motivos dos dissidentes, não é novidade, que um tipo tenha que ouvir que não tem o direito de tornar públicas as razões pelas quais abandona um projecto político no qual se empenhou e é reconhecido, é um bocadinho delirante.

      Perante a insistência na chantagem de quererem imputar a quem não está com Alegre de estar com Cavaco, pergunto-me se haverá algum partido mais cavaquista do que o PS, PSD inclusivé.

    • Boots diz:

      Para alguns que parecem muito esquecidos aqui têm… só contaram para vocês.
      http://www.youtube.com/watch?v=QP3z_aYsfUg

  10. Augusto diz:

    Caro Tiago para alem de tirar conclusões que aquilo que escrevi não permite, talvez para justificar certas incoerências da sua própria posição….

    Continuo a pensar como a Isabel Faria, que lutar por aquilo em que se acredita, mesmo que se esteja em minoria, desde que haja liberdade de expressar publicamente divergências, mostra que o projecto Bloco de Esquerda continua vivo plural e aberto a opiniões diversas.

    Entendo que a militância é livre, e todos nós temos o direito de abandonar o barco, quando achamos que já nada nos motiva a continuar a bordo.

    É um direito de qualquer militante, agora as justificações, as cartas abertas, a publicidade, de pouco servem, a não ser para olhar-mos para o nosso próprio umbigo.

    Conheci muita gente que esteve nos promórdios do Bloco, e entretanto saiu, porque já não se revia no projecto, sem estardalhaço nem cartas abertas, assim como há muitos outros que têm aderido e vão continuar a aderir ao BE.

    E a evolução natural dos partidos politicos, são corpos em constante mutação, como a sociedade, mas a vida continua.

    • Augusto, tiraste umas conclusões muito abusivas do que escrevi ou, então, fui pouco clara…
      Mas deixarei as clarificações para um dia destes.
      Ah e uma coisa te garanto sempre que faço as malas de um lugar, explico bem explicadinho porque o faço. Penso que é um dever para quem percorreu caminhos comigo para lá chegar. E para quem lá fica.

  11. puffypuffs diz:

    Dos grandes momentos do Bloco tardio que tive oportunidade de assistir foi quando em plena assembleia do Mayday, na qual participavam diversas pessoais alheias ao bloco, o Ricardo Moreira afirma não podemos organizar uma qualquer efeméride num dia especifico porque seria a festa de anos do Ruptura, para depois dizer à laia de desabafo que deviamos era ir lá todos partir aquela merda toda.

  12. xatoo diz:

    afinal a conversa vai-se justificando:
    como o camarada Garcia Pereira avisou em tempo e logo de inicio: “o BE é um fenómeno passageiro” – se o Alegre não der a volta aos neocons lá se vai o “movimento” engolido pelo último estádio do cavaquismo de ponta

    Quanto à velha questão do “individuo vs sociedade”, convém talvez lembrar que a sociedade no actual paradigma capitalista-democracia-representativa é uma ilusão, não existe. Não há espaço público para o exercicio da liberdade em nome de ideias de comunidade, de colectivismo. As ruas e as estradas estão cercadas pelo arame farpado da propriedade privada. O embuste da “democracia” alicerça-se num somatório expresso pelo sufrágio universal de egos de individuos que não têm quaisquer hipóteses de intervenção, excepto por abstracções, escritos, palavras…

  13. Tiago Silva diz:

    Cada um abandona o barco da forma que entender. Também conheço pessoas que o fizeram “em silêncio”. No entanto, essa liberdade interna do BE de que fala é muito limitada. A liberdade não é um conceito formal, e não basta estar nos estatutos para se concretizar. A pressão informal, as “caças às bruxas” de que falo no texto são muito mais eficientes do que muitos mecanismos formais de limitação da liberdade. Durante muito tempo, tentei mudar as coisas por dentro, no entanto, “todos nós temos o direito de abandonar o barco, quando achamos que já nada nos motiva a continuar a bordo”. Eu fiz desta forma, porque sei quais são os hábitos da direcção do BE, e não queria a minha carta abandonada numa gaveta da sede do partido, senão leia atentamente o que escreveu o Renato. Eu queria deixar claro, não só para a direcção, como para todos os meus antigos camaradas de partido, o porquê de eu sair. Porque se apenas mandasse a carta para o correio oficial do BE, ninguém saberia dos meus motivos. Escolhi torná-la pública, porque da mesma forma que partilhava com a sociedade os laços ideológicos que me uniam ao BE, aquando da minha militância, partilho também o que nos separou. É outro direito que tenho. Se desconstruí mais um pouco o que já começa a ser óbvio para muitos militantes anti-capitalistas e socialista, ou seja, o caminho que o BE segue, olhe, os meus pêsames.

    Certamente que o Augusto achará que as minhas justificações não têm utilidade, assim como todas as opiniões que vão contra a política da direcção. Tenho pena.

  14. Mary diz:

    Era bom que aprendessem a lavar a roupa suja em casa.

  15. Mary diz:

    Obviamente que isto é um espaço público. Ou não sabia? A minha recomendação deve-se meramente a razões higiénicas.

    • Renato Teixeira diz:

      Falta de higiene é ficarem as razões da dissidência na gaveta e a dos burocratas na primeira página. Não lhe interessa, siga adiante.

      • Tiago Silva diz:

        É engraçado que, caso fosse um dissidente do PCP a romper publicamente, já mereceria rasgados elogios. Assim, a porca torce o rabo, não é?

        • Mary diz:

          Eu nunca gostei da lavagem da roupa suja na rua, fosse ela de quem fosse. E também não gostei nada do aproveitamento que o BE e o PS fizeram dos dissidentes do PCP.

          • Renato Teixeira diz:

            Nem queira saber o que seria roupa suja. Nem queira saber! O texto do Tiago faz considerações políticas, não levanta as saias ou baixa as calças de ninguém.

          • Youri Paiva diz:

            Isto não é lavagem de roupa suja. O Tiago não falou de nomes, não se tornou num bufo traidor só porque escreveu uma carta aberta a explicar os seus motivos pela saída do BE. Nem criou um movimento que só serve para criticar o seu anterior partido.

  16. Rui F diz:

    5 dias.net o clube da destilação de ódio ao Bloco de Esquerda.

    Tiago…tanta lenga lenga para dizeres que te vais embora?
    Porra! Faz as malas que já vais tarde.
    Há gajos complicados como o catano.

  17. LAM diz:

    “Obrigado, Renato, mas a minha dissidência foi “progressiva”. Isto é, “fui saindo”, e depois de estar meses sem querer fazer a mínima coisa para o movimento, apercebi-me…”

    Ó Renato, quer dizer, claro que o Tiago Silva tem todo o direito de burocraticamente pôr os pontos nos ii, mas ao que parece já não contava efectivamente para grande coisa e, só cá pra nós que a conversa não é na rua, como o Tiago e com os argumentos do Tiago devem ser às paletes todos os dias a sair e, quase que apostava pelas mesmas razões…a entrar. 25 anos e coisa e tal, palpita-me (muitos anos a virar frangos), que o que se vai ganhar dali é um grande animador de caixa de comentários de blogues, o que não é mau.

    • Renato Teixeira diz:

      Não tem razão LAM. O BE nunca foi um partido militante, à excepção dos quadros das correntes e de meia-dúzia de independentes, e não é com o falsete alegre que se vai tornar.

      O LAM deve ser daqueles que estaria aos pulos se a dissidência fosse do Partidão. Estarei errado?

      Acha mesmo que da dissidência não se ouvem vozes cheias de coisas para dizer, e não raras vezes cobertas de razão?

      • LAM diz:

        “O LAM deve ser daqueles que estaria aos pulos se a dissidência fosse do Partidão. Estarei errado? ”

        Completamente errado. Não só porque o futuro dos ganhos nessa matéria seriam provavelmente os mesmos, como até, antes ainda e num caso idêntico com a enorme relevância com que este se apresenta, nem isso seria assunto para posta, aqui e em lado nenhum.

        Quanto ao resto: tá bem, tá bem…

    • Tiago Silva diz:

      Caro LAM, acredite ou não, dediquei muito tempo, esforço e dedicação ao trabalho no partido, quem me conhece sabe isso, e não me arrependo minimamente. Se nos últimos tempos tal não acontecia, é simplesmente porque é dificil lutar num espaço onde não há motivação, e onde inclusive podemos ser hostilizados. Isso não apaga o que vem atrás.

      No entanto, tal como a Isabel Faria disse antes, é uma decisão difícil, e pensava que, quem sabe, talvez as coisas mudassem, e poderia voltar a fazer sentido para mim militar no BE, quando voltasse ter força para remar contra a maré. Apenas por isso, a decisão foi adiada. Esta campanha presidencial foi a última gota, não preciso de me repetir.

      Agora, contava para a contabilização de membros do partido, e isso não é de menor importância. Quanto a isso, relativamente aos números “reais” de aderentes do BE, eu podia-lhe dar uma ou duas palavrinhas, mas nem vou por aí.

      No entanto, se ser um grande animador de caixas de blogs é um elogio, agradeço-o profundamente, caso isso se venha a verificar 😉

      • LAM diz:

        Tiago, não tenho razão nenhuma para duvidar do seu empenho e dedicação, e o melhor que pode fazer a si próprio é persistir empenhado nas causas e coisas em que acredita. Quanto ao resto, não me ficará bem a mim, militante ou aderente de coisa nenhuma, adiantar mais o que quer que seja.

  18. Pedro Lourenço diz:

    Uma das coisas que aprendi com a acção política de Cunhal, que conheço quase exclusivamente dos livros, é que nunca devemos perder de vista o nosso objectivo. Mesmo que por vezes tenhamos de fazer algo que nos colocando momentaneamente mais longe do mesmo, permite-nos continuar a ter ambições em alcancá-lo, evitando-o a sua exclusão irreversível. Cunhal pensou assim em variadíssimos momentos da história deste país e à sua visão, que nem sempre era a visão da maior parte das pessoas no seu partido, podemos hoje agradecer muito daquilo que foi conquistado em Abril e que ainda se mantém em vigor na nossa sociedade.

    E isto também serve ao Renato. Alegre pode não ser o ideal. Mas a sua vitória, atendendo à impossibilidade de vitória de Lopes, é imprescindível à manutenção da luta por um estado mais justo e igualitário em Portugal.

    Renato, tu tens toda a liberdade de criticar abertamente o Alegre. Nem sequer te atiraria à cara a possível incoerência de, num cenário de 2ª volta, teres de defender o candidato que escolheste para ser o saco de pancada durante os últimos tempos. No entanto, Alegre é um mal menor quando comparado a Cavaco. Com Cavaco, o PSD e o FMI está criada a santíssima trindade que vai tornar este país um case study das tácticas de exploração neo-liberais com tudo aquilo que poderás facilmente perceber.
    Abraço

    • Renato Teixeira diz:

      Não estou de acordo, como temos conversado. Alegre é o garante da alternância ao centro nestas eleições, ainda para mais tendo em conta que será Passos Coelho o próximo primeiro-ministro. O travão do movimento social. O polícia de proximidade que garante ser capaz de estabilizar o país. Continuo convicto que a hegemonia do socialismo democrático em Portugal é o grande obstáculo aos “nossos objectivos”. Se os adversários de uma mudança estrutural no país fosse apenas a direita que temos, já se tinham feito meia-dúzia de revoluções.
      Pedro, ainda que saiba que não é esse o teu ponto de vista os argumentos que avanças servem aos que defendem o voto “útil” em Sócrates ou José Seguro contra Passos Coelho. Não é por aí que se tem ido? Que objectivos são esses dos quais nos distanciamos se mudarmos de estratégia?

      • Pedro Lourenço diz:

        A eleição para o presidente difere bastante de umas legislativas.

        Nunca votei Sócrates e dificilmente votarei qualquer outro do PS porque prefiro ter quem me represente no parlamento e não apenas o possível. Algo que já não acontece na Presidência. Embora, e aí estou totalmente de acordo contido e com o Tiago, a luta política não pode ser um exclusivo da AR, nem sequer deve ser o local primordial para essa luta.

        Compreendo o teu ponto de vista e concordo em grande parte com ele, apesar de considerar que o grande inimigo dos ideais que defendo é Cavaco.

        • Renato Teixeira diz:

          Pedro, insisto na pergunta que ninguém responde para isso poder ser verdade: Se Alegre ganhar, o governo perde? Como é que isso é possível?

          • Fuser diz:

            Não, o governo não perde.

            Mas Cavaco não ganha. PPC mete a viola ao saco. O FMI até pode vir mas temos um presidente que não os vai receber de braços abertos à Portela.

            Quero acreditar nisso.

            Eu admito: mais que Alegre, o que eu quero mesmo é que Cavaco seja humilhado tornando-se o primeiro presidente a não ser reeleito. Isso sim! Não ganharíamos a guerra, mas seguramente ganharíamos uma batalha importante.

          • Renato Teixeira diz:

            Fuser, como os outros remete o seu argumento para o campo da esperança, do querer acreditar. Alegre tem provas dadas no seu partido de sempre sobre o que fará do FMI. Tem de resto feito uma campanha bem mais honesta do que a pré-campanha.

            Passos Coelho não tira o sono a Alegre nem Alegre a Passos Coelho. É o jogo do costume. Estão habituados.

    • Mary diz:

      “Alegre pode não ser o ideal. Mas a sua vitória, atendendo à impossibilidade de vitória de Lopes, é imprescindível à manutenção da luta por um estado mais justo e igualitário em Portugal. ”

      Impossibilidade da vitória do Lopes? Porque é que é impossível a vitória do Lopes? Cá por mim acho-a perfeitamente possível.

      • LAM diz:

        (Mary, creio que estão a falar nas presidenciais, nas eleições para Presidente da República.)

      • Pedro Lourenço diz:

        é possível, era só o que faltava se não fosse.

        mas não é plaúsível. Com pena minha, Mary, acredite.

        • Mary diz:

          Isso só saberemos no dia 23 à noite.

        • Boots diz:

          Como não quero votar num candidato que é apoiado pela direita só posso votar como é óbvio no Francisco Lopes, mas isso será um voto que só os querem mudar de rumo político terão, eu pela minha parte, cumpro o meu papel enquanto trabalhador que está fartinho de levar com estes gajos que me sugam cada vez mais.

          • RP diz:

            A vitória de Lopes só não será possivel se aqueles que aqui vejo a defenderem um novo rumo político, e muitos outros que ouço na rua, não tiverem a coerência de demonstrarem essa vontade no dia 23. Se a esquerda for coerente e não puzer acima de tudo os preconceitos partidários, a vitória de Lopes pode ser possível

  19. Ho Chi Mihn diz:

    Nada como escrever uma boa carta de demissão e mandá-los pó c£r@lh€. Quando eu escrevi a minha (http://anti-trollurbano.blogspot.com), deu-me um gozo brutal… Desde então, passei a dormir melhor e tornei a votar PCP. Eu sei que os camaradas têm o seu quê de burocratas, mas ainda assim são burocratas da minha classe… E isso, bem, isso faz toda a diferença.

    • RP diz:

      ora aí está a verdadeira essência da coisa: “são da minha classe” e como nos ensina a história, as grandes transformações sociais são realizadas com base na luta de classes.

  20. serraleixo diz:

    Não acho bem nem mal. Mas há alguma razão para ser antes das presidenciais? Qual a razão de tomar agora “uma decisão tomada ao longo de meses de reflexão”? Seria melhor ou mais consequente depois das eleições? Não teria sido melhor esperar pelo resultado da decisão estratégica, tomada pela direcção do BE, de apoiar o Manuel Alegre? Porquê divulgar publicamente a decisão e não apenas internamente? Qual o motivo de se o fazer?
    Não quero questionar a decisão em si mas são estas perguntas que faço ao Tiago Silva e aos que têm tomado uma atitude semelhante.

    • Tiago Silva diz:

      Porque o Manuel Alegre e as eleições presidenciais não condicionam o meu timing. Ou melhor, até condicionam, porque esta campanha acelerou enormemente o progresso da minha desilusão com o BE.

      Aliás, seria demasiado presunçoso da minha parte assumir que a minha carta aberta iria influenciar de alguma forma os resultados das presidenciais, não acha?

      Quanto ao carácter público e às motivações de eu romper já foram mais que escrutinadas.

    • Renato Teixeira diz:

      Serraaleixo, há mais vida depois do Bloco de Esquerda. Acredite que até Judas acreditava.

      Quanto ao resto é como na música: “só se aprende a sorrir com a verdade na boca”.

      • serraleixo diz:

        Sim, Renato, não estou minimamente preocupado com o BE. Acho que eles vão continuar a existir depois destas eleições e mesmo o Manuel Alegre perdendo as eleições, provavelmente mais fortes, porque, infelizmente, mais encostados ao centro…
        Mas Tiago, se publicas e divulgas a tua carta aberta de dissidência não esperas que ela tenha uma determinada influência? Nem que seja perante outros que estejam no limbo como tu? Se não, porquê carta aberta?
        Esse tipo de decisões não seriam mais consequentes depois das eleições e se calhar de forma organizada entre vários militantes para ver se abanava um pouco a direcção do BE? Sei que dizes que a escolha de Manuel Alegre é apenas uma gota, talvez grande, de água na tua decisão, mas mesmo assim, não resisto em perguntar.
        (Reparo agora que algumas destas questões foram feitas mais abaixo)
        Não estou a fazer nenhum juízo de valor quanto à sua decisão. Apenas pergunto.
        E, Renato, essa espécie de paternalismo é um pouco, como se diz…?

        • Tiago Silva diz:

          Primeiro, não acho que vão fortalecer encostados ao centro, esse espaço está ocupadíssimo. A meu ver, uma acomodação ao regime, que está iniciada, vai matar o que resta do BE como alternativa, e transformá-lo definitivamente num grupo parlamentar que têm meia dúzia de “aderentes” como base social efectiva.

          Depois, eu nunca quis ser uma dissidência “surda”. Sempre afirmei que , a sair, saio com estrondo, deixo bem claro para a direcção e antigos camaradas as minhas razões. Tal como disse a Isabel Faria, devo-lhes isso.

          E sim, de facto, a campanha do Alegre foi a gota de água. Mas acho que pelo menos parte da direcção do BE se começa a aperceber da borrada política que fez, e não precisa da minha carta como um abre-olhos, acredite.

        • Renato Teixeira diz:

          Paternalismo?!? Tenha santa paciência. Ao centro quem cresce é e sempre foi o PS. Dos que vinham da sua esquerda sempre perderam quando se meteram nessa encruzilhada.

    • Youri Paiva diz:

      Como sabes, não sou militante do BE, mas calculo que o resultado do Alegre pouco importe para a questão. Além de que ver os dirigentes do BE ao lado de Alegre, as opiniões no Esquerda.net e noutros locais, etc e etc, causem um certo nojo.

  21. Joao diz:

    Tirando a parte do aderente e militante, revejo-me neste post. Sinto-me traído, mas é só mais uma pra aprender…

  22. LAM diz:

    Tiago Silva, desculpe voltar a falar no mesmo: por certo que, antes de tomar essa decisão, falou com outros seus camaradas, pessoas dentro do partido com quem tenha mais afinidade, etc. Essas pessoas compreenderam os seus pontos de vista, concordaram consigo até, ou, pelo contrário, discordam dos seus pontos? Quero dizer, a sua saída foi um acto isolado decorrente de uma íntima reflexão ou teve possibilidade de partilhar isso com outros seus camaradas? Isto porque, tendo em conta os argumentos que expõe acima, e dar-se o caso dessas críticas, coincidentemente, fazerem parte do “pacote” mais criticado do BE, creio que por lá haverá outras pessoas que comungarão das mesmas opiniões exactamente sobre os mesmos temas que, tanto quanto para já se sabe, não saíram. Porque é que saiu sozinho e não organizadamente, com outros camaradas, para melhor poderem dar expressão ao descontentamento e continuar por outras vias a V. luta?

    (note que só me atrevo a colocar-lhe estas questões porque fez pública a sua saída, de outra forma era coisa que só a si dizia respeito.)

    • Tiago Silva diz:

      Partilhei o meu descontentamento, sim. Aliás, centenas de vezes. E há muitos outros camaradas com opiniões similares à minha, pelo menos, no essencial. No entanto, pensam que ainda se pode ganhar algo trabalhando no BE, em termos da construção de uma alternativa. Suponho que acham que a capitulação não está consumada. De facto, teria muito maior impacto uma saída em massa, o que talvez até possa acontecer no futuro. Ainda assim, há pessoas com mais paciência que outras.

      A meu ver, continuar no BE seria continuar a outorgar a direcção com uma imagem cool, que até tolera os dissidentes, ainda que longe do microfone os apunhale nas costas; e seria tentar convencer as massas num projecto no qual eu já não me identifico nem antevejo que se torne uma verdadeira alternativa extra-sistémica nem a longo prazo. Logo, não quero enganar as pessoas. Ora veja, imagine o discurso que eu teria com um hipotético operário fabril, caso o quisesse organiza no partido. Teria de o convencer que o BE não será nunca um partido revolucionário socialista, mas que ou daqui a uns tempos conseguimos transformá-lo (o que eu não acredito, todas as burocracias defendem o seu território), ou esperamos pela sua capitulação e saímos. Para mim, isso não faz sentido, e só leva a um maior descrédito na política. A contradição interna chegou a um ponto de ruptura. No entanto, espero sinceramente que os descontentes, a chamada ala esquerda do BE, cortem com partido, e aí, sem dúvida que juntaremos forças de novo.

      • LAM diz:

        Obrigado, bastante esclarecedor. Pelo menos quem está de fora fica com uma ideia bastante aproximada da amplitude desse descontentamento o que, sendo por razões próximas das suas, é uma coisa boa.

      • Mary diz:

        “A meu ver, continuar no BE seria continuar a outorgar a direcção com uma imagem cool, que até tolera os dissidentes, ainda que longe do microfone os apunhale nas costas; e seria tentar convencer as massas num projecto no qual eu já não me identifico nem antevejo que se torne uma verdadeira alternativa extra-sistémica nem a longo prazo. Logo, não quero enganar as pessoas.”

        E faz muito bem.

  23. LDiogo diz:

    desde a sua criação que considerei o BE um partido fantoche, a começar pelos seus fundadores, todos eles da classe média alta ou alta, que decidiram acenar com meia dúzia de coisas fáceis de apoiar, principalmente pelos jovens, e assim conseguir ganhar terreno político neste país farto de políticos e políticas enfadonhas, com umas arruadas umas cervejas e uns fumos no ar, lá se foi entrando na mente dos jovens e arrastando camaradas pró seu lado, todos criticam o Cavaco por causa da Coelha, se calhar sem saber bem os contornos da coisa, também concordo que esteja mal explicado mas, no BE também existirão outras coelhas, esperem para ver…
    Citando o Tiago ” Alturas houve, em que a impressão que me dava era de que o Bloco se resume quase exclusivamente ao grupo parlamentar, o resto era uma mera estrutura de apoio. Neste momento, e com o evoluir da situação, não tenho qualquer hesitação ao afirmar que o Bloco está completamente institucionalizado, profissionalizado e, se preferirem, burocratizado. Denotam-se facilmente fenómenos preocupantes, como o da excessiva profissionalização e casos de carreirismo da parte de jovens escolhidos a dedo pela direcção, cujo único critério de escolha é a fidelidade política à dita.”
    Estes senhores tomaram o gosto ao acento na assembleia, ainda não vi nenhum partido, nem os de esquerda, proporem na assembleia alterações ao tempo de reforma dos deputados, proporem por exemplo que, nenhum membro de um governo depois de deixar de pertencer a este, entre directamente para a administração das mais variadas empresas com as quais tiveram relações profissionais enquanto membros de um governo, que fiquem por conta própria, eles até são advogados, economistas, professores ou outra coisa qualquer, que vão trabalhar, regressem ao trabalho que faziam antes de serem deputados, por exemplo, o Vara era caixa de uma dependência da CGD, sai do governo, vai para administrador e de seguida para vice-presidente da mesma CGD, este é um exemplo mas, muitos outros existem em empresas privadas que fizeram negócios com o estado e que depois oferecem emprego a estes senhores, claro que eles não são corruptos……o BE vai fazendo a cama pra se deitar manda uma postas de pescada pró ar mas, nos bastidores são todos amigos e comem à mesma mesa

    • Tiago Silva diz:

      Justiça seja feita, não acho que os deputados do BE sejam iguais a grande parte dos deputados e dirigentes do centrão. Nesses meandros, o fenómeno é bem mais podre do que a burocratização.

  24. Citando Mary:
    «Eu nunca gostei da lavagem da roupa suja na rua, fosse ela de quem fosse.»

    Eu sim.

    Ou há wikileaks (queria dizer ‘moralidade’…) ou comem todos.

    As coisas são para se saber, não para depois vir um mini-kamaradinha tipo Kruschev (ou ‘ov’), ex-cúmplice da ‘coisada toda’ a dizer em ‘segredo’ «Ah, pois, que chatice, eu não sabia, ‘gandas sacanices, ora tomem lá, calem-se caladinhos e ponham-me lá em cima senão dou-vos com o meu sapato e ninguém fica a saber (none is the wiser)».
    Pois…

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