O voto útil

Se dúvidas existissem ainda (como a memória é curta, já ninguém se lembrava dos 10 anos de cavaquismo), Cavaco Silva fez questão de mostrar que reúne algumas das piores características dos portugueses: pacovice cultural, falta de tacto diplomático e uma atitude cínica, demagógica e de falta de frontalidade constante. Enquanto isso, a sua máquina de propaganda continua falsamente a mitificar a sua figura como um exemplo de pseudo-responsabilidade e bom-senso, de professor e economista de excelência e de alguém à margem dos políticos (incrível para quem esteve 15 dos últimos 25 anos no poder e que só não esteve 20 em 20 porque em 1996 a memória do cavaquismo ainda não estava apagada), enquanto o Professor faz aquilo que tão bem sabe: assobia para o lado e refugia-se no silêncio em relação a quase tudo o que diga respeito a si ou… ao país.

Perante isto, por muito que me apeteça fazê-lo e mesmo contrariando aquela que seria a minha posição mais consciente, não posso votar em branco. Discordo da posição do Renato quando diz que “É a natureza das alternativas, em particular daquela que representa, que tornou a segunda volta irrelevante”. Discordo porque, pese embora a eventual fraqueza das diversas alternativas, é importante dar um sinal de que não há um unanimismo em redor de uma figura tão inenarrávelmente perversa como o Professor Aníbal Silva. Nesse sentido a segunda volta é fundamental (para a qual não contribuem vergonhosamente os votos em branco, fruto de um sistema eleitoral perfeitamente ridículo), para que reste um pozinho de credibilidade nesta autêntica República das Bananas.

Naturalmente que não poderei também votar no candidato do governo, Manuel Alegre. Se, desde Setembro de 2009, existissem ainda dúvidas sobre a cumplicidade actual entre Sócrates e Alegre, a campanha e a pré campanha trataram de as dissipar. Foi ver a forma triste como foi praticamente ultrapassado pela esquerda no debate com Cavaco, com que tenta fazer críticas aos défices sociais desculpabilizando o governo ou, no culminar de tudo isto, nos rasgados elogios que fez a Sócrates. No meio desta falta de  verticalidade e independentemente do resultado eleitoral, um dos principais derrotados está já encontrado: o Bloco de Esquerda. Sairá sempre desta eleição sem honra e numa encruzilhada ideológica.

Assim sendo, excluindo José Manuel Coelho ou Defensor Moura (se fosse Manuel João Vieira, a conversa já seria outra), restam-me duas opções, em que nenhuma delas me agrada particularmente.

Francisco Lopes foi o candidato que esteve melhor nesta campanha. Foi o mais assertivo e coerente nos debates, é o que tem feito críticas mais consistentes a Cavaco e ao governo e é provavelmente aquele com que ideologicamente mais me identifico. Por outro lado, custa-me alinhar nesta logica do PCP de total intransigência, de falta de vontade de encontrar qualquer tipo de convergências à esquerda (curiosamente há mais abertura para convergências vodka laranja – em Coimbra houve bons exemplos disso), de jogadas tácticas internas do Comité Central.

Simpatizo com o lado desalinhado de Nobre, a sua postura de não político (este sim, o que se nota perfeitamente no tipo de oratória bem menos padronizada), um certo espírito de cidadania descomprometida que envolvia muitos sectores da campanha de Alegre de 2006. Mas, pese embora a evolução que surgiu nos debates e na campanha, a falta de firmeza, alguns ziguezagues ideológicos e a recente aproximação à igreja, fazem-me ter muitas reticências em lhe dar o meu voto.

Resta uma semana de campanha para tomar uma decisão: Lopes ou Nobre. O voto útil, mas pouco convicto.

P.S. Numa eventual segunda volta entre Cavaco e Alegre, não haverá dúvidas. Entre o Sr. Silva e o alinhado com o governo do “engenheiro” Sócrates, só haverá um voto útil: BRANCO.

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31 respostas a O voto útil

  1. Renato Teixeira diz:

    Bom texto apesar das diferenças que conheces.
    Atenta apenas a um elemento, que provará, com toda a clareza, que não há nenhum unanimismo em torno de Cavaco Silva. Se as sondagens não estiverem muito longe da verdade, Cavaco ganhará à primeira volta mas com a abstenção que se prevê, isso pode significar não só menos do que teve em 2006, como menos de um quarto da população.

    A existência da segunda volta, além de ser um encargo bastante disparatado quando se sabe do tamanho das pernas da concorrência só vai glorificar o duelo entre duas das figuras que representam tudo o que tem acontecido nos últimos 37 anos.

    Compreendo, apesar de discordar, o voto em Francisco Lopes, em Nobre ou no Coelho, mas acho que não têm uma leitura política mais interessante do que os brancos, os nulos ou mesmo a abstenção.

    Acho por isso que o muito acertado este comentário na posta que linkas:
    “Para acabar e muito sinceramente já estou farto do paleio de que temos de fazer todos um grande esforço nacional para derrotar Cavaco Silva, como se tudo o resto fosse acessório! Não há pachorra… é exactamente o mesmo tipo de argumentação que o PS utiliza nas legislativas para “supostamente” derrotar a direita.”
    como acho que continuas coberto de razão neste teu texto:
    http://5dias.net/2010/08/26/o-apelo-ao-voto-em-branco-do-pcp/
    Abraço.

    • gg diz:

      Oh Renato, então andava era à procura de uma razão para votar em branco… tanto enrolou que já tá. Será o voto em branco o barómetro do BE nestas eleições (será superior a 5%?)

      E reparem… a quem doí um voto em branco? ao belmiro? aos que ganham milhões por dia? a esses, enquanto os votos forem interessando suportam o “sistema democrático” qd deixarem de interessar acaba-se, ou reformula-se o significado do vot no sistema política. basta vêr o inúmeros exemplos históricos…

      O voto em branco não lhes doí… e no Nobre? aquele que defende 100 deputados (quejeito daria aos belmiros se pela Assembleia andassem só laranjas e rosas, amarelos e estrelicados…)! que bom era seremos “representados” por um homem, para quem o seu é tão grande mas tão grande… nobre (de quem tinha uma opinião razaoável) revelou-se como arrogante e tão próximo de cavaco que até o tapete lhe tiraram…

      Vote Francisco Lopes, esse voto congrega a opção por uma mudança de fundo, um compromisso com os trabalhadores e o povo português. Vote, João Torgal, que não verá o seu voto ser esbajado em negociatas, nem a favor de populismos!

  2. Leo diz:

    “Francisco Lopes foi o candidato que esteve melhor nesta campanha. Foi o mais assertivo e coerente nos debates, é o que tem feito críticas mais consistentes a Cavaco e ao governo e é provavelmente aquele com que ideologicamente mais me identifico.”

    Mas o seu anti-comunismo é mais forte, certo João? É pena.

  3. francisco caetano diz:

    entre o nobre e francisco lopes mesmo com a possibilidade de este vir a ser o próximo secretário geral( com o qual não concordo por achar que jerónimo de sousa tem feito um digníssimo e eficiente trabalho), não há dúvidas nenhumas nem comparações que são sempre odiosas. Francisco Lopes claro!

  4. miguel serras pereira diz:

    Grande post, João Torgal. Apesar de, por razões em boa parte solidárias das suas, a minha recomendação de voto seja, desde a primeira volta, o voto em branco.
    Abrç

    msp

  5. Com os votos em branco ainda vá, agora com a abstenção?? São as pessoas que se estão nas tintas, não as que formulam um voto de protesto.

    Não se trata de derrotar Cavaco, nem me vês a apelar ao voto útil numa eventual segunda volta. Apenas um desejo de que esta personagem tão perversa não vença já, de que haja pelo menos uma maior divisão de votos. Infelizente, os votos em branco têm uma leitura política e eleitoral muito reduzida.

    • subcarvalho diz:

      Caro João,
      nada mais errado. Eu não voto e não me estou nas tintas! quer dizer, estou-me nas tintas para esta corja de gente que se governa à custa da legitimidade dos votos. Provavelmente, quem vota está-se mais nas tintas do que quem não vota. E mesmo que muitos do que não votam se estejam nas tintas, isso não deixa de ser uma posição com leitura política.

    • Luis Ferreira diz:

      Caramba, já chega de alimentar o discurso preferido das eleições burguesas. Quem se está nas tintas tanto se abstém como vota Cavaco, Lopes ou em branco. Mas que raio, quando chega às alturas de eleições transformam-se todos em omniscientes das intenções de cada um.

      O que significa o voto em branco afinal? Que não se sabe em quem votar, por exemplo. Que se em vez do Alegre fosse o Jaime Gama lá iria a cruzinha assassina.

      Deixem de fazer o jogo do inimigo.

  6. ze artolas diz:

    EU VOTO JOSE MANUEL COELHO!!!

  7. A.Silva diz:

    A questão não é Cavaco, por Cavaco.
    É o que ele representa da direita mais estupida, incluindo Sócrates e muito do PS .
    A questão, é no presente poder escolher um resultado que seja o melhor para os objectivos de quem sabe que a solução dos problemas está na rotura com este sistema.
    Não percebo certas duvidas?

  8. Lopes é o candidato de um partido, diz sempre o que o PCP diria em legislativas. Lopes enrola-se na bandeira do PCP, logo, não pode ser Presidente da República.

    Nobre- finalmente alguém no 5 dias vê este candidato-, diz, precisamente o que alguma esquerda anti/capitalista pensa: “Simpatizo com o lado desalinhado de Nobre, a sua postura de não político (este sim, o que se nota perfeitamente no tipo de oratória bem menos padronizada), um certo espírito de cidadania descomprometida que envolvia muitos sectores da campanha de Alegre de 2006. Mas, pese embora a evolução que surgiu nos debates e na campanha, a falta de firmeza, alguns ziguezagues ideológicos e a recente aproximação à igreja, fazem-me ter muitas reticências em lhe dar o meu voto.” Nobre aproxima-se do melhor que a Igreja tem: solidariedade e ajuda, ajuda concreta aos mais necessitados, não a Igreja dos generais (bispos e companhia, lda ).

  9. AL diz:

    Finalmente falam de NOBRE! Como a diferença incomoda! Até o juntam agora à Igreja! Os comunistas que muito respeito pelo papel fundamental que fazem há décadas, têm aqui um candidato digno de lutar com eles! O problema é que ele apregoa, mas também faz como o prova o seu percurso. Quem não gostaria de ser representado por um HOMEM assim? Pensem e façam pensar!!! Só faltam 5 dias, antes da manada de Carneiros ir toda contente lançar-se no Abismo, e os pastores são poucos para acordar este Portugal!!!

    • JMJ diz:

      Do que tenho ouvido de Nobre, não tenho sentido senão receio. O discurso deste candidato é um conjunto de platitudes contra o sistema politico, contra os politicos e a politica.

      É um discurso perigoso, porque normalmente traz consigo a ideia que a politica não é para preocupar as cabecinhas dos pobrezinhos do povo, que as ideologias não servem para nada e que não se deve nunca “abanar o barco” porque é preciso estabilidade para a governação.

      É um discurso que é herdeiro de Salazar, de Mussolini, de Cavaco e de tantos outros. Um discurso fascizante e demagógico.

  10. antónimo diz:

    Não percebo a inclinação por Nobre. No único debate que vi com ele (o de Lopes) – que por acaso foi o único debate que vi completo – o fulano passou o tempo todo a perguntar quantas vezes o oponente já tinha operado alguém debaixo de fogo em 1982 no Líbano ou quantas vezes já teria estado a operar alguém com uma pistola encostada à cabeça ou a ajudar um miúdo a apanhar uma galinha que lhe fugia com um pedaço de pão. O Lopes tinha-se safado se contrapusesse: E o senhor, quantas vezes já mudou um fusível?

    Depois disse-se livre por ter apoiado Durão Barrroso (o homem do Iraque) para primeiro-ministro e de ter sido mandatário do Bloco para mais não sei o quê. No fundo pareceu-me que ia a todas menos às do PCP, que acusou, cereja no bolo, de ser responsável pela crise.

    Nesse debate negou ainda as acusações que lhe fizeram sobre afirmações suas sobre o Orçamento/PEC III e sobre o SNS, que Raul Vaz no dia seguinte confirmou na Antena 1.

  11. Camarro diz:

    Caro João Torgal

    Sinceramente não percebo esta sua formulação:

    “Por outro lado, custa-me alinhar nesta logica do PCP de total intransigência, de falta de vontade de encontrar qualquer tipo de convergências à esquerda…”

    “Naturalmente que não poderei também votar no candidato do governo, Manuel Alegre. Se, desde Setembro de 2009, existissem ainda dúvidas sobre a cumplicidade actual entre Sócrates e Alegre, a campanha e a pré campanha trataram de as dissipar.”

    “No meio desta falta de verticalidade e independentemente do resultado eleitoral, um dos principais derrotados está já encontrado: o Bloco de Esquerda. Sairá sempre desta eleição sem honra e numa encruzilhada ideológica.”

    E depois é o PCP que é intransigente e que não tem vontade de encontrar alternativas à esquerda… Como é que o PCP pode ter vontade de encontrar uma alternativa à esquerda com o cenário que o João, e bem diga-se, traçou?

    Veja lá se vota antes no Francisco Lopes…

    Cumprimentos

  12. João Torgal diz:

    Camarro, a referência à convergência era geral e, neste caso, não passava naturalmente por Alegre. Passava sim por tentar uma convergência com sectores comunistas menos ortodoxos e com independentes de esquerda. Carvalho da Silva tinha sido a solução

    • antónimo diz:

      A mim parece que a única convergência que se trabalhou durante cinco anos foi a do BE com Alegre e deste com o PS. Mau tiro, portanto e independentemente dos resultados eleitorais que espero não sejam excessivamente maus.

    • Ricardo diz:

      Mas o João Torgal, tal como o povo português; será chamada a pronunciar-se sobre quem presidente pretende entre os actuais candidatos.
      Pelo que escreve, compreende que não é indiferente se o próximo presidente da república é fulano ou beltrano. Assim, não consigo aceitar que se incline para antes de ir a combate se possa assumir derrotado e admitir um não voto, que na prática é um voto em Cavaco Silva. Repare que não falo em voto útil, o que até poderia fazer, pois o voto em Francisco Lopes não só representa a recusa do projecto político que tem conduzido o país à actual situação, assumindo a necessária mobilização e repsectivas convergências políticas para construirem a alternativa patriótica e de esquerda, tal como é a efectiva recusa ao conformismo relativo ao projecto político que Cavaco Silva sempre tem representado.
      O que está em causa é concreto e real. O que está em causa não é um exercício intelectual sobre quem melhor desempenharia o cargo presidencial, cumprindo e fazendo cumprir a Constituição da República Portuguesa, e não qualquer estatuto de uma ONG, por muito altruista ou solidário que seja.
      É perante estas exigências, que o João Torgal e demais legítimos eleitores que descontentes devem somar o inconformismo no seu voto necessário no próximo domingo.

    • Camarro diz:

      Caro João Torgal

      Tem que me explicar essa dos comunistas menos ortodoxos… aqueles que apoiam Alegre? Presumo, então, que votaria convictamente em Carvalho da Silva?

  13. Leo diz:

    “Francisco Lopes foi o candidato que esteve melhor nesta campanha. Foi o mais assertivo e coerente nos debates, é o que tem feito críticas mais consistentes a Cavaco e ao governo” escreveu João Torgal.

    E contudo acrescente “Resta uma semana de campanha para tomar uma decisão: Lopes ou Nobre. O voto útil, mas pouco convicto.”

    Alti-comunismo é assim, displicentemente diletante.

  14. Mary diz:

    O entusiasmo com o Nobre deve-se à adesão do Edmundo Pedro ou da fundadora do PSD?

  15. JMJ diz:

    Parece-me que estamos centrados demais na questão de dia 23.

    Nesse sentido, e tendo em conta as sondagens (menos) e o historial destas eleições presidenciais em que concorre um presidente em funções (mais), as coisas estão minimamente esclarecidas. Por mais que Cavaco vá dando tiros nos pés, a sua base de apoio (PSD e PS de Socrates, e CDS/PP) chegará para lhe dar a vitória.

    A questão centrar-se-à então no dia 24 e na análise que terá que ser feita aos resultados de cada um dos candidatos enquanto expressão da vontade de mudança ou não do rumo do país.

    Neste sentido, podemos descontar Nobre, Moura e Coelho, porque são candidaturas personalizadas com pouca ou nenhuma sustentação ideológica que possa ser transferível para um movimento de massas nas lutas que se avizinham.

    Alegre será sempre o derrotado principal porque a unica forma de legitmação da sua posição é a vitória nas eleições, coisa que nem o próprio PS quer. Por outro lado, mesmo o PS querendo e podendo ganhar estas eleições, a sua vitória seria reveladora de um preocupante apoio à situação actual do País.

    Sobra Francisco Lopes que, com uma forte votação, mesmo que não ganhe, mesmo que não passe à segunda volta, será sempre, caso consiga ir além do eleitorado tradicional do PCP, um sinal evidente de descontentamento, de vontade de mudança, que mais nenhum candidato poderá personalizar de forma tão evidente.

    Neste sentido, mesmo se para efeitos deste acto eleitoral, Francisco Lopes ter 7% ou 17% possa ser semelhante, para o futuro do país, para a análise politica e da situação politica do país, será sempre determinante na definição do rumo da governação.

    Uma forte votação em Francisco Lopes é um sinal importantissimo para dia 24 de Janeiro, quando a luta voltar para o seu devido lugar – junto das massas, no seu quotidiano – e sair dos campos de batalha eleitorais. Será o sinal claro de que os portugueses estão fartos de mais do mesmo e de serem arrebanhados em carneirada pronta para sacrificios.

    Será um sinal claro para Socrates e Passos Coelho que têm que contar com os trabalhadores e com a população e que não podem continuar a governar contra eles.

    • Mary diz:

      “Uma forte votação em Francisco Lopes é um sinal importantissimo para dia 24 de Janeiro, quando a luta voltar para o seu devido lugar – junto das massas, no seu quotidiano – e sair dos campos de batalha eleitorais. Será o sinal claro de que os portugueses estão fartos de mais do mesmo e de serem arrebanhados em carneirada pronta para sacrificios.

      Será um sinal claro para Socrates e Passos Coelho que têm que contar com os trabalhadores e com a população e que não podem continuar a governar contra eles.”

      Tem toda a razão. E o João Torgal sabe disso e por isso mesmo joga (mal na minha opinião) no suposto dilema “Lopes ou Nobre”. Porque está a jogar contra si próprio. O que é uma estupidez.

    • a anarca diz:

      subscrevo na íntegra :
      “Uma forte votação em Francisco Lopes é um sinal importantissimo para dia 24 de Janeiro, quando a luta voltar para o seu devido lugar – junto das massas, no seu quotidiano – e sair dos campos de batalha eleitorais. Será o sinal claro de que os portugueses estão fartos de mais do mesmo e de serem arrebanhados em carneirada pronta para sacrificios.

      Será um sinal claro para Socrates e Passos Coelho que têm que contar com os trabalhadores e com a população e que não podem continuar …”

    • serraleixo diz:

      Também estou de acordo. O meu voto está lá! É o único que não suscita dúvidas.

  16. agent diz:

    Entre Nobre e Lopes? Lopes, de longe!
    Nobre é hype lançado por gente tão credível como Margarida Pinto Correia e restante trupe do jet sete da pseudo-caridade. Tenho pena que pouca gente entenda o estilo cómico/satírico do candidato Coelho – preferir estilos mais sérios e corruptíveis são os resultados que estão aos olhos de todos.

  17. Zé Miguel diz:

    Bom texto João!

    Como é óbvio o voto, para além de ser político, é sempre um acto de bastante reflexão pessoal (pelo menos para mim). Muito por isso tenho contestado a argumentação que tem surgido a condenar o voto em branco, porque considero que o mesmo, embora não conte para o apuramento aritmético do vencedor, tem sempre um significado político. Pode acontecer por contestação política, pela ausência de candidatos com os quais no identificamos etc, etc. Por ser um voto pessoal e com significado político não deve ser desvalorizado.

    Pessoalmente, não irei votar em branco porque considero que o Francisco Lopes sintetiza em muito aquelas que são as minha preocupações, revela de forma clara quais os problemas de Portugal, identifica sem rodeios os culpados desta crise e acima de tudo apresenta coerência política. Coerência essa que nenhum outro candidato apresenta.

    Embora habitualmente vote no BE, partido do qual já fiz parte, faço das tuas palavras as minhas: o BE vai ser o grande derrotado destas eleições e claramente vai entrar numa encruzilhada ideológica.

    Abraço!

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  19. Orlando diz:

    João, gostei do seu texto, mas por favor não compare o Francisco com o Nobre, este nunca deveria ter saído de onde estava, na AMI, fazia um bom trabalho. Fiquei surpreso com o aparecimento desta candidatura e embora saiba de ante mão que ela têm a chancela de Mário Soares, fiquei na expectativa, mas ela só durou até ao primeiro debate, depois de ver ele acusar o Francisco que que ele era responsável pela crise, tirei logo as minhas duvidas, este senhor representa tudo aquilo por que sempre lutei. Não existem democracias sem partidos e um homem que já poisou em todos (excepto o PCP), não me induz confiança nenhuma, além disso concorda com o orçamento e aprova um governo de salvação nacional entre o PS e o PSD.
    João, se de facto você é uma pessoa de esquerda, só tem mesmo uma única alternativa, votar Francisco Lopes. Espero que faça a escolha certa este domingo correcta. Um forte abraço.

  20. amsf diz:

    Já encontrei o candidato que há-de levar o meu cartão vermelho às elites portuguesas, esse candidato é o José Manuel Coelho.

    Palhaço e maluco é o povo que vota sempre da mesma maneira esperando obter resultados diferentes!

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