Afinal quem é que estimulou o endividamento das famílias?

K: O mercado obrigacionista está razoavelmente bem e o de acções está razoavelmente mal.
Cavaco Silva: A apetência pelo risco não é muito forte. Nunca foi. A Bolsa só teve uns picos em 1973 e em 1987. Apesar de sermos um dos países do mundo com maior taxa de poupança. Porquê? Porque basicamente os portugueses aplicam a poupança em depósitos a prazo. Entre 1974 e 1984, os únicos instrumentos financeiros que existiam eram, aliás, os depósitos a prazo e os títulos do Tesouro.

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2 respostas a Afinal quem é que estimulou o endividamento das famílias?

  1. Umd enós os dois está “parvo”.
    Que eu soubesse PT é um dos países do ‘mundinho’ com menor‘ tacha’ de poupanxecks.
    Em todo o caso, a relevância da ‘coisa’… dá-lhes, Barbosa !
    😉

    Em economia todas as variáveis macroeconômicas apresentam, em determinado nível, algum tipo de correlação entre si. No entanto, esta correlação não pode ser encarada ou aceita de forma única e igualitária para toda e qualquer economia no mundo. Em outras palavras, não podemos generalizar.
    A poupança é uma das prinipais fontes de recursos para o governo investir em obras infraestruturais, sociais ou demais investimentos que julgue ser necessários. E é esta a principal relação entre poupança e investimento e é esta a base de minha resposta, justamente por ser a correlação mais usual.
    No entanto, tal correlação não é padrão para todas as economias como já escrevi acima. Você traz a tona duas variáveis que são: o avanço tecnológico e a evolução demográfica, pois bem…
    Claro que o crescimento da tecnologia e a evolução demográfica têm implicações no andamento da poupança. Mas inicialmente atacando a primeira variável, teremos que o avanço da tecnologia poderia gerar num ganho na produtividade geral da populaçao o que acarretaria em um aumento de sua renda e consequentemente num aumento proporcional da poupança de uma determinada nação. Isso PODE ser visualizado em países como Coreia do Sul, Cingapura, Malásia, etc. Do ponto de vista estatístico é algo muito complicado vislumbrar tal relação, mesmo porque outras variáveis se intercalam nos cálculos e desvirtuam uma análise crua e sensata daquilo que se pretenderia mostrar. Variáveis esta como a educação e a homogeinização da população.
    No entanto no caso do Brasil, México e Argentina, por exemplo, esta variável (avanço tecnológico), não produz os mesmos efeitos, ou seja, a referida variável gera ganhos de produtividades às populações que ela consegue atingir, mas não à população como um todo, isso gera portanto desemprego e consequente queda na renda do pais. Ou seja os ganhos de produtividades setoriais, não compensam o desemprego gerado na economia como um todo. No Brasil, por exemplo, uma colheitadeira faz o serviço de dezenas de homens, portanto os técnicos que trabalham com a referida colheitadeira teem ganhos de produtividades gigantescos, mas não os agricultores que são dispensados e passam a viver sob a égide do governo sob diversos aspectos possíveis. Daí vem a importância da variável educação citada a pouco e ponto fulcral no desenvolvimento das economias supracitadas como exemplo.
    Portanto, o avanço tecnológico pode ter efeitos prós e contras no que tange à taxa de poupança num pais (em breve voltarei neste ponto*).
    Outra variável levantada foi a involução demográfica. Esta merece uma análise mais detalhada: Tomemos dois países como exemplo: a Noruega e o Brasil. Tomemos um cidadão de cada país que seja capaz de ser um representante médio da renda salarial de ambas as economias. Ora, o norueguês, certamente terá em sua casa tudo que lhe proporcione uma vida confortável e minimamente descente.
    Mas um brasileiro não, ou seja, o brasileiro tem uma margem maior de necessidades a serem perqueridas (TV’s da LCD, computador, carro, casa, etc.) que o fará a consumir mais que um norueguês.
    Economicamente escrevendo, a propensão marginal a poupar do norueguês pode ser muito maior que a do brasileiro e esta propensão maior pode compensar uma evolução demográfica negativa (desde que pequena, lembre-se que estatisticamente escrevendo a tendência de toda pirâmide demográfica é se tornar um retângulo demográfico, no longo prazo, portanto variações como a descrita por você pode se tornar comum em diversos países no futuro).
    Na variável avanço tecnológico descrita acima, tendo como parâmetro os países asiáticos citados como exemplo, aconteceria no longo prazo o mesmo processo, ou seja, inicialmente a população gastaria muito dado o aquecimento da economia e a implementação de novas tecnologias associado a um aumento na renda da população, mas à medida que a população evolui sua propensão marginal a consumir perde espaço para sua propensão marginal a poupar, o que poderia sustentar um aumento nos níveis de poupança no longo prazo.
    Em ambas as variáveis é perceptivel outros eventos, como por exemplo, a necessidade menores de investimentos o que diminuiria a pressão sobre a necessidade de uma poupança correspondente. Exemplificando: a Noruega não precisa abrir estrada em meio a uma floresta maior que seu próprio território, o Brasil sim. Neste caso é muito mais barato os investimentos destinados a manutenção do aparato já existente que construir algo novo e tão grandioso. O mesmo pensamento vale para toda a gama infraestrutural de ambas as nações, em outras palavras as pressões do investimento sobre a poupança no Brasil é muito maior.
    Outros pontos pertinentes a serem abordados são eficientes programas de imigração de longo prazo que podem minimizar e no longo prazo reverter os efeitos de um processo de involução demográfica.
    Neste quesito o melhor exemplo é o Canadá e sua bem sucedida política de imigração.
    Um ponto macabro, porém muito eficiente acontece na China onde uma queda no número de chineses, levaria uma melhoria qualitativa e quantitativa da poupança.
    Como?
    Simples, é a população pobre chinesa quem mais sofre (e morre), com as turbulências climáticas, ambientais e regimes trabalhistas medievais (os mineiros chineses que não me deixam mentir), portanto uma involução demográfica atingiria pessoas que comumente não poupam e são despesas para o governo, portanto tal queda demográfica não necessariamente levaria a China a uma queda no volume de poupança e ainda diminuiria consideravelmente as pressões nas relações poupança/investimento.
    O mesmo poderia ser vislumbrado em qualquer país populoso no mundo.
    Portanto, na minha opinião o que responde a sua segunda pergunta são um conjunto de nuances de dificílima mensuração estatistica e social, tais quais: a) a propensão a poupar nos países desenvolvidos serem maior; b) as pressões (entenda-se como necessidade) de investimentos nos países desenvolvidos sobre a poupança serem também menores. Neste quesito ainda cabe salientar a postura da iniciativa privada nestes países, ou seja, os governos não são os únicos agentes capazes de fomentar investimentos de porte e o fato de suas populações serem homogeneas e terem um nível educacional muito maior o que absorveria, de forma coletiva, de maneira muito mais eficiente, avanços tecnológicos; c) políticas de imigrações que visem compensar uma evolução demográfica negativa, e; d) peculiaridades presentes em cada economia que pode ser usada em proveito próprio para melhorar a qualidade da poupança e diminuir as pressões do investimento sobre ela.
    Existem também outros efeitos que não convêm entrar aqui nesta questão, como os exemplos dos paraísos fiscais e turísticos, que podem se utilizar de outras variáveis de forma a substituit a poupança interna pela externa e/ou outras variáveis.

    Enfim…
    Estas são as minhas opiniões.
    Valeu?

  2. quem ha-de ser? diz:

    ora , os bancos e o estado , aproveitando-se da pouca cabecinha das pessoas que nao sabem fazer contas e acham que ha almocos gratis , facturam, ainda ,uns , ricos juros , e os outros mamaram bues de ivas , ias , imis , taxas , licencas e mais mil coisinhas que permitiu ao estado e seus servidores directos viverem a grande. e a malta de esquerda tb tem culpa…ser inquilino e feio e pobre.. nao ter carro e plasma tb.

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