De caixinha em caixinha, até à vitória final

O problema nestas presidenciais não é tão só o apoio do Bloco de Esquerda a Manuel Alegre conviver com o do Partido Socialista, nem é tanto existir muita gente da esquerda que irá votar – alegremente ou nem por isso – no político profissional e poeta-nada-de-especial. O problema é mais amplo e não é novo – a candidatura de Alegre apenas a coloca num ponto mais evidente.

Tendo se passado pouco mais de uma semana de campanha eleitoral e uma vasta pré-campanha, pouco ou nada se retém desta parafernália de candidatos. Nada do que está fora da rigorosa agenda mediática se discute.

Numa altura em que se diz muito por aí estarmos em crise – coisa que sempre se disse, mas agora o termo vulgarizou-se a pontos estupendos e serve para todo o tipo de justificações -, a esquerda parece sentir dificuldades em dizer alguma coisa sobre a vida das pessoas. Enquanto que o BE se tornou refém da falta de ideias e do socialismo cor-de-rosa de Manuel Alegre, o PCP tem como grande ideia uma coisa que é a ‹‹esquerda patriótica›› – coisa que acho que a maior parte das pessoas não faz ideia do que é, eu pelo menos não faço, nem após as explicações feitas nesta casa pelo Nuno Ramos de Almeida, pelo Bruno Carvalho e pelo Manuel Gusmão. Por outro lado, Fernando Nobre ataca tudo e todos abusando de outro termo que me lembra sempre os sinais colocados nos jardins pedindo às pessoas para não pisarem a relva, que a relva é de todos e que tem de ser preservada: ‹‹cidadania›› – outra coisa que não sei bem o que significa nem para o que serve. Há ainda a monotonia de Defensor Moura e a alarvice de José Manuel Coelho – o Manuel João Vieira com partido, apesar de não se saber será tão bom músico. E claro, o eterno Cavaco Silva que ninguém deste lado quer ver confortavelmente no trono.

Está tudo aparelhado dentro das suas caixinhas em busca de uma melhor percentagem final. No dia 24 estará tudo igual, pelo menos para nós.

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